No mês de agosto de 1912, explodiu uma rebelião popular na região fronteiriça entre Paraná e Santa Catarina, conhecida como região do Contestado. O conflito durou até outubro de 1916 e teve origem nos problemas sociais e fundiários da região, caracterizada por possuir uma população muito pobre. Além disso, tal como ocorreu em Canudos, o fanatismo religioso foi um componente importante na evolução desse conflito110.
Em que pese a falta de preparo e de armamento dos rebeldes, a desorganização, tanto do Exército quanto das forças militares estaduais do Paraná e de Santa Catarina, fez com que o desfecho do conflito fosse muito semelhante ao de Canudos: o Exército venceu o conflito, mas a um custo muito elevado (Sodré, 1979). Destaque-se, também, que o comandante das tropas legalistas empregadas no conflito foi o General Setembrino de Carvalho e que participaram dos combates alguns “Jovens Turcos”, como Euclides de Figueiredo, e outros oficiais simpatizantes dos “novos turcos”, como os Tenentes Aristharco Pessoa, Henrique Teixeira Lott, Eurico Gaspar Dutra e Olímpio Falconière da Cunha (CPDOC, 2012).
Enquanto se desenrolava a guerra na região de Canudos, em agosto de 1914, eclodiu na Europa a Primeira Guerra Mundial, conflito caracterizado pelo emprego maciço de novas técnicas de combate, uso frequente de armas automáticas, aviação militar e início da guerra blindada. Diante disso, relatórios ministeriais e a revista A Defesa Nacional passaram a defender a necessidade de modernização do Exército, sendo que, no tocante à instrução, a revista defendia que a formação do oficial “[...] é ato lento e contínuo, a realizar-se ao longo de toda a carreira, e nunca um esforço episódico, que se resuma ou se encerre nos três ou quatro anos da Escola Militar [...].” (Motta, 2001, p. 247).
Em novembro de 1914, o presidente Wenceslau Brás assumiu o governo da nação e nomeou o General de Divisão José Caetano de Faria como ministro da Guerra e o Brasil declarou guerra às Potências Centrais111. A esse respeito, MacCann (2007) cita que o ministro da Guerra, o General Caetano de Faria, “[...] enviou ao exterior duas missões de estudo durante
110 Para uma melhor análise da Guerra do Contestado, vide MacCann (2007).
a guerra, uma para a França, para observar os efeitos do conflito sobre a ‘arte da guerra’, e a outra para os Estados Unidos, a fim de adquirir técnicos e material bélico.” (p. 242).
Em 1917, chegou a Nova Iorque a missão militar brasileira, que fez visitas a fábricas militares e a arsenais, contratou um engenheiro químico metalúrgico, comprou diversos equipamentos e maquinário que seriam utilizados para a instalação da artilharia costeira brasileira (MacCann, 2007)112. Ainda em 1917, chegou à França a missão chefiada pelo General Napoleão Felipe Aché, composta por vinte e oito oficiais que frequentaram cursos e estagiaram em unidades operacionais durante a guerra, que iniciou os preparativos para a contratação de uma missão militar francesa, em 1919. O quadro a seguir apresenta o nome dos oficiais que compuseram a missão militar chefiada pelo General Aché (Missão Aché):
Quadro 27 – Relação dos oficiais da Missão Aché.
