2. LİTERATÜR ÇALIŞMASI
2.4. Beden Eğitimi ve Spor
2.4.3. Beden Eğitimi ve Sporun Önemi
Com os eventos de 1922, o ministro Pandiá Calógeras mudou seu discurso com relação à Escola Militar, afirmando a necessidade de fortalecimento dos conteúdos teóricos (Motta, 2001). Seu sucessor no Ministério da Guerra foi o General Setembrino de Carvalho, que também defendeu um aumento da formação teórica dos oficiais, na busca de uma cultura geral mais sólida; para tanto, as propostas não diziam respeito a uma volta aos excessos dos regulamentos da Escola Militar da Praia Vermelha, mas a um equilíbrio entre a teoria e a prática.
Tanto Calógeras quanto Setembrino de Carvalho afirmavam ser necessária a atuação da missão militar francesa na Escola Militar. Um dos motivos era a interpretação de que os currículos de 1918 e de 1919 foram elaborados sob a influência dos oficiais que haviam estagiado no exército alemão, com a “[...] ultravalorização dos assuntos militares, de caráter prático [...].” (Motta, 2001, p. 266). Outro motivo era a ideia de padronizar o ensino nos moldes franceses, que era o mesmo modelo utilizado em outros níveis, como na Escola de Estado- Maior.
Assim, a missão francesa assumiu a Escola Militar em 1923 e, em 1924, fez uma nova reforma no currículo127 (Reforma Setembrino de Carvalho-Tasso Fragoso). Esse currículo fortaleceu a cultura geral, mantendo a estrutura do curso, passando o curso fundamental a ser integrado pelo ensino geral e pelo ensino militar; o primeiro contava com disciplinas como Matemática, Ciências, Topografia, Direito e Legislação Militar e o segundo era composto por disciplinas de caráter teórico e prático. Por sua vez, em relação ao curso das armas, todo o ensino era militar, ainda sob duas modalidades: teórica e teórico-prática.
Segundo o Regulamento de 1924, o curso preparatório teria a duração de três anos e seu currículo seria o seguinte:
Quadro 38 – Currículo do curso preparatório, segundo o Regulamento de 1924.
PRIMEIRO ANO SEGUNDO ANO TERCEIRO ANO
Português. Português. Inglês.
Francês. Francês. Geografia; Trigonometria Retilínea.
Aritmética. Inglês. Parte I – Elementos de Física e
Química. Geografia Geral; Cronografia do
Brasil; Elementos de Cosmografia.
Álgebra. Parte II – Elementos de História
Natural.
História Geral e do Brasil. Desenho Linear.
Fonte: Adaptado de Motta (2001).
A seguir, pode-se analisar o currículo do curso fundamental, com duração de dois anos, segundo o Regulamento de 1924:
Quadro 39 – Currículo do curso fundamental, segundo o Regulamento de 1924. CURSO FUNDAMENTAL
PRIMEIRO ANO Ensino geral
Geometria Analítica; Cálculo Diferencial e Integral. Física Experimental; Noções de Meteorologia.
Geometria Descritiva; Perspectiva e Sombra; Desenho correspondente.
Ensino militar teórico
Estudo da missão do Exército e da missão social do oficial. Organização do Exército Brasileiro.
Estudo do regulamento da instrução física, precedido das noções de anatomia e fisiologia necessárias à sua execução.
Estudo do armamento portátil regulamentar e dos seus meios de conservação; princípios que presidem a sua organização.
Estudo dos regulamentos de exercícios e combate da infantaria, de tiro das armas portáteis, de serviço em campanha, de transmissões e de organização do terreno, na parte necessária ao ensino prático correspondente.
Estudo do regulamento para instrução e serviços gerais nos corpos de tropa, inclusive da parte disciplinar.
Noções elementares de topografia; estudo de terreno, sua morfologia e modo de representá-lo nas cartas.
Ensino militar prático
Instrução física militar.
Escola do soldado, do grupo e do pelotão.
Adestramento para o combate do grupo e do pelotão.
Instrução técnica do tiro e instrução individual do atirador para o combate (fuzil, fuzil metralhadora e granada).
Instrução do soldado, do grupo e do pelotão, nas diversas situações do serviço em campanha (esclarecedor, sentinela, patrulha, pequeno posto).
Ensino militar prático
Instrução do estafeta, do mensageiro, do sinaleiro e do telefonista e organização do posto de comando e de uma companhia.
Exercícios de orientação, de identificação do terreno e de execução de levantamentos simples. Equitação.
