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MERKEZ BANKASI İŞLEMLERİ

PARA POLİTİKASI VE PİYASALAR

KREDİLERDEKİ GELİŞMELER (Trilyon TL)

III.2. MERKEZ BANKASI İŞLEMLERİ

Do mesmo modo como, em todas as áreas, Deus se opõe ao mito, assim também opõe-se ao poder mítico o poder divino. Se o poder mítico é instituinte do direito, o poder divino é destruidor do direito [...] (Benjamin, Crítica da violência - crítica do poder ).

Convivemos diuturnamente com a violência mítica, que é uma violência imediata, ou seja, uma violência que é só manifestação e não meio para um fim. Essa violência, já se ressaltou, pode engendrar a violência que institui e mantém o direito; que institui e mantém aquela ordem do destino da qual não se pode escapar.

Embora a violência que institui o direito seja admitida, ela não está prevista no ordenamento jurídico. É tão-somente uma violência aceita pelo direito, mas que, segundo Benjamin, está fora, está além do direito.

Benjamin pretendeu no ensaio Crítica da violência comprovar a existência de uma violência fora, além do direito.

A discussão quanto à existência ou não de uma violência que não tem previsão legal é muito importante, pois, como exposto, a teoria do direito moderna tenta afastar a possibilidade de um poder fora do direito, de uma anomia, pois esse poder fora do direito ameaça o próprio direito. Portanto, não se trata de pretender afastar a possibilidade de um poder além do direito para garantir os fins jurídicos, ou seja, garantir aqueles fins legitimados, mas de garantir o próprio direito. O direito quer se garantir mais do que garantir os fins que legitima.

Será a existência da violência mítica, que está fora do direito, que garantirá, segundo Benjamin, a existência de uma outra violência, que também não se encontra inserida no ordenamento jurídico, e que possibilitará romper com o direito instituído, com a dialética entre a violência instituidora e mantenedora do direito. Essa outra violência que está fora do direito é a violência pura ou violência divina 163.

Desdobrando sua crítica, Benjamin deduz da identidade entre a Gewalt mítica e a do sistema jurídico a tarefa (Aufgabe) da sua aniquilação. Esta só pode se dar via oposição da Gewaltmmítica por parte de uma outra, com um

163 O termo “violência divina”, utilizado por Benjamin para expressar a violência que depõe o direito,

caráter inteiramente outro, que barre a simples reprodução desta força. Trata-se de encontrar uma Gewalt pura e imediata164.

A violência divina não está relacionada a um fim, não é meio para um fim. É apenas manifestação sem quaisquer condicionamentos. Como não tem um fim, não é um meio para atingir determinado objetivo, é pura. A violência pura é apenas manifestação.

Embora não esteja relacionada a um fim, é a violência divina que abre a possibilidade de saída do estado de exceção.

A garantia da existência da violência pura além do direito torna possível a violência revolucionária, que é a violência manifestada pelo homem. Ou seja, é a violência pura na esfera humana.

Se a existência do poder, enquanto poder puro e imediato, é garantida também além do direito fica provada a possibilidade do poder revolucionário, termo pelo qual deve ser designada a mais alta manifestação do poder puro, por parte do homem165.

A importância da violência revolucionária, que é pura, decorre do fato de ela ser responsável por romper a dialética existente entre a violência instituidora do direito e a violência mantenedora do direito.

A violência pura não tem o intuito de instituir ou manter o direito. Neste sentido, ela rompe aquela ordem ameaçadora do destino. Ao promover a ruptura com o direito instituído, com a ordem demoníaca do destino, ela não faz surgir um novo direito, neste sentido, portanto, diferencia-se da violência mítica. A violência pura depõe o direito. Ao romper a dialética entre violência que põe e violência que mantém o direito, a violência pura inaugura uma nova história. Esta nova história pode não se identificar com a catástrofe, pois o fim do direito pode tornar possível uma nova história, uma história que recupera a vida.

