2. LİTERATÜR ÇALIŞMASI
2.4. Beden Eğitimi ve Spor
2.4.6. Milli Eğitim Yönünden Beden Eğitimi ve Sporun Temel Amaçları
Em 1926, assumiu a Presidência da República, pela via eleitoral, o ex-presidente do estado de São Paulo Washington Luís, do Partido Republicano Paulista (PRP), aliado do Partido Republicano Mineiro (PRM). Pela lógica da política de alianças entre o PRP e o PRM, Washington Luís deveria apoiar um mineiro nas eleições de 1930, porém, rompendo com essa política de alianças,
[...] a partir de 1928 o presidente Washington Luís, ligado ao Partido Republicano Paulista (PRP), passou a apoiar ostensivamente a candidatura de outro perrepista, o então presidente de São Paulo, Júlio Prestes, à sua sucessão. Com essa indicação o presidente pretendia assegurar a continuidade de sua política econômico-financeira de austeridade e de contenção de recursos para a cafeicultura, mas desprezava os interesses de Minas Gerais. (CPDOC, 2012).136
Com esta ruptura, o PRM aproximou-se do Partido Republicano do Rio Grande do Sul e foi fundada a Aliança Liberal, que lançou a candidatura de Getúlio Vargas, presidente do Rio Grande do Sul, e João Pessoa, presidente da Paraíba, respectivamente à Presidência e à Vice- Presidência da República. A ala mais radical da Aliança Liberal, composta por jovens políticos como Osvaldo Aranha, passou a “[...] admitir a hipótese de desencadear um movimento armado em caso de derrota nas urnas.” (CPDOC, 2012).137 Assim, foram feitos acordos com alguns “tenentes”, como Juarez Távora, João Alberto Lins de Barros e Antônio de Siqueira Campos, enquanto outros, como Luís Carlos Prestes, recusaram-se a participar do movimento.
A eleição ocorreu em 1º de março de 1930 e o candidato apoiado por Washington Luís, Júlio Prestes, foi eleito. Os membros da Aliança Liberal acusaram o Governo Federal de ter fraudado as eleições. Alguns aliancistas mais radicais planejavam a tomada do poder, visto que “[...] muitos dos ‘tenentes’ haviam retornado do exílio a partir de 1929 e atuavam clandestinamente, enquanto outros já haviam cumprido suas penas de prisão e voltavam à liberdade.” (CPDOC, 2012).138
A tensão aumentou, até que
[...] em 26 de julho João Pessoa foi assassinado em Recife por João Dantas, que apoiava o governo federal [...] O crime teve como móvel imediato um conflito de caráter privado e ligava-se também a lutas regionais, mas naquele
136 Verbete ‘Revolução de 1930’. 137 Verbete ‘Revolução de 1930’. 138 Verbete ‘Revolução de 1930’.
momento toda a responsabilidade foi atribuída ao governo federal. (CPDOC, 2012).
O assassinato de João Pessoa serviu de estopim para a revolução e os preparativos foram acelerados, de modo que, no dia 3 de outubro, eclodiu a revolução no Rio Grande do Sul e as tropas revolucionárias do sul tomaram as guarnições militares do estado, as quais se sublevaram e se juntaram à revolução. Em outros estados do Brasil, os revolucionários também sublevaram as unidades militares e assumiram o poder. Em Minas Gerais, por exemplo, os revolucionários foram chefiados pelo “[...] tenente-coronel Aristarco Pessoa (irmão de João Pessoa), em cujo estado-maior se incluíam Leopoldo Néri da Fonseca e Osvaldo Cordeiro de Farias” (CPDOC, 2012)139; já no Norte, o comandante foi o ex-Tenente Juarez Távora, que contou com o apoio de Juraci Magalhães, Jurandir Mamede, Agildo Barata e Paulo Cordeiro; em Pernambuco, os revolucionários contaram com o apoio popular; no Sul, as tropas revolucionárias marcharam em direção a São Paulo, deslocando-se o maior efetivo por trem, sob o comando de Miguel Costa (CPDOC, 2012)140. Por sua vez, o presidente do estado de São Paulo, o próprio Júlio Prestes, determinou que as tropas da FPESP detivessem os revolucionários na divisa entre São Paulo e o estado do Paraná (Arruda, 1997).
Antes do conflito entre as tropas revolucionárias e a FPESP, um grupo de generais depôs Washington Luís. Com isso, assumiu o governo uma junta militar composta pelo General Tasso Fragoso, pelo General João de Deus Mena Barreto e pelo Almirante Isaías de Noronha, movimento que ficou conhecido como Revolução Pacificadora. Segundo Carvalho (2006, pp. 243-244),
[...] foi planejada e executada pelos altos escalões da [Marinha e do Exército]. O Coronel Bertholdo Klinger, nomeado Chefe do Estado-Maior das Forças Pacificadoras, planejou o movimento como uma operação militar normal e deu-lhe o caráter de uma intervenção arbitral destinada a promover novas eleições e resolver assim o impasse entre legalistas e revolucionários. Segundo ele ‘a trama devia ser feita, não por baixo, isto é, direta e inicialmente no seio dos corpos de tropa, mas por cima, isto é, entre os Chefes’. E na intimação ao Presidente, por ele redigida, afirma-se que o uso das Forças Armadas para solucionar conflitos políticos, prática constante dos Governos da República, só tinha produzido lutas e ruínas. Chegara o momento de ‘entregar os destinos do Brasil aos Generais de terra e mar’.