Socorros médicos de urgência.
SEGUNDO ANO Ensino geral
Mecânica Racional. Química.
Topografia; Desenho Topográfico.
Noções de Direito; Legislação Militar; Administração Militar.
Ensino militar teórico
Noções de higiene e profilaxia indispensáveis à saúde dos homens e à conservação do bom estado sanitário das habitações militares, em tempos de paz e de guerra.
Estado da metralhadora e dos petrechos de acompanhamento da infantaria e dos carros de combate. Continuação do estudo dos regulamentos, a saber: instrução física, exercícios e combate de infantaria e seus anexos, tiro das armas portáteis, metralhadoras pesadas, serviço em campanha, organização do terreno, transmissões, de instrução e serviços gerais nos corpos de tropa.
Ensino militar prático
Instrução física militar.
Instrução correspondente à primeira parte do regulamento de infantaria até o batalhão.
Revisão dos exercícios de adestramento para o combate do grupo e do pelotão, adestramento para o combate da seção de metralhadoras leves e pesadas, do canhão de 37 e do morteiro de acompanhamento. Exercícios de combate da companhia.
Aperfeiçoamento da instrução técnica do tiro e da instrução individual do atirador para o combate (fuzil, fuzil metralhadora, granada, metralhadora).
Exercícios de serviço em campanha; marchas e estacionamento.
Revisão da instrução dos agentes de transmissão; instrução dos radiotelegrafistas; organização do posto de comando de um batalhão.
Combinação dos elementos da reorganização do terreno: grupos de combate, pontos de apoio, centro de resistência.
Exercícios práticos de topografia; esboços planimétricos e panorâmicos.
Exercícios de redação de ordens, partes e relatórios, concernentes a assuntos tratados na prática. Esgrima.
Equitação.
Fonte: Adaptado de Motta (2001).
No próximo quadro, pode-se vislumbrar o currículo dos cursos especiais de infantaria, cavalaria, artilharia e engenharia, segundo o Regulamento de 1924:
Quadro 40 – Currículo dos cursos especiais de infantaria, cavalaria, artilharia e engenharia, segundo o
Regulamento de 1924.
CURSO ESPECIAL DE INFANTARIA Ensino teórico
Balística Interna e Externa. Tática de Infantaria.
Noções de Fortificação Permanente (terrestre e de costa); Síntese Histórica da Fortificação. Noções sobre as Aplicações Gerais da Física, da Química e da Mecânica à Técnica Militar. Tática Geral; História Militar.
Ensino teórico-prático
Revisão e desenvolvimento da instrução anterior da arma. Exercícios táticos na carta e no terreno.
Instrução física militar. Esgrima.
Equitação.
CURSO ESPECIAL DE CAVALARIA Ensino teórico
Balística Interna e Externa. Tática de Cavalaria.
Noções sobre as Aplicações Gerais da Física, da Química e da Mecânica à Técnica Militar. Tática Geral; História Militar.
Ensino teórico-prático
Revisão e desenvolvimento da instrução anterior, especialmente na parte que interessa à arma. Aplicação do regulamento da arma.
Noções de hipologia e higiene veterinária. Exercícios táticos na carta e no terreno. Esgrima.
Equitação.
CURSO ESPECIAL DE ARTILHARIA Ensino teórico
Balística Interna e Externa.
Tática de Artilharia; Material de Artilharia e suas Propriedades.
Noções de Fortificação Permanente (terrestre e de costa); Síntese Histórica da Fortificação. Noções sobre as Aplicações Gerais da Física, da Química e da Mecânica à Técnica Militar. Tática Geral; História Militar.
Ensino teórico-prático
Estudo do armamento da artilharia brasileira; aplicação prática dos regulamentos referentes aos exercícios, ao tiro e ao emprego da artilharia.
Revisão da instrução anterior, na parte que interessa à arma. Exercícios táticos na carta e no terreno.
Noções de topologia e veterinária. Exercícios topográficos.
Esgrima. Equitação.
CURSO ESPECIAL DE ENGENHARIA Ensino teórico
Balística Interna e Externa
Curso Elementar de Estradas de Ferro e de Rodagem; Noções Essenciais de Geologia e de Resistência de Materiais; Pontes Militares.
Noções de Fortificação Permanente (terrestre e de costa); Síntese Histórica da Fortificação. Noções sobre as Aplicações Gerais da Física, da Química e da Mecânica à Técnica Militar. Tática Geral; História Militar.
