Considerando-se que Viçosa passa por um processo de modernização acelerada a partir da década de 1970 e que tal processo será marcado pelo crescimento desordenado que trará diversos problemas de infraestrutura urbana, pela verticalização e pela especulação imobiliária na região central da cidade, há que se considerar a importância da elaboração do Plano Diretor da cidade (PDV), ao longo da década de 2000. Para o que diz respeito à nossa análise dos discursos patrimoniais elaborados no município, refletir sobre o processo de estabelecimento do PDV, é interessante, uma vez que ele também apresenta preocupações relacionadas à preservação dos patrimônios histórico-culturais e ambientais.
As publicações do jornal Folha da Mata ao longo da década de 1990 demonstram que uma questão muito debatida entre alguns políticos e arquitetos ligados à UFV, foi a necessidade de que o poder público municipal criasse medidas para melhorar a infraestrutura urbana e, consequentemente, oferecesse melhores condições de vida aos moradores da cidade. Havia pelo menos duas décadas que Universidade fora federalizada e, portanto, que a população de Viçosa vinha crescendo vertiginosamente e, junto com ela, todos os problemas inerentes a um crescimento urbano sem nenhum tipo de organização. Naquele período, algumas pessoas se manifestaram cobrando da administração municipal melhorias na infraestrutura urbana e consequentemente na qualidade de vida ofertada à população. Alguns mencionarão diretamente a necessidade de que o município tivesse o seu PDV para a cidade. Somente no segundo semestre de 1993, foram publicados três artigos a esse respeito no Folha
da Mata:
Todos os dias nós vemos nosso bairro, nossos vizinhos, nosso rio, nossa praça e nós os conhecemos de um modo especial. Nós sabemos alguma coisa sobre sua complexidade, sua textura, seu cheiro e suas qualidades únicas. Ninguém de fora, de um outro bairro, de outra cidade e certamente de um outro país poderia esperar e pretender conhecê-los tão bem. Há entretanto um outro modo de ver um bairro – de fora. Com novos olhos e mente aberta, o estranho pode às vezes ver qualidades especiais, traços únicos ou oportunidade[sic] importantes que para os residentes locais já se tornaram comuns, ordinários ou impenetráveis. Nós somos três canadenses, da TechnicalUniversityof Nova Scotia, trabalhando com o apoio do governo canadense, o encorajamento do prefeito de Viçosa e os recursos da UFV, no desenvolvimento de algumas ideias para o futuro da cidade. Nós somos os novos olhos e espero que tenhamos mentes abertas. Estamos excitados com o potencial que vemos em Viçosa. A rica topografia, os abundantes recursos educacionais, a energia, a quantidade de recursos e habilidades das pessoas. Nós acreditamos que estas qualidades podem servir como um ponto de partida para desenvolver uma visão clara e forte para a cidade. Nós temos algumas ideias sobre o que esta visão deve incluir. Viçosa
deve ser ‘Uma Cidade para Pessoas’. A riqueza maior da cidade são as pessoas. Todo
esforço deve ser feito para que a cidade ofereça alto nível de qualidade de vida para todos os seus cidadãos. Diversas áreas precisam ser exploradas de modo que esta visão
35 seja concretizada. Viçosa precisa redescobrir o equilíbrio entre carros e pedestres. Redesenhar as esquinas (interseções de ruas) e passeios daria mais espaço a pessoas, não a carros. Que ciclovias sejam desenvolvidas de modo geral pela cidade. Por exemplo, um trecho poderia seguir os trilhos do trem. Viçosa precisa querer espaços públicos e reconhecer seu valor. As entradas da cidade devem dar uma boa primeira impressão e captar as qualidades da cidade. Rios precisam ser reconsiderados como importantes, características naturais da cidade. Como um primeiro passo, lugares ao longo do rio que são visíveis das ruas devem ser limpos. Em segundo lugar, novos e criativos jeitos de lidar com o esgoto devem ser explorados. Eventualmente, o rio poderia ser considerado espaço público. Viçosa precisa valorizar o importante papel das pessoas nas tomadas de decisão para formar um senso de orgulho cívico. Mas a nossa visão é de fora e isso é apenas um ponto de partida. Nossas ideias apenas terão sentido se elas captarem as aspirações e imaginação das pessoas. É por esta razão que nós estamos planejando uma reunião pública aberta para toda a cidade. A reunião oferecerá uma importante oportunidade para vocês verem nossas ideias e nos mostrarem as de vocês. Nós então tentaremos uma estratégia mais completa para indicar como Viçosa deve ser, o que poderia ser feito para fazê-la mais bonita, mais tolerante e mais dinâmica. Esse é um importante primeiro passo. Sua participação pode fazer a diferença. Por favor aceite nosso convite aberto para a reunião pública organizada para o dia 9 de junho, das 12 às 22 horas, na CMV. Frank Palermo (chefe do Departamento de Planejamento Urbano Rural da TechinicalUniversityof Nova Scotia, Canadá). Tradução da professora Maria do Carmo Z. Gonzada (Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFV)40.
