1. GİRİŞ
3.1. Araştırmanın Modeli
Depois de transcritas as entrevistas, o material foi organizado de acordo com a técnica da Análise Temática, que é, de acordo com Bardin (1977), uma das técnicas mais antigas e mais utilizadas em Análise de Conteúdo. Segundo López-Aranguren (1996), o objetivo das técnicas que compõem a Análise de Conteúdo é realizar inferências acerca de mensagens e comunicações, abarcando o conteúdo manifesto e podendo estender-se ao conteúdo latente.
A Análise Temática, para Bardin (1977), funciona através do desmembramento do texto em unidades e em categorias segundo reagrupamentos. As unidades de análise são as unidades de base as quais vão ser categorizadas. Podem ser unidades de registro e de contexto.
Na análise temática, o tema é uma unidade de registro, de significação complexa, que não deriva da lingüística, mas da psicologia. Bardin (1977) ensina que fazer uma análise temática é descobrir os núcleos de sentido que compõe a comunicação. O tema como unidade de registro é definido por uma regra de recorte de sentido que não pode ser definida a priori. De acordo com López-Aranguren (1996), o estabelecimento dos temas ou categorias é o momento mais importante da infra-estrutura da análise. Não existem regras fixas para o estabelecimento deste sistema, que vai se definir no movimento do pesquisador entre o empírico e o teórico. Deve, porém, segundo López-Aranguren (1996) e Bardin (1977), atender aos seguintes requisitos:
Refletir os objetivos da investigação.
Deve ser exaustivo, ou seja, deve ser capaz de abarcar todas as unidades de análise.
Os temas devem ser mutuamente exclusivos, para que cada unidade de análise possa constar em somente uma categoria.
Os temas devem ser independentes, para que a classificação de uma unidade de análise não interfira na outra.
Deve derivar de um único princípio de classificação que ordena os níveis de análise conceitualmente diferentes.
As dimensões consideradas para organização do material das entrevistas, no presente estudo, são as mesmas já abordadas na ocasião da realização destas, e ainda outras que surgiram do próprio material produzido.
As técnicas de análise temática ou categorial (BARDIN, 1977) obedecem ao procedimento de pré-análise, análise, tratamento e interpretação do material. A pré-análise é, para Bardin (1977), um momento de organização do material. Visa à sistematização das idéias iniciais. Durante esta fase, de acordo com a metodologia proposta, foi realizada a leitura flutuante, leitura interessada, que se deixa levar por impressões e orientações.
Foi feito também o recorte do texto em unidades de análise, que são os pontos significativos daquela fala. As unidades de análise costumam ser menores do que as recortadas nessa pesquisa. Escolheu-se, porém, recortar unidades um pouco maiores para não fragmentar muito o discurso dos sujeitos. Na fase de análise, o material foi codificado, e o Quadro Temático, composto a partir das unidades de análise, cada uma com sua respectiva codificação e valoração.
Os valores considerados são: positivo, intermediário (afirmações mistas e neutras) e negativo. A atribuição de valor complementa a unidade de análise. As qualidades negativa, intermediária ou positiva permitem avaliar a posição do participante em relação ao tema. Trata-se também de explicitar um aspecto implícito daquele discurso. Para este efeito a quantidade de valorações atribuídas em cada momento foi reunida no Quadro de Valoração (anexo).
Para validar a atribuição dos valores foi realizado o processo de triangulação (OLIVEIRA, 2003), em duas fases: análise de convergência e negociação ou validez respondente. Outro analista, em um momento separado, leu os quadros temáticos e as entrevistas transcritas e atribuiu valores a cada unidade já recortada. Em um momento seguinte, comparamos os resultados e, verificada a convergência (Quadro 8), foi negociado o consenso.
QUADRO 8 – Triangulação
Particip. Temas Total de
Unidades Convergência Porcentagem de Convergência Divergência Porcentagem de Divergência Momento Presente 14 12 86% 2 14% Relações Familiares 79 72 91% 7 9% Relações Sociais 14 0 100% 0 0% Formação Esc./Prof. 8 6 75% 2 25% Período de Trans. 8 7 87,5% 1 12,5% Relações Prof. 83 80 96% 3 4% Expect. 30 28 93% 2 7% Pandora Percepção de si 60 56 93% 4 7% Momento Presente 19 12 63% 7 37% Relações Familiares 40 32 80% 8 20% Relações Sociais 58 50 86% 8 14% Formação Esc./Prof. 13 10 77% 3 23% Período de Trans. 15 13 87% 2 13% Relações Prof. 45 40 89% 5 11% Expect. 40 38 95% 2 5% Sísifo Percepção de si 94 89 95% 5 5%
A validade da Análise Temática é uma validade interna, que reside na existência de uma relação lógica entre categorias e resultados, estabelecida no tópico a respeito da Análise e Discussão dos Dados e Conclusões.
As unidades de análise estão organizadas de acordo com o tema a que se referem. O Quadro Temático permite a organização da entrevista de modo a viabilizar o tratamento dos dados e uma posterior interpretação, facilitando a identificação das informações.
Vejamos o exemplo:
S, 19 anos, ensino médio concluído
Experiência de 1 ano no setor de produção industrial Identificação do participante QUADRO 9 – Exemplo de Quadro Temático
Valor
Temas Cód. Unidades De Análise
+ * - Momento
presente
S2.1.1 a S2.1.8
Interessante por que na vida de uma pessoa, com exceções, não existem tantas mudanças assim de acordo com o tempo, lógico, não teve ocorrências na vida radicais, do tipo: até bem pouco tempo atrás minha vida era mesma, tirando o fato de que eu engordei durante o período que eu trabalhei à noite (risos) nada tinha mudado, mas de repente surgiu o que? Faz questão de duas semanas o cotidiano daqui de casa mudou por que minha mãe começou a trabalhar na casa de um parente, meu pai começa a trabalhar hoje, então, isso assim, pode não parecer tão significativo, mas com o tempo, vai gerar mudanças incríveis.
A codificação consta de uma letra, que se refere ao participante, de um número, que se refere à entrevista, sendo 1 para a primeira, 2 para a segunda e 3 para a terceira. O próximo número refere-se à pergunta, e o último número, à linha daquela pergunta onde se encontra o início da unidade. Em casos de unidades muito longas, com mais de cinco linhas, o quadro apresenta também a codificação correspondente à última linha, onde termina a unidade. Deste modo, o código S2.1.1 a S2.1.8 representa o participante Sísifo, em sua segunda entrevista expressando-se a respeito da primeira pergunta, numa unidade de análise que vai da primeira à oitava linha.
Há um Quadro para o participante Sísifo (S) e outro para a participante Pandora (P), constando das unidades de análise e respectivas codificações e valores de todas as entrevistas em seqüência, de modo que o leitor acompanhe a movimentação das expressões a respeito dos temas.
A interpretação busca examinar o material organizado à luz do interesse do estudo e a partir dessa fase é possível fazer inferências. De acordo com López-Aranguren (1996), inferências são conclusões não diretamente relacionadas com o conteúdo das mensagens, mas que se apóiam nos resultados da análise. A teoria vai justificar as relações entre os dados feitas pelo investigador.
Os temas serão apresentados em termos de Análise e Discussão a respeito de cada participante.