Longe de abrir uma perspectiva mais pura, a manifestação mítica do poder imediato mostra-se profundamente idêntica a todo poder jurídico, fazendo com que a suspeita de sua problemática se transforma em certeza do

164 SELIGMANN-SILVA, Márcio. Walter Benjamin: o estado de exceção entre o político e o estético.

In: SELIGMANN-SILVA, Márcio (org.). Leituras de Walter Benjamin. São Paulo: FAPESP: Annablume, 2007, p. 222.

165 BENJAMIN, Walter. Critica da violência – crítica do poder. In: BENJAMIN, Walter. Documentos de

cultura, documentos de barbárie: escritos escolhidos. São Paulo: Cultrix, Editora da Universidade de São Paulo, 1986, p. 175.

caráter nefasto de sua função histórica, levando assim à proposta de seu aniquilamento. Tal tarefa suscita, em última instância, mais uma vez, a questão de um poder puro, imediato que possa impedir a marcha do poder mítico 166.

Só a violência pura, que não está no direito, é capaz de libertar o homem daquela ordem demoníaca do destino, de construir uma outra história que não seja apenas a história dos vencedores. Portanto, a violência pura é uma manifestação que invade o continuum da história para romper com o vir-a-ser. A violência pura promove a saída do vir-a-ser para o Ser. A violência pura é o momento em que o passado é resgatado para tornar possível a construção de um futuro livre da opressão.

A violência pura é a não-violência, é o momento em que se tem a não-violência, ou seja, em que se depõe o poder do estado e todo o ordenamento jurídico que o fundamenta. É apenas uma violência capaz de findar com a mera vida 167.

No momento da violência divina há a destruição da lei. Assim, pode-se afirmar que a violência pura pode possibilitar o nascimento da justiça. A justiça não é certa, é apenas uma possibilidade decorrente da saída do vir-a-ser. A violência pura é apenas uma abertura para a justiça, mas como o futuro não é certo, não é possível afirmar que com a violência pura haja o surgimento da justiça.

O poder divino é, portanto, aniquilador. Mas ao contrário do poder mítico que aniquila a vida, o poder divino não aniquila o homem, a vida, mas o estado de exceção. Enquanto a violência que institui e mantém o direito pretende afastar a possibilidade de fim da catástrofe, a violência pura é a possibilidade de se alcançar a justiça.

Importante destacar que a ideia de uma violência que elimina diretamente o Estado e a lei é anarquista, como admite Benjamin no ensaio Crítica, conforme ressaltado. Marx propõe que a violência revolucionária, embora em última instância vise uma sociedade sem classes e sem Estado, não elimina imediatamente o

166 BENJAMIN, Walter. BENJAMIN, Walter. Critica da violência – crítica do poder. In:, documentos de

barbárie: escritos escolhidos. São Paulo: Cultrix, Editora da Universidade de São Paulo, 1986, p. 172- 173.

Estado, mas institui ainda um aparato estatal transitório, que é a ditadura do proletariado.

Lenin, ao desenvolver o conceito de violência revolucionária em O Estado e a revolução, explica que a ditadura do proletariado consistiria, ao mesmo tempo, numa democracia para os operários (via sovietes) e numa ditadura sobre a burguesia, a ditadura persistiria até que fossem eliminadas as distinções de classe. Ou seja, a dualidade opressores/oprimidos (e, portanto, o poder jurídico) teria um capítulo final, no qual burguesia e proletariado inverteriam seus papéis.

Neste ponto, portanto, a formulação de Benjamin sobre a violência revolucionária está mais próxima de Sorel, um anarquista, do que de Marx.

Entretanto, não se pode relevar o fato de que, para Marx, o poder político é o poder organizado de uma classe opressora sobre uma classe oprimida168, ou seja, é o poder do Estado. Ainda se pode afirmar que esse poder político-Gewalt, para Marx, perderá o caráter político com o fim da sociedade burguesa. Isso significa afirmar que, mesmo com o desaparecimento da sociedade burguesa, persistirá um poder, que não será político, mas apenas público. Um poder-força ou força política (politischen Kraft), reconhecido como uma força social não separada do homem.

Neste sentido, pode-se concluir que o conceito de violência, que se encontra fora do direito, de Benjamin, aproxima-se do conceito de poder político de Marx, pois para este, embora acabe a Gewalt, persiste a força.