FUNÇÃO NOME
Chefe da Comissão General Napoleão Felipe Aché
Subchefe da Comissão Tenente-Coronel José Fernandes Leite de Castro
Secretário Segundo-Tenente da Infantaria Octávio Monteiro Ache
Serviço de Estado-Maior Major João Batista de Oliveira Brandão Júnior Primeiro-Tenente Álvaro Áreas Serviço de Administração Primeiro-Tenente José Nery Eubanck da Câmara Serviço de Veterinária Major Médico Veterinário Joaquim Moreira Sampaio Aviação
Primeiro-Tenente Alzir Mendes Rodrigues Lima Primeiro-Tenente Mário Barbedo
Segundo-Tenente Bento Ribeiro Carneiro Monteiro Artilharia
Primeiro-Tenente Demócrito Barbosa Primeiro-Tenente Sebastião do Rego Barros Segundo-Tenente Carlos de Andrade Neves Infantaria
Major Tertuliano de Albuquerque Potyguara Capitão Praxedes Theodulo Silva Júnior
Segundo-Tenente Onofre Muniz Gomes de Lima Cavalaria
Major Firmino Antonio Borba Primeiro-Tenente Izauro Reguera
Primeiro-Tenente José Pessoa Cavalcante de Albuquerque Primeiro-Tenente Christóvão de Castro Barcellos
Corpo de Saúde
Major Rodrigo de Araújo Aragão Bocão Capitão Cleómenes Lopes de Siqueira Filho Capitão João Affonso de Souza Ferreira Capitão Alarico Damázio
Capitão João Florentino Moreira Capitão Manoel Esteves de Assis
Primeiro-Tenente Carlos da Rocha Fernandes
Fonte: Adaptado de Cosendey (1987).
112 O desenvolvimento da artilharia de costa brasileira deu-se efetivamente apenas em 1934, com a chegada de uma
missão militar americana, que contribuiu com a criação do Centro de Instrução em Artilharia de Costa (Rodrigues, 2011).
Quanto à participação do país no conflito, devido a desordens internas e à falta de estrutura militar, o Brasil teve pequena participação, enviando um grupo de aviadores da Marinha e do Exército, um corpo médico-hospitalar e uma divisão naval, que patrulhou a região do Estreito de Gibraltar, à busca de submarinos alemães113. Alguns oficiais brasileiros participaram do conflito como voluntários, como foi o caso do então Tenente José Pessoa114, integrante da Missão Aché, que solicitou afastamento do serviço ativo para incorporar-se como voluntário ao exército francês.
Durante a gestão do ministro Caetano de Faria na pasta da Guerra, foi iniciado um trabalho de revisão do Regulamento de 1913 das Escolas Militares, que tinha por finalidade incorporar os conhecimentos adquiridos durante a Primeira Guerra Mundial aos cursos de formação de oficiais, culminando com o Regulamento de 1914, que se mesclou ao Regulamento de 1913 e gerou o chamado Regulamento de 1913-1914115. O currículo desse regulamento previa um curso básico com duração de dois anos, composto por disciplinas teórico-práticas e práticas, sendo as disciplinas práticas ministradas nos dois anos. No quadro a seguir, é possível observar o currículo do curso básico prescrito no Regulamento de 1913-1914:
Quadro 28 – Currículo do curso básico da Escola Militar, segundo o Regulamento de 1913-1914. Ensino teórico-prático
ANO DISCIPLINAS
1º
Conhecimentos Essenciais de Geometria Analítica e Cálculo Transcendente.
Conhecimentos Essenciais de Direito Constitucional, Administrativo e Internacional; Legislação Militar Brasileira.
Princípios Gerais de Organização dos Exércitos; Noções de Tática e Estratégia; História Militar do Brasil.
Conhecimentos Essenciais de Geometria Descritiva; Perspectiva; Sombras e Desenhos Correspondentes.
2º
Conhecimentos Essenciais de Mecânica Racional; Noções Fundamentais de Aeronáutica Militar.
Física; Conhecimentos Essenciais de Termologia; Eletrologia; Fotologia; Química Descritiva Inorgânica e Orgânica.
Higiene Militar, precedida de Noções Gerais de Higiene. Topografia, especialmente militar; Desenho Correspondente.
Ensino prático
Equitação; Infantaria; Cavalaria; Artilharia; Tiro ao Alvo; Esgrima. Prática Falada de Francês e inglês ou Alemão.
Fonte: Adaptado de Brasil (1913, 1914).
113 Para analisar a participação do Brasil na Primeira Guerra Mundial, vide Gama (1982). 114 Verbete ‘José Pessoa’ (CPDOC, 2012).
