1. GİRİŞ
2.1. İlgili Literatür
2.1.6. Motivasyon
O objeto deste estudo, o movimento da identidade, exige a realização de entrevistas ao longo de um certo tempo. Deste modo, estabeleceu-se a realização de três entrevistas com um intervalo de dois meses entre elas.
Foram realizadas três entrevistas com cada participante ao longo de cinco meses, ou seja, o intervalo entre as entrevistas foi de no mínimo de 60 dias. As primeiras entrevistas aconteceram ao longo do mês de julho, sendo as próximas realizadas em setembro e as últimas realizadas durante o mês de novembro do ano de 2004. Compreendeu-se que o objeto da presente pesquisa exigia da pesquisadora um acompanhamento dos participantes, pois se trata da investigação da produção de um processo, que é a Identidade Pessoal no que concerne ao processo de inserção profissional.
O tempo de intervalo entre as entrevistas, bem como o período (a partir de 03 meses) de trabalho considerado como critério de participação são compreendidos como suficientes. No trabalho realizado na Prefeitura Municipal de Maracanaú, foi possível perceber mudanças, em questão de semanas, nos jovens que conseguem o primeiro emprego. De acordo com o referencial teórico deste estudo, considera-se que a identidade humana é plástica e também relacional. Ao se alterarem as relações que o indivíduo estabelece, sua identidade também se modifica. Considerar a necessidade de longos períodos de tempo para que se verifique algum movimento na Identidade Humana revela uma concepção estática do fenômeno. Como afirma o próprio Ciampa (1984) a aparente mesmice da Identidade esconde também um movimento de manutenção. Para que algo se mantenha, é preciso que algo se altere. A expectativa é de que o movimento da Identidade do Jovem se dê na direção da mudança de um determinado modo de existir para outro, por uma série de considerações que já foram elucidadas, mas uma expectativa é uma espera, que aguarda justamente a construção de informações para sua confirmação ou para sua transformação.
A Secretaria do Trabalho e da Juventude forneceu, em março de 2004, uma lista com 22 jovens colocados pelo Emprego Jovem. Sabe-se, através dos Relatórios, que o número de colocados, até dezembro de 2003, era de 26 jovens. Houve dificuldade para a produção desta lista, penso que pelo motivo de não ser objetivo do Projeto acompanhar esses jovens. Desta forma, os nomes se transformam em números para os relatórios e a possibilidade de contato ficou cada vez mais difícil. Mesmo sendo funcionária da Secretaria, não tive acesso direto aos dados dos colocados pelo Projeto, então, tive de lidar com a lista fornecida.
Dos 22 nomes fornecidos, em 03 constava apenas o nome da empresa de trabalho. Em outros 04 o telefone do jovem estava bloqueado, inoperante, desatualizado ou não constava telefone, o que resultou em falta de contato com 07 pessoas. Dos 15 jovens com quem o contato foi estabelecido, 04 já não estavam dentro dos critérios de participação, ou pela idade, ou por demissão e conseqüente desemprego. 03 pessoas afirmaram que não tinham disponibilidade em participar, ou não se mostraram disponíveis no momento da entrevista. Das 08 disponíveis, 02 pessoas participaram do treinamento prévio e as outras 06 são os participantes das entrevistas.
4.5.1 Treinamento prévio
Foi realizado no mês de abril de 2004 o treinamento prévio do Guia de Entrevista, que evidenciou algumas questões:
Quanto ao acesso aos participantes:
Foi solicitada ao Projeto Emprego Jovem uma lista com o contato de todos os colocados na situação de trabalho formal pelo Projeto, desde o seu início, em 2003, e, como já explicitado, o acesso a esta lista e aos participantes foi um pouco difícil. Os participantes do treinamento prévio foram escolhidos aleatoriamente, dentre os 08 restantes e o convite foi feito por telefone, sendo feita a identificação da entrevistadora e o modo pelo qual obteve acesso ao contato, bem como explicada a situação de que se tratava de um treinamento prévio, etapa de fundamental importância para a realização da pesquisa, cujos dados gerados serviriam para ajuste do instrumento e aperfeiçoamento da entrevistadora, não sendo utilizados para análise dentro da pesquisa.
Quanto ao ambiente da pesquisa:
A realização do treinamento prévio aconteceu no local de trabalho da entrevistadora, por sugestão dos entrevistados. Observou-se, porém, que este local favoreceu o formalismo e a situação de “inquérito”, onde o entrevistado responde apenas ao que é perguntado. Este não pareceu ser um local adequado. As demais entrevistas foram, portanto, realizadas num ambiente onde o entrevistado sinta-se à vontade, de preferência em seu domicílio.
Quanto à realização da entrevista:
As perguntas da entrevista devem surgir da situação de conversa, e não obedecer rigidamente ao guia de entrevista. Cada conversa vai se desenrolar de modo singular, permitindo a inclusão ou supressão de questões. As perguntas devem facilitar a expressão do participante e não procurar por uma resposta.
O Treinamento Prévio foi, deste modo, um momento importante desta pesquisa, tendo a função apontada por Oliveira (2003, p. 72), de verificar a adequação e a consistência
das entrevistas, a eficiência do procedimento e aperfeiçoar a entrevistadora na utilização do guia de entrevista.
4.5.2 Realização das entrevistas
A apresentação da pesquisadora foi feita inicialmente por telefone. Era explicado o motivo da ligação, os objetivos da pesquisa e como se deu o acesso ao nome da pessoa. Informava-se as instituições a que se ligava a pesquisadora. De acordo com o interesse do jovem, foi combinado o momento e o local da entrevista, preferencialmente na residência dos participantes, onde esta apresentação inicial acontecia novamente, através da apresentação do Termo de Consentimento (modelo em anexo).
A duração de cada entrevista deve, de acordo com Montero (1991), partir de um acordo entre as partes, sendo suficiente, na maioria das vezes, o tempo de uma hora, o que se confirmou nesta experiência. As entrevistas foram gravadas. A transcrição foi realizada no intervalo entre uma sessão e outra. O caráter qualitativo dos dados tornou mais rigorosa a exigência desta etapa. Todas as transcrições foram revisadas por uma universitária do curso de Letras. Algumas vezes os participantes falavam algo importante após o gravador ter sido desligado. Então lhes pedia que retomassem ao assunto e religava o gravador, ou quando isso não era possível, por estar, por exemplo, a caminho da parada do ônibus, tomava notas e as acrescentava à entrevista.
As transcrições apresentadas em anexo seguiram as seguintes regras, indicadas por Koch (2000) e apresentadas resumidamente no quadro 10:
QUADRO 10 - Regras de transcrição
Ocorrências Sinais
Falas inaudíveis (incompreensível)
Dúvidas ou suposições (preenchido com o que se supõe ter ouvido)
Falas interrompidas /
Qualquer pausa ...
Comentários contextuais do analista ((em itálico entre parênteses duplos))
Ênfase ou acento forte LETRAS MAIÚSCULAS
Interrogação ?
Citações literais, reproduções de discurso direto ou
leituras de textos, durante a gravação “entre aspas duplas” Alongamento de vogal ou consoante :: podendo aumentar :::
Falas simultâneas no início de turno [[
Sobreposição de vozes (quando não ocorre no começo
do turno [
Sobreposição de vozes localizada [ ]
Cada sessão transcrita encontra-se em anexo. Contém informações a respeito de dia, local, hora - início e fim - além da identificação do participante, através de código.Os nomes de todos os envolvidos foram trocados ou suprimidos para resguardar a privacidade do participante.