2.2. İlgili Araştırmalar
2.2.4. Müzik Eğitimi ve Özsaygı Arasındaki İlişkiye YönelikYurt Dışında Yapılan
As mudanças na legislação e nas instituições responsáveis pela gestão e tratamento da delinquência juvenil será abordada tendo por referência dois estudos de caso, um em Belo Horizonte, no Brasil, e outro em Lille, na França. Mudanças legais e institucionais que se iniciaram a partir de 1990, serão analisadas tendo por perspectiva o contexto histórico da legislação e das práticas que buscam ajustes e consensos ou que revelam conflitos e disputas entre os profissionais do campo na produção e execução da resposta institucional nos casos investigados. Dada nossa opção de expandir a análise a um conjunto tão amplo de políticas e práticas, assim como sobre duas sociedades tão diferentes entre si, devemos explicar, de imediato, o que esperamos e o que não esperamos com essa pesquisa que pretende adotar uma perspectiva comparativa.
Nosso objetivo, através da abordagem contrastiva visa apontar o que consideramos importante na experiência recente destes países e sugerir que há contrapontos na resposta institucional à delinquência juvenil. Assim, a pesquisa pretende alcançar não apenas as mudanças legislativas, mas como essas impactam as práticas dos operadores e a sua política criminal (aplicação e execução das sanções). Essa iniciativa nos parece essencial para uma compreensão menos das diferenças ou semelhanças das soluções técnicas e mais dos modos de produção das políticas penais diante de problemas comuns na construção da ordem social.
Iniciamos problematizando a relevância de uma pesquisa sociológica e histórica entre sociedades com características sociais, institucionais e culturais tão diferentes entre si. Propomos um exercício de colocar em relação dimensões das transformações da legislação brasileira e francesa sobre a delinquência juvenil e de construir áreas de contato na resposta institucional do campo sociojudiciário sobre os menores infratores atendidos.
A abordagem comparativa é compreendida aqui como uma construção peculiar. Ela não é óbvia, não se trata nem de uma evidência, nem de uma construção já feita. Trata-se, com efeito, de construir o que é relevante examinar e contrastar. Ela é motivada, neste trabalho, pela ideia de confrontar duas situações sociais que ocorrem em realidades nacionais muito diferentes uma da outra. São muitas as diferenças. A começar pelas
categorias “favela” no Brasil e “banlieue" na França: duas denominações carregadas de
sociais contrastadas. Um oceano as separa e montanhas de elementos as diferenciam: história, economia, política, cultura, populações. A lista seria interminável, bem maior do que a distância entre as cidades pesquisadas dos respectivos países. Não estamos objetivando aqui a exaustividade, mas temos que aventar, pelo menos, determinadas questões que tradicionalmente alimentam as suscetibilidades ligadas à comparação internacional. Se, de um lado, os paralelos entre as realidades sociais completamente diferentes parecem pouco prováveis, de outro, um olhar contrastivo pode ajudar a identificar determinadas convergências, temas comuns aos dois países, e iluminar as especificidades da nossa realidade local.
A eleição do campo sociojudiciário responsável pela delinquência juvenil na França se deu em função do lugar privilegiado nesse país de notória tradição de respeito aos direitos humanos, cuja legislação e práticas institucionais foram modelos para a legislação internacional (direito penal juvenil) como também para diversas legislações nacionais. Entretanto, o problema da definição da melhor atitude a adotar com os menores delinquentes – entre educação e repressão – sofreu uma notável mutação a partir de 1990 na França. O frenesi legislativo penal inverteu o princípio entre esses dois termos. Propomos inquirir as adaptações e resistências a essas mudanças legislativas na produção institucional das organizações do campo da delinquência juvenil na França. Examinaremos, assim, os impactos do frenesi legislativo sobre as sentenças judiciais proferidas sobre os menores e a evolução dos índices de encarceramento.
Em 1990, a associação entre adolescência e criminalidade também sofreu uma notável mutação na legislação brasileira. O Brasil promulgou uma legislação voltada para os adolescentes infratores, pioneira na América Latina, tendo como princípios centrais: as garantias processuais e o tratamento em regime aberto, seguindo os princípios normativos internacionais. A despeito dos avanços da legislação, observam-se impasses e dilemas entre as organizações e os profissionais do campo.