Ensino teórico-prático
Aplicação dos regulamentos peculiares à arma. Exercícios topográficos.
Participação técnica nos exercícios táticos dos outros cursos.
Fonte: Adaptado de Motta (2001).
Nestes currículos, percebe-se que voltaram as disciplinas científicas e as cadeiras, e que os cursos passaram a ter a mesma duração, sendo que tanto os alunos de infantaria e cavalaria quanto os de artilharia e engenharia deveriam frequentar os dois anos do curso fundamental e um ano do curso especial da respectiva arma. Além disso, o regulamento era bem minucioso com relação aos conteúdos a serem ministrados pelos instrutores, visando ao controle dos assuntos tratados nas aulas, de modo que os professores eram obrigados a preparar compêndios sobre as disciplinas, entre outras obrigações. Quanto ao aspecto do regime disciplinar, foi estabelecido o regime de internato, bem como criado um Corpo de Alunos, composto por uma companhia de infantaria, um esquadrão de cavalaria, uma bateria de artilharia e uma companhia de engenharia128. Também, foram criadas regras que regulavam a vida dos alunos e dos próprios instrutores, além de prêmios aos melhores alunos129.
O primeiro instrutor da missão francesa a atuar na Escola Militar foi o Tenente-Coronel Beziers la Fosse, iniciando, naquela escola, o que já estava ocorrendo no Estado-Maior do Exército, isto é, a modernização seguindo o modelo do exército francês, fenômeno que Trevisan (1993) denomina “Segunda Obsessão Patriótica”. Nesse modelo, destacaram-se oficiais que tiveram contato com o exército francês, como os membros da Missão Aché de 1917; o Major José Pessoa, por exemplo, que assumiu as funções de major fiscal da escola, pode ser lembrado como exemplo típico dos oficiais desse grupo (Câmara, 1985).
Enquanto a Escola Militar passava por esse processo de reformulação, o historiador Eugenio Vilhena de Moraes propôs que fosse comemorado o centenário do nascimento de Duque de Caxias, em 25 de agosto de 1923 (Castro, 2000a). Nesse sentido, na primeira página
128 Arts. 1º e 2º do Decreto nº 16.394, de 27 de fevereiro de 1924. 129 Arts. 62 a 78 do Decreto nº 16.394, de 27 de fevereiro de 1924.
do jornal A Noite, de 25 de agosto de 1923, foi publicada uma matéria intitulada “Um aliado da glória – o dia do Duque de Caxias – commemorando o centenário militar do grande vulto”, na qual pode-se vislumbrar o início da construção do mito de Caxias e sua biografia oficial, como segue:
Cadete aos cinco annos de edade, cursando depois com brilho a Real Academia Militar [...] deixou seu nome ligado aos combates que deram maior gloria ao Brasil, e em muitos dos quaes entrou com a saúde comprometida, ma com bastante vigor para desfraldar os trophéos da victoria [...] uma alma profundamente religiosa [...] menos popular por causa de sua linha hieratica, do que o general Osorio [...] ereto, elegante apesar da edade [...] poderia fazer de seus soldados o que quissesse, desde um heroe até um martyr [...] Calmo, sereno, sofredor, disciplinado, aparentemente impassível, faltou-lhe, honra lhe seja feita, para impressionar com viveza o espírito das massas, esse desequilíbrio, tão comum nos grandes homens, que assinala para elas a sua grandeza em tudo, até mesmo nos piores excessos e aberrações da ordem moral [...] Sustentáculo da legalidade não foi o que, na agitada quadra que deflue sua longa existencia, poderia, se quisesse facilmente ter sido: o mais temeroso e maior dos caudilhos americanos [...]130
Merece destaque, nessa pequena análise, a construção romântica da figura de Caxias como herói nacional, com as seguintes características: um militar que começou a carreira cedo; frequentou a Escola Militar com brilho; saúde frágil; invicto; religioso; sem grandes apelos populares; sereno; calmo; disciplinado; abnegado; impassível; e sustentáculo da legalidade.
Castro (2000a) observa que a escolha de Caxias como novo herói nacional, em detrimento do popular Osório, teve suas raízes na construção de uma tradição militar ligada à ideia de respeito à legalidade, exatamente no período posterior à Revolução de 5 de julho de 1922. Dessa forma, a construção romântica da imagem de Caxias como soldado-profissional paulatinamente foi usada para substituir a visão romântica dos alunos da Escola Militar e dos “tenentes” rebeldes de 1922, mas os frutos desse projeto só foram colhidos mais tarde: pouco a pouco, a festa de Caxias, no dia 25 de agosto, transformou-se em festa nacional, até fixar-se como Dia do Soldado, em 1925131.
