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Kilisenin Vergilendirilmesi; Katoghikos I Stepanos Dvnetsi (788-790)

Quando surgiu na sociedade o excedente econômico, começou-se a divisão do trabalho, separando o artesanato da agricultura e reforçando a economia natural66. Há uma sobreposição da economia ao poder do chefe supremo e dos chefes de família e uma apropriação do excedente econômico pela minoria que assume uma forma de dominação, ainda nessa fase denominada de cooperação simples (ENGELS, 2002, p. 12).

Apesar de a burocracia não ser a única forma de organização social, onde ela surgiu, acabou triunfando, a exemplo da China, Egito, Império Romano, Bizâncio, mesmo tendo predominado nesses lugares formas de burocracias irracionais, caracterizadas como burocracias patrimoniais. Geralmente era o escravo que desenvolvia a função do burocrata. Inclusive, a primeira força policial de Atenas foi recrutada entre os escravos, porque não era digno um homem livre privar da liberdade outro homem livre.

A realização de obras nas culturas de irrigação, construção de canais e horticultura nas comunidades, principalmente no Antigo Egito, passaram a requerer uma direção para coordenar os trabalhos, transformando as funções com o surgimento de uma hierarquia nos postos de trabalho, sendo que as autoridades superiores passaram a explorar as comunidades subordinadas quando se deu a apropriação da terra pelo Estado patrimonial burocrático, ou burocracia patrimonial.

O controle da água do rio Nilo era dirigido pelo Estado e o caráter centralizado do Egito passou a se repetir, na Antiga Mesopotâmia e na China, onde os cultivadores passivos sob a direção de uma classe letrada de funcionários planejavam e executavam o plano (WEBER, 1964, p. 775). Além dessas sociedades, o modo de produção asiático engloba

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Economia natural aparece para Weber como sinônimo do que denominou de economia consuntiva (TRATEM BERG, 2006, p. 31).

também se desenvolveu no México e no Peru, com os Incas e os Maias, e pressupõe a existência quase nula de divisão do trabalho entre campo e cidade, transição da economia de consumo para produção do excedente, e exploração de mão de obra, sendo o Estado, a autoridade suprema. A burocracia é composta de militares, intelectuais e funcionários públicos.

A burocracia patrimonial tem como base a propriedade. Fazendo um retrospecto às civilizações antigas é possível observar que nesse espaço temporal essa forma burocrática não foi instrumento auxiliar do capital. Ou

seja, “nesse período administrava-se, explorando através do tributo, a

exemplo do Egito, no qual a burocracia surgiu de necessidades técnicas de coordenação e supervisão, para deter o monopólio de um poder político que tinha, no faraó, seu símbolo máximo” (MOTTA, 2000, p.14).

O cultivo da terra na China era elaborado, naquela época, por intelectuais que mantinham em segredo as técnicas e cuidavam para que o plano fosse executado conforme o planejamento. Já na Rússia, o antigo governo criou comunidades de aldeias por razões administrativas e fiscais. A terra pertencia a um grão-príncipe e ao seu grupo, e os camponeses pagavam o tributo por meio de produtos produzidos como cera, mel e cereais.

Durante o feudalismo, os administradores da burocracia ou pertenciam à classe feudal ou eram absolvidos por ela, e, como a burocracia fazia parte da ordem feudal não precisava de uma hierarquia para dirigir assuntos públicos ou para aplicar normas de disciplina nas massas. Nesse tipo de burocracia, a legitimação do poder prescinde da crença na eternidade da ordem social, na justiça e na pertinência da maneira tradicional de agir.

O líder tradicional é o senhor, o qual comanda em virtude de seu status de herdeiro. Suas ordens são pessoais e arbitrárias, mas tem seus limites fixados pelos costumes. Seus súditos obedecem- no, seja por lealdade pessoal, seja por seu status tradicional. Quando este tipo de dominação se estende sobre uma população e um território relativamente grandes, o aparato administrativo decorrente pode tomar duas formas ideais, a patrimonial e a feudal (FERRARI, 1971, p.73).

Marx caracterizou as formas primárias e secundárias das formações econômicas pré- capitalistas, estabelecendo as razões de sua diferenciação, dividindo-as em sociedades antigas, asiáticas, eslavas, clássica arcaica e germânica, sendo que a asiática aparece em nível individual, comunitário e despótico.

No Grundisse e na Crítica da economia política, o modo de produção asiático aparece como a primeira etapa da história social e apresenta quatro modos de produção: asiático, antigo, feudal e burguês moderno. Na ideologia Alemã aparece o conceito de modo de

produção e a existência da comunidade tribal, propriedade comunal da Grécia Antiga e o início da História de Roma em contraste com a propriedade privada (TRATEMBERG, 2006, p. 63).

No Manifesto do Partido Comunista são estabelecidos os modos de produção que abrangem da Roma Antiga à burguesia da sua época, observando o antagonismo entre as classes, mas não são citadas as sociedades tribais, patriarcais e asiáticas67. É nesse modo de produção que a burocracia surge como a expressão da classe dominante, exercendo o poder político. Observa-se, então, uma concomitância entre o modo de produção asiático e a burocracia patrimonial feudal. Entretanto, a origem de sua concepção remonta a Aristóteles, Maquiavel, Hobbes e Montesquieu. Posteriormente, outros estudiosos trouxeram as suas contribuições, como: Stuart Mill, Marx e o próprio Hegel, sendo que cada um apresenta pontos de vista diferentes quanto ao papel do Estado na economia, o aparato administrativo e os sistemas de legitimação.

Com base nas análises de Tratemberg (2006), no que se refere às questões estatais, na burocracia patrimonial, o poder é exercido de forma tirânica e arbitrária, mas, a sua base legal e voluntária o distingue do regime de tiranias resultantes de conquistas. No âmbito econômico, o Estado é empreendedor e monopolizador, porém, há dependência da classe dominante para com a burocracia que é hierarquizada e normatizada para gerir os negócios do soberano. Os sistemas de legislação baseiam-se na tradição e tem a ajuda religiosa que faz a divinização do monarca, cuja estrutura confunde-se ou subordina-se ao Estado (FERRARI, 1971 p.75).