1.5. Kurumsal Yönetim İlkelerinin Hayata Geçirilmesinde Rol
1.5.4. Finansal Raporlama ve Bağımsız Dış Denetim
Alguns entrevistados detiveram-se sobre questões da educação brasileira no momento atual e suas perspectivas futuras e sobre o papel do governo em relação às políticas públicas de educação. A seguir, abordaremos cada um destes tópicos.
Impressões sobre a Educação no momento atual
Para Maria da Gloria Gohn, “a educação no momento atual ocupa, nos discursos oficiais, um papel mais importante do que a saúde”, diferentemente das décadas passadas, quando a educação quase não existia. Ela cita o fato de que, em 1931, foi criado um Ministério da Educação ligado ao Ministério da Saúde, criando um Ministério próprio apenas em 1950. Hoje em dia, a educação “ganhou uma centralidade que nunca teve antes”, o que pode ser visto não apenas no Brasil, mas como parte de um “movimento que é global”.
Iracema concorda com esta visão ao afirmar que “a educação vem ganhando espaço no discurso, vem ganhando cada vez mais peso e mais atenção dos governos”. Para ela, “olhando numa perspectiva histórica, há melhoras, há mais esforço”. Mais do que ganhar espaço no discurso, Ester Rizzi e Sandra Faria destacam o fato de que, com o acesso praticamente consolidado, “começa a busca pela qualidade”. Para elas, “educação não é mais discurso, é vital”. O momento atual é caracterizado por um debate mais complexo, que entende que “não basta apenas aumentar os investimentos, como no caso do acesso”.
Apesar dos pontos positivos do momento atual, com a educação ganhando destaque no discurso e nas ações práticas, sabemos que ainda há muitos problemas a serem contornados. Carlos Ramiro de Castro, Roberto Leão e Fernando Rossetti enfatizaram alguns destes problemas, como vemos a seguir. Três pessoas focaram-se especificamente no não cumprimento das metas: Romualdo Portela, Maria da Gloria Gohn e Roberto Leão.
Para Carlos Ramiro de Castro, o grande problema é a falta de prioridade, tanto do governo quanto da sociedade com relação à educação. “Problema não é só do governo, mas da sociedade, que não prioriza”, afirmou ele. Mais do que isso, o momento atual é marcado por problemas como: a falta de continuidade, o baixo investimento e a fragmentação.
A falta de continuidade das políticas públicas, por serem de governo e não de Estado, destacada por Carlos Ramiro de Castro, também foi abordada por outras pessoas, como Fernando Rossetti. Para Carlos Ramiro de Castro, “a descontinuidade é uma das principais causas da queda da qualidade”. Fernando Rossetti, por sua vez, aponta que “o Brasil não tem
política de Estado, mas de governo”, e, por esta razão, “todos os Ministros querem fazer uma revolução individual”.
Outro ponto está no baixo investimento. Para Carlos Ramiro, o investimento em educação deveria aumentar para 10 a 11% do PIB, “como recomendado pela UNESCO”. Mais do que isso, o pouco que é investido é mal gasto. A grande questão, para ele, é que o governo entende que o que está sendo investido é suficiente, “porque entende que uma parte do serviço será repassada ao Terceiro Setor”, política a qual ele se mostra fortemente contrário.
A questão do financiamento também foi citada por Roberto Leão como o “primeiro grande problema da educação, e não só para pagamento de professores”. O Fundeb, neste sentido, foi um grande passo. Os mesmo 10% são defendidos por ele como o percentual ideal de investimento.
O terceiro ponto é a fragmentação da política educacional. “Já houve fragmentação quando passou para o Estado e agora para municípios”, afirma Carlos Ramiro de Castro, criando “micro sistemas de ensino público municipal”. Para ele, a autonomia das escolas é ruim, devendo o ensino público estar articulado, desde a educação infantil até a pós-graduação. A entrega do serviço público para organizações não-governamentais e entidades do Terceiro Setor vêm agravar esta fragmentação. A Apeoesp, na contramão, luta pela organização de um sistema único de ensino básico, com o fim de escolas municipais, estaduais e federais, trazendo uma “unidade pedagógica” para o sistema, “um sistema nacional de ensino básico”.
Para Roberto Leão, no momento atual, a educação pública no Brasil “está ruim”. E não só a escola pública, mas “também a escola privada”. Para ele, a escola está tão ruim que “não forma nem para o mercado de trabalho, nem para a cidadania”. Para ele, justamente por conta da baixa qualidade das escolas privadas, a classe média deveria se engajar na luta pela escola pública: “a classe média deveria deixar de se considerar rica e lutar em defesa da escola pública”. Esta questão também foi abordada por Fernando Rossetti, ao afirmar que “o pecado original foi ter tirado a classe média da escola pública”.
Apesar do quadro ser difícil, Leão afirma que “passos importantes têm sido dados”, citando como pontos fundamentais o Fundeb, e mesmo o PDE, ainda que este último contenha pontos negativos que precisam ser mudados, entendendo que “ainda tem muita luta a ser feita”.