Nesse artigo nota-se que, é a própria Prefeitura Municipal que toma a iniciativa de dialogar com um grupo de arquitetos canadenses, e essa mediação é feita a partir do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFV. Esse Departamento foi criado no início dos anos 1990 e sua participação nas discussões acerca da política urbana de Viçosa, passa a ser constante. Será uma influência determinante no processo de discussão, concepção, execução e crítica ao PDV de maneira geral, e de alguns de seus pontos, de forma específica. Chama a atenção, a forma imperativa como os arquitetos canadenses se dirigem à população de Viçosa, ditando comportamentos e mudanças no espaço urbano. Os mesmos que se apresentaram como o “olhar de fora”, fizeram crer, ao longo do texto, que conheciam todos os caminhos que levariam Viçosa a uma vida urbana feliz e satisfatória. Além disso, expressões como “espero que tenhamos mentes abertas” ou “Viçosa precisa querer”, “precisa valorizar”, demonstram o discurso de quem se considera detentor de um conhecimento e que veio para transmiti-lo e espera não encontrar resistência dos que não sabem como se comportar em sua própria cidade.
Os arquitetos canadenses apresentam uma visão técnica como se a construção do espaço não fosse fruto do cotidiano e dos usos que são dados aos lugares, ou seja, da dinâmica que é criada pela própria população local. Na opinião deles, existe uma estrutura urbana perfeita à qual as pessoas deveriam se adequar, “aprendendo a gostar de espaços públicos”, a
40“Uma nova visão para Viçosa”. Folha da Mata, nº1268, 05/06/1993. Viçosa – MG. P.2. [sic] erro no original. Grifos nossos.
36
expor na entrada da cidade “suas qualidades”, “redesenhando calçadas”, etc. E mesmo explicitando que a participação dos membros dessa sociedade nas discussões seria importante, eles deixam claro que essas opiniões apenas servirão de matéria-prima para que eles tentem “criar uma estratégia mais completa de como Viçosa deve ser”.
No entanto, apesar de uma posição que pode ser considerada autoritária, implícita nessa estratégia de urbanização, a sua proposição, com o apoio do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFV (DAU/UFV) e ainda da PMV, já é uma iniciativa importante. Ela demonstra a preocupação desses órgãos em tomar medidas para tentar solucionar os diversos problemas que a cidade já apresentava na década de 1990. Isso aponta a influência do processo de modernização e da reação a ele por parte de alguns grupos sociais, sobre a organização da cidade como um todo. O crescimento urbano desordenado trouxe problemas práticos aos moradores da cidade, além da sensação de se estar imerso em um espaço urbano que se transforma com uma inquietante velocidade. Os dois casos, concomitantes e relacionados, levaram ao cenário político discussões referentes à preservação dos recursos naturais, à melhoria da qualidade de vida na cidade, à preservação da memória e do patrimônio, entre outros. E como esse problema não ocorreu apenas em Viçosa – como faz parecer o discurso da perda – mas do Brasil, pra não dizer de todas as sociedades imersas no fenômeno da Modernidade, o Governo Federal já havia proposto uma solução.