A simples leitura da legislação penal vigente na França e no Brasil relativa aos menores infratores, pode levar a errônea impressão de que houve uma inversão do direito penal juvenil nos dois países. A princípio poderíamos afirmar que a legislação brasileira (de 1990) sobre os adolescentes infratores está, de forma geral, de acordo com a legislação internacional, e que a legislação francesa (a partir de 1990) contraria sua doutrina e seus
princípios. Entretanto, a partir do exame da recepção das mudanças legislativas pelas organizações e profissionais do campo poderíamos sustentar essa afirmação?
É necessário levarmos em consideração para a análise do campo sociojudiciário da delinquência juvenil em países específicos, as respostas menos visíveis que aquelas do direito penal. Em consequência, não poderíamos nos restringir a uma descrição da legislação francesa e brasileira relativa aos menores infratores. A confrontação da legislação com a produção das organizações do campo impõe-se.
Assim, trata-se de examinar a recepção dessas mudanças legislativas pelas organizações e pelos profissionais do campo nos dois países. Essa recepção pode transformar a legislação inicialmente prevista. Devemos ser cautelosos quanto a alegações ou insinuações de que a justiça juvenil não só assumiu mas igualmente implementou essas mudanças legais sob pena de privilegiar mais as políticas penais (plano constitucional) do que as práticas efetivas das organizações do campo.
Apesar de sua Constituição Federal e da legislação vigente (lei no. 8.069/90) adotarem a doutrina das Nações Unidas da Proteção Integral, e isso há mais de vinte anos, a prática das organizações e dos profissionais do campo sociojudiciário brasileiro apresenta uma série de dilemas e impasses. Basta observarmos os resultados apresentados pelo relatório do IPEA (2003) “Adolescentes em Conflito com a Lei: Situação do Atendimento
Institucional no Brasil”; ou pela OAB (2006) 24 “Inspeção Nacional às Unidades de Internação de Adolescentes em Conflito com a Lei” realizado pela Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federalda OAB; ou o Levantamento realizado pela ABMP (2008) Associação Brasileira de Magistrados, Promotores de Justiça e Defensores Públicos
da Infância e da Juventude, “Retrato das Unidades de Internação de Adolescentes em Conflito com a Lei”; ou o Programa Justiça ao Jovem do CNJ (2010), Conselho Nacional
de Justiça responsável por fazer um diagnóstico das medidas socioeducativas em cada unidade da federação e conhecer a realidade nacional (ver especialmente o relatório para o estado de Minas Gerais); ou ainda as denúncias da Comissão Interamericana de Direitos
24 Parceria entre o Conselho Federal de Psicologia (CFP) e o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)
resultou na realização de uma inspeção nacional às unidades de internação de adolescentes em conflito com a lei, com visitas simultâneas em 22 estados brasileiros. O relatório final apontou que inúmeras unidades de atendimento encontravam-se superlotadas, apresentando instalações físicas precárias, ausência ou irregularidades de atendimento jurídico e de saúde, oferta irregular de escolarização e profissionalização, além das graves denúncias de espancamentos e maus-tratos físicos e psicológicos.
Humanos relativas à violação dos direitos dos menores sob a custódia dos governos estaduais; ou ainda o relatório sobre o Brasil apresentado as Nações Unidas em 2007 pelo relator especial sobre a tortura, no qual são relatados casos de tortura e homicídio de menores sob a custódia do Estado brasileiro.
No Brasil, apesar dos discursos oficiais, o caráter liberal e progressista da legislação apresenta grande dificuldade de se integrar às práticas das organizações e dos profissionais responsáveis pelos menores infratores. Na França, ao contrário, desde a década de 1990, após as sucessivas alterações e retificações, a execução das políticas criminais tem sido mais liberal do que a própria legislação. Este contraponto e aparente paradoxo foi uma das hipóteses aventadas nesse trabalho a ser desenvolvida para compreender este estado de coisas, um dos pontos de partida para analisarmos a política criminal dos dois países em matéria de delinquência juvenil.