Como se pode ver, o ensino prático continuou sendo valorizado neste currículo, sendo as disciplinas agora divididas em teórico-práticas e práticas, com pouca ou nenhuma carga horária para as disciplinas teóricas. Merece um destaque especial o fato de que o ensino de línguas estrangeiras, como o francês, o inglês e o alemão, não era considerado disciplina teórica nem teórico-prática, mas disciplina prática, indício da preocupação do ministro da Guerra em habilitar os oficiais do Exército para serem capazes de comunicar-se com militares de outras nações, facilitando o intercâmbio de oficiais, a eventual contratação de uma missão militar estrangeira ou mesmo a participação do Brasil em conflitos internacionais.
Ainda segundo o Regulamento de 1913-1914, após o término do curso básico, os alunos deveriam seguir seus estudos optando por um dos cursos especializados: os cursos de infantaria ou cavalaria, com duração de um ano, ou os cursos de artilharia ou engenharia, com duração de dois anos. O currículo dos cursos de infantaria e cavalaria pode ser analisado no quadro a seguir:
Quadro 29 – Currículo dos cursos de infantaria e cavalaria, segundo o Regulamento de 1913-1914. CURSO DE INFANTARIA
Ensino teórico-prático
Tático e Serviços da Infantaria, precedidos da organização dessa arma nos exércitos em geral, especialmente nos sul-americanos; Infantaria Brasileira.
Armas Portáteis e Metralhadoras; Balística Elementar e Aplicação ao Tiro dessas Armas. Fortificação de Campanha; Noções de Fortificação Permanente; Propriedades e Emprego dos Explosivos.
Ensino Prático
Topografia Militar; Infantaria; Tiro ao Alvo; Esgrima. Prática Falada de Francês e Inglês ou Alemão.
CURSO DE CAVALARIA Ensino teórico-prático
Tática e Serviços da Cavalaria, precedidos da organização dessa arma nos exércitos em geral, especialmente nos sul-americanos; Cavalaria Brasileira.
Armas Portáteis e Metralhadoras; Balística Elementar e sua Aplicação ao Tiro dessas Armas. Fortificação de Campanha; Noções de Fortificação Permanente; Propriedades e Emprego dos Explosivos.
Hipologia e Noções Gerais de Veterinária.
Ensino Prático
Topografia Militar; Equitação; Cavalaria; Tiro ao Alvo; Esgrima. Prática Falada de Francês e Alemão.
Fonte: Adaptado de Brasil (1913, 1914).
Quadro 30 – Currículo do curso de artilharia, segundo o Regulamento de 1913-1914. PRIMEIRO ANO
Ensino teórico-prático
Organização da Artilharia nos exercícios em geral, especialmente nos exércitos sul-americanos; Artilharia Brasileira.
Material de Artilharia, compreendendo Noções de Artilharia Naval e de Costa. Tática e Serviços da Artilharia; Tática Naval.
Balística, Estilo Completo; Aplicação ao Tiro das Armas de Fogo em Geral.
Ensino prático
Topografia Militar; Equitação; Artilharia; Tiro ao Alvo; Esgrima. Prática Falada de Francês, Inglês ou Alemão.
SEGUNDO ANO Ensino teórico-prático
Fortificação de Campanha; Fortificação Permanente; Ataque e Defesa das Praças de Guerra. Conhecimentos Essenciais de Metalurgia Eletrotécnica Militar.
Noções Gerais sobre o Fabrico de Material de Guerra, incluindo explosivos. Pirotécnica Militar; Propriedades e Empregos dos Explosivos e Minas Militares. Desenho de Fortificação e de Máquinas.
Ensino prático
Topografia Militar; Fortificação; Artilharia; Tiro ao Alvo; Esgrima. Prática Falada de Francês ou Alemão.
Fonte: Adaptado de Brasil (1913, 1914).
No próximo quadro, é possível avaliar o currículo do curso de engenharia:
Quadro 31 – Currículo do curso de engenharia, segundo o Regulamento de 1913-1914. PRIMEIRO ANO
Ensino teórico-prático
Organização da Engenharia Militar nos exércitos em geral, especialmente nos exércitos sul-americanos; Material e Serviços de Engenharia Militar Brasileira.
