7. BULGULAR VE YORUMLARI
7.2. FREKANS ANALİZLERİ
7.2.3. Memnuniyet/Memnuniyetsizlik, Şikayet Davranışı ve Şikayet
Segundo documentário produzido pela BBC de Londres174, pode-se dizer que a história da ciência moderna teve seu início em Praga, nos primeiros dias do século XVII, com o feliz encontro de um pesquisador obstinado e um homem poderoso disposto a pagar por suas pesquisas.175
A Europa atravessava um momento de grandes agitações religiosas e políticas e, nesse contexto, criou-se uma nova visão de mundo. Tudo começou quando o astrônomo dinamarquês Tycho Brahe foi trabalhar na corte do Sacro Imperador Romano, Rodolfo
174 The Story of Science: Power, Proof and Passion, Produção: BBC/Inglaterra, Ano de produção: 2010. 175 Três fatores corroboraram: “Homens com ideias arrojadas. Coletores de provas. E alguém disposto a pagar por tudo isso” The Story of Science: Power, Proof and Passion, Produção: BBC/Inglaterra, Ano de produção: 2010.
II. Praga era na época um grande centro cultural, e Rodolfo valorizava novas descobertas.
Tycho Brahe era um apaixonado e obstinado observador das estrelas. Sua determinação foi crucial para a ciência, que, em seu método, requer essencialmente provas. Ele era um grande coletor de dados e construiu um observatório com os melhores instrumentos da época, onde trabalhou por mais de 20 anos observando e catalogando as estrelas e o movimento dos planetas. Seus registros serviram, posteriormente, para embasar os cálculos desenvolvidos pelo matemático alemão Johannes Kepler.
Em 1600, Kepler foi para Praga trabalhar como assistente de Tycho, que, entretanto, morreu logo que Kepler chegou à cidade. Os dois não chegaram a trabalhar juntos, mas a união de seus esforços mostrou-se uma verdadeira revolução. Os dados coletados por mais de 20 anos pelo obstinado Tycho e matematicamente analisados por Kepler abalaram as crenças que sustentavam o pensamento ocidental por mais de dois mil anos.
Desde a Antiguidade o homem elaborava teorias sofisticadas para compreender o universo. Foi na Grécia antiga que a visão de mundo ocidental começou a ser cunhada. No famoso templo de Delfos, uma pedra marcava o centro do mundo, uma vez que, depois de muita discussão, pontificou-se na Antiguidade a visão de universo com a Terra no centro de tudo. Por volta do século VI a.C, os gregos desenvolveram um modelo de universo geocêntrico: a Terra era fixa e todo o resto do universo girava à sua volta em círculos perfeitos. Essa visão do cosmos estava errada, mas resistiu até mesmo ao cristianismo que, não obstante trazer uma nova visão de mundo, também tinha como postulado o geocentrismo.
Kepler, após anos dedicando-se a desvendar os mistérios do cosmos, e após exaustivos cálculos, além de colocar no centro do universo o Sol, e não a Terra, num momento de pura inspiração e grande ousadia, resolveu alterar as esferas circulares do modelo grego de cosmos por um modelo elíptico.
O modelo heliocêntrico não era uma novidade no século XVII. Pelo contrário. O astrônomo italiano Galileu Galilei fora o primeiro grande cientista a se valer da observação e de experimentos para chegar a suas conclusões. Ele reuniu provas o suficiente para comprovar que o Sol − e não a Terra − era o centro do Sistema Solar. Por esse seu posicionamento foi levado a julgamento pela Inquisição, acusado de heresia, em 1633.
Antes dele, o astrônomo polonês Nicolau Copérnico, em 1543, já havia afirmado o heliocentrismo na obra Sobre a Revolução dos Corpos Celestes e, 1800 anos antes dele, isso já havia sido afirmado por Aristarco de Santos. O sistema apresentado por Copérnico, que morreu antes de Kepler nascer, era tão confuso quanto o modelo grego. Daí porque o que acabou por vigorar durante a Idade Média foram as afirmações de Ptolomeu, em Almagesto, um tratado escrito no século 1º.d.C., onde afirmava o geocentrismo, ou seja, a Terra como o centro do Universo. Esse pensamento vigorou por mais de mil anos na era cristã e coadunava-se totalmente com os ensinamentos bíblicos.
Os esforços de Kepler também não foram suficientes de imediato para alterar a visão de cosmos constituída. Foi preciso que a astronomia se tornasse popular. A Itália renascentista foi o palco ideal para isso. Nesse contexto, voltamos a Galileu Galilei. Professor de matemática com sérios problemas financeiros, ouve falar, em julho de 1609, que chegaria a Veneza um desconhecido tentando patentear um instrumento chamado luneta holandesa, objeto que fazia as coisas distantes parecerem próximas. Com espírito competitivo, Galileu criou, em pouquíssimo tempo, um telescópio, e o apresentou aos venezianos. O instrumento causou frenesi imediato. Afinal, Veneza era uma cidade que, devido a sua localização, ficava bastante exposta a ataques marítimos. Um instrumento que pudesse enxergar antes dos olhos humanos parecia bastante interessante e útil.
Para fazer seu telescópio, Galileu se utilizou do vidro de Murano, bem como da habilidade de artesãos venezianos para poli-lo. Apenas o vidro artisticamente polido pôde transformar-se em lentes para o telescópio. A união da inteligência com a arte foi fundamental para o desenvolvimento da ciência.
Galileu ficou famoso e passou a utilizar seu novo instrumento para observar o cosmos. Noite após noite, passou a observar as faces da Lua e a desenhar suas observações. Ele foi o primeiro a ver Júpiter com suas duas luas em órbita. Se havia duas luas circulando um planeta que não a Terra, isso sugeriria que talvez a Terra não fosse o centro de tudo. Quatrocentos anos atrás, ele pôde constatar que o Sol, e não a Terra, é o centro de nosso sistema.
Outra grande invenção do período do Renascimento foi a prensa de Gutenberg. Com ela foi possível a reprodução em massa do conhecimento. Galileu aproveitou essa onda e publicou seus estudos. Logo sua obra virou um best-seller no século XVII. A ideia de que o Sol era o centro do sistema do qual a Terra fazia parte se espalhou entre os intelectuais. A fama e a ruína de Galileu vieram na mesma proporção. Em 1632, ele publicou um livro, O Diálogo, que foi condenado pelo Papa e ficou proibido por mais de duzentos anos. Isso porque afirmava que existiam verdades que escapavam dos domínios da religião. Ele dizia que a ciência podia explicar o mundo através de seu método próprio. Em 1633 foi levado a Roma para ser julgado pela Inquisição. Foi declarado culpado e condenado à prisão perpétua. Isso fez com que O Diálogo gerasse interesse em leitores de outros países. A proibição aguçou a curiosidade.
A partir de então somos somente mais um planeta a orbitar o Sol. Nossa posição central dentro do universo planetária foi destronada, ao passo que, nas artes, bem como na política, curiosamente, o homem foi elevado à condição de centro de toda a atenção e luz.
Como vimos, a Revolução Científica não foi instantânea. Foi preciso mais de cem anos, desde a primeira vez que o modelo heliocêntrico foi apresentado por Copérnico, para finalmente ser aceito pela sociedade. As novas gerações se acostumaram a nascer num mundo desvendado pela ciência.