É interessante analisar as respostas oferecidas por dois sistemas jurídicos, um de tradição tutelar e outro misto, que apresentam respostas diferentes para o fenômeno da delinquência juvenil, através da descrição e análise dos conflitos e disputas inerentes ao campo. Pontos que poderiam parecer muito distantes à primeira vista, estão mais próximos após a observação mais atenta da política criminal dos dois países, como a existência de zonas de exclusão e zonas de não direito, onde a presença e legitimidade do Estado é deficitária, podem ser constatadas nos dois países, embora em proporções diferentes.
Enfim, a descrição das formas de gestão e tratamento institucional da delinquência juvenil na França e no Brasil é relevante, pois ambos os países constituem exemplos de aproximações e distanciamentos do movimento de internacionalização do direito penal dos menores, mesmo que as políticas públicas sigam ritmos diferentes, divergentes ou mesmo contraditórios em cada país.
Utilizar ferramentas da sociologia nos parece fundamental para compreender e repensar a lógica, a estrutura e as formas de gestão da justiça juvenil. A investigação sociológica comparada da justiça juvenil nos possibilita dar conta dos pressupostos legais, dos procedimentos, dos problemas e das crises que atravessam a justiça juvenil. Bourdieu, Chamboredon e Passeron, remetem-nos a essa temática, destacando que “toda operação, por mais rotineira e rotinizada que seja, deve ser repensada, tanto em si mesma quanto em
nos permitiu decodificar e compreender melhor a gestão e o tratamento da delinquência juvenil nos casos pesquisados.
Assim, o método adotado na investigação comparativa buscou revelar não apenas os
mecanismos obscuros, mas também os “óbvios” do campo, pois, estes nem sempre são
descritos ou explicitados nas legislações, diretrizes e normativas, sendo conhecidos por um número limitado de profissionais, em geral, aqueles que atuam rotineiramente nos tribunais juvenis e nas instituições de execução das sanções. Assim, a partir desta proposta descritiva, vez por outra, o texto poderá parecer, para alguns, traçar meras obviedades da justiça juvenil. No entanto, trata-se de um mecanismo proposital. Os operadores da justiça frequentemente encobertam o que lhes parece óbvio, pelo fenômeno da naturalização. Ocorre que nem sempre o que é óbvio para o campo jurídico também o é para o seu público, como também para o pesquisador da ciência social. Nesse sentido, a importância da explicitação e da descrição dos procedimentos e rituais judiciários é crucial, pois este exercício é o que permite questionar o que parece natural, de tão encoberto que está pelas práticas burocráticas do dia a dia do campo.
A abordagem sociológica nos permitiu uma compreenção além do labirinto legal, possibilitando uma visão macro do campo sociojudiciário da delinquência juvenil em paralelo com a legislação internacional e com a experiência francesa. A tradição jurídica, a dogmática legal, a estrutura e lógica das burocracias públicas de controle e a amplitude dos procedimentos processuais são herméticos. Desta forma, realizar uma pesquisa empírica é instigante porque permite compreender como a dogmática e os procedimentos legais são colocados em prática e o caminho para compreender a justiça juvenil sob outra perspectiva que não a sua própria.
Assim, a investigação esteve centrada num duplo movimento, uma imersão nas
“certezas” e “verdades” da dogmática e dos procedimentos internalizados pelos atores
(profissionais da esfera judiciária e socioeducativa) e a atenção às suas práticas e discursos. Para compreendê-los deveríamos valorizar os dados da realidade, representados pela valoração do discurso, da prática e dos produtos (diagnósticos, relatórios e peças do processo judicial) dos interlocutores, ou seja, daqueles profissionais que nos ajudaram a compreender o campo a partir da perspectiva de quem está inserido nele. Ao mesmo tempo, a partir dos pressupostos sociológicos e dos seus instrumentos de investigação, nos
distanciamos para estranhar o objeto de investigação, relativizar o campo estudado, desnaturalizando as práticas judiciárias e os preceitos oficiais da legislação. Assim, a contribuição sociológica na investigação empírica, na pesquisa de campo, possibilitou vivenciar e compreender a materialização empírica da justiça juvenil, indo além da esfera legal, daquilo que as leis preveem e o que os procedimentos processuais determinam, para explicitar o que os profissionais vinculados ao campo dizem que sentem e veem acontecer no seu dia a dia.
