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Müzik Eğitiminin Benlik Saygısına (Özsaygıya) Etkisine İlişkin Yurt İçinde

2.2. İlgili Araştırmalar

2.2.2. Müzik Eğitiminin Benlik Saygısına (Özsaygıya) Etkisine İlişkin Yurt İçinde

As pressões das mudanças sociais, marcadas por uma explosão de referências normativas e a multiplicação dos vínculos sociais geraram pressões por reformas nas políticas de controle social sobre os menores infratores. Essas mudanças em relação às normas pressionam por intervenções do campo sociojudiciário mais rápidas e eficazes sobre os comportamentos transgressores detectados e interpretados como sintoma de uma

ausência de interiorização da “lei” num mundo onde o pluralismo normativo gerou

configurações de anomia. Desenvolveu-se, assim, uma visão “clínica” no campo sociojudiciário (Yves, 2000), onde a resposta institucional passa a ser responsável, por

ressocializar o menor que está distante das “regras do mundo social convencional”. Essa

concepção de socialização mobilizada tem como premissa que as instituições do campo sociojudiciário impõem sentidos a certos comportamentos dos indivíduos, buscando interpretá-los, transformá-los e reinscrevê-los em uma sociedade considerada como um sistema de integração (Digneffe, 2000).

Foucault (2001, p.50) analisa a junção do poder judiciário e do saber médico- educativo entre o fim do século XIX e ao longo do século XX na constituição dos tribunais especiais para menores:

“(...) Um segundo sinal dessa implantação é a existência de tribunais especiais, os tribunais para menores, nos quais a informação que é fornecida ao juiz, que é ao mesmo tempo juiz da instrução e do julgamento, é uma informação essencialmente psicológica, social, médica. Por conseguinte, ela diz muito mais respeito ao contexto de existência, de vida, de disciplina do indivíduo, do que ao próprio ato que ele cometeu e pelo qual é levado diante do Tribunal para Menores. É um tribunal de perversidade e do perigo, não é um tribunal do crime aquele a que o menor comparece. É também a implantação, na administração penitenciária, de serviços médico-psicológicos encarregados de dizer como, durante o desenrolar da pena, se dá à evolução do indivíduo; isto é, o nível de perversidade e o nível de perigo que o indivíduo ainda representa em determinado momento da pena, estando entendido que, se ele atingiu um nível suficientemente baixo de perigo e de perversidade, poderá ser libertado, pelo menos condicionalmente. Também poderíamos citar toda a série de instituições de vigilância médico-legal que enquadram a infância, a juventude, à juventude em perigo, etc.” (Foucault, 2001, p. 50).

Ao longo do século XX, estudos e pesquisas sociológicos, principalmente anglo- saxões, têm demonstrado que identificar a causa do ato delinquente como um déficit de internalização de valores sociais, ou seja, de socialização, é um equívoco. Pesquisadores21 como: A. Cohen, R. Cloward e L. Ohlin destacaram, através do conceito de subcultura

desviante, que os jovens delinquentes não eram “dessocializados” mas que eles pertenciam

a grupos específicos que possuíam suas próprias regras, normas e valores, e que estes grupos geravam uma socialização secundária.

Ao mesmo tempo, Matza e Sykes (1957) colocaram em evidência que os jovens delinquentes reconheciam a legitimidade da ordem social dominante e sua força moral. Porém, eles são capazes de racionalizar suas ações, a priori mas igualmente a posteriori, explicando e justificando suas ações a partir da seleção estratégica de fatores sociais, como: a pobreza, a fome, a discriminação racial e social, a injustiça, etc. Essas técnicas de neutralização da moral permitem a estes jovens se colocarem em condições de transgredir o sistema normativo dominante sem precisarem abrir mão destas mesmas normas.