Merece destaque, nos eventos que ocorreram no Rio de Janeiro em outubro de 1930, a formação de batalhões de civis, que, com o 3º Regimento de Infantaria, sob o comando do
139 Verbete ‘Revolução de 1930’. 140 Verbete ‘Revolução de 1930’.
Coronel José Pessoa (outro irmão de João Pessoa), tomaram o Palácio da Guanabara e neutralizaram o Batalhão de Polícia ali estacionado. Essa manobra garantiu que os generais que levariam o ultimato ao presidente Washington Luís não tivessem que enfrentar resistência nenhuma (Câmara, 2011).
Ainda segundo Carvalho (2006), a Revolução Pacificadora foi a primeira intervenção política em que o Exército e a Marinha atuaram em conjunto, tendo sido uma das expressões da ideologia do soldado-corporação, elaborada inicialmente por Bertholdo Klinger e aprimorada por Góes Monteiro. De acordo com essa ideologia, os militares deveriam promover uma intervenção política
[...] controladora ou ‘moderadora’, a ser levada a efeito pela organização como tal, orientada por seu órgão de cúpula, o Estado-Maior [...] Em outras palavras, era o intervencionismo de Generais, ou do Estado-Maior, o intervencionismo da organização como um todo e não apenas de setores subalternos. Essa concepção só se tornou possível pela nacionalização do Exército através do alistamento universal e do crescimento do contingente, e, principalmente, pelo desenvolvimento do Estado-Maior e pela formação de oficiais com esta especialidade como já foi mencionado. Klinger e Góis eram típicos representantes desta nova geração de profissionais. A mudança foi lenta, mas ainda permitiu que os mesmos Tenentes de 1922, interventores reformistas, fossem, como Generais, interventores ‘moderadores’. [...] Desaparecera o soldado-cidadão para surgirem a corporação e a classe. Desaparecera a ideia de intervenção contestatória e surgira a de intervenção controladora. A Primeira República viu o surgimento e o auge da primeira, mas gerou também as bases da segunda. (Carvalho, 2006, pp. 233-234).
Já na fronteira entre o estado de São Paulo e o Paraná, as tropas da FPESP receberam ordens para depor suas armas, de forma que Getúlio Vargas passou tranquilamente por São Paulo e chegou ao Rio de Janeiro, em 31 de outubro, assumindo, em 3 de novembro de 1930, a chefia do Governo Provisório. O primeiro ministério de Vargas foi composto por: Leite de Castro (Guerra), Isaías de Noronha (Marinha), Afrânio de Melo Franco (Relações Exteriores), Osvaldo Aranha (Justiça), Juarez Távora (Viação e Obras Públicas), José Maria Whitaker (Fazenda), Assis Brasil (Agricultura), Francisco Campos (Educação e Saúde Pública) e Lindolfo Collor (Trabalho, Indústria e Comércio). Assim, iniciou-se a Era Vargas.
A Escola Militar não teve grande participação nos eventos da Revolução de 1930. De fato, Getúlio Vargas e seu grupo souberam utilizar os “tenentes” para chegar ao poder, mas agora subexistia uma nova ameaça em relação a eles: quem poderia garantir que eles não voltariam a se rebelar? No curto prazo, essa seria uma função do ministro da Guerra e do chefe
do Estado-Maior; no longo prazo, os “tenentes” rebeldes deveriam ser controlados em sua origem, a Escola Militar.
Para tanto, foi proposto um novo modelo de ensino, que soube aproveitar a cultura da Escola Militar e do ethos dos alunos e, por meio da construção de novas tradições, transformar a romântica defesa da honra rebelde na romântica defesa da honra profissional. Assim, por meio da construção de uma nova cultura escolar e de um novo ethos, a ideologia do soldado-cidadão foi substituída paulatinamente pela ideologia do soldado-profissional. Nesse contexto, a missão de reformar a Escola Militar, reconstruindo sua cultura e remodelando o ethos dos alunos, coube ao Coronel José Pessoa, que já havia sido major fiscal da Escola Militar e tinha perdido o irmão – João Pessoa – para a “perniciosa política”. Essa reforma será abordada no capítulo 5; no próximo, estudar-se-ão o apogeu do processo de militarização da FPESP e os impactos dos movimentos tenentistas nessa instituição, especialmente no CIM.