Balística, Estilo Completo; Aplicação ao Tiro das Armas de Fogo em Geral.
Resistência dos Materiais; Estabilidade das Construções (métodos analítico e gráfico).
Conhecimentos Essenciais de Hidráulica; Abastecimento de Água e Esgotos; Noções Fundamentais de Engenharia Sanitária.
Arquitetura, especialmente militar; Desenho Correspondente.
Ensino prático
Topografia em Geral; Materiais de Construção; Organização de Projetos e Orçamentos de Obras Militares; Equitação.
Prática Falada de Francês, Inglês ou Alemão.
SEGUNDO ANO Ensino teórico-prático
Geodésia, precedida dos indispensáveis conhecimentos práticos de Astronomia.
Fortificação de Campanha; Fortificação Permanente; Ataque e Defesa das Praças de Guerra. Estradas em Geral, Pontes e Viadutos.
SEGUNDO ANO Ensino teórico-prático
Desenho de Fortificação e de Máquinas.
Ensino prático
Topografia em Geral; Geodésia; Construção de Fortificação; Telegrafia, Telefonia, Fotografia e Serviço de Pontes.
Prática Falada de Francês, Inglês ou Alemão.
Fonte: Adaptado de Brasil (1913, 1914).
No tocante ao regime escolar, segundo Motta (2001), o Regulamento de 1913-1914
[...] repete o de 1905. Somente seriam admitidas matrículas de praças, e estas com menos seis meses de serviço em caso de tropa. ‘Não será permitida, sob hipótese alguma, que se matriculem oficiais’, é advertência feita logo no artigo primeiro. ‘Os alunos constituirão uma ou mais companhias, sujeitas ao regime militar, com a denominação de ‘companhia de alunos’. (p. 247).
Já quanto aos uniformes, foi previsto, no Regulamento de 1913, um novo “grande uniforme” para a Escola Militar (vide Anexo X), sendo que o Regulamento de 1914 simplificou os uniformes com o “fardamento kaki” (vide Anexo XI), que caracterizou os alunos até 1931, quando a Reforma José Pessoa introduziu os uniformes de gala dos cadetes.
A implementação do currículo de 1913-1914 também teve problemas no tocante aos instrutores; os “novos turcos” começaram a chegar à EMR, mas não foram suficientes para implementar um currículo prático, visto que a maioria dos professores ainda permanecia presa a práticas pedagógicas centradas no ensino teórico. Além disso, com o término da Primeira Guerra Mundial e o retorno dos observadores da Missão Aché, surgiu a necessidade de que, para tornar o EN do Brasil uma força equiparável aos exércitos europeus, os oficiais fossem instruídos sobre as novas técnicas de combate, como a utilização de veículos blindados (MacCann, 2007). Assim, em 1918, foi publicada uma nova reforma no regulamento das Escolas Militares, baseada nas propostas de assimilar os conhecimentos adquiridos com a Primeira Guerra Mundial, aumentar a preponderância do ensino prático/profissional e incorporar os “[...] procedimentos e normas defendidas pugnaz e ardorosamente pelos oficiais que haviam estagiado na Alemanha.” (Motta, 2001, p. 250).
Nessa reforma, a estrutura dos cursos permaneceu a mesma do Regulamento de 1913 e o ensino continuou baseado no caso concreto, mas houve algumas inovações em relação ao Regulamento de 1913-1914, como:
1) a extinção da Escola Prática;
2) o currículo, maior número de disciplinas diretamente relacionadas com o ensino profissional, e maior ênfase no ensino da História Militar do Brasil, do Armamento, da Tática e do Serviço em Campanha [...];
3) valorização das disciplinas militares através da utilização de coeficientes, nas notas de fim de curso;
4) regime militar de mais amplo enquadramento com a organização de um ‘Corpo de Alunos’, com unidades das quatro Armas, sob o comando do comandante da Escola;
5) Subordinação didática da Escola ao Estado-Maior do Exército;
6) instituição de provas práticas a que se deveriam submeter os oficiais candidatos a instrutor. (Motta, 2001, p. 251).