A partir de 2001 a Lei Federal no 10.257, de 10 de julho de 2001,denominada “Estatuto da Cidade”, passou a estabelecer as diretrizes para a política urbana no Brasil, com o objetivo regular o uso da propriedade urbana, visando o bem coletivo, a segurança e o bem-estar dos cidadãos e também demonstrando preocupação com questões ambientais. O artigo 2º da Lei, determina que toda a política urbana deve se pautar na sustentabilidade, na gestão democrática garantindo a participação popular em todas as etapas do processo, no planejamento da cidade visando corrigir problemas ocasionados pelo crescimento urbano desordenado ou evitar tais problemas, a recuperação e/ou a proteção do meio natural ou construído e do patrimônio ambiental, histórico, cultural, artístico, paisagístico e arqueológico. O artigo 4º define o Plano Diretor (PD) como um dos instrumentos que deverão ser utilizados pelos municípios, como meios de cumprir as determinações da legislação Federal.
37
A partir da promulgação do “Estatuto da Cidade”, o PD passa a ser obrigatório para municípios com mais de vinte mil habitantes e sua revisão deve ser feita a cada dez anos. 41 Percebe-se, claramente, uma preocupação do Governo Federal em obrigar os municípios a fazer a gestão da ocupação de seu espaço urbano, visando garantir com maior eficácia o bem- estar dos que ali vivem. Além disso, a Lei estabelece mecanismos através dos quais poderá ser feita a proteção dos patrimônios ambientais e culturais/arquitetônicos, cujos interesses se chocam com a expansão acelerada e desordenada das cidades.
Com relação à proteção do patrimônio histórico-cultural edificado, o “Estatuto da Cidade” prevê um instrumento jurídico denominado “Transferência do Direito de Construir”. Tal prerrogativa concede ao proprietário de imóvel declarado de “utilidade pública”, a transferência da capacidade construtiva do lote onde o imóvel está localizado a outra construção. Isso significa dizer que algumas obras terão permissão para desobedecer às determinações do Plano Diretor e isso será visto como compensação em troca da preservação dos imóveis aos quais for atribuído valor histórico. A obrigação de preservar a fachada antiga, liberando-se a volumetria do terreno e fazendo outras concessões, será outra forma de colocar em prática o recurso legal para tentar conciliar os interesses do setor imobiliário, aos dos “defensores da memória”.
Como era de se esperar, essas prerrogativas estimularam as incorporadoras42 a adquirirem os imóveis mais antigos da cidade, para barganharem com a Prefeitura Municipal condições mais favoráveis à construção civil do que as previstas no Plano Diretor. Embora o Poder Público tenha prioridade de posse sobre os bens considerados de interesse público (direito de preempção), a grande pressão dos grupos econômicos dominantes e a falta de recursos financeiros são fatores limitantes na luta em defesa do patrimônio. Restaurar e manter em funcionamento todos os imóveis aos quais se atribui valor histórico requer financiamentos altos. Na ausência deles, o Poder Público precisa negociar com os investidores privados, o que nem sempre beneficiará o patrimônio ou criará “anomalias patrimoniais” como as que analisaremos mais adiante.
Estamos, portanto, diante de uma situação conflituosa, envolvendo diversos grupos sociais e seus interesses. Percebe-se uma contradição entre a coesão social sugerida pela
41 Lei Federal no 10.257, de 10 de Julho de 2001.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10257.htm. Página consultada em 09/06/15.
42 Empresas do ramo imobiliário, responsáveis pelo estudo do terreno e pela adequação da obra que nele se pretende realizar, a toda a legislação cabível. Elas são responsáveis por todas as características das obras embora, não sejam necessariamente suas executoras. Esta função específica cabe às construtoras. Entretanto, na maioria dos casos, a empresa é, ao mesmo tempo, incorporadora e construtora.
38
“memória coletiva” que alimenta a identidade do grupo e as disputas cotidianas entre os subgrupos que lutam para conquistar seus territórios no interior da cidade. Neste sentido, é importante destacar o artigo 40 do “Estatuto da Cidade”, o qual estabelece o Plano Diretor como o instrumento através do qual o município deverá organizar sua expansão urbana. Por essa razão, o mesmo deverá ser elaborado impreterivelmente, com a participação ativa da sociedade.