Alguns entrevistados detiveram-se especificamente sobre a questão das metas na educação brasileira, abordando a diferença entre os planos e as ações práticas para realizá-los.
Para Maria da Gloria Gohn, “metas sempre foram colocadas, desde a década de 1950”. E mesmo assim, “as metas nunca são atingidas – elas são o horizonte”. Para ela, apesar disso, “a questão está em avaliar o horizonte, o que elas estão propondo, qual o modelo de sociedade”. Em sua visão, o não cumprimento das metas advém do fato de que seria preciso “um controle muito rígido para haver seu cumprimento”.
Gohn cita ainda as diversas metas que o Brasil precisaria cumprir: as metas das grandes Conferências da ONU, propostas na década de 1990, algumas já revistas em 2002, as metas do IPEA, os planos plurianuais, entre outros. Leão segue a mesma linha ao afirmar que “tem uma confusão de metas” em nosso país, há “várias metas a serem atingidas”.
Romualdo Portela segue a mesma direção, apontando o fato de que “os planos para a educação no Brasil não são para serem cumpridos, são uma mera formalidade”. Neste sentido, é fundamental “que as metas sejam plausíveis”. Para ele, “assume-se que o PNE não será cumprido”. Neste sentido, “o lançamento das metas pelo TPE é uma tentativa de pautar a agenda do governo”.
Mario Sergio Cortella, em relação às metas, concorda com esta visão, fazendo uma diferenciação entre “planos de operação e planos absolutamente genéricos, que funcionam não como mapa de navegação, mas como folhetos turísticos”: “Um mapa de navegação indica para onde você pode ir, o que você tem que evitar, ele não fala só das belezas, ele fala das dores e das delícias, como diria o Caetano. O folheto turístico não, ele só fala do que é exuberante”.
Impressões sobre o governo atual
O governo atual é visto como um governo com pouca interlocução com a sociedade civil, como declarado principalmente pelos membros da Campanha Nacional pelo Direito à Educação. Para Daniel Cara, “o governo Lula não tem interlocução efetiva com a sociedade
civil, mas pelo menos ouve, ainda que com dificuldades”, numa crítica ao governo Fernando Henrique Cardoso “que ouvia apenas determinados atores sociais, inclusive empresários fundadores do TPE”. Para Iracema isso não basta. “A sociedade civil não quer apenas ser escutada”, disse ela sobre o fato do governo Lula ter “ouvido muito, mas não ter incorporado muitas reivindicações aos planos”.
Elizabete Ramos entende que não há a preocupação em escutar os movimentos, afirmando que o “governo não busca canais de debate público, não está preocupado”. Para Iracema, porém, “em relação à participação da sociedade civil, está cada vez melhor”, salientando o fato dos membros da Campanha “não terem privilégios, apesar de terem vindo do mesmo espectro ideológico e político do Governo Lula”. Segundo Iracema “a sociedade civil progressista avança com pernas próprias. Ela melhora e qualifica continuamente seus discursos e práticas. Quem não melhora é o Governo Lula, que em Educação permanece sendo um tanto quanto desanimador em suas ações, discursos e, principalmente, na interlocução com a sociedade civil progressista.”
Para Elie Ghanem este é um problema não só do governo atual, mas do cenário político brasileiro. Para ele, no Brasil, “não há espaço para a discussão de políticas públicas”, havendo abertura para o debate “só depois de já estarem prontas”. Para ele, “quem não era chamado e ainda não é: o magistério, principalmente seus sindicatos”, citando a Apeoesp, “o maior sindicato da América do Sul” e a CNTE, a “expressão federal”. Recentemente, “a CNTE tem mantido um diálogo maior com o governo, para o bem e para o mal”, mas, “se essa facilidade de diálogo passou a ocorrer no governo Lula, ela inexiste nos níveis estaduais e municipais”, falando sobre a “não disposição destes níveis em dialogar com o magistério” no Estado de São Paulo.
Isto posto, Ghanem afirma que “um movimento não pode ser frutífero se não houver equilíbrio entre governo e sociedade civil”. Para ele, “não podemos partir do pressuposto de que falta vontade política”, mas, de que “falta confiança entre governo e sociedade civil” porque “não faz parte da nossa cultura política, que é uma cultura política autoritária”, o que faz com que não tenhamos uma “democracia plena”.
Para ele, a “nossa maneira de fazer política é autoritária”, havendo um entendimento generalizado de que “colaborar com o setor público significa apoiar o governo”. Para ele, “as
pressões da sociedade civil devem ser vistas não só como legítimas, como deveriam também ser buscadas pelo governo”, ou seja, “o governo deveria incluir o maior número de pessoas na tomada de decisões, com recursos, para viabilizar a influência da sociedade civil na tomada de decisão e na formulação das políticas públicas”. Para ele, “o relacionamento deveria ser mais simétrico, reconhecendo autoridades, entendendo que poderíamos colaborar em determinado governo, concordando ou não com a orientação governamental”. Assim, “não podemos pensar que, porque não sou de determinada aliança, não posso colaborar com o governo”, duas coisas que costumamos relacionar diretamente.