O espaço da justiça juvenil é estabelecido e legitimado, de forma endógena, como um campo à parte das relações sociais. Ocorre que a justiça juvenil não pode ser compreendida e pesquisada, de forma dissociada do seu campo social de atuação pois ela faz parte do controle social. Deste modo, a investigação histórica e comparativa deste campo específico, no caso de um tema tão em voga, matéria de discussões políticas sobre os agentes e as formas de tratamento mais legítimas de intervenção, ocupando sistematicamente a mídia e o imaginário cotidiano, possibilitou um deslocamento valioso das definições abstratas e gerais do direito, demonstrando a existência de significados distintos para a sua materialização.
Seguindo a abordagem da sociologia processual, a atribuição da responsabilidade pela conduta desviante depende de procedimentos e interpretações contextuais que possibilitam e justificam o controle do significado da ação. Os procedimentos dos atores do campo sociojudiciário obedecem a imperativos práticos diversos e frequentemente contraditórios, como: responsabilização, proteção, sanção, repressão e educação. Empregamos aqui a noção de processo como definido por Elias (Fletcher, 1997; Elias, 2001), da transformação histórica de determinados padrões de inter-relação e interdependência. Buscamos recuperar a dimensão processual da justiça juvenil através da abordagem do seu percurso histórico e por meio contrastivo. O interessante em relação a esse ponto é a possibilidade de percebermos os valores sociais subjacentes; em outras palavras, a intenção não é examinar a delinquência juvenil em si, ou como problema social, mas sim, compreender a relação flexível e largamente variável entre menoridade e as instituições de controle social. Ao analisar o conceito de delinquência juvenil como uma representação social não pretendemos retratar as características dos indivíduos assim
classificados, mas descrever e compreender formas de gestão institucional e de tratamento da delinquência juvenil.
Para Elias (2001), a análise das constelações sociais, caracterizadas pelos processos de controle, estigmatização e exclusão de indivíduos e grupos sociais concebidos como outsiders, deve levar em conta, acima de tudo, a rede recíproca de funções estabelecidas pelos indivíduos e grupos durante seu desenvolvimento histórico. Seu foco analítico está na consideração da dinâmica inerente às inter-relações que os indivíduos em sociedade mantêm entre si; estas, por sua vez, engendram as mais variadas configurações sociais. Ocupar-se apenas do outsider, de seus problemas de adaptação, das consequências da exclusão para sua vida, como se ele não interagisse com os demais membros da sociedade, não evidenciaria os mecanismos geradores da exclusão. Do mesmo modo, ocupar-se apenas da sociedade, ou dos grupos, como se eles, devido a um espírito imanente de maldade, agissem intencionalmente para oprimir o outsider, também não traria a dimensão necessária para a compreensão das questões de estigmatização e exclusão. Portanto, faz-se necessário, além da consideração de ambas as partes desta relação, ampliar a nossa reflexão também no sentido temporal, de modo a investigar como ao longo da história recente as formas de desenvolvimento social deram origem ao problema da delinquência juvenil e as formas de gestão e tratamento deste problema.
O controle social (Cicourel, 1968; Paixão, 1983) exercido pelas burocracias públicas sobre a delinquência juvenil não é algo dado, que possa ser definido à revelia de mudanças socio-históricas e das práticas dos atores sociais que executam as políticas públicas. Os significados atrelados à representação social da delinquência juvenil, e consequentemente, aos indivíduos assim classificados, dependem necessariamente de determinadas situações de relações e interações sociais, por um lado, e do partilhamento coletivo de representações mais gerais (como as que envolvem as noções de infância, anormalidade, pobreza e desvio e as que estão envolvidas nas concepções da legislação e das políticas públicas a elas destinadas).
