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2.2. Dünya'da Kurumsal Yönetim Alanında Yapılan Düzenlemeler

2.2.7. OECD Kurumsal Yönetim İlkeleri

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste capítulo, nossa preocupação central será relacionar a parte teórica com o estudo de caso múltiplo, buscando entender qual a contribuição da literatura aqui apresentada para o melhor entendimento do objeto de estudo.

7.1 Coalizões atuais e movimentos sociais históricos

Como tratamos no capítulo cinco, as atuais alianças não são inovadoras no que se refere a levantar a bandeira da educação pela primeira vez na história brasileira – muitos movimentos e lutas foram feitos neste sentido, ao longo do século XX, como o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, a Campanha pela Defesa da Escola Pública e o Fórum em Defesa da Escola Pública. O que diferencia as atuais iniciativas das anteriores é que, pela primeira vez na história da educação brasileira, há a aparente formação de coalizões, capazes de agregar atores provenientes de instituições governamentais e não-governamentais, de diversos níveis, que possuem valores e crenças comuns em uma aliança única, como proposto por Sabatier e Jenkins-Smith (1993). As atuais iniciativas, assim, não são classificadas como movimentos sociais justamente por serem caracterizadas pela junção de atores do governo e da sociedade civil, pela partilha de crenças comuns, e pela proposta de não se colocarem, necessariamente, em oposição ao Estado.

Apesar de classificarmos as duas iniciativas como coalizões, a Campanha Nacional pelo Direito à Educação, pelo seu próprio ciclo de vida, aproxima-se mais do conceito de coalizão advocatória, por conta da sua forma de atuação e de um sistema de valores e crenças mais definido e difundido entre seus membros – seu sistema de valores e crenças está mais consolidado do que o TPE, o que transparece em um discurso mais unificado e forte. Além disso, a Campanha pode ser considerada uma aliança mais consolidada, com maior abrangência e atuação no cenário atual, estando presente em mais Estados e contando com o apoio de atores mais heterogêneos. Seu foco de atuação está especificamente voltado ao advocacy, ou seja, à busca pela mudança do marco legal.

O TPE, por sua vez, é uma coalizão ainda em construção, contando com muitos elementos que fazem com que não possamos considerá-la como uma coalizão advocatória no sentido stricto, como a centralização das ações em figuras-chave (o que não se verifica na Campanha), a inexistência de um consenso ideológico e técnico entre seus membros e a não existência de intenção de fazer advocacy ou de mudar o marco legal referente a Educação no país. O consenso existe apenas em relação às metas, que são metas genéricas – diferentemente da Campanha, que tem um consenso em relação a pontos específicos, como o papel da educação.

Deste modo, as coalizões atuais diferenciam-se das demandas históricas, dado que estas, longe de serem classificadas como coalizões, devem ser entendidas como movimentos sociais.

Retomando o que foi colocado pelos teóricos do campo, há uma tendência a considerar os movimentos sociais como: a) menos institucionalizados e formais do que outros espaços coletivos (COHEN, 2003; GOHN, 2006), b) dirigidos, de modo não hierárquico, por um ator social (MUNCK, 1997); c) constituídos por atores carentes de recursos (TARROW, 1994, apud GOHN, 2006).

Melucci acrescenta, ainda, a existência da luta entre dois atores pela orientação dos valores sociais, fator que também é apontado por Touraine (1994), e a necessidade da transgressão das normas para além do sistema político.

Por fim, Tarrow (1994, apud GOHN, 2006) aponta para o fato de que os movimentos sociais nunca são os atores principais do processo de mudança, podendo ser apenas coadjuvantes. Isso porque, em sua visão, são as mudanças que ocorrem dentro da máquina do Estado as capazes de gerar novas oportunidades políticas e, portanto, as responsáveis pelo sucesso ou não dos movimentos sociais.

De acordo com o que foi colocado pelos autores, podemos entender as lutas anteriores como movimentos sociais por conta do seu caráter não institucionalizado ou extra-institucional (oposto ao que ocorre atualmente na Campanha e no TPE), pela luta de atores carentes de recursos (principalmente políticos), pela existência unicamente de atores da sociedade civil (sem contar com a presença de atores governamentais e nem supor a participação destes agentes em suas lutas, principalmente pela ausência de valores e crenças comuns,

caracterizadores de uma coalizão), da sua busca em criticar o Estado e colocar-se em oposição a ele, entre outros fatores.

O fato das reformas propostas pelos movimentos anteriores não ter sido plenamente bem sucedida em nenhum dos três casos evidencia, além disso, o fato destacado por Tarrow (1994, apud GOHN, 2006) de que os movimentos sociais são sempre coadjuvantes do processo – e nunca seu principal ator. Por fim, os movimentos sociais históricos, diferentemente das coalizões atuais, organizaram-se em busca de uma solução para um problema de curto prazo, lutando principalmente para que suas demandas fossem incluídas nas LDBs. Como colocado anteriormente, o momento atual caracteriza-se como o primeiro momento em que as iniciativas não surgiram em um contexto de lutas em torno de uma nova Constituição, buscando atingir objetivos mais amplos e de longo prazo.

O contramovimento oposto aos movimentos sociais estudados, como proposto por Touraine (1977) pode ser visto como a rede formada pelas escolas privadas, principalmente as escolas católicas, que ao longo dos anos buscaram garantir a provisão de recursos governamentais, com justificativas que foram se modificando ao longo do tempo.

A abordagem teórica dos movimentos sociais, assim, surge mais pela necessidade de entender os movimentos históricos pela educação do que propriamente para classificar as atuais coalizões. Os movimentos sociais foram, neste sentido, os principais agentes históricos de mudança em Educação. Dentre as atuais coalizões, porém, a Campanha Nacional pelo Direito à Educação, apesar de não poder ser classificada como movimento social, nem de acordo com a visão européia nem de acordo com a visão americana, aproxima-se mais deste conceito pelo fato de agregar alguns movimentos sociais em sua aliança, como o Movimento dos Sem-Terra (MST) e o Movimento Interfóruns de Educação Infantil do Brasil (MIEIB), e pela postura mais crítica em relação ao governo.

7.2 Coalizões em Educação

Entendemos que tanto a Campanha Nacional pelo Direito à Educação quanto o TPE são coalizões que atuam num mesmo campo: a defesa da educação pública de qualidade, sendo a