Quanto à Escola Militar, no ano de 1923, ela estava quase vazia, em razão da expulsão dos envolvidos com a rebelião de 1922. Os alunos da primeira turma a se formar após o incidente compunham a turma de 1925 e foram influenciados pelo Tenente-Coronel Pierre Beziers la Fosse, da missão francesa, que ensinou a esses alunos que era uma tradição francesa que as turmas formadas nas Escolas Militares tivessem o nome de um grande militar. Era o
130 Jornal A Noite, edição de 25 de agosto de 1923, p. 1
conceito de patrono, que não era relacionado com o conceito de pai, mas sim de padrão, ou seja, o patrono era um padrão, um modelo a ser seguido por todos.
A turma de 1925 inaugurou, então, a tradição da escolha de um patrono e escolheu o Duque de Caxias,o que ocorreu exatamente em um período de grande indisciplina, com o “fantasma” do Tenentismo rondando a Escola Militar. Curiosamente, uma turma de cadetes escolheu como patrono um militar cuja biografia oficial ressaltava suas qualidades de soldado disciplinado e disciplinador, sustentáculo de legalidade; portanto, um militar avesso a rebeliões e à intervenção política das Forças Armadas. Esse patrono era detentor de uma biografia oficial digna da ideologia do soldado-profissional.
Contudo, não foi somente a ideologia do soldado-profissional que rondou a EMR. No país, ocorreu uma mudança no movimento dos tenentes: a Revolução de 1924, em São Paulo, mudou a forma da rebelião militar, com a participação de oficiais da FPESP, como o Major Miguel Costa e o Tenente João Cabanas. Segundo Marcusso (2006, p. 2),
em 1924, após dois anos de amadurecimento político e ideológico do levante de 22, ocorreram de diversos levantes militares denominados Revoluções de 1924. A revolução paulista de cinco de julho, foi o movimento ‘líder’, inspirador e o que produziu as mais elaboradas formulações político- ideológicas. Dessa vez, os tenentes se manifestam em nome da coletividade nacional, propondo para ela uma sociedade democrática, embora o objetivo de derrubar Artur Bernardes se mantivesse.
A revolução de São Paulo ocorreu simultaneamente a um levante militar no Rio Grande do Sul, liderado pelo Capitão Luís Carlos Prestes. Os dois movimentos fracassaram e os revolucionários de São Paulo, liderados pelo Major Miguel Costa da FPESP, e do Rio Grande do Sul, liderados pelo Capitão Luís Carlos Prestes, encontraram-se no Paraná e formaram a Coluna Prestes, que marchou por cerca de dois anos, por quase vinte e cinco mil quilômetros, com o principal objetivo de realizar propaganda armada da revolução (Marcusso, 2006).
Houve outras rebeliões, como os levantes de Mato Grosso (12 de julho de 1924), de Sergipe (13 de julho de 1924), do Amazonas (23 de julho de 1924) e do Pará (26 de julho de 1924) e a revolução do Rio Grande do Sul (29 de outubro de 1924)132. Os “tenentes” rebeldes usavam a estratégia de infiltrar-se nas unidades operacionais e cooptar jovens oficiais para o movimento; o próprio Luís Carlos Prestes, em razão da marcha da Coluna, começou a ganhar fama de herói nacional, como relata Apolônio de Carvalho (2002), tenente em 1935:
A minha geração, que é a geração que nasce entre 10 e 12, deste século, eu penso também que nas gerações que nascem depois, até os anos vinte, mesmo nos anos trinta, são gerações para as quais Prestes foi uma figura legendária desse período, o ‘Cavaleiro da Esperança’. Nos os garotos torcíamos pela coluna, dentro de nossa inconsciência política, mas numa veneração enorme por aquele jovem comandante.133
Com esse depoimento, é possível verificar a fascinação e a admiração que os oficiais rebeldes exerciam nos alunos da Escola Militar, mas não era só o fantasma da admiração e do respeito aos revolucionários que rondava a Escola do Realengo; “tenentes” rebeldes dos mais diversos matizes ideológicos passaram a buscar novos adeptos nos bancos escolares, como declara Barata (1976)134 em suas memórias:
O comando Revolucionário exilou-se. A coluna internou-se na Bolívia. Isidoro e outros chefes revolucionários se encontravam no Prata, rondando as fronteiras do Brasil e despachando emissários para ampliar a conspiração. [...] Os ‘tenentes’ iniciam então um trabalho de longo alcance: é preciso recrutar o tenente ainda na Escola Militar, antes mesmo de ele se enquadrar na mentalidade governista da tropa.
