61 Çivitci,op.cit., s 219.
4. Moda Pazarlamasında Teknolojinin Kullanılması
Após apresentar o perfil de Zero Hora, a partir de sua fundação como meio impresso, na década de 1960, é necessário, agora, apresentá-lo no meio online. Lançado no segundo semestre de 2007, o site <http://www.zerohora.com.br> foi o primeiro passo do diário em direção à convergência midiática. Hoje, além do site, Zero Hora conta com perfis em redes sociais como Facebook
(<http://www.facebook.com/zerohora>) e Twitter
(<http://www.twitter.com/@zerohora>).
Em fevereiro de 2011, o diário passou a disponibilizar seu conteúdo para o iPad. Além disso, o jornal também pode ser lido em outros dispositivos móveis, como
smartphones e Kindle33, reforçando a adaptação e a presença de um título que se
fez tradicional pelo meio impresso, e que agora pode ser conferido em diferentes plataformas.
Fundado em 1964, o jornal Zero Hora nasceu em uma época em que o jornal impresso poderia ser visto como um tipo de mídia dominante, competindo apenas com o rádio e a televisão. Àquela época, a simultaneidade na distribuição de conteúdo não era a mesma, pois as tecnologias utilizadas na produção desses veículos também mudaram.
Hoje, a mesma edição de Zero Hora impressa pode ser conferida de diferentes maneiras. E mais: a possibilidade da leitura por meio dos dispositivos móveis anteriormente citados – como smartphones, iPads e Kindle – permitem que o leitor atualize seu conteúdo mais de uma vez ao dia. Ou seja: além do tradicional jornal impresso, o leitor tem a oportunidade de conferir a continuidade de uma determinada matéria que, em muitos casos, pode sofrer desdobramentos ao longo de um mesmo dia.
Com certa frequência, este desdobramento acontece na editoria de política, em especial durante o período de eleições. Em uma campanha eleitoral, por exemplo, candidatos e partidos têm sua rotina observada – e relatada – por diferentes personagens: assessores políticos, jornalistas, cidadãos, integrantes do mesmo partido ou da oposição. Cada um busca o acesso e a participação que lhe convém, o que gera ainda maior possibilidade de troca de informação e alterações no conteúdo produzido por esses agentes.
Obrigações da agenda de um candidato, manifestações de rua, horários de passeatas e discursos são exemplos de situações comuns durante uma campanha
33 Aparelho eletrônico (e-reader) que permite o download e a leitura de jornais, livros e revistas em versões digitais. Ver em: <https://kindle.amazon.com/>.
política. O jornal impresso pode oferecer um cronograma detalhado ao leitor de todas essas ações no minuto em que é entregue a ele, em geral, cedo, pela manhã.
Hoje, as mudanças que podem ocorrer (e não raro ocorrem) ao longo do dia, em torno de uma determinada campanha, ou político, em específico, podem ser acompanhadas pelo mesmo leitor, através do mesmo jornal (no caso de Zero Hora), porém, em uma plataforma diferente, cuja conectividade com a internet permite que o conteúdo seja adaptado temporalmente. Deste modo, a informação está sempre atualizada e, para um jornal como Zero Hora, isso é primordial.
Além da constante atualização, outro fator importante é a oportunidade de o leitor interagir com o conteúdo, uma característica, não apenas da Web 2.0, mas, também, do impacto social provocado pela convergência midiática. O leitor está mais atento e mais seletivo, pois tem consciência de que sua voz é um importante ingrediente na receita para uma boa matéria. Esse fato remonta ao ativismo mencionado por Gillmor (2006): a participação dos cidadãos cresce cada vez mais, antigas e novas gerações se interligam através da ideia de presença, de voz ativa.
De acordo com a editora responsável pela cobertura online de Zero Hora, durante as eleições de 2010, Marlise Brenol34, o foco do site, na ocasião, dividiu-se entre hard news35 e assuntos locais, ou seja, mais diretamente relacionados ao público gaúcho. A infografia36 também se fez presente na cobertura online, em especial por meio de projetos como a “Nuvem da Esperança”, em que diversos temas eram expostos ao leitor, tais como segurança, educação, infraestrutura, por meio da figura de nuvens. O tema mais votado e, por isso, entendido como
34 Todas as informações desta referência foram obtidas com Marlise Brenol, em entrevista realizada
pela autora, no Grupo RBS, no ano de 2012 (BRENOL, 2012, APÊNDICE G).
