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1.5 Mobil Öğrenme Ekosistemi

1.5.1 Mobil Cihazlar

Cores desempenham importante papel para o jornalismo impresso. Enquanto elemento tipográfico, ela garante aos jornais a chance de atrair mais a atenção do leitor e, mais que isso, seduzi-lo por meio de sua utilização. Para além dessa função, as cores também carregam informações, como nos assegura GUIMARÃES (2002, 2003), responsáveis até mesmo, de acordo com o autor, antecipar a informação a ser consumida no jornal.

No desenvolvimento do design gráfico moderno, as cores começaram a ser utilizada na década de 1960, porém, a evolução técnica permitiu que a partir de 1980 os jornais adotassem as cores de forma definitiva, assegurando presença de fotos coloridas em suas páginas e, mais que isso, colorizando os elementos tipográficos presentes na área de mancha do jornal30. Muitas obras consultadas nos demonstram especial preocupação dos designers quanto à qualidade da cor e não quanto às significações atribuídas à elas, como podemos observar em WONG (1987), HUTT&JAMES (1989), GARCIA (1990), LAREQUI (1994), entre outras obras. Porém, a questão técnica não será enfatizada, uma vez que, para o recorte proposto, nos interessa os usos e funções das cores nas capas do que a própria questão técnica em si.

Mario Garcia adverte que o uso da cor, se não for bem feito, não trará resultados positivos para o meio de comunicação. A preocupação quanto ao bom uso da cor no âmbito do design se dá também pela importância da identidade atribuída ao jornal ou peça gráfica por meio dos recursos cromáticos. FUENTES (2006) observa que “ninguém pode negar a importância da cor em alguns planos de imagem corporativa, ou na hora de estabelecer sistemas de codificação, sem mencionar os sistemas de sinalização convencionais” (FUENTES, 2006, p.76).

Por esse motivo, a preocupação quanto às questões físicas da cor permeiam de sobremaneira a preocupação dos responsáveis pelo desenho de peças impressas e também dos responsáveis por sua impressão. Mas no âmbito simbólico, o olhar se guia para a utilização de determinada cor relacionada a determinado conteúdo, e assim, Lupton e Phillips (2008) afirmam haver papel específico para as cores na composição jornalística:

A cor pode exprimir uma atmosfera, descrever uma realidade ou codificar uma informação. Palavras como “sombrio”, “pardo” e “brilhante” traz à mente um clima de cores e uma paleta de relações. Os designers usam a cor para fazer com que algumas coisas destaquem (sinais de advertência, por exemplo) e outras desapareçam (camuflagem). A cor serve para diferenciar e conectar, ressaltar e esconder. (LUPTON, PHILLIPS, 2008, p. 71 apud FETTER, 2011, p.58).

O uso utilitário da cor perpassa pela questão cultural e de conhecimento, obrigando o receptor a ter um saber prévio para compreender a mensagem cromática.

30 Os avanços técnicos e dificuldades ao longo dos anos para impressão de jornais a cores já foram alvos

de diversas publicações, como GARCIA (1990), LOCKWOOD (1993), LAREQUI (1994), RUIZ (2002), entre outros. Por esta razão, não iremos discutir o assunto na tese e limitaremos nosso recorte aos aspectos de interesse para análise de nosso objeto.

Em um semáforo, por exemplo, é preciso ter a compreensão dos sinais luminosos indicando parada obrigatória, passagem liberada ou atenção, todos os frutos de um repertório cromático já instituído na cultura desde os primeiros anos da infância, ou, nas palavras de Harry Pross (1989), passam a fazer parte das experiências pré-predicativas do homem. Neste sentido, a utilização da cor para diferentes papéis – de sinais de advertência à mídia em geral - são reforçados por GUIMARÃES (2003) que apontam funções do uso das cores no âmbito comunicacional:

[...] uma que compreende as sintaxes e as relações taxionômicas, cujos princípios de organização são paradigmáticos, como organizar, chamar a atenção, destacar, criar planos de percepção, hierarquizar informações, direcionar a leitura, etc., e outra que compreende as relações semânticas, como ambientizar, simbolizar, conotar ou denotar. (GUIMARÃES, 2003, p.29)

