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1. GİRİŞ

3.4. Deneysel İşlemler

Este estudo referiu-se ao processo de construção de si mediante o trabalho, em jovens colocados pelo Projeto Emprego Jovem da Prefeitura Municipal de Maracanaú. O problema foi abordado do ponto de vista teórico a partir das categorias Identidade Pessoal, cuja construção partiu das contribuições de Ciampa (1984, 2001) e Góis (1995), e Trabalho/Atividade Humana, de acordo com Leontiev (1978, 1981) e Vigostski (2003). A categoria juventude foi amadurecida no estudo de pesquisas realizadas por diversos autores, discutida a partir dos questionamentos de Bock (2000) e Quapper (2001) de modo a fundamentar a escolha pelo aporte teórico proposto por Vigostki (1984), e o contexto de exclusão social, bem como seus efeitos na Identidade Pessoal, foi analisado com Martín-Baró (1998), Góis (1993) e Rogers (1989), além da valiosa leitura de outros autores.

Buscava investigar o movimento da Identidade Pessoal de jovens em processo de primeira inserção no mercado de trabalho, tendo sido colocados pelo Projeto Emprego Jovem da Prefeitura Municipal de Maracanaú. Dentro disso, procurava, mais especificamente, pela relação entre inserção profissional e projeto de vida e objetivava compreender, à luz das categorias Identidade Pessoal e Trabalho, papéis e personagens vivenciados e abandonados pelos jovens por ocasião da inserção profissional. As expectativas de resultados foram expostas, como ferramenta para uma discussão posterior. Em termos metodológicos, a pesquisa foi delineada de acordo com os pressupostos de um estudo qualitativo. Os dados foram tratados conforme o procedimento de Análise Temática e discutidos mediante a teoria exposta anteriormente.

Dentro da proposta do estudo é possível avaliar que os objetivos foram atingidos e as expectativas de resultados, trabalhadas. As relações entre inserção profissional e projeto de vida foram discutidas à luz do Referencial Teórico desse estudo, elucidando pontos como a relação entre o projeto de vida e a consciência, o Caráter Oprimido, o Valor Pessoal e o Poder Pessoal; o redimensionamento da vida dos jovens por ocasião da inserção profissional e o significado da manutenção da profissionalização e do estudo no projeto de vida desses jovens, mesmo após a conclusão do nível médio.

A discussão a respeito dos sentidos do trabalho na vida de Sísifo e Pandora ajudou a compreender como é essa vida que eles desejam para si e de que modo o trabalho faz parte dela. Ficou caracterizada a diferença desses jovens em relação à sociedade de consumo e a alguns modelos de juventude, já questionados no referencial teórico.

Dentro dos sentidos que Sísifo e Pandora atribuem ao trabalho, a partir das vivências já analisadas, do período de transição e das relações profissionais, sociais e familiares, foi possível examinar, à luz das categorias Identidade Pessoal e Trabalho, os papéis e personagens vivenciados e abandonados pelos jovens durante a inserção profissional. Algumas personagens que Sísifo e Pandora desejam negar ainda se mantêm, o que deixa claro que o movimento da Identidade Pessoal não é linear, e o caminho de Sísifo e Pandora em direção ao Valor Pessoal e ao Poder Pessoal não é retilíneo, é reticular.

Concluiu-se que é possível compreender que o trabalho faz parte da vida de Sísifo e Pandora, e dele decorre um rearranjo de suas relações com o mundo, consigo e com os outros, facilitando o movimento da Identidade.

As palavras de Leontiev (1978) são oportunas:

À primeira vista, e superficialmente, pode parecer que não ocorre, no fim do período da infância e da adolescência e com a passagem à vida profissional, qualquer mudança no lugar que ocupa o estudante no sistema das relações humanas. Mas não passa de uma aparência. [...] Tornando-se um trabalhador, ocupa agora um lugar novo, a sua vida adquire um conteúdo novo e isto significa que vê doravante o mundo sob uma nova luz. (LEONTIEV, 1978, p. 291).

Esse novo modo de ver o mundo foi bastante caracterizado no decorrer do presente estudo, através da análise da vida de Sísifo e Pandora e da relação deles com outros jovens pesquisados, em outras ocasiões, pelos diversos autores aqui apresentados. Acontece na vida dos jovens um momento de reorganização da hierarquia dos motivos. Para Leontiev (1978), é preciso que as demandas adultas façam sentido dentro de uma esfera mais ampla de motivação social, ou serão rechaçadas. A relação com uma esfera de comunicação maior possibilita ao jovem um maior conhecimento de si, ou, a partir de Vigostki (1984), é possível dizer que a atividade vai alimentar a consciência, mobilizando o processo de formação da autoconsciência que acontece nesse período da vida.

Algumas iniciativas em termos de políticas públicas visam a romper o ciclo paradoxal da falta de experiência/falta de emprego. Castro (2004) aponta dificuldades na elaboração de políticas públicas de/com/para juventude. Uma delas é a universalização da categoria partindo dos pressupostos da moratória, tempo de divertir-se, estudar e não arcar com responsabilidades e preocupações, o que tem como conseqüência o fato de excluir muitos jovens que não estão nessas condições. Castro (2004) refere-se a jovens de 14 e 15 anos que querem ter trabalho. É preciso passar a reconhecer o menor poder de competição dessa geração, principalmente da geração das jovens mulheres, dentro do mercado e intervir na direção da eqüidade.

Procurei evitar a todo momento os erros mais comuns dos estudos qualitativos de caráter exploratório, que são a falta de rigor e o resumir-se à descrição da realidade ou passar a ela sem o substrato teórico/reflexivo necessário. Nesse sentido, sinto ter resumido a discussão dos resultados, procurando focalizar o objeto do estudo, sob pena de não aprofundar questões relevantes, como a do gênero, ou as relações de poder dentro da empresa e da sociedade com relação ao jovem, ou ainda as representações da juventude por parte do jovem, além de questões metodológicas sobre a relação pesquisador-participante, que ficam como indicações para estudos futuros.

Após reconhecida a importância e as dificuldades da relação dos jovens com o trabalho, são formuladas algumas ações no Brasil, das quais o Emprego Jovem faz parte, voltadas especialmente para o público de 16 a 24 anos, em situação de vulnerabilidade social. São programas voltados para o primeiro trabalho, estágio e voluntariado, que se diferenciam de ações assistencialistas. Além dessas experiências não serem compartilhadas com freqüência, seus efeitos nem sempre são estudados. Facilitar a colocação no mercado, como medida isolada, não é suficiente, pois os problemas familiares persistem. É preciso criar modos de acompanhar esse jovem no início de sua vida profissional, de modo a facilitar subjetivamente sua inserção no mundo do trabalho. Para isso é preciso elevar o bem-estar social de modo amplo.

Benzer Belgeler