35 Expressão utilizada no Jornalismo para designar notícias mais densas, complexas, sérias. 36 Técnica que combina desenhos, fotos e gráficos.
prioritário, para os eleitores gaúchos, seria transformado em um vídeo analítico. Na ocasião, o tema mais votado foram os incentivos à agricultura.
O “Promessômetro” foi outro exemplo de trabalho infográfico, sendo que este foi elaborado em maior sintonia com a equipe responsável pela versão impressa. Segundo Marlise Brenol (2012),
[...] o “Promessômetro” online tinha muito mais conteúdo, mas essa atualização tinha que ser permanentemente sintonizada entre o online e o offline. Então, designamos um editor [a jornalista Aline Mendes] que cuidou, prioritariamente, dessas promessas, para que não houvesse nenhum tipo de dissonância, para que não houvesse muitas repetições e para que o produto pudesse ter um padrão de qualidade, tanto no online, quanto no offline.
Brenol (Ibid.) conta, ainda, que a necessidade de deslocar um repórter do impresso para atuar, mais fortemente, vinculado ao online surgiu como forma de aprimorar a comunicação e integração entre as duas plataformas. “Foi um modelo híbrido. Sem dúvida, um avanço na integração, mas ainda não é modelo ideal”. Na opinião de Brenol, o estágio ideal de integração é aquele em que “não existam barreiras na produção de conteúdo” e que, durante a cobertura eleitoral, “acontecia de a comunicação não ser 100% integrada”. A editora de online afirma que, por se tratar de uma mudança cultural, é um processo que exige tempo.
Para a jornalista Aline Mendes37, sua missão foi “levar o olhar da versão
offline para a versão online”, em especial no que dizia respeito aos cuidados com
relação à checagem dos fatos. Reforçando a colocação de Brenol, Mendes avalia que sua atuação em meio à equipe responsável pelo conteúdo online contribuiu para uma comunicação mais ampla e, também, “para integrar a equipe, justamente, oferecendo este outro lado”.
37
Todas as informações desta referência foram obtidas com Aline Mendes, em entrevista realizada pela autora, no Grupo RBS, no ano de 2012 (MENDES, 2012, APÊNDICE H).
O link “Eleições 2010” também serviu como um verdadeiro mapa de informações aos internautas, com as últimas notícias a respeito dos candidatos, além de vídeos (como os publicados por Rodrigo Lopes, por exemplo), galeria de fotos, históricos de eleições anteriores e links para os blogs de jornalistas vinculados à editoria de “Política”, como a própria editora Rosane de Oliveira e o “Diário de Brasília”, com notícias em primeira mão, desde a Capital Federal.
A página oferecia, ainda, um “Guia do Eleitor”, com informações detalhadas a respeito dos documentos necessários para votar, regras da propaganda partidária, regularização de títulos, locais de votação no estado, convocação de mesários e justificativa de ausência, entre outros tópicos. O perfil e currículo dos candidatos também estavam disponíveis na página. Na visão de Marlise Brenol (2012), oferecer este tipo de serviço aos leitores também foi um importante diferencial:
Cada candidato que estivesse no banco de dados homologado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) recebia uma página dentro do ClicRBS. Essa página poderia conter, desde as informações que estavam no site do TRE, reproduzidas por aqui, até uma página completa com o texto enviado pelo candidato, vídeo enviado pelo candidato, links externos [como hiperlinks para o site, Twitter e Facebook do candidato], galerias de fotos e informações bem completas, para o leitor poder escolher entre eles o seu candidato. Era um tipo de buscador de candidatos que o leitor poderia definir. Tu poderias buscar por partido, por região, por diferentes critérios [homem, mulher, idade], qual o candidato no qual tu votarias para deputado.
