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As pesquisas exploratórias têm como objetivo, segundo Gil (2008), proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito ou a constituir hipóteses. O autor acrescenta que esse tipo de pesquisa envolve o levantamento bibliográfico, as entrevistas com sujeitos que tiveram experiências práticas com o problema a ser pesquisado, e a análise de exemplos que estimulem a compreensão.

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Assim, frente ao problema evidente, inicialmente, fizemos o levantamento bibliográfico para melhor compreendermos as variáveis e a abrangência do problema, definimos um aporte teórico, e realizamos o estado da arte envolvendo nosso objeto de estudo, o OA para a alfabetização.

Com o Estudo de Caso, buscamos conhecer o problema e entender a prática educativa. Para Stake (1988 apud ANDRÉ, 2008, p.50) “um estudo de caso que retrate um problema educacional em toda a sua complexidade individual e social é uma descoberta preciosa”. Neste sentido, o estudo de caso se faz ideal como metodologia para este estudo, pois buscamos entender um caso particular levando em conta sua complexidade e contexto.

Merriam (1988 apud ANDRÉ, 2008) enfatiza que os estudos de caso são descritivos e indutivos. Ou seja, a compreensão e descrição do contexto e da população são algumas de nossas preocupações quanto ao problema.

A preferência pelo estudo de caso etnográfico deve envolver três situações: (1) envolve perguntas do tipo “como” e “por quê”; (2) há pouco controle do pesquisador sobre o que acontece; e (3) é um fenômeno que acontece numa situação de vida real (Yin, 1988 apud ANDRÉ, 2008).

Em nossa pesquisa, retomando as questões expostas na introdução, buscamos responder: a) Como é a prática pedagógica em alfabetização no campo de pesquisa e como ela interfere no sucesso do aluno quanto à alfabetização?

b) Segundo as concepções dos professores, por que o fracasso escolar em alfabetização, no campo de pesquisa acontece?

c) O OA pode servir de apoio ao processo de alfabetização das crianças, se inserido na prática pedagógica?

Na busca pelas respostas a essas questões, nos inspiramos e recorremos, também, a alguns procedimentos da pesquisa-ação, principalmente no tocante à participação dos sujeitos. A pesquisa- ação:

É um tipo de pesquisa social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo (THIOLLENT, 2003, p.14).

Toda a pesquisa-ação é do tipo participativo, envolvendo pessoas implicadas com o problema investigado, e uma ação por parte do grupo para ser elaborada e conduzida.

Thiollent (2003, p.16) destaca que a pesquisa-ação deve ser usada quando os pesquisadores “querem pesquisas nas quais as pessoas implicadas tenham algo a ‘dizer’ e a ‘fazer’ [...]. Com a pesquisa-ação, os pesquisadores pretendem desempenhar um papel ativo na própria realidade dos fatos observados”.

Entendemos que, para ser um pesquisador ativo, é necessário que haja um envolvimento efetivo com os sujeitos a serem pesquisados. A imposição de tarefas a um grupo pode gerar desconforto e o sentimento de obrigação a ser cumprida. Conseguir espaço na escola para observação da situação educativa, sem parecer uma intromissão, é difícil em qualquer tipo de pesquisa, mas na pesquisa-ação, fazer parte do ambiente, ativamente, deve ser uma premissa.

A condição para a pesquisa-ação é:

O mergulho na práxis do grupo social em estudo, do qual se extraem as perspectivas latentes, o oculto, o não-familiar que sustentam as práticas, e nela as mudanças serão negociadas e geridas no coletivo. Nesse sentido, as pesquisas-ação [...], na maioria das vezes, assumem também um caráter crítico (GHEDIN; FRANCO, 2008 p. 213).

A vantagem, no estudo de caso, de não partirmos de um esquema teórico fechado, nos possibilita agregar à sua metodologia, algumas referências da pesquisa-ação, por compreendermos que há uma relação entre conhecimento e ação em seu corpus. Na medida em que o problema é descrito, são buscadas explicações (conhecimento) e soluções (ação).

Diante dessas especificidades, nossos objetivos permeiam o conhecimento e a ação prática, como nos orienta Thiollent (2003, p.18), “levantamento de soluções ou propostas de ações correspondentes às soluções para auxiliar os agentes na sua atividade transformadora da situação”, como obter informações e aumentar o conhecimento sobre determinada situação e problema. Assim, buscamos conhecer e agir para conscientizar e transformar.

Nossos sujeitos de pesquisa são os professores que atuam na prática escolar, ou seja, estão numa situação de vida real, implicados com o problema do fracasso escolar em alfabetização no campo de pesquisa. Estão cercados de exemplos, vivências e experiências que envolvem o problema, e podem, por meio dessa pesquisa, expor suas concepções, refletir sobre a práxis, e conscientizar-se quanto à existência de soluções e entraves. Sendo assim, determinamos a escola Maria das Flores, como campo de pesquisa e os profissionais da educação que nela trabalham, como sujeitos de pesquisa.

Por entendermos que é o professor quem tem autonomia para planejar sua prática pedagógica, bem como determinar o que vai usar quanto a recursos e conteúdos para compor sua

aula, o posicionamos, também, como participante no processo de desenvolvimento dos OA, orientando a estrutura e dinâmica das atividades, ou seja, os desafios que serão propostos aos alunos, nosso usuário-alvo.

Acreditamos que a participação efetiva dos professores no desenvolvimento dos OA contribui na sua familiarização quanto à tecnologia, favorecendo a inserção e uso em sua prática escolar, bem como se constitui um recurso digital direcionado para as necessidades dos alunos quanto à leitura e à escrita.

Diante dos antecedentes expostos, decidimos dar continuidade ao trabalho iniciado com o Projeto Piloto e mantivemos a escola Maria das Flores como campo de pesquisa nesse estudo.

Optamos por realizar a pesquisa na mesma escola e com os professores que nela trabalham, por já terem conhecimentos sobre os OA na prática pedagógica e, também, pela possibilidade de conseguirem visualizar algumas atividades nesse formato.