Para se chegar nesse uso simbólico das cores enquanto elemento de hierarquia, de direcionamento de leitura, é preciso atenção para o uso das cores, evitando dissonâncias de sentido entre forma e conteúdo. Para não incorrer em erros na utilização das cores, RUIZ (2002) elenca o que chama de “princípios gerais para o uso da cor”:

1) Nos casos em que existam duas ou mais cores na página, a de maior intensidade se deve empregar para destacar a informação ou a parte da informação mais importante [...] 2) se devem usar cores relacionadas entre si para ressaltar as diferenças; 3) é melhor usar uma paleta de cores limitada. Não se trata de impressionar, e sim de comunicar; 4) não é conveniente mesclar em uma mesma página ou em um mesmo gráfico cores de tom pastel com cores vibrantes, porque cria a sensação de ordem; 5) pela mesma razão do ponto anterior, não é conveniente mesclar cores frias com cores quentes31;

[tradução nossa] (RUIZ, 2002, p.99).

Dentre as demais considerações do autor sobre o bom uso da cor incluem orientações sobre cores complementares e a necessidade de não utilizar cores de pouco contraste. Em um dos tópicos o autor chega a determinar que a tipografia dos textos

sempre deva ser em preto, alegando que o uso de outras cores pode prejudicar a

legibilidade do conteúdo.

31 1) en el caso de que existan dos o más colores en la página, el de mayor intensidad se debe emplear

para destacar la información o la parte de la información más importante […]; 2) se deben usar colores relacionados entre sí para mostrar las conexiones entre bloque informativos y colores no relacionados entre sí para subrayar las diferencias; 3) es mejor usar una paleta de colores limitada. No se trata de impresionar, sino de comunicar; 4) no es conveniente mezclar en una misma página o en un mismo gráfico colores pastel con colores vibrantes, porque crea sensación de desorden; 5) por la misma razón que en el punto anterior, no es conveniente mezclar colores fríos con colores cálidos;

LAREQUI (1994) também alerta para o bom uso de cores nas páginas do impresso, apontando inclusive uma tabela de “legibilidade” das cores na mídia impressa, tamanha é a preocupação em garantir que as cores não interfiram na legibilidade. O autor ainda destaca:

Além disso, a utilização da cor nos jornais se manifesta de duas formas: o uso intencional e o uso da cor natural. O primeiro se refere à presença da cor devido à intervenção do diagramador ou designer, que aplicou pigmentos a fim de criar um destaque óptico ou simplesmente atingir a beleza dos elementos visuais sobre a página. […] A utilização da cor natural refere-se à cor que reproduz fielmente a realidade sobre as páginas do jornal.32 [tradução

nossa] (LAREQUI, 1994, p.158)

Em busca de uma harmonia cromática que não atrapalhe a leitura dos jornais, SOUSA (2001) afirma que as cores podem explorar ideia de tranquilidade e quietude quando bem utilizadas, valendo-se dos contrastes entre cores complementares quentes e suaves. “Já a harmonia de cores frias, como os azuis, possibilita a exploração da ideia de frieza”. (SOUSA, 2001, p.459). GARCIA (1990) destaca que a utilização de cores vai agir também no ponto de entrada do leitor na página, já que a atração por cores e fotografias coloridas pôde ser detectada por meio de pesquisa científica realizada pelo

Eye-Trac Institute33. Conforme o autor, “em páginas visualizadas em grandes telas coloridas, fotos e manchetes costumam ser os pontos dominantes de entrada, independentemente das telas”34. (GARCIA, 1990, p.123). Jesús Ruiz enfatiza a

importância da cor na percepção da página e adverte aos desginers sobre a legibilidade, a exemplo SOUSA (2001), LAREQUI (1994) entre outros:

Além disso, ainda de acordo com Garcia, os leitores tendem a associar formas mais coloridas. Por exemplo, dados dois círculos e um quadrado, se um círculo e quadrado é azul e o outro círculo é vermelho, o leitor tende a associar duas formas diferentes mas com a mesma cor antes que as formas fazer igualares mas de cor diferente. De modo que quando o designer coloca duas cores iguais em dois lugares diferentes na página, o leitor tenta se conectar. Por isso, é importante ter cuidado com o uso de blocos de cores idênticas de informações que nada têm a ver um com o outro.35 [tradução

nossa] (RUIZ, 2002, p.100)