4 REFLEXOS DO TENENTISMO NO ENSINO MILITAR DA FPESP
Enquanto o EN Brasileiro enfrentava problemas com a rebeldia de jovens oficiais desde 1922, a FPESP atingia seu mais alto grau de militarização e profissionalização, a partir das intervenções da segunda missão militar francesa; o novo regulamento do Curso Especial Militar e a criação do Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais, em 1924, elevaram a um novo nível a militarização e o profissionalismo da corporação. Tudo parecia correr bem, mas isso foi apenas a calmaria antes da tempestade.Em julho de 1924, um grupo de oficiais da Força Pública, liderado pelo Major Miguel Costa, do Regimento de Cavalaria, participou da Revolução de Isidoro, em São Paulo. Foi o primeiro sinal de que a ideologia do soldado-cidadão havia cooptado parcela dos oficiais da Força Pública e estava criando seus candidatos a heróis. No entanto, ao contrário do que havia ocorrido anteriormente com o Exército, quando os alunos da Escola Militar participaram ativamente dos movimentos de rebelião de 1922, no Curso Especial Militar da FPESP, os alunos não se rebelaram; muito pelo contrário, combateram os rebeldes, sendo que, após o término da revolta, os revolucionários fugiram e se juntaram aos revolucionários do Rio Grande do Sul, liderados pelo Capitão do EN Luís Carlos Prestes, formando a Coluna Prestes.
Ainda em 1924, a segunda missão militar francesa encerrou seus trabalhos e o Curso Especial Militar passou por reformulações. Nesse mesmo período, tropas da FPESP foram destacadas para perseguir a Coluna Prestes e o policiamento da cidade de São Paulo ficou a cargo da recém-criada Guarda Civil, instituição que acabou assumindo a principal função da FPESP: o policiamento. Iniciou-se, assim, uma crise na instituição, que envolveu especialmente os oficiais.
O modelo de formação militar parecia insuficiente para o comando da atividade de policiamento e os próprios governantes de São Paulo passaram a ficar receosos com relação à FPESP, uma vez que a Revolução de 1924 havia comprovado que a rebeldia existente no Exército podia ser encontrada em oficiais da Força Pública. Por isso, em que pese a luta de tropas legalistas da instituição durante a Revolução de 1924 em São Paulo, em 1928, o governo paulista publicou um novo regulamento, que restringiu a atuação dos oficiais da FPESP a funções meramente administrativas, subordinando os efetivos da instituição, em relação à atividade de policiamento, aos delegados da Polícia Civil. Era o início das tentativas de extinguir a FPESP, um processo repleto de antagonismos, pois, enquanto o profissionalismo dos
oficiais da Força Pública atingia seu ápice, esses mesmos oficiais perdiam sua força para os delegados de polícia.
Em outubro de 1930, ocorreu a revolução que levou Vargas à chefia do Governo Provisório, na qual a FPESP colocou-se em posição contrária à dos revolucionários, tendo sido derrotada pela Revolução Pacificadora dos ministros militares, sem que houvesse grandes combates. Já no Governo Provisório de Vargas, começou um processo de assimilação da FPESP por parte do EN. Assim, o Governo Federal passou a intervir na Força Pública, iniciando um processo de desmantelamento do arsenal da instituição e de reformulação de seu sistema de ensino.
Em 1932, São Paulo rebelou-se contra o Governo Federal, o que causou a maior guerra civil em solo brasileiro, a Revolução Constitucionalista de 1932. Os alunos do curso de formação de oficiais da FPESP participaram ativamente da revolução, mas as tropas paulistas foram derrotadas. Nasceu, então, uma nova fase da história da corporação: o EN definitivamente assumiu o comando da Força, inclusive com a nomeação de oficiais da 2ª Região Militar para o comando da corporação e outras funções consideradas estratégicas, como o controle do Estado-Maior, do material bélico e, especialmente, do ensino.
Diante do exposto, o presente capítulo pretende demonstrar o processo e os eventos que levaram a FPESP a sofrer uma forte intervenção federal, bem como os impactos desses acontecimentos na escola de formação de oficiais da corporação. Dessa forma, estudaremos o processo de modernização, militarização e profissionalização da Força, a partir da segunda missão militar francesa, as causas e as consequências da Revolução de 1924 e da Coluna Prestes em São Paulo, especialmente para a escola de formação de oficiais, além do processo de enfraquecimento dos oficiais com o Regulamento de 1928 e dos impactos das Revoluções de 1930 e 1932.
Nessa pesquisa, serviram de base referencial obras como as de Malvásio (1967), Forjaz (1976), Dules (1977), Melo (1982), Amaral Filho (1985), Arruda (1997), MacCann (2007), Miguel (2009), Almeida (2009), Santos (2009), Pereira (2010), Odalia e Caldeira (2010), Cunha (2011), entre outros. Esses pesquisadores debruçaram-se sobre o estudo da década de 1920 em São Paulo, especialmente sobre a Força Pública, o ensino militar paulista e as Revoluções de 1924, 1930 e 1932. Além desse referencial, foram pesquisadas diversas fontes, como os jornais Correio Paulistano e Correio da Manhã, os Diários Oficiais do Estado de São Paulo e da União, a legislação federal e estadual, os relatórios dos presidentes do estado de São Paulo, os Boletins Gerais da FPESP, as Ordens do Dia do Curso Especial Militar, obras memorialistas do
período, como a de Cabanas (1928) e Andrade e Câmara (1931), manuais e programas didáticos do Curso Especial Militar, entre outras.
4.1 Novas instalações do Curso Especial Militar e a criação do Curso de Aperfeiçoamento