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ÜÇÜNÇÜ BÖLÜM 3. LEVHALAR

3.2. Levha Tekniğinin GeliĢimi

O crash ocorrido no mercado americano em 1929 (com o advento da quebra da Bolsa de Valores) e a crise econômica que o sucedeu suscitaram a preocupação dos reguladores locais, quanto à possibilidade de uma quebra dos bancos em cadeia, por meio do denominado efeito dominó, onde a quebra de um levaria à quebra de outros.

Visando propiciar a estabilidade do sistema bancário e, por conseguinte, menores riscos sistêmicos, o governo americano estabeleceu um sistema financeiro fortemente regulamentado, cujos princípios, segundo discorre Carcanholo (2000), eram a segmentação do mercado (especialização das instituições por tipo de serviço), a transparência e a supervisão das instituições financeiras por autoridade central ou instituições paralelas.

Dentre os regulamentos, destacavam-se a proibição, aos bancos comerciais, de se pagar juros sobre depósitos à vista; a existência de teto para as taxas de juros (reduzindo a concorrência); as restrições à ampliação e criação de redes interestaduais (incentivando o surgimento de diversos bancos regionais pequenos); a limitação da concessão de empréstimos e a redução do grau de alavancagem. Tal regulação assegurava estabilidade ao sistema financeiro, ao produzir o casamento entre os ativos e os passivos das instituições, ao mesmo tempo em que reduzia a concorrência. (CARCANHOLO, 2000, p.2).

Crouhy at al (2004) mencionam que no período compreendido entre a Segunda Guerra Mundial e 1951, as taxas de juros haviam sido limitadas, não sendo utilizadas como ferramenta de política monetária do Federal Reserve System - FED (Banco Central americano), motivo pelo qual as taxas de juros bancárias permaneceram estáveis por longo tempo, com pequenas e eventuais variações.

As taxas de câmbio internacionais, por sua vez, com a assinatura do Acordo de Bretton Woods, em 1944, passaram a ser artificialmente estabelecidas pelos governos locais dos países que haviam aderido ao referido Acordo. Os bancos centrais mantinham os mercados de câmbio estáveis, por meio de intervenções periódicas; alterações nas taxas de câmbio só ocorriam com permissão do Fundo Monetário Internacional - FMI.

Verifica-se, assim, que o ambiente no qual os bancos operavam apresentava-se bastante estável e praticamente sem concorrência, decorrente de um ambiente macroeconômico favorável ao gerenciamento de suas exposições a riscos.

A partir de 1960, no entanto, o ambiente de atuação dos bancos começou a mudar; teve início o processo de desregulamentação do setor bancário, motivado por fatores como a volatilidade da taxa de juros americana no período, a crise do endividamento que levou à queda da lucratividade do setor bancário, e a criação de novos produtos financeiros, provocada pela acirrada concorrência interbancária (CARCANHOLO, 2000, p.2).

Outrossim, ao final da década de 1960 termina o regime de taxas de câmbio fixas (até então assegurado pelo Acordo de Bretton Woods), em razão de fatores como a expansão do

comércio internacional e pressão inflacionária nas principais economias (CROUHY at al, 2004). A mudança para taxas de câmbio flexíveis imprimiu volatilidade diária às taxas cambiais. A partir do início da década de 1970, com a flutuação das taxas cambiais e o aumento da inflação, as taxas de juros e os preços dos títulos de dívidas, igualmente, tornaram-se extremamente voláteis, sobretudo a partir de 1980.

O novo ambiente de atuação dos bancos pode ser visto por meio da exposição a seguir:

Desde os anos 60, em vários países, os controles sobre as taxas de juros foram sendo postos de lado, não apenas devido a modificações na orientação de política econômica, mas principalmente pelo reconhecimento crescente de sua ineficácia [como instrumento de controle dos riscos assumidos pelos bancos] diante das mudanças nas tecnologias financeiras surgidas à época [visto acarretarem inúmeros novos riscos]. Operações via agências/subsidiárias instaladas em mercados offshore, em especial no (à época emergente) euromercado, permitiram aos bancos burlar as legislações nacionais restritivas à remuneração de depósitos (tetos de taxas de juros) ou às operações de crédito. Também foram contornadas restrições ao pagamento de juros sobre depósitos à vista, com a colocação à disposição de seus clientes, pelos bancos, de serviços bancários subsidiados. A partir da constatação destas operações e com o desmanche, no início dos anos 70, do sistema cambial estabelecido pelo Acordo de Bretton Woods, os governos nacionais foram gradativamente desistindo de “correr contra o mercado.” (VASCONCELOS at al, 2003, p.102, grifo do autor).