Um comitê de cadetes é organizado na Escola Militar do Realengo.
Este comitê realizava um prudente trabalho de sondagem. As preocupações indispensáveis ao trabalho tornavam-no lento, moroso. Os resultados custavam a aparecer mas eram seguros. As possibilidades de delação reduzidas ao mínimo. Aliás, nessa época, as delações encontravam tão indignada repulsa por parte de todos - legalistas e revolucionários - que bem pouco eram os que ousavam praticá-la.
[...] Os exemplos heroicos de Cleto, de Jansen, de Aníbal Benévolo, de Portelinha, de Joaquim Távora, que tombaram na luta, transformava o nosso desejo de empunhar a bandeira sob a qual caíram num glorioso dever de honra revolucionária. (pp. 80-81).
Como se pode ver, a romântica defesa da honra estava presente até mesmo no processo de recrutamento, sob dois aspectos: a repulsa aos delatores e a admiração que alguns alunos, como Agildo Barata, tinham com relação aos “tenentes” que haviam morrido nos levantes tenentistas. Outro exemplo de aluno da Escola Militar do período cooptado a participar do movimento tenentista foi o ex-Tenente Anthero de Almeida, um dos oficiais que participou do levante do 3º Regimento de Infantaria, em 1935135. Em depoimento à pesquisadora Andrea Paula dos Santos (1998), ele declarou:
133 Depoimento prestado por Apolônio de Carvalho para o filme 35 – o assalto ao poder, de Eduardo Escorel. 134 Militar revolucionário ligado à Aliança Nacional Libertadora e ao PCB, foi um dos mais destacados rebeldes no
levante do 3º Regimento de Infantaria durante os levantes comunistas de 1935.
Cheguei na Escola Militar [...] Era 1924. Não considerava o ambiente político tão tumultuado porque, naquele tempo, não me preocupava com essas coisas... No ensino, a coisa era completamente diferente no meu colégio. Eu tinha como professores uns coronéis que ainda haviam sido alunos de Benjamim Constant! Eles falavam em Benjamim Constant com a maior veneração... E iam infiltrando na gente aqueles ideais positivistas. [...]
O episodio mais marcante foi em 24, no ano em que entrei, que coincidiu com a revolta de São Paulo. Alguns cadetes desertaram para ir para a revolta e alguns acabaram ate na Coluna Prestes. Um deles era o Andre Trifino Correa. Ele era do Esquadrão de Cavalaria comigo. Foi um dos que desertou para ir para São Paulo e eu o conhecia bem. A cama dele era próxima da minha. Mas depois de 24, em 25, 26, 27 não teve nada... Não houve nenhum episodio marcante.
Eu terminei o curso em dezembro de 1929 [...] Fiz a Revolução de 30, defendendo o governo, porque tinha sido aluno do Lott, o Marechal. O Mal. Lott era muito rigoroso. [...] Gostava muito dele, tinha muita admiração pelo Lott, um homem de valor... Muitos anos depois, o encontrei em Paris. Ele estava fazendo o curso da Escola Superior de Guerra em Paris, e eu estava exilado lá... (pp. 39-40).
Neste depoimento, percebe-se o clima da Escola Militar em meados da década de 1920: os professores ainda saudosistas das aulas de Benjamin Constant, a deserção de alunos para participar da Revolução de 1924 em São Paulo, o envolvimento do jovem tenente com a Revolução de 1930 e a influência do Marechal Lott na formação do depoente. Portanto, nesse clima de cooptação e de profissionalismo, em que os alunos eram, por um lado, apresentados à ideologia do soldado-profissional pelos instrutores da missão francesa e pela tradição do culto a Caxias e, por outro, à ideologia do soldado-cidadão pelos exemplos dos “tenentes” que haviam sacrificado suas vidas pelo ideal revolucionário, permaneceu latente a cultura da defesa romântica da honra.
No ano de 1928, foi publicada uma lei que determinou que as Escolas Militares deviam rever seus regulamentos. A partir disso, em 1929, ocorreu uma nova reforma do ensino na EMR, a qual, em termos concretos, inovou muito pouco, se comparada à reforma de 1924.
Motta (2001) considera que, no Regulamento de 1929, houve apenas duas mudanças