Em 1918, com a extinção da Escola Prática, tanto o ensino teórico quanto o prático passaram a ser de responsabilidade da EMR, sendo previsto, ainda, um concurso voltado para os oficiais do Exército que quisessem exercer a função de instrutor da Escola Militar. O edital do concurso previa que os candidatos seriam submetidos a uma prova prática, como se vê no seguinte trecho:
A prova pratica constará das seguintes partes: a) programma do instrucção e sua justificação; b) exposição oral de um ponto do programa; c) commanlo de tropa.
Uma commissão de officiaes da activa, nomeada pelo ministro, sob proposta do chefe do Estado Maior, organizara o programma, dos pontos das provas, pontos esses que serão formulados de modo a abranger todas as partes da instrucção e submettidos á approvaçao do chefe do Estado Maior.
A commissão a que se refere o artigo anterior será composta de dous oficciaes superiores, dous capitães, da arma do candidato, sob a presidencia de um general ou coronel. (Brasil, 1918).
Nesse mesmo ano, foi eleito como presidente da República o paulista Rodrigues Alves, mas ele foi vitimado pela gripe espanhola antes de assumir o governo. Em face desse incidente, governou interinamente o mineiro Delfim Moreira, que convocou novas eleições, permanecendo no cargo de presidente da República por apenas um ano; por isso, seu governo ficou conhecido como interregno republicano (ou regência republicana)116.
Mesmo nesse curto espaço de tempo, o presidente Delfim Moreira nomeou para ministro da Guerra o General Alberto Cardoso de Aguiar, que permaneceu menos de um ano no cargo, mas adotou medidas de grande repercussão, como a contratação de uma missão militar francesa para a reorganização do Exército e instrução, que curiosamente não começou seus trabalhos na EMR, mas trabalhando na reestruturação do Estado-Maior do Exército (Araujo,
2009). Ainda, foi realizado o concurso para provimento de instrutores previsto no Regulamento de 1918 e se iniciaram os trabalhos de uma nova equipe de instrutores da Escola Militar, a qual ficou conhecida como Missão Indígena. Os primeiros oficiais a comporem o corpo de instrutores da Escola Militar durante a Missão Indígena podem ser identificados no quadro a seguir:
Quadro 32 – Primeiros oficiais da Missão Indígena, em 1919.
ARMA INSTRUTORES
INFANTARIA
Primeiro-Tenente Eduardo Guedes Alcoforado, Primeiro-Tenente Newton de Andrade Cavalcanti, Primeiro-Tenente Demerval Peixoto, Primeiro-Tenente João Barbosa Leite, Segundo-Tenente Odylio Denys.
CAVALARIA Capitão Euclides de Oliveira Figueiredo (ex-estagiário no exército alemão), Primeiro-Tenente Renato Paquet, Primeiro-Tenente Orosimbo Martins Pereira, Primeiro-Tenente Antônio da Silva Rocha.
ARTILHARIA Capitão Epaminondas de Lima e Silva (ex-estagiário no exército alemão), Primeiro-Tenente Plutarcho Soares Caiuby, Primeiro-Tenente Luiz Araújo Correa Lima. ENGENHARIA Primeiro-Tenente José Bentes Monteiro, Primeiro-Tenente Mario Ary Pires, Primeiro-Tenente Artur Joaquim Panfiro. Fonte: Adaptado de Rodrigues (2011).
Rodrigues (2008), analisando um artigo do Marechal Odylio Denis na revista A Defesa Nacional, confirma que esse número de instrutores não foi suficiente; assim, foram selecionados outros ao longo do período em que funcionou a Missão Indígena na Escola Militar (1919 a 1922). Ainda segundo as informações obtidas pelo autor, foram instrutores da Escola Militar no período:
Quadro 33 – Outros oficiais que integraram a Missão Indígena na EMR.