32 Pero además, el uso del color en la prensa diaria se manifiesta de dos forma: uso del color intencional y

uso del color natural. El primero se refiere a la presencia del color debido a la intervención del diagramador o diseñador, quien aplica los pigmentos con la finalidad de crear algún resalte óptico o simplemente para lograr la belleza de los elementos visuales en las páginas. […] El uso del color natural se refiere al color que reproduce fielmente la realidad en las páginas de un diario.

33 Acerca desta pesquisa e do ponto de entrada do leitor na página, leia o Capítulo 3.7. Sugerimos também

a leitura de GARCIA (1990), LAREQUI (1994) e RUIZ (2002) que também exploram o assunto.

34 on pages displaying large color screens over text, photos and headlines remain the dominant points of

entry regardless of the screens

35 Por otro lado, y siempre según García, los lectores tendían a asociar más colores que formas. Por

Ampliando a discussão sobre o cromatismo enquanto elemento tipográfico do meio impresso, Jorge Pedro Sousa (2001) traz também abordagem que pretende discutira cor para além dos aspectos funcionais até então apresentados. O autor afirma que, no design gráfico ela pode auxiliar na composição da harmonia da página, chamar atenção dos leitores, mas, mais importante do que esse uso instrumental ou estético, a cor carrega sentidos em função da orientação cultural onde os leitores estão inseridos.

A cor permite atrair a atenção, mas também é um agente conferidor de sentido, em função do contexto e da cultura. Por exemplo, se um fotojornalista pretende fazer uma feature photo em que exalte a alegria das crianças não deve procurar crianças vestidas de negro ou locais escuros, mas sim crianças vestidas com cores vivas e locais multicoloridos. (SOUSA, 2001, p.458)

É a partir deste viés, onde a cor atua também na produção de sentido de acordo com o contexto cultural onde está inserida, que Luciano Guimarães (2003; 2004) aponta a necessidade de enxergar as cores no contexto informacional, apontando a interação promovida entre a publicação e o repertório cultural dos leitores por meio das informações cromáticas. Assim, para além da questão técnica e estética na composição das capas, as cores vão dialogar com o conteúdo e, até certo ponto, inserir novas significações em repertórios e imaginários dos leitores.

Como destaca SILVEIRA (2010), “não há como pensar a cor de maneira isolada” (p.36), indicando já as influências de contexto e cultura nessa questão. Ao relacionar a cor com o design, a autora vai mais longe e, partindo das premissas piercianas afirma: “Como nos apropriamos do universo semiótico para nos comunicar, o processo de percepção cromática contribui efetivamente para a construção dos códigos e passa assim a ter agregados em si os significados” (SILVEIRA, 2010, p.41), e acrescenta: “da mesma forma que a comunicação e a cultura, o design se apropria dos códigos constituintes da linguagem, algumas vezes materializando significados, promovendo a comunicação...” (SILVEIRA, 2010, p.42) apontando para um uso comum das cores e do design gráfico: a materialização de significados presentes no contexto cultural da emissão.

A pesquisa da utilização da cor enquanto produtora de sentido e não apenas como elemento de contraste ou atração mercadológica por parte da mídia impressa

el lector tiende a asociar las dos formas distintas pero con el mismo color antes que las do formas igualares pero con distinto color. De tal manera que cuando el diseñador coloca dos colores igualares en dos lugares distintos de la página, el lector intenta conectarlos. Por lo tanto es importante tener cuidado con la utilización de colores idénticos en bloques informativos que nada tienen que ver entre sí.

ainda dá seus primeiros passos no âmbito brasileiro. Ao observamos nosso objeto empírico, jornais populares do Brasil e Portugal, voltamos também a nossa atenção a esse aspecto informacional das cores nas capas.