Todos esses fatos comprovam a necessidade (e a importância) do foco na interação e na atualização constante do conteúdo, o qual só pode ser feito por meio da plataforma digital. Para a editora de produção de “zerohora.com”, Marcela Duarte38, a cobertura realizada pela versão online do jornal contou com uma verdadeira mobilização por parte de todos os profissionais envolvidos, fossem eles dedicados à versão impressa, ou, também, ao próprio site.
38 Todas as informações desta referência foram obtidas com Marcela Duarte, em entrevista realizada
Ela afirma que, especificamente nos dias de votação, tanto no primeiro, quanto no segundo turno, “praticamente todas as pessoas na redação, todas as editorias, se voltaram para a cobertura das eleições. Tínhamos algumas pessoas mais focadas no papel, mas também contamos com uma grande equipe de online” (DUARTE, 2011).
A editora de produção afirma que o foco da cobertura pela equipe de “zerohora.com” se manteve entre dar a notícia em primeira mão e, ao mesmo tempo, fazer um acompanhamento factual do que estava acontecendo. Para o site, no dia da votação, profissionais chamados de repórteres abelhinhas, em conjunto com fotógrafos do jornal, acompanharam os principais candidatos ao pleito, com o auxílio de câmeras fotográficas e equipamento 3G, transmitindo as informações ao vivo. “Pelo site, o público acompanhava o dia do candidato”, conta Duarte (Ibid.). O projeto não aconteceu sem alguns empecilhos: eventualmente, o link no site pelo qual era possível acompanhar as notícias, não funcionava, pois a equipe dependia da conectividade por meio do sinal 3G.
Com relação à qualidade da notícia e da apuração, Marcela Duarte (Ibid.) acredita que impresso e online devem seguir critérios similares, embora a versão digital de Zero Hora priorize notícias factuais, ou seja, informações com base em fatos que são publicados quase que simultaneamente no site. “Dificilmente algum factual não entra no site, a não ser que trate de uma informação muito exclusiva e a qual vale a pena segurar para publicar no dia seguinte, no impresso”, revela (Ibid.).
Assim como a editora executiva de “Política”, em Zero Hora, Rosane de Oliveira, e a editora Dione Kuhn, Marcela Duarte (Ibid.) afirma que o jornal impresso deve ter como visão oferecer o conteúdo aprofundado. “O assinante ou a pessoa que compra um exemplar de jornal na banca não pode simplesmente ler no uma
notícia do dia anterior, ele precisa ter algo mais trabalhado” (DUARTE, 2011). E acrescenta: “O foco do papel é sempre avançar, ou em um cenário, ou em uma avaliação. Ou, ao menos, entregar uma matéria que, graficamente, visualmente, dê ao leitor a possibilidade de compreender melhor a notícia” (Ibid.).
Na visão de Marlise Brenol (2012), ainda que o site priorize as informações factuais, as mesmas são aliadas ao que chamam na redação de “extensão de conteúdo”. A diferença entre o conteúdo aprofundado, no impresso, e a extensão do conteúdo, na versão digital, segundo Brenol (Ibid.), é que,
[...] no impresso, a análise vem mais esmiuçada, ela vem entregue para o leitor. Então, o leitor lê e não tem tanto esforço. No online, ele tem um excesso de informações e aí, claro, a pessoa tem que saber fazer a leitura. E no impresso, ela já tem isso mais esmiuçado. No offline, o assunto é dissecado e aí se traz tudo mastigado para o leitor. No offline, tu entregas pronto, o leitor não terá aquele trabalho de ir buscando no hiperlink, de ir navegando, de fazer a sua leitura, até porque não tem como. E no online, não. Tu tens a chance de fazer a tua própria leitura, mas, em contrapartida, tu tens que ter tempo e saber navegar, fazer uma leitura não-linear dos assuntos.
Observa-se que a diferença acaba se apresentando, muito mais, na experiência da leitura, que na qualidade do conteúdo. Ainda assim, a partir dos depoimentos coletados nas entrevistas com profissionais de Zero Hora, é possível verificar que, ao menos durante a cobertura das eleições, as equipes de jornalistas, embora situadas no mesmo ambiente, priorizaram diferentes aspectos na produção de conteúdo.