ARMA INSTRUTORES
INFANTARIA
Capitão Outubrino Pinto Nogueira, Primeiro-Tenente José Luiz de Morais, Primeiro-Tenente Mário Travassos, Primeiro-Tenente Penedo Pedra, Primeiro- Tenente Henrique Duffles Teixeira Lott, Primeiro-Tenente Victor César da Cunha Cruz, Primeiro-Tenente Olimpio Falconiere da Cunha, Primeiro-Tenente
Filomeno Brandão, Primeiro-Tenente Joaquim Vieira de Melo, Primeiro-Tenente Onofre Muniz Gomes de Lima, Primeiro-Tenente Tristão de Alencar Araripe, Primeiro-Tenente Cyro Espírito Santo Cardoso, Primeiro-Tenente Illydio Rômulo Colônia, Primeiro-Tenente Arlindo Murity da Cunha Menezes.
CAVALARIA
Capitão Milton de Freitas Almeida, Primeiro-Tenente Gomes de Paiva, Primeiro- Tenente Brasiliano Americano Freire, Primeiro-Tenente Aristóteles de Souza Dantas.
ARTILHARIA Capitão Eduardo Pfeil, Capitão Pompeu Horácio da Costa, Primeiro-Tenente Álvaro Fiúza de Castro, Primeiro-Tenente José Agostinho dos Santos. ENGENHARIA Capitão Othon de Oliveira Santos, Primeiro-Tenente Luiz Procópio de Souza Pinto, Primeiro-Tenente Juarez do Nascimento Fernandes Távora, Primeiro-
Tenente Edmundo de Macedo Soares.
Assim, iniciaram-se os trabalhos da chamada Missão Indígena, que foi acompanhada de um novo regulamento para a Escola Militar, derivado do decreto de reorganização do ensino militar (Brasil, 1919a): o Regulamento de 1919117, com destaque para a criação de novos cursos, visando à estruturação de um sistema contínuo de formação e aperfeiçoamento dos oficiais. Nesse regulamento, foram criados os seguintes cursos:
1) cursos de Armas, feitos na Escola Militar, para a preparação dos oficiais subalternos das armas;
2) cursos de aperfeiçoamentos de Armas, feitos na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, destinados a completar a instrução dos oficiais e aperfeiçoá-los
como instrutores e comandantes de pequenas unidades;
3) cursos técnicos de Artilharia e de Engenharia, com a finalidade de habilitar tenentes destas duas Armas para as funções técnicas dos serviços de Material Bélico e de Engenharia;
4) curso de Estado-Maior: feito na Escola de Estado Maior;
5) curso de Revisão, feito na Escola de Estado-Maior, destinado a manter em dia o preparo dos oficiais superiores. (Motta, 2001, p. 257).
O currículo da reforma de 1919 era muito semelhante ao de 1918; em função disso, pesquisadores como Motta (2001) consideram esses currículos gêmeos, por isso o uso do termo ‘Reforma de 1918-1919’. Nesse contexto, os cursos da Escola Militar permaneceram os mesmos de 1918, tendo sido a grande mudança a equiparação do tempo de estudos dos cursos das armas. Assim, infantes, cavalarianos, artilheiros e engenheiros passaram a ter um período de formação de três anos (Motta, 2001). No próximo quadro, pode-se observar o currículo do curso fundamental segundo o Regulamento de 1918-1919:
Quadro 34 – Currículo do curso fundamental da Escola Militar, segundo o Regulamento de 1918-1919. PRIMEIRO ANO
PRIMEIRO PERÍODO Ensino teórico-prático
Conhecimentos essenciais sobre organização geral do Exército Brasileiro, especialmente das armas, e sobre a tática regulamentar de cada uma delas.
Conhecimentos essenciais do direito constitucional brasileiro e de direito internacional; direito penal e processual militar brasileiro.
Conhecimentos essenciais de geometria analítica. Noções essenciais de higiene.
SEGUNDO PERÍODO Ensino teórico-prático
Administração militar.
Conhecimentos essenciais sobre o armamento usado no Exército Brasileiro.