Nesse sentido, para que possamos conduzir as futuras análises da tese, no primeiro momento é preciso observar o objeto e identificar a sistematização de cores utilizadas de forma padrão em suas páginas. Se o design veio para hierarquizar informações, é de se esperar que haja um repertório pré-definido para editorias ou assuntos que figuram nas capas dos jornais. Tensionadas com a tríade temática, as cores também “falam” com seus leitores. Em especial, nos tabloides populares, seu uso é mais intenso do que em relação aos jornais “de referência”. Retomando expressão de Mário Garcia (1990, p.209), se o layout de um jornal é uma “sinfonia”, onde todos elementos devem estar afinados e tocando em uníssono, os desenho dos tabloides “são uma rumba”.

2.1.1 - A economia de sinais no repertório cromático do SN e JN

As capas do jornal SN trazem características que se repetem diariamente e reforçam sua identidade visual. Dentre essas características é possível destacar o formato de tabloide, a presença de uma grande manchete, fotos e o uso de cores como fundo de seu noticiário, como demonstram as figuras a seguir:

Figura 61 – Super Notícia de 1. 04.01.11; 07.01.11 e 15.01.11

A sustentação da tríade temática também é outra marca registrada do SN e, concomitantemente percebe-se uma preocupação editorial com as cores utilizadas. Ao acompanhar por 30 dias da publicação, verifica-se a criação de um repertório de cores

segundo um padrão de repetição utilizado por seus editores e designers gráficos, sendo ele:

Preto – notícias relacionadas à morte, com texto em branco para criar o efeito de “negativo”;

Vermelho - notícias relacionadas à violência ou editoria de polícia, com textos

em branco;

Azul escuro – também notícias relacionadas à violência ou morte, porém, com

menor frequência do que preto e vermelho. Normalmente o fundo azul escuro vem acompanhado de texto em amaelo;

Azul claro – cor presente com frequência na capa do jornal, porém, utilizada

para as mais variadas editorias, de cotidiano a polícia;

Verde– utilizado para noticiário esportivo;

Amarelo e rosa– utilizado como cor no noticiário envolvendo mulheres, muitas delas trajando apenas biquíni e sempre em posição sensual ou sexual;

Ao sistematizar o esquema de cores percebe-se que a presença cromática na capa não se dá para reforçar fatores sinestésicos ou estéticos, mas sim com intenção de organizar e transmitir também a informação, o que faz da cor parte integrante do processo comunicacional. GUIMARÃES aponta que:

Considera-se a cor como informação todas as vezes que sua aplicação é responsável por organizar e hierarquizar informações ou lhes atribuir significado, seja sua atuação individual e autônoma, ou integrada e dependente de outros elementos do texto visual em que foi aplicada (GUIMARÃES, 2004, p.53)

Ainda, conforme o autor, outro importante passo a ser avaliado no ato de investigação das cores na mídia é enquanto a intencionalidade do emissor em seu uso. Tornar a informação mais ou menos credível pode, intencionalmente, fazer parte dos objetivos daquele gesto de informação, mas pode também ser resultado de uma composição visual não intencional, por sua vez descuidada e até mesmo irresponsável. Se intencional, o julgamento se volta para a própria intenção, e consequentemente, para o autor ou emissor, já que o uso da cor-informação será considerado correto na sua formulação. No caso contrário, o julgamento se volta mais para a mensagem, considerada sua incorreção no uso da cor-informação, independentemente de o resultado da composição visual ser positivo ou negativo, segundo a deontologia do receptor crítico, o que depende do compartilhamento ou não do ponto de vista moral,

ético e repertorial entre o emissor e o receptor daquela informação. (GUIMARÃES, 2004, p.52-53)

Pode-se afirmar que as cores na capa do SN são utilizadas de forma intencional e demonstra preocupação do jornal em sua utilização para estabelecer ou reforçar a ligação com seus leitores.

Nessa composição cromática estabelecida pelo SN, percebe-se um equilíbrio entre o uso do vermelho e do preto na capa, sendo que as cores figuram em 1.04 e 15.01 respectivamente, enquanto outras seis edições têm como cor-informação principal (acompanhando a manchete de capa) o azul (sendo em apenas uma oportunidade o azul claro). Não temos intenção de fechar significados para as cores utilizadas pelo jornal, mas a predileção pelo vermelho e preto pode ser compreendida pela natureza do noticiário – violência física e morte em todas elas – e pela associação natural ocorrida entre essas temáticas e cores, como bem observa GUIMARÃES (2003), ao destacar que, por razões culturais, no ocidente, o vermelho normalmente é associado à violência ou paixão, e o preto é utilizado especialmente no luto.