Matza (1957) mostra através do conceito de sobreposição (overlap) que entre o comportamento desviante e o convencional existe um continuum que se apresenta, inclusive, na interpenetração existente entre a cultura desviante e a convencional, no fluxo constante de pessoas, estilos e preceitos entre um mundo e outro. A premissa central que evidencia de forma clara essas perspectivas é a de que desviantes e criminosos não são essencialmente diferentes de não-desviantes e não-criminosos.

Não raro, os adolescentes em conflito com a lei negam ou não reconhecem seus atos como infração. Diante disso, há uma tendência de interpretar essa recusa como uma

incapacidade desses adolescentes de aceitarem os “compromissos” sociais. Entretanto,

Becker nos instiga a investigar mais atentamente esse gesto de recusa. Baseando-se nos estudos de Sykes e Matza, o autor defende a ideia de que, contrariamente ao que se pode

pensar, “os delinquentes sentem fortes impulsos para se curvar diante das leis” (1997: 71).

Por que, então, esses impulsos não levam os adolescentes a abandonarem a trajetória criminal, após serem submetidos às medidas socioeducativas? Porque, segundo

Becker (1997), eles estariam utilizando técnicas de neutralização dos referidos impulsos, ou seja, eles apresentam justificativas para seus atos.

A representação da delinquência juvenil como resultado da interiorização insuficiente ou precária das normas e valores dominantes e legítimos (responsáveis pela vida coletiva) em determinados grupos sociais, ainda é hegemônica na política criminal francesa (Roumajon, 1989; Renoud, 1990; Bourquin, 1995; Cario, 1996) e brasileira (Rizzini, 2011). Essa concepção fundamenta a elaboração (diagnóstico), a aplicação (sentença) e a execução das sanções no campo sociojudiciário da delinquência juvenil nos dois países. As questões sobre o conteúdo pedagógico na gestão e no tratamento ocupam um lugar central na história da resposta estatal a delinquência juvenil. Os programas de reeducação, reinserção, ressocialização e profissionalização junto aos menores infratores constituem o cerne da legislação francesa e brasileira e moldam o cenário institucional, os processos, as a aplicação das sanções e os discursos dos operadores da justiça penal juvenil. A sanção penal (chamada de medida socioeducativa no Brasil) aplicada no regime fechado (encarceramento) é concebida tanto pelos operadores da esfera judiciária quanto pelo corpo técnico das instituições de execução como um processo de natureza pedagógica, de ressocialização, de transformação de valores (Cusson, 1974). Entretanto devemos levar em consideração o caráter específico e securitário da intervenção educativa neste tipo de contexto. Como assinala Digneffe (1995),

“a resposta institucional nos centros de internação para menores infratores é

operacionalizada em procedimentos e estratégias de intervenção num quadro autoritário

que define a infração como “manifestação de carências” por parte de seu autor, as quais só

podem ser compensadas por sanções que supostamente produzem uma readaptação ou, uma integração da norma pelo sujeito (Digneffe, 1995, p. 77)”.

Neste quadro, os menores sob intervenção do campo sociojudiciário não se encontram em condições de participar da definição da situação que lhes diz respeito. Seu ponto de vista é invariavelmente desconsiderado ou filtrado pela legislação penal, sendo portanto, reduzido à significação que a lei lhe dá. Esta situação é reforçada pelo fato de, como indica Quay (1987, p. 246), a lógica e as estratégias terapêuticas adotadas nestes contextos foram desenvolvidas, na sua maioria, para implementação com indivíduos que buscam uma adesão voluntária.

Assim, há uma contradição nos programas ressocializadores nas instituições de encarceramento para menores infratores entre uma formação para uma autonomia alternativa ao ato infracional e a espoliação dessa autonomia devido ao enquadramento contínuo da vida institucional dos internos, ao afastamento da sua vida familiar e comunitária e às tendências totalitárias destas instituições (Goffman, 1970; Cusson, 1974a; Le Caisne, 2000). Isso pode ser constatado uma vez que a rotina dos menores que cumprem medida de internação se passa quase integralmente no interior das instituições.