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2.2 MARKA KİŞİLİĞİ

2.2.5 Marka Kişiliği Tipleri

Atualmente vivemos num mundo marcado pela necessidade de efetuarmos constantes mudanças e de nos adaptarmos a novas realidades, quer seja em termos sociais, culturais e até tecnológicos. Decidirmos o rumo a percorrer, quais as decisões assertivas para determinada situação, o que nos leva a optar e a ponderar determinados aspetos, são perguntas retóricas com as quais os futuros professores e os professores se deparam diariamente.

Neste sentido, cabe então dizer que o rumo escolhido, o da vertente pedagógica, que nos leva a exercer em termos profissionais uma ação enquanto professores, requer de nós uma visão reflexiva, ativa e interventiva no meio que nos envolve, na sociedade em geral e na comunidade educativa em específico.

Surge a necessidade de formar professores mais capazes e competentes de maneira a dar respostas às exigências do processo de ensino-aprendizagem e às novas perspetivas em contexto escolar.

O caminho a percorrer começa então a ser traçado, no qual é fundamental olhar para a FP como uma formação contínua ao longo da vida, pois o que hoje é atual, amanhã poderá não ser, daí a importância da constante atualização de conhecimentos.

Os diferentes paradigmas de investigação sobre o ensino têm influenciado diferentes modelos de FP, tendo em conta os diferentes marcos concetuais que defendem o modelo de professor que preconizam.

Os inúmeros estudos e investigações realizadas têm sugerido diferentes conceções relativamente à FP, refletindo as ideias e perspetivas dos seus autores.

Assim, Zeichner (1983) e outros autores referenciaram a maioria dos programas de FP tendo em conta as seguintes perspetivas:

 Perspetiva tradicional/racionalista que considera o ensino como um ofício e em que o professor, dominando a técnica e os segredos desse ofício, os “aplica” com arte e mestria;

 Perspetiva pessoal humanista/personalista, valorizando as singularidades do professor, capacidades e limitações, perceções de si próprio e das situações e de como entende a inter-relação entre ambas;

 Perspetiva técnica/eficácia social, modelo de formação tecnológica- comportamental onde a aquisição de competências assume uma importância

fundamental e onde o ensino constitui uma ciência aplicada, em que o professor se assume como um técnico que domina um conjunto de competências;

 Perspetiva reflexiva, contestando o discurso racional e em que a sua preocupação assenta na falta de reflexão dos professores em torno da educação e dos problemas que nela têm incidência (sociais, políticos etc.). Presentemente, nos programas de FP, este paradigma constitui uma referência concetual ao preconizar o professor como um profissional da educação reflexivo.

Garcia Alvarez (1987) sugere uma classificação de onde diferencia dois tipos de modelos:

 Os modelos tecnológicos onde os programas de FP são estruturados e orientados para a atuação e intervenções docentes durante a aula, centrados na aprendizagem de técnicas, utilizando o microensino, a interação durante a aula, a supervisão clínica e a aquisição de competências.

 Os modelos humanistas centrados no “Ser”, no professor como pessoa que se desenvolve e se relaciona com os demais e considerando focos diferenciados como a tomada de decisões, as crenças e pensamento dos professores, a reflexão sobre a ação.

Outros modelos poderiam ser referidos, fruto de muitos outros estudos e investigações. No entanto, considerando o objetivo deste nosso trabalho, ficaremos por esta breve abordagem, procurando orientar a nossa análise no sentido de algumas considerações e de uma síntese retrospetiva próxima do que foi e do que é atualmente, a FP especialistas do ensino da EF escolar.

É do consenso geral que os Cursos de Formação Inicial devem orientar-se para propósitos bem definidos e estruturados. As suas finalidades devem ser claras e precisas, definindo objetivos de formação que vão de encontro às necessidades do contexto sociocultural onde se inserem, tendo em conta a contínua evolução e aperfeiçoamento do estado social.

Para que esses objetivos sejam alcançados, é necessária uma estruturação e organização adequadas dos planos de estudo e dos conteúdos, possibilitando uma aprendizagem sustentada em princípios que permitam a construção da identidade profissional do professor de uma forma autónoma, mas orientada por docentes com mais experiência.

A FP de EF pelas instituições de ensino superior ao longo das últimas décadas, implicou diversas alterações e evolução nos modelos de formação inicialmente adotados.