***
Em agosto de 1993 o Vereador Euter Paniago publicou em sua coluna independente, um artigo sobre os problemas na infraestrutura urbana de Viçosa e mencionou nominalmente o Plano Diretor como a melhor estratégia para solucionar tais problemas e desta forma, segundo ele, garantir uma cidade melhor para a posteridade.
É impressionante o número de prédios de apartamento que estão sendo construído[sic], atualmente, na parte mais central de Viçosa.
Cada novo prédio construído representa dezenas de novas famílias que passarão a residir no coração da cidade.
Pela qualidade e localização das novas construções, é fácil compreender que as famílias que ali vão morar serão da chamada classe média-alta, detentora de razoável poder aquisitivo. Por essa causa, para cada novo apartamento a ser ocupado, pelo menos mais um veículo será incorporado à já enorme frota existente nos dias que correm. [...] Cidade antiga, nascida na era do carro de boi, da carroça e do cavalo de sela, Viçosa é caracterizada por suas ruas estreitas e cheias de curvas, razão suficiente para justificar os transtornos usuais em nosso trânsito. Que será de Viçosa daqui a 50 ou 100 anos? Poderá ser uma cidade com razoável qualidade de vida ou então um amontoado de arranha-céus que transformarão a cidade em verdadeiro pandemônio. Será que ainda se pode fazer alguma coisa para evitar que nossa Viçosa se transforme numa cidade-monstro [...]? [...] O governo passado, a despeito da pressão exercida pelo Poder Legislativo, não cumpriu os postulados legais. O Plano Diretor, contudo, continua sendo uma necessidade imperiosa, mormente por ser Viçosa uma cidade encravada entre colinas, de ruas estreitas e de vertiginoso crescimento vertical, no setor imobiliário. É preciso planejar a Viçosa do século 21, e o Plano Diretor é o instrumento para realizar tal tarefa. [...] Cada dia a mais que ele vier a ser retardado, maiores prejuízos serão repassados às gerações futuras, que poderão viver numa cidade-monstro por culpa exclusiva de nossa incapacidade de planejar o futuro de Viçosa. [...] Rezemos todos para que Deus ilumine nosso prefeito a mandar elaborar o Plano Diretor que tanta falta já está fazendo a Viçosa. [...]43.
Deixando de lado as críticas do vereador ao governo do então ex-prefeito Antônio Chequer, ao qual fazia dura oposição, bem como seu discurso político embebido em discurso
43“Sobre a Viçosa de cinquenta ou cem anos de agora e outras coisas”. Folha da Mata, nº1278, 14/08/1993. P.2. Coluna do Paniago. Publicação independente. Viçosa – MG. [sic] erro no original. Grifos nossos.
39
religioso, pois tais aspectos serão analisados em outro momento, esse artigo é interessante por ressaltar dois pontos diretamente relacionados aos temas que ora analisamos. Primeiramente, trata-se de um morador da Viçosa da primeira metade dos anos 1990; em segundo lugar, não se trata de qualquer morador, pois é também representante do poder público. É importante salientar esse duplo papel, pois o texto nos apresenta a Viçosa de 1993 pelos olhos de Euter Paniago: uma cidade que foi feita para cavalos e estava cada vez mais repleta de automóveis; uma cidade cujo centro passava por acelerado processo de verticalização; uma cidade que viu a densidade demográfica de sua área central, crescer expressivamente e que já sofria os efeitos negativos desse acúmulo, para o qual não estava preparada; uma cidade que vivia uma segregação social, visto que o tipo de construção realizada na área central excluía a possibilidade de que pessoas de baixa renda tivessem acesso a moradias naquele local.
Diante dessa situação, o cidadão e vereador de Viçosa, cobra do poder público municipal, o instrumento que, segundo ele, poderia solucionar os problemas citados, ou seja, o Plano Diretor. Fica explícito que, toda a explicação da situação da cidade tem um interesse que vai muito além do mero convencimento do então prefeito de Viçosa, acerca da necessidade do Plano Diretor. Antes, é a construção de uma linha de raciocínio que visa expor os “problemas” da administração anterior, à qual ele fazia oposição, e, ao mesmo tempo, jogar sobre a então atual administração a responsabilidade pela resolução de todos aqueles problemas. Deve-se ressaltar ainda, que a publicação desse discurso num periódico de grande circulação no município, teve, evidentemente, a intenção de tornar públicas as opiniões políticas do vereador e, principalmente, do desejo de conseguir articular a força popular a seu favor, usando para isso, um discurso bastante pertinente para o momento, de quem tem a melhor estratégia para solucionar os problemas da cidade, mas não tem poder para realizá-la sozinho.
