O sistema de saúde pública no município de Vitória da Conquista encontrava-se, até Outubro de 1999, em Gestão Plena de Atenção Básica à Saúde, nível básico de gestão na hierarquização do sistema público de saúde no Brasil.
Em Setembro de 1999, a Secretaria Municipal de Vitória da Conquista realizou um grande avanço, atingindo a condição de Gestão Plena do Sistema Municipal de Saúde (em vigor a partir de Outubro de 1999), quando passou a receber, diretamente da União no Fundo Municipal, as parcelas de recursos correspondentes a sua própria população mais o valor correspondente aos atendimentos das referências intermunicipais, condicionada ao cumprimento do Termo de Compromisso para Garantia ao Acesso. Para tornar este feito possível, a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia coordenou a organização de sucessivas reuniões e negociações envolvendo prefeitos e secretários municipais de saúde de 41 municípios, para acordar as cotas de internações hospitalares a serem realizadas em Vitória da Conquista. Na prática, firmou-se um consórcio programático entre Vitória da Conquista e seus municípios vizinhos, coordenado pela Secretaria de Saúde do Estado da Bahia.
Alcançando esse estágio de gestão, a Secretaria Municipal de Saúde de Conquista passou a ter maior autonomia para gerir os recursos provindos do Estado e da União, condicionada sempre ao cumprimento das metas firmadas no Planejamento Pactuado Integrado juntamente com o Estado (BRASIL, 2001).
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RE L A T Ó R I O D E PE S Q U I S A Nº 1/ 2003 Segundo declaração de Washington Couto, secretário adjunto de Saúde de Vitória da Conquista, em entrevista para este projeto:
“A gestão plena é um estágio que a gente considera mais adequado porque é na gestão plena onde o município, ele detém este poder de gerir os recursos, ver qual a melhor estratégia de saúde dentro dos seus municípios, enfim, adequar a realidade de saúde de seu município, realidade local, a gestão local, tudo aquilo que o próprio Ministério da Saúde preconiza que é a saúde a todos, que é desenvolver todos os programas de saúde (...) agora a vantagem maior é essa de reduzir os custos para o SUS que isso é muito bom para a gente, vai sobrar para investir em outras áreas e ter essa garantia do acesso e do atendimento inclusive que é uma coisa constitucional, está na lei, na própria lei de criação do SUS.”
Ao comentar este processo e se há vantagens para o município na descentralização, Polyana Gonçalves dos Santos Gusmão, Gerente da Unidade da Policlínica de Atenção Básica de São Vicente de Vitória da Conquista declara que:
“...Muita (vantagem), principalmente depois que veio a plena, a gente viu que quando a gente só tinha a parte básica a gente caminhou muito e depois da plena a gente está caminhando muito mais porque na rede hospitalar hoje o atendimento é outro. Tem as suas falhas? Tem. Mas melhorou muito, muito, muito. Hoje a gente tem o que: tem o resgate que atende em Conquista todos os casos de acidente, é uma UTI montada e daqui a algum tempo a gente vai ter uma que possa transportar o paciente daqui para Salvador, daqui para Itabuna, coisas que não são feitas ainda em Conquista.”
Aluisio Meira de Araújo, Diretor da 20ª DIRES, com sede em Vitória da Conquista, ao comentar o processo de descentralização e a função das DIRES, declarou que: “Eu vejo com bastante otimismo, eu acho que melhorou bastante para toda a comunidade porque o recurso hoje ele é repassado fundo a fundo, então o prefeito e
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RE L A T Ó R I O D E PE S Q U I S A Nº 1/ 2003 o secretário municipal de saúde tem como utilizar o recurso de uma forma mais eficiente. Como falávamos anteriormente, esse recurso é repassado hoje fundo a fundo direto do Ministério da Saúde para o município sem atravessadores, o município tem uma conta específica para receber o recurso do Ministério da Saúde e é feito um plano para aplicação desse recurso. Nesse plano é feito um pacto entre o Ministério e os municípios, um plano de cumprimento de metas. Então todo município tem que ter esse plano, chama Plano Municipal de Saúde que vai, um plano também anual de gestão, que vão confirmar a aplicação devida dos recursos no cumprimento daquelas ações de vacinação, controle de hipertensão, controle de diabetes, controle da hanseníase, controle da tuberculose, planejamento familiar, prevenção do câncer, todos esses programas, programa de saúde da família, programa de agente comunitária de saúde, todos esses programas estão englobados nesses planos.”
