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A primeira comissão a ser analisada é a Comissão de Assuntos Econômicos. A ordem

das Comissões apresentadas foi definida, por nós, aleatoriamente. Com relação aos pareceres

favoráveis emitidos, observados nas figuras 2.2.1 e 2.2.1.1

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, sobre a vizinhança, temos que o

degree

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médio da rede é igual a dois, ou seja, nesta rede cada senador está ligado em média a

dois outros senadores. A densidade da rede é baixa e igual a 0,016129, ou seja, de todas as

conexões possíveis na rede, apenas 1,6129% existem de fato. A ligação mais intensa nessa

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As figuras apresentam as mesmas conexões, sendo que, na segunda, para uma melhor vizualização, decidimos

aplicar uma escala de cinza para que as relações mais intensas apareçam de forma mais escura e as menos

intensas de forma mais clara, além da expessura das setas indicando as mais grossas relações mais fortes e as

mais finas relações de intensidade menor. Sempre que este recurso for necessário o empregaremos nas redes

subseqüentes. Em determinados casos também apresentaremos uma outra rede com os nomes dos senadores

substituídos por índices.

rede é entre a Senadora Ana Júlia Carepa (PT-PA) e o Senador José Agripino (DEM-RN), na

qual se observa que a Senadora ofereceu quatro pareceres favoráveis àquele representante do

Democratas. Pelo fato de esperarmos que senadores de bases aliadas e regiões geográficas

semelhantes ofereçam apoio aos seus pares. Esta ligação nos chama a atenção pois os agentes

são de bases políticas e regiões geográficas distintas. Podemos suspeitar que trata-se de uma

evidência fraca de apoio onde a Senadora receberia o retorno pelos quatro pareceres

oferecidos em outro período ou campo de atuação.

Sobre a centralidade da rede, temos que a centralização de degree é igual a 0,14992.

Esse índice varia de zero a um e quanto maior o seu valor, mais centralizada é a rede, ou seja,

a rede apresentada aqui não possui grande centralidade.

Observando a representatividade dos senadores, extraímos a princípio a direção das

conexões, de onde vemos que o Senador César Borges (PR-BA) está conectado a outros onze

senadores. Entretanto, qual o valor referente a pareceres favoráveis emitidos e recebidos? Ou

seja, queremos saber se o Senador emitiu mais pareceres que recebeu. A medida de indegree,

que nos passa o número de setas direcionadas ao agente, ou seja, o número de colegas que

enviaram pareceres para o Senador em questão, é igual a onze, isto é, todas as conexões desse

Senador são de pareceres recebidos. Com relação ao outdegree, vale dizer, quanto a quem

mais enviou pareceres, temos o Senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) enviando pareceres

positivos a quatro colegas no período.

Figura 2.2.1 - CAE Pareceres favoráveis

Figura 2.2.1.1 – CAE Pareceres favoráveis – escala de cinza

Circular – elaboração própria, a partir de dados do Senado Federal.

Observada a rede de pareceres favoráveis, partiremos agora para a análise dos

senadores que possuem uma relação intensa, entretanto negativa. A rede de pareceres

contrários, apresentada na Figura 2.2.2, possui uma densidade relativamente menor que a rede

de pareceres favoráveis. Aqui a densidade é igual a 0,0079365, ou seja, de todas as conexões

possíveis apenas 0,79365% se realizaram.

Cada agente está ligado na média a outros 0,984127 senadores. Disto concluímos que,

na Comissão de Assuntos Econômicos, os agentes apresentaram uma atividade parlamentar

mais intensa no oferecimento de pareceres positivos, em detrimento de pareceres negativos.

O agente que recebeu o maior número de pareceres negativos foi o Senador Paulo

Paim (PT-RS), com seis colegas lhe emitindo este tipo de voto. Os Senadores que oferecem o

maior número destes pareceres negativos foram os Senadores João Ribeiro (PR-TO),

Garibaldi Alves (PMDB-RN) e Antonio Carlos Valadares (PSB-SE). Nesta rede não

encontramos uma ligação forte entre um par específico de senadores.