Numa retrospetiva histórica próxima, podemos referir a partir de 1989/90 a separação, de um lado a Faculdade de Motricidade Humana (antigo Instituto Superior de Educação Física de Lisboa) e a Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física (antigo Instituto Superior de Educação Física do Porto), a abertura da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra e a abertura de um grande número de instituições de ensino também orientadas para a FP em EF e assentes em diferentes modelos de formação.

A grande proliferação de instituições universitárias e politécnicas orientadas para a FP em EF na década de noventa, por um lado veio demonstrar a importância da área, mas por outro originou algumas divergências em termos conceptuais e metodológicos devido à heterogeneidade e diversificação dos cursos, fundamentalmente ao nível dos objetivos, dos conteúdos, da organização e do processo de formação (Moreira & Ferreira, 2012).

Poder-se-á então dizer que, embora essas diferentes perspetivas de formação tivessem influenciado os profissionais docentes na sua prática profissional, originaram abordagens diferenciadas do ensino da EF. Só que muitas vezes, tendo em conta os contextos em que essas práticas se exerceram e onde coabitavam profissionais com diferentes conceções, modelos integradores de intervenção pedagógica foram surgindo, diluindo essas divergência e originando consensos práticos face aos objetivos da EF escolar, o que na nossa opinião se afigurou como desejável.

Assim, e apesar dos pressupostos atrás referidos, poder-se-á dizer que foi possível, entre as diversas instituições, considerar a importância do reconhecimento de uma matriz consensual relativamente às linhas orientadoras de FP especialistas no ensino da EF e desporto.

No entanto, surgiu então uma alteração mais profunda e radical relativamente a todas as outras ocorridas até então e resulta da publicação do Decreto-Lei nº43/2007 de Fevereiro de 2007, que introduziu uma nova exigência de habilitação mínima para a docência no grau de Mestre.

Assim, assistiu-se a uma reestruturação curricular dos cursos de FP com o intuito de dar resposta às exigências legais e ao Processo de Bolonha, resultando daí o acabar a formação com os cursos de cinco anos de natureza integrada, para passar a ser fragmentada

em dois ciclos de estudos, um 1º ciclo de estudos (áreas científicas) e um 2º ciclo de estudos (áreas pedagógicas e didáticas) (Batista, Graça & Queirós, 2014).

Através desta alteração, pretendia-se alcançar a passagem de um paradigma centrado na aquisição de conhecimento para um centrado na aquisição de competências.

Apesar de o Processo de Bolonha apontar para uma formação focada na aquisição de competências, algumas contrariedades têm surgido implicando algumas dificuldades na materialização destas intenções de um ponto de vista prático, ficando muitas vezes, sim, essas intenções limitadas a uma mera reestruturação curricular dos planos de estudos dos diversos cursos.

Toda a organização e estruturação dos Cursos de Formação Inicial deve ser orientada no sentido de dotar os futuros professores com os conhecimentos e competências que permitam um desempenho docente profissional suportado pelo conhecimento científico-pedagógico, pelo reconhecimento e interpretação das questões socioculturais e pela capacidade de atuar em termos práticos num contexto real caraterizado pela incerteza, improviso, reação a situações adversas e na relação com o outro.

Será importante que a construção da identidade profissional de cada futuro professor seja direcionada com base num conjunto de conhecimentos de base, que promova nos alunos o desenvolvimento de competências, habilidade e atitudes adequadas à interpretação e ao exercício da sua prática nos diferentes contextos profissionais.

Deverá a formação inicial possibilitar que os futuros professores possuam o domínio curricular da disciplina e que sejam capazes de interpretar ou elaborar modelos curriculares na área da EF escolar.

Deverá a formação inicial possibilitar que o futuro professor tenha um perfeito conhecimento dos seus alunos, dos seus padrões de desenvolvimento físico e psicológico, do domínio da teoria e da prática das teorias de aprendizagem (cognitivas e motoras), dos conteúdos disciplinares e das habilidades didáticas necessárias à sua implementação, da sua sensibilidade pela responsabilidade social da sua profissão, do seu desenvolvimento reflexivo, pessoal e ético.

Estas dimensões que nos apontam para contributos de um bom ensino, deverão integrar, em nossa opinião, qualquer linha orientadora ou modelo de FP especialista em ensino da EF escolar.

Benzer Belgeler