Gestão Plena do Sistema Municipal de Saúde - GPSM
De acordo com o Plano Diretor de Regionalização do Estado da Bahia, Vitória da Conquista é o município-pólo da microrregião Vitória da Conquista que, por sua vez, faz parte da macrorregião Sudoeste. Vitória da Conquista é ainda referencial da sua microrregião, ou seja, é o município com melhores condições tecnológicas e estrutura física para o atendimento na saúde. Municípios vizinhos pactuados convergem para Vitória da Conquista para obterem atendimento de média complexidade. Quando os casos são de alta complexidade, Vitória da Conquista referencia para outros centros habilitados para o atendimento da especialidade requerida.
Os pactos são ferramentas utilizadas entre os municípios para garantir o serviço de saúde, de qualquer nível de complexidade, para todos os cidadãos oriundos de municípios habilitados ou não para o fornecimento direto de serviços de média ou alta complexidade. Esses pactos são realizados na esfera estadual, quando o Estado acorda com os municípios pactuados uma cota limite de encaminhamentos ao
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RE L A T Ó R I O D E PE S Q U I S A Nº 1/ 2003 município-pólo. Os repasses financeiros de Município para Município dependem do estágio de gestão em que o município em questão se encontra.
A demanda de serviços de média complexidade é atendida através da Central de Marcação de Consultas e Procedimentos Especializados (CMC), administrada pelo próprio município-pólo, no caso Vitória da Conquista. Quando o requerente é de um município pactuado, o médico ou a pessoa responsável pela marcação de consulta deste município liga para a CMC e realiza essa marcação fornecendo dados sobre o paciente e respectivo requerente, permitindo que essas informações sejam armazenadas no banco de dados da própria CMC. Nos casos em que o requerente é um responsável pelo atendimento básico do próprio município, o médico preenche a solicitação do procedimento especializado, encaminha–a para o responsável pela marcação no posto de saúde e através do serviço de malote, todas as demandas de consultas do dia vão para a CMC, onde os funcionários realizam a triagem de acordo com a urgência da marcação e posteriormente a efetuam o agendamento diretamente com os profissionais.
O Sistema de Gestão Plena do Sistema Municipal de Saúde só tem trazido resultados positivos. Dentre estes, o aumento progressivo da utilização dos serviços do SUS em Vitória da Conquista, pelos atuais 50 municípios pactuados. Este crescimento e a manutenção desta integração é intermediada por reuniões com os secretários municipais de saúde da região, nas quais se discutem procedimentos adequados e realizam-se avaliações constantes.
Polyana Gonçalves dos Santos Gusmão, Gerente da Unidade da Policlínica de Atenção Básica de São Vicente de Vitória da Conquista, ao comentar a diferença entre o sistema atual municipalizado e o sistema anterior ligado ao SUS, coloca os seguintes pontos:
“Antes da municipalização a gente via que não se conseguia, principalmente consultas especializadas, não se conseguia fazer aqui, não tinha uma organização de
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RE L A T Ó R I O D E PE S Q U I S A Nº 1/ 2003 esporte e saúde, não existia o programa de saúde da família, não tinha o programa de agentes comunitários e com a municipalização, quando veio a plena, melhorou mais ainda tanto atendimento hospitalar como da parte toda especializada que é oftalmologista, neurologista, exames transvaginais, mamografia, tomografia, coisa que na época do INPS a gente não via aqui, esses exames de alta complexidade a gente não tinha. Em 97 era quase que praticamente zero a esquerda, não existiam esses procedimentos, a gente não tinha central de ambulância, que a gente tem hoje, a gente tem central de leitos, hoje a gente tem um resgate...”