No dia 23 de outubro de 1993, o arquiteto e professor do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFV, Ítalo Stephan, também publicou um artigo no jornal Folha da Mata, acerca dos problemas urbanos de Viçosa e da urgência de que se criasse para a cidade o Plano Diretor:
Não chega a ser novidade nenhuma quando ouvimos, por parte de quem vem a Viçosa, falar da decepção que se tem logo ao chegar à cidade. A expectativa que uma Universidade do porte da UFV gera, nos visitantes ou futuros moradores, é de se encontrar uma realidade bastante diferente. E para quem se dirige ao Campus, logo ao chegar, imediatamente percebe o contraste. Para quem necessitará procurar um imóvel para morar, conhecerá uma situação ainda mais acentuada enquanto percorrer os seus bairros. [...] Os problemas vão ficando cada vez mais críticos, enquanto convivemos sem o Plano Diretor Urbano [...]. São consequências diretas desta anarquia, dentre outras, a destruição dos
40
exemplares de uma cultura que a cidade já teve e vai esquecer (vide os casarões da Avenida Santa Rita, da Rua Gomes Barbosa, do Balaústre), o adensamento da população na área central, que provocará mais engarrafamento, saturará a infraestrutura de serviços urbanos [...], exigindo novas e caras obras; ou seja, infelizmente a qualidade de vida tende a piorar continuamente. [...] A realidade encontrada contradiz com o alto grau de exigências que grande parte da população possui, como os familiares dos professores universitários, por exemplo, e com os inúmeros estrangeiros que aqui vêm. [...] Queremos acreditar no início destas medidas o quanto antes, para não tornarmos inviáveis as chances que ainda temos de criar melhores condições de vida, que uma cidade deste porte e de destaque indiscutível no cenário nacional, tem a obrigação de oferecer aos seus habitantes. Certamente isto só poderá acontecer como resposta às cobranças de uma comunidade consciente de seu papel ativo.
Se hoje somos o resultado do que foi feito no passado, como seremos julgados lá pelos anos 2.010, 2.050, 2.700, 19.930...?44
Aqui, mais uma vez percebe-se a defesa da elaboração de um Plano Diretor para Viçosa, no intuito de organizar seu crescimento e prover qualidade de vida a seus moradores e visitantes. Também é possível inferir que o arquiteto Ítalo Stephan tenha utilizado o mesmo argumento que o vereador Euter Paniago, aludindo à atividade turística e manifestando sua preocupação quanto aos problemas de infraestrutura urbana para um município que estava investindo no turismo naquele momento.
Sabendo disso, torna-se clara a apelação do discurso: “quem vem à cidade por causa da UFV fica decepcionado com a cidade que encontra”. Esse objetivo de tocar no “ponto fraco” da Prefeitura Municipal fica tão explícito que, embora o arquiteto esteja defendendo o Plano Diretor, cita como exemplos desses habitantes, os “familiares dos professores universitários e os estrangeiros que vêm para Viçosa”. Considerando-se que o principal objetivo daquele dispositivo legal é promover melhor qualidade de vida aos habitantes da cidade, as colocações do articulista deixam escapar que pode haver outros interesses em jogo. Ou seja, seria um “recado” direto ao Prefeito, o qual estava naquele momento, tentando captar recursos para o município através do desenvolvimento do setor turístico: “pense na imagem que a cidade precisa fazer para os que vêm de fora”. O final do artigo também parece ter essa mesma intenção, ou seja, a Viçosa problemática de 1993 era fruto das más administrações anteriores; e quanto àquela administração? Como desejaria ser lembrada pela posteridade?
Em artigo no qual apresenta o processo de concepção do Plano Diretor de Viçosa