2.2. Erken Çocukluk Matematik Eğitiminin İlke ve Standartları
2.2.2. Matematik Eğitiminin Standartları
Em um sistema de escrita que representa as palavras por signos, os logogramas resultantes podem ser organizados ou pela similaridade de forma ou pela similaridade de som
Jack Goody
Um dicionário é um conjunto de vocábulos de uma língua ou termos próprios de uma ciência ou arte, dispostos alfabeticamente e com os respectivos significados ou a sua versão noutra língua. A re- presentação no dicionário “presta contas de relações que são internas à linguagem, prescindindo de elementos de conhecimento do mundo, enquanto que um conhecimento em formato de enciclopédia pressu- poria conhecimentos extralinguísticos” (Eco, 1998, p. 192).
Mas como organizar um dicionário visual? “Os escribas da Me- sopotâmia encontraram um problema familiar a qualquer lexicógrafo nas primeiras etapas de planejamento de um dicionário: as entradas devem ser organizadas tematicamente, por assunto, ou devem ser or- ganizadas em uma ordem serial baseada em características gráficas ou fonológicas das palavras?” (Goody, 1977, p. 98)
A primeira coleção de gestos publicada na Itália é a de Canon Andrea de Jorio (1832), e consiste em 380 páginas de texto, com in- terpretação e explicação dos gestos encontrados em vasos, pinturas e baixos-relevos da antiguidade clássica, e apenas 19 páginas de ilustra- ção. O gosto dos italianos para “conversar” sem palavras, usando as mãos, as expressões faciais ou atitudes corporais levou Bruno Munari à produção de Speak Italian: the fine art of the gesture. A supplement to the italian dictionary. Na orelha do livro a frase “um gesto vale mais
do que mil palavras e os italianos são mestres desta arte não-verbal” prepara o terreno. Produzido com fotografias em preto-e-branco, o dicionário começa com os “gestos famosos dos antigos romanos”, a saudação a César e o gesto com o polegar para cima ou para baixo, usado na arena para significar a vida ou a morte dos combatentes. Aparece também uma sequência de gestos com o dedo indicador, significando “me telefone” (apontar para a orelha), “um momento” (apontando para cima). Depois é mostrado um gesto com dois dedos
“O trajeto da mão — e não a percepção visual de sua obra — é o ato fundamental pelo qual as letras são definidas, estudadas, classificadas: esse ato dirigido é o que se chama, em paleografia, o ductus (...): rigorosamente codificado, permite classificar os caracteres de acordo com o número e a direção das pinceladas, cria a própria possibilidade do dicionário para uma escritura sem alfabeto” (Barthes, 1990, p. 149).
em v, o indicador e o médio, seguido pelo gesto com esses dedos cruzados; outra sequência mostra a mão espalmada para baixo, perto da barriga, sinal de fome, e na altura do ombro, significa “ponha o dedo aqui se quiser participar”. Mostrar o gesto e o título não basta, é preciso uma legenda que explique o movimento que deve ser feito, em que contexto é utilizado ou como surgiu o gesto. Apesar de mos- trar algumas sequências agrupadas por similaridades formais, isso não chega a ser um princípio ordenador do dicionário.
A observação da linguagem gestual dos motoristas ao longo de 10 anos resultou no livro A comunicação nas estradas (1981) do per- nambucano Paulo Bruscky, com ilustrações de Carlos Araújo. Em uma “Comunicação Rápida”, o autor explica que o livro registra os gestos utilizados pelos motoristas de ônibus e caminhões para se comunica- rem enquanto trafegam pelas rodovias. No fim do livro, há um ques- tionário sobre os gestos conhecidos pelo leitor, para ser respondido e enviado para o autor, que pretende fazer uma segunda edição.
A indicação de que a Polícia Rodoviária está dando uma “bati- da” na estrada, além de cortar a luz três vezes consecutivas, pode ser indicada: pelo motorista de ônibus, com a colocação de dois dedos da
41 mão sobre o ombro indicando “divisas”; enquanto que o motorista de
carro passeio coloca o dedo polegar por cima do ombro com movi- mentos contínuos para trás e, finalmente, o do caminhão avisa com o gesticular de dois dedos da mão simbolizando dinheiro. A pluralidade de gestos para uma mesma expressão impossibilita sua ordenação.
Pequeno Dicionário Ilustrado de Expressões Idiomáticas (1999),
de Marcelo Zocchio e Everton Ballardin, reúne 50 expressões, ence- nadas e fotografadas pela dupla. Algumas imagens são literais, e facil- mente adivinhamos a que expressão se referem, como a que foi usada na capa, em que vemos apenas as pernas de um homem, a outra me- tade do corpo está escondida por um tubo gigante, sinal de que ele “entrou pelo cano”. A expressão idiomática correspondente aparece no verso de cada imagem, como em um jogo de adivinhação.
Algumas imagens foram agrupadas por semelhança de concei- tos, processo associativo que também pode estar na escolha das ex- pressões idiomáticas: depois de “fazer tempestade em copo d’água”, vem “molhar o biscoito” e “sentir-se um peixe fora d’água”, que reme- te a “carta fora do baralho”. Em outro grupo, temos “andar na linha”, “meter os pés pelas mãos” e “ficar com os pés atrás”. Uma torneira
Paulo Bruscky, A comunicação nas estradas, 1981
“O esquema dicionarístico é um instrumento de classifica- ção, não um instrumento de definição; é como o método biblioteconômico Dewey, que nos permite caracterizar um certo livro entre os milhares de estantes de uma biblioteca, e concluir o seu argumento (se conhecermos o código) mas não o seu conteúdo específico” (Eco, 1998, p. 194)
faz sair água de um joelho e cair em um balde, e o mesmo objeto é chutado, em outra expressão conhecida.
O procedimento de composição é baseado em trocadilhos e na oscilação entre o sentido literal e o sentido figurado das expres- sões. Os verbos são tranformados em performances para a câmara, e os substantivos são tratados como poemas-objeto (“mala sem alça”, “pedra no sapato”, “pau na máquina”). Algumas expressões precisam do apoio de uma palavra escrita: um maneta usa um crachá de identi- ficação, para que saibamos que ilustra a expressão “joão sem braço”.
Às vezes a fotografia chama a atenção para aspectos das ima- gens que extrapolam o campo do dicionário e apontam questões da representação gráfica: um retrato de corpo inteiro que parece mal ti- rado, pois o enquadramento cortou a parte inferior e a parte superior da figura, ilustra o verbete ”sem pé nem cabeça”.
Marcelo Zocchio e Everton Ballardin. Pequeno Dicionário Ilustrado de Expressões Idiomáticas, 1999
“Notai, aliás, como é metafórica a língua dos gestos” (Diderot, 1993, p. 25)
“Segundo um rumor cuja origem não pude determinar, o malaio teria a tendência a acre- ditar, quando mostrada a ele uma fotografia de meio corpo, que as pernas do sujeito foram cortadas realmente. Abstraindo o rol figurativo, ele transforma a imagem em parte integral de um campo perceptivo” (Schae- ffer, 1990, p. 33)
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