A contribuição da abordagem de Elias (1987) se dá pela sua capacidade explicativa dos movimentos socio-históricos de longo prazo compreendidos antes como processo do que mera substituição ou evolução linear, superando visões naturalizantes presentes no direito e compreendendo a criminalização e punição como uma construção sob condições
histórico-culturais-sociais específicas. Partilhamos, assim, da crítica deste autor ao “refúgio
no presente” que caracterizaria certas análises sociológicas, como se as situações
investigadas pudessem ser pensadas de forma isolada no tempo.
Em suma, a primeira seção do terceiro (França) e do quarto (Brasil) capítulo serão dedicadas a apresentação e compreensão do contexto socio-histórico que moldou o controle exercido pelo Estado sobre os menores identificados e classificados como infratores e do contexto institucional onde o reconhecimento desta relação é objeto de redefinições, tipificações e interpretações produzidas pelo conhecimento prático dos atores do sistema de justiça juvenil.
O recurso à dimensão histórica da justiça juvenil através do seu percurso até a aprovação da lei no. 8.069/90 - períodos entre 1927 a 1979 e entre 1979 a 1990 - e da abordagem comparativa com o campo sociojudiciário francês teve como preocupação tanto recuperar a dimensão processual do objeto quanto uma estratégia metodológica da tese. Cumpre ressaltar que a escolha do período investigado está ancorada em determinados fatores objetivos, apesar de reconhecermos que os processos sociais estão continuamente
em curso, não havendo propriamente um “início” ou um “fim” (Garrigou; Lacroix, 2001).
Neste sentido, a definição do tempo histórico compreeendido na pesquisa deu-se por entendermos que esse é um período em que ocorreram transformações significativas na legislação, nas instituições de gestão e tratamento e nas representações sociais sobre os menores infratores.
O recorte temporal dos períodos selecionados (se a pesquisa de quase um século perde em profundidade, ganha na compreensão da dinâmica social e no resgate de processos históricos muitas vezes esquecidos por trabalhos mais pontuais25), permite que observemos um processo de naturalização e cristalização dos significados reunidos no termo delinquente juvenil, especialmente no campo judiciário, culminado com a criação do Código de 1927, com o nascimento e a consolidação das estruturas públicas e privadas para
25 Ver a este respeito a discussão empreedida por Garland (2008). O autor justifica sua opção, inconsequente, segundo ele, por analises mais abstratas de grandes períodos e âmbito comparativo: “Há evidentes prezuízos em analisar as coisas com
este nível de abstração: simplificação excessiva, falsas generalizações, um certo descuido com variáveis, para indicar apenas alguns. Todavia, espero demonstrar que há também certas virtudes: particularmente, a habilidade de indicar as propriedades estruturais do campo e a recorrente dinâmica social e cultural que as produz (...). Através da observação do campo como um todo podemos pretender descobrir as estratégias, as racionalidades e culturas que proporcionam ao
campo sua estrutura e organização próprias” (Garland, 2008, p. 32-22, passim). O objetivo de Garland neste trabalho é
descocbrir os parâmetros de organização do controle do crime contemporâneo e seu substrato social e cultural na Grã- Bretanha e nos Estados Unidos.
gestão e tratamento dos menores infratores e com a reformulação da legislação no “Novo Código” de 1979. A gestação de um modelo de infância ao longo do século XX no Brasil
trouxe consigo representações como a fragilidade e periculosidade dos menores desvalidos e abandonados, a necessidade de moldá-los disciplinarmente, a importância de um modelo específico de família para circundá-los dentre outras características, que serão fundamentais para o surgimento de novos tipos de intervenção social, bem como de diferentes disputas sobre a legitimidade da forma de intervir e da agência privilegiada para fazê-lo (Rizzini; Pilotti, 1995).
Ao mesmo tempo, o deslocamento a que normalmente as investigações em outros períodos e sociedades submetem o pesquisador, parece-nos particularmente valioso no caso de um tema tão em voga, matéria de discussões políticas sobre as formas e agentes legítimos de intervenção, e que ocupa com frequência o noticiário cotidiano. Sendo assim, mais que recorrer à história para mostrar supostas origens do problema - social e científico,