A cor preta representa também escuridão, cor da noite e remonta às experiências que estão presentes no próprio instinto humano de sobrevivência. Harry PROSS (1987) destaca as experiências pré-predicativas, ou seja, aquelas que são assimiladas pelo ser humano ainda quando praticamente não se tem uma consciência plenamente desenvolvida.

As experiências pré-predicativas também são responsáveis por interferir diretamente na percepção do mundo e, em consequência, na percepção da mídia. Por carregarmos as experiências inconscientemente, agregamos valores culturais às representações visuais, remetendo-nos às experiências pré-predicativas: “Essas representações nos fazem reviver as experiências

primárias específicas do gênero humano” (PROSS, 1987, p.48, apud PORTARI, 2009, p.18)

Uma dessas experiências, por exemplo, faz com que a escuridão (logo, a cor preta), seja associada a uma experiência negativa.

As experiências primárias de claro e escuro, dentro e fora, acima e abaixo determinam o modo como o sujeito experimenta, conhece e se comunica. Sem elas, o sujeito não pode experimentar nada, nem conhecer, nem comunicar nada. Elas determinam, de antemão, seu comportamento social, muito antes que sejam aplicadas conscientemente categorias estéticas e éticas. [Tradução nossa] (PROSS, 1987, p.53)

Temos em BYSTRINA (1996, p.4) que textos culturais são binários, polares e assimétricos, e as cores podem ser interpretadas nesses parâmetros de acordo com o repertório dos leitores. Para ilustrar a forte carga cultural presente nas cores escuras no repertório dos receptores, podemos nos valer do exemplo de Pross ao imaginar uma situação cotidiana como uma mãe que embala um neném em seu colo para que ele durma. Enquanto a criança não dorme, a mãe permanece com a luz de um abajur aceso, acolhendo a criança até que ela caia em sono profundo. Assim que a criança dorme, ela é colocada em seu berço e a luz do abajur apagada. Ao acordar a noite, a criança chora assustada por causa da escuridão. Temos, nesse exemplo, uma experiência pré- predicativa onde a luz – e a oposição claro x escuro, por consequência - é associada ao calor e a proteção materna, além do domínio visual do espaço onde o bebê se encontra. Em contrapartida, a escuridão é associada à cama fria e a falta de domínio visual. A claridade é assumida como positiva e a escuridão como negativa. Em contrapartida, a cor preta, representante da escuridão, é utilizada para simbolizar o luto, a tristeza ou os olhos que não enxergarão mais a claridade36.

No SN, a utilização da cor preta se concentra especialmente em notícias onde há a “presença” da morte, compartilhando com seus receptores um repertório previamente fixado em suas memórias, como demonstram as figuras abaixo.

Figura 62 – Detalhe de 3.01.2011 e 6.01.2011

36Um exemplo da forma como essa associação está presente no repertório cultural, podemos citar a

música de Renato Teixeira, intitulada “Sina de Violeiro”: “uma cegueira triste certo dia, nos olhos

Figura 63- Detalhe de 8.01.2011 e 15.jan.2011

Ao estarem diante da primeira página, terão de forma antecipada a temática da manchete, antecipando a presença da morte na capa. As exceções da utilização da cor preta com essa temática acontecem nas edições dos dias 24, 27 e 28 de janeiro, onde a cor preta deixa de se ligar diretamente à morte, mas continua conectada com noticiário policial.

Figura 64 – Detalhes de 24.01.2011; 27.jan.2011 e 28.jan.2011

A utilização da cor proveniente de um repertório para outra finalidade pode provocar confusão quanto à interpretação do leitor em relação à cor-informação, trazendo problemas de leitura apontados por GUIMARÃES (2000).

...a cor contribui na formação da informação e, muitas vezes, é ela que organiza ou contextualiza o conjunto ou cria a predisposição do leitor para receber aquele exato conteúdo. Uma cor que não esteja de acordo com a