Em face desses pressupostos, estamos partindo da premissa que um processo formativo, pautado, por um lado, pelo trabalho coletivo com dimensões colaborativas, e por outro lado, nas estratégias formativas da espiral de fluxo ação-reflexão-planejamento-ação e tendo como tema estruturador uma temática específica da Matemática, no nosso caso o Campo Conceitual Multiplicativo, poderá desencadear um processo reflexivo e ambiente de aprendizagem para as professoras que transcendem às questões específicas da Matemática.
Nessa direção, estamos defendendo a ideia sobre a necessidade de um interlocutor que articule, juntamente com um grupo de professoras, todos esses elementos com vistas ao desenvolvimento de processos formativos. Se assim for, defendemos que os pesquisadores acadêmicos, na realização dos seus projetos de pesquisas, podem se constituir em interlocutores privilegiados capazes de colaborar com os professores da escola, na construção coletiva de novos patamares teóricos. Os professores, por sua vez, também podem se constituir em interlocutores privilegiados capazes de colaborar com os pesquisadores da
universidade e com os seus pares na construção coletiva, por meio de patamares práticos, o que poderia significar em última análise a construção de um sólido conhecimento teórico-prático.
Sendo assim, as tessituras teóricas e metodológicas do nosso estudo convergem para obtenção da resposta à seguinte questão de pesquisa:
“Quais as contribuições que um processo formativo, pautado na espiral ação-reflexão-planejamento-ação, podem trazer para a reflexão na e sobre a prática de professores polivalentes no âmbito do Campo Conceitual Multiplicativo”?
Para responder essa questão de pesquisa, o texto está estruturado em seis capítulos, a saber:
No presente capítulo – “A pesquisa um plano em perspectiva”, explicitamos os nossos objetivos, a problemática, a questão central de pesquisa e os pressupostos teóricos que operacionalizam o desenvolvimento da nossa pesquisa.
No capítulo II- “A formação continuada de professores: perspectivas e possibilidades” – aprofundamos a nossa discussão sobre os conceitos teóricos que subsidiaram o nosso estudo. O capítulo está organizado em cinco seções. Na primeira seção discorremos sobre a formação continuada de professores do ponto de vista das políticas públicas. Nas seções subsequentes, destacamos alguns elementos que se inter-relacionam no desenvolvimento da nossa pesquisa: a universidade e a escola (segunda seção), o conceito de reflexão sob a ótica da formação de professores (terceira seção) e colaboração como sendo um caminho possível para implementação de processos formativos (quarta seção). Na última seção apresentamos a revisão da literatura, destacando os principais estudos correlatos à nossa temática.
No capítulo III- “Os princípios da Teoria dos Campos Conceituais para a compreensão das estruturas multiplicativas” – destacamos as ideias teóricas que balizaram o nosso estudo do ponto de vista das categorias de base presentes no Campo Conceitual Multiplicativo.
No Capítulo IV- “Os caminhos metodológicos da pesquisa e a trajetória da formação” – explicitamos a natureza da nossa investigação e os pressupostos teórico-metodológicos adotados para o desenvolvimento da pesquisa. Descrevemos, detalhadamente, todas as etapas do desenvolvimento do nosso estudo, quais sejam: a formação do grupo, as etapas do processo formativo e os procedimentos adotados para coleta e análise das informações.
No capítulo V- “Da constituição à ação do grupo: reflexões sobre processo vivido” – apresentamos analiticamente todas as etapas para a constituição do grupo, contemplando desde as ações iniciais dos pesquisadores/formadores (contato com e escola e com as professoras) até o desenvolvimento e a finalização do processo formativo.
No capítulo VI- “A sistematização e análise das informações coletadas” – apresentamos e analisamos as informações coletadas. Para tanto, o capítulo está organizado em dois tópicos de análise, a saber: (1) os diagnósticos – (dimensão individual/coletiva) e (2) processo de formativo (dimensão individual/coletiva).
Finalmente, apresentamos nas nossas considerações finais, a resposta à questão de pesquisa e refletimos sobre alguns aspectos do processo de pesquisa.
A discussão sobre a formação de professores para as séries iniciais da Educação Básica, no Brasil, é antiga e intensificou-se nas últimas décadas, à luz de uma literatura crítica de autores portugueses, espanhóis, canadenses e norte- americanos acerca da tradição acadêmica da formação docente. No Brasil, essa discussão acentua-se com a aprovação da nova LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9.394/ 96, que superou a polêmica relativa à questão da formação dos professores polivalentes (médio ou superior?), que culminou com tal formação em nível superior. Nesse contexto, a formação continuada de professores não ficou imune, pelo contrário, ganhou força nas políticas públicas e na retórica de muitos estudiosos.
Não é a nossa pretensão, no presente capítulo, fazer uma retrospectiva histórica a respeito da formação inicial de professores10. O que queremos é refletir
sobre alguns aspectos, que a nosso ver, se constituem nas pedras angulares para implementação de processos formativos no âmbito da formação de professores. Sendo assim, o presente capítulo está dividido em cinco partes: na primeira parte discorreremos sobre a formação continuada de professores no âmbito das
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10
A esse respeito o leitor encontrará um estudo detalhado sobre a formação inicial de professores polivalentes no Brasil, em Tanuri, L. M. História da formação de professores. Revista Brasileira de Educação, n. 14, 2000, pp. 61-88. Em Saviani, no livro “A pedagogia no Brasil: história e teoria” (Saviani, 2008a, pp. 149-161) e no artigo “A formação de professores: aspectos históricos e teóricos do problema no contexto brasileiro” (Revista de educação – UNICAMP v. 14, n. 40, 2009).
políticas públicas; na segunda parte apresentaremos uma breve discussão sobre o papel da universidade nesse contexto; na terceira discutiremos a formação de professores na perspectiva do conceito da reflexão; na quarta parte destacamos o trabalho colaborativo como sendo um caminho possível para o desenvolvimento de processos formativos; e na última parte revisitaremos alguns estudos correlatos com a temática que estamos desenvolvendo.