Carcanholo (2000), por sua vez, menciona:

O processo de desregulamentação [...], a partir do final da década de 60, teve como modificações mais relevantes a revogação da proibição dos bancos comerciais pagarem juros sobre depósitos a vista, a autorização de criação de um mercado off- shore dentro dos EUA, e a permissão do lançamento de ADR’s, ou títulos junto a investidores institucionais qualificados. Vale destacar também, como parte do processo de desregulamentação, e já como elemento da internacionalização financeira, o fato de filiais bancárias americanas na Europa começarem a emitir certificados de depósitos bancários. (CARCANHOLO, 2000, p.2).

Assim, à medida que a volatilidade ganhava força e, por conseguinte, novos riscos surgiam, o mercado financeiro começou a oferecer novos instrumentos ao gerenciamento de tais riscos, instrumentos estes representados pelo mercado de derivativos.

Segundo Bernstein (1997), os derivativos são os instrumentos financeiros mais sofisticados, os mais intrincados, os mais misteriosos e os mais arriscados. Os derivativos não possuem valor próprio, sendo seu valor derivado de algum outro ativo, daí a derivação de seu nome e a razão de se prestarem a limitar os riscos de flutuações de preços. Os derivativos proporcionam a transferência de riscos.

Os derivativos surgiram inicialmente como contratos de futuros e a termo, seguidos por opções de moedas estrangeiras. Os primeiros lançamentos, em 1972, foram realizados por Bolsas e, a posteriori, os bancos também aderiram à tendência, oferecendo a seus clientes contratos futuros e opções futuras sobre moedas no mercado de balcão (OTC) (CROUHY at al, 2004).

A globalização e a tendência de fusões entre corporações bancárias e não bancárias, ocorridas nas décadas de 1970, 1980 e 1990, por sua vez, também contribuíram à maior exposição a riscos de moeda estrangeira e de taxas de juros, exigindo instrumentos hábeis à sua proteção (CROUHY at al, 2004).

Neste contexto, onde os “novos” riscos passaram a ser freqüentes e maiores, os bancos comerciais e de investimentos passaram a criar, cada vez mais, novos produtos derivativos, mais complexos e mais sofisticados, concorrendo e complementando as operações realizadas em Bolsas, em nível mundial. Atualmente os bancos representam o maior volume de valores transacionados com derivativos.

Do exposto se verifica a importância do ambiente regulatório para o desenvolvimento da gerência de riscos em instituições financeiras, conforme citam Crouhy at al (2004), podendo os instrumentos derivativos ser considerados como seu marco inicial. A representatividade e importância dos derivativos podem ser observadas pela gama de instrumentos criados, entre os anos de 1972 e 1992, abrangendo moedas estrangeiras, taxas de juros, títulos de dívida, dentre outros, conforme se verifica pelo quadro 3.

Quadro 3 - Instrumentos derivativos

Período Instrumento de Gestão de Riscos

Entre 1972 e 1974 − Futuros de título de dívida lastreados por hipotecas − Futuros de moeda estrangeira

Entre 1974 e 1976 − Futuros de ações

− Futuros de títulos do tesouro

Entre 1976 e 1978 − Futuros de títulos de dívida do tesouro

Entre 1978 e 1980

− Opções de moedas no mercado de balcão − Swaps de moedas

− Futuros de CDB’s

Entre 1980 e 1982

− Swaps de taxas de juros

− Opções sobre futuros de título de dívida do tesouro − Futuros de eurodólares

− Futuros de índices de ações − Futuros de notas do tesouro Entre 1982 e 1984

− Futuros de moedas

− Opções sobre futuros de notas do tesouro − Tetos e pisos de taxas de juros

Entre 1984 e 1986

− Swaptions

− Futuros de índices do dólar dos EUA e de títulos de dívida municipais − Opções de eurodólares

Entre 1986 e 1988

− Opções compostas

− Futuros de swaps de commodities − Futuros de título de dívida e de opções − Opções de médias

Entre 1988 e 1990

− RMU’s

− Futuros de opções de caps de juros de euro-DM de três meses − Futuros de swaps de taxas de juros

− Futuros de taxas de juros de ECU Entre 1990 e 1992

− Swaps de índices de ações − Swaps de carteiras − Swaps diferenciais

Benzer Belgeler