ANATOMİ ANABİLİM DALI 1. SINIF TEORİK ve LABORATUVAR DERS KONU LİSTESİ
LABORATUVAR DERSLERİ
Desde a concepção da primeira configuração de Estado moderno, por meio da revolução francesa, a sociedade se alterou substancialmente, tornando obrigatória também a evolução do direito, em especial do direito processual civil. As concepções individuais típicas da doutrina liberal, o fetiche pela legalidade e a obediência do Poder Judiciário – a quem era vedada qualquer interpretação para aplicação do direito posto ao caso concreto – ao Poder Legislativo ruíram com a complexidade das crises sociais e o fenômeno da ascensão das massas, que aumentaram exponencialmente o nível de litigiosidade social e exigiram do Estado uma nova postura. Assim, ao passo que a sociedade se conscientizava dos seus direitos e evoluía, também o fazia o Poder Judiciário, que passou de uma função de mero espectador para exercer ao longo do tempo verdadeira função política.
Esta concepção do desenvolvimento das funções exercidas pelo Poder Judiciário desde o início do Estado Moderno é de extrema relevância para a compreensão da crise de admistração da justiça que atinge diversos países ao redor do mundo, e em especial o Brasil, país no qual referido poder cada vez mais tem participação política.
Em nosso país, a crise de legitimidade de assola os Poderes Executivo e Legislativo desde o retorno da democracria tem levado os cidadãos a exigir os direitos que lhes foram garantidos pela nova ordem constitucional através da garantia do acesso à justiça, inserindo o Poder Judiciário no debate político e, por outro lado, aumentando exponencialmente o número de processos em tramitação. No caso brasileiro, a facilidade do acesso à justiça, de certa forma, se transformou, por conta de todo o contexto social, em cultura de litigância e a garantia de inafastabilidade de apreciação do Poder Judiciário de qualquer lesão ou ameaça de lesão a direito acabou por permitir a judicialização de praticamente todas as crises de direito material surgidas.
Somou-se a isso as peculiaridades teóricas da Carta Constitucional de 1988, que além de tratar de forma exagerada de inúmeras matérias que não são de índole constitucional, também corroborou um modelo de federalismo fadado a abarrotar os tribunais superiores, na medida em que permite a inúmeros tribunais da federação a interpretação de normas constitucionais e infraconstitucionais emitidas de forma exclusiva pelo mesmo ente legislativo, o que potencializa a possibilidade de coexistência de decisões de conteúdo contraditórios. Também deve ser considerado dentro deste contexto o cultural desrespeito do próprio Estado brasileiro às leis e às decisões judiciais, além da falta de investimento na própria infra-estrutura do Poder Judiciário.
O processo civil brasileiro, representado pelo Código de Processo Civil de 1973, de ideologia predominantemente individualista, não colocava à disposição da sociedade técnicas processuais aptas a tutelar direitos substancialmente novos, situações novas e em quantidade muito superior ao que o legislador havia imaginado. As técnicas processuais vigentes eram voltadas a direito subjetivos individuais em litígios individuais. Nada mais do que isso, com exceção às situações de litisconsórcio.
Estava montado, assim, um cenário no qual os problemas sociais eram massificados, a vontade política de atuação do Estado era (e ainda é) ínfima e não havia condições estruturais nem técnicas para a prestação da tutela jurisdicional. Não havia como fugir da crise de administração da justiça, como de fato não aconteceu. E como conseqüência da crise surgiram os problemas da morosidade, da insegurança jurídica e do desrespeito à isonomia dos cidadãos, que geraram verdadeiro caos social. Os números do Poder Judiciário eram alarmantes e o exercício da atividade judicante, nessas condições, perdia todo e qualquer caráter artesal, padronizando-se de forma extremamente maléfica para a qualidade das decisões judiciais.
A solução deste imbróglio, além obviamente da necessidade de fortalecimento das estruturas do Poder Judiciário (que até hoje não é satisfatória pelo falta de vontade política) foi a evolução da técnica processual voltada às situações de massa. Viu-se uma verdadeira caminhada do individual ao coletivo, desenvolvendo-se mecanismos de tutela de direitos pertencentes a grupos ou a coletividade como um todo. Os processualistas passaram a se despir de tradicionalismos infundados na busca de soluções
que pudessem solucionar a crise em que se encontrava o Poder Judiciário. A idéia era dar tratamento de massa às situações de massa, evitando-se a não tutela de direitos anteriormente ignorados pela ordem processual vigente e também a pulverização de processos individuais decorrentes de lesões de massa.
Da mesma forma o processo civil brasileiro passou por uma tendência saudável de valorização da jurisprudência, em uma verdadeira caminhada da persuasão à vinculação. Se a caminhada da tutela individual à coletiva era influenciada pela essência das crises de direito material, no caso da crescente vinculação dos efeitos das decisões judiciais, o anseio era de tornar o Poder Judiciário um poder coeso, respeitado pelos cidadãos e que seguia suas próprias determinações.
As caminhadas de coletivização e valorização dos precedentes tiveram inúmeros reflexos legislativos, os quais não foram suficientes para desabarrotar o Poder Judiciário, em especial os tribunais superiores. Desde antes da criação do Superior Tribunal de Justiça pela Constituição Federal de 1988 a comunidade jurídica clamava por alternativas para racionalizar o trabalho do Supremo Tribunal Federal, realização esta jamais obtida na prática.
Sendo a sociedade moderna marcada pela repetição, constatou-se que era necessário aplicar a mesma lógica para o desenvolvimento de novas técnicas processuais, adaptando-as novamente à realidade social, já que qualquer técnica não amoldada à realidade das situações e crises de direito material está fadada a ser inócua. É o que foi chamado neste estudo de tendência de adaptação da tutela jurisdicional ao fenômemo da repetição, requisito essencial para a efetividade da prestação da tutela jurisdicional nos dias atuais.
Neste sentido foram criados inúmeros mecanismos de contenção da litigiosidade em massa, em prol da racionalização do trabalho do Poder Judiciário em todas as instâncias, como as técnicas de julgamento por amostragem, que são objeto do presente estudo, voltadas às cortes superiores. A amostragem como técnica processual tem, sem dúvida alguma, o condão de tutelar a segurança jurídica do ordenamento, evitando decisões conflitantes a respeito do mesmo tema; a duração razoável do processo, na medida em que
racionaliza o trabalho e otimiza o tempo dos julgadores, que poderão dar atenção a todos os casos; e isonomia, pela aptição de aplicar decisões do mesmo teor a jurisdicionados em idêntica situação, em um procedimento desenvolvido para promover a paridade de armas entre os litigantes pelo intenso debate que antecede a tomada da decisão paradigma.