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1. GİRİŞ

2.2 İlgili Araştırmalar

2.2.2. Motivasyon İle İlgili Yapılan Araştırmalar

Sentido, de acordo com Leontiev (1981), é o movimento de aprofundamento da consciência na atividade, é a expressão da relação do homem com o mundo, possuindo dimensões afetivas e cognitivas e fazendo parte da Identidade Pessoal. Foi possível perceber que Sísifo e Pandora atribuem ao trabalho o sentido de passagem da infância para a vida adulta, através de um aprendizado social nem sempre avaliado como moralmente desejável. O trabalho é, para eles, fonte de dinheiro, sustento e independência, corroborando o que diversos estudos apresentados à guisa de introdução dessa dissertação já haviam apontado. Além disso há a questão da realização pessoal, atribuída a um trabalho futuro, porém ligada a ele, e não à aquisição de itens de consumo, como é de praxe na sociedade atual, principalmente entre jovens.

Quanto ao trabalho atual, Sísifo aponta uma questão central, relativa à definição de trabalho enquanto atividade humana significativa para a Psicologia Histórico-Cultural, de acordo com Leontiev (1981): a função humanizadora do trabalho. É na vivência do mundo da fábrica, espaço que concentra diversos tipos de experiência e conhecimentos humanos, como relembra Vigotski (2003), que Sísifo sente-se mais gente. Pandora também destaca a importância das novas experiências vivenciadas no trabalho. Ela não compactua com a ideologia que liga trabalho a sofrimento, ressaltando que trabalhar está relacionado à vida e não à morte: “[...] se matar para trabalhar não está certo” [P3.12.8] .

Sísifo e Pandora querem viver e viver bem, não somente sobreviver. Eles querem ter suas necessidades atendidas e acreditam que isso possa acontecer por meio do trabalho. Essas necessidades não são apenas ligadas à sobrevivência, como apareciam no Período de Transição, quando trabalhavam para pagar as contas ou para não morrer de fome. Após a experiência de trabalho formal, eles desejam trabalhar no que gostam, querem sair, se divertir. Passam a fazer coro com os Titãs (1994) na música Comida:

Bebida é água Comida é pasto Você tem sede de quê? Você tem fome de quê? A gente não quer só comida, A gente comida, diversão e arte A gente não quer só comida,

A gente quer saída para qualquer parte, hum A gente não quer só comida,

A gente quer bebida, diversão, balé A gente não quer só comida, A gente quer a vida como a vida quer

... A gente não quer só comer,

A gente quer comer e quer fazer amor A gente não quer só comer,

A gente quer prazer pra aliviar a dor A gente não quer só dinheiro, A gente quer dinheiro e felicidade A gente não quer só dinheiro, A gente quer inteiro e não pela metade ... Desejo,

Necessidade e vontade Necessidade e desejo

... (ANTUNES; BRITTO; FROMER, 1994, f. 7)

Esses seres de cultura querem “viver como gente” e não apenas ter coisas. Para isso, como ensina Pandora, bastava permanecer casada. Então, o que se vê claramente aqui é a construção de um sentido diferente para o trabalho, e que se estende além dele, orientando o Projeto de Vida, como já demonstrado. A independência que eles trazem não é a do “turista- vencedor-desenraizado”, personagem pós-moderna construída por Costa, a partir de diversos autores, como paradigma do profissional de sucesso:

O “vencedor” [aspas do autor] [...] deve aprender a não ter elos sólidos com família, lugares, tradições culturais, antigas habilidades, e, por último, com o próprio percurso biográfico.

... O turista ou o desenraizado é o indivíduo que não se fixa em identidades passadas, vê o mundo como um espaço de circulação permanente e que jamais projeta o futuro a partir das condições de vida presentes.” (COSTA, 2004, p. 79).

Sísifo deseja ganhar o mundo, parte em busca de seu horizonte com os pequenos passos dados hoje. Ou seja, os valores “pós-modernos” da sociedade de consumo não são universais. Por que o acesso ao consumo, ou alusões a itens de consumo não aparecem na fala desses dois jovens? Eles não desejam ou não podem fazer parte da sociedade de mercado, como Costa (2004) prefere denominar a sociedade de consumo?

Essa é uma questão bastante relevante, pois boa parte do ser jovem, encontra-se atrelado a fatores provenientes do modo como a juventude é homogeneizada e apresentada como paradigma de vida na sociedade atual, a partir da noção de Juventude como crise e passagem. Abramo e Venturini (2000) revelam quanto à cultura e lazer, que o modo como os jovens aproveitam o tempo livre reforça a concepção da juventude atual como “geração shopping center”, guiada pelo consumismo, mas ressaltam o fato de que a pesquisa na qual se baseiam não lhes permite saber se esse comportamento é muito diferente do padrão adulto. A hipótese dos autores é que há uma reprodução do comportamento do adulto por parte do

jovem. A possibilidade de se divertir, “curtir a vida”, é o principal traço atribuído pelos jovens participantes da pesquisa de Abramo e Venturini (2000) à condição juvenil. O prazer ainda pode ser encontrado no trabalho, mesmo que futuro, sem excluir a possibilidade dos prazeres sensoriais, como comprar “coisas supérfluas, pizza, sorvetes” para compartilhar com os amigos. A diferença é que a vida dos participantes não se encontra orientada pelo desejo de consumir. Para Costa (2004), a atitude consumista não depende do nível de renda, ou seja, não é pelo fato de não terem acesso ao consumo de forma privilegiada que os participantes não apresentam esse desejo, até porque, como bem lembra o autor, “no Brasil a maioria tem uma renda pessoal ou familiar desprezível e se comporta como se tivesse uma renda alta, quando se trata de usar os objetos como coisas descartáveis.”(COSTA, 2004. p.84)

Esses “modelos” de juventude, que já foram questionados no Referencial Teórico deste estudo, engendram políticas de identidade, como também já discutido, não sendo de se estranhar o fato de que Sísifo oscile entre se reconhecer ou não enquanto jovem, admitindo por fim que pode ser um jovem diferente. É possível ser diferente. Além de Costa (2004), Lopes (2001) também diz ser possível um movimento de resistência às identidades dadas.

Pochmann (2002) avalia que nos anos 90 houve uma retração nos postos de trabalho ocupados por jovens. Além disso, adultos passaram a competir pelas poucas vagas existentes. Essa situação não tem precedentes. A saída adotada pelos países desenvolvidos foi ampliar o tempo de estudo. Leite (2003) afirma que a tendência dos últimos 20 anos foi tratar a questão do trabalho jovem a partir de um olhar “vitimizador” do jovem latino-americano, obrigado a trabalhar, quando o “certo” seria estudar por mais tempo. Coincidentemente, Leite (2003) localiza nos anos 90 o surgimento de uma nova tendência de análise do trabalho jovem, no sentido de reconhecer a presença dessa prática como expressão do ator social que lida com as injustiças. Assim, o trabalho adquire para muitos jovens de classes populares, bem como para Sísifo e Pandora, o sentido de aprendizado, socialização e fortalecimento da Identidade.

Benzer Belgeler