Figura 2.2.2 – CAE Pareceres contrários

KK separate components – elaboração própria, a partir de dados do Senado Federal.

Figura 2.2.2.1 – CAE Pareceres contrários

KK separate components – elaboração própria, a partir de dados do Senado Federal.

Por estarmos analisando os pareceres favoráveis e contrários, surge a necessidade de

elaborarmos um saldo de pareceres, a fim de concluir se dado senador possui

representatividade na Comissão como um todo, ou seja, não podemos considerar um senador

que recebeu 20 pareceres favoráveis, por exemplo, como o maior expoente da Comissão, se

ele recebeu 30 pareceres negativos, no mesmo período de análise. Para isto, devemos elaborar

uma “rede geral” da comissão que trata do saldo de pareceres emitidos. No hipotético

exemplo acima, o senador em questão teria um saldo de -10, ou seja, ao computarmos seus

sucessos e fracassos, o agente teve um resultado, na média, pendendo ao fracasso, no valor de

dez pareceres contrários aos seus projetos. As figuras seguintes apresentam o saldo de

pareceres na Comissão de Assuntos Econômicos.

Figura 2.2.3 – CAE Saldo de pareceres

Figura 2.2.3.1 – CAE Saldo de pareceres – escala de cinza

Circular – elaboração própria, a partir de dados do Senado Federal.

A densidade da comissão como um todo é igual a 0,0212494, ou seja, na Comissão de

Assuntos Econômicos os agentes não interagem fortemente entre si, pois de 100 conexões

possíveis apenas 2,12494 se realizam. Vale citar que uma rede de densidade máxima em uma

comissão de grande movimento é muito difícil, pelo elevado número de projetos que são

apresentados. Seria inviável que todos os Senadores interagissem entre si. Encontramos nesta

rede 83 conexões entre 63 senadores diferentes.

Na comissão em análise, cada senador interage na média com 2,6349206 outros

senadores; consequentemente, essa rede é pouco concentrada, fato este comprovado pelo

baixo índice de centralização de degree (0,13934).

Após apurado o saldo nessa rede, os principais atores, sejam como emissores ou

receptores de parecer, são os Senadores César Broges (PR-BA) e Paulo Paim (PT-RS), com

onze ligações ao todo.

Considerando os agentes como emissores de pareceres, o outdegree, os Senadores

Valdir Raupp (PMDB-RO), Flexa Ribeiro (PSDB-PA), Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) e

Eduardo Azeredo (PSDB-MG) aparecem no topo da lista como tendo emitido pareceres, cada

um para quatro colegas distintos.

Buscando uma medida de popularidade (pelo número de colegas que lhes enviaram

pareceres) através do indegree, os Senadores Paulo Paim (PT-RS) e César Broges (PR-BA)

aparecem como os primeiros em pareceres recebidos, de onze e nove colegas

respectivamente. Entretanto, o primeiro senador, como vimos, possui seis conexões negativas

e cinco positivas, o que pode nos levar a algum equívoco sobre sua popularidade, de forma

geral.

Pela medida de centralidade próxima para cada senador, de forma individual

observamos que o ponto com o maior valor observado, ou seja, os pontos mais centrais da

rede, são os de núemro 45 [Paulo Paim (PT-RS)], e 11 [César Broges (PR-BA)].

A relação mais intensa se repete com a Senadora Ana Júlia Carepa (PT-PA) e o

Senador José Agripino (DEM-RN), para a qual se observa que a Senadora ofereceu quatro

pareceres favoráveis ao representante do Rio Grande do Norte. A medida de betweenness nos

mostra que existem poucos vértices pouco conectados, mas que poderiam servir de ponte

entre outros agentes. Notamos que, nessa comissão, a relação mais intensa não se dá entre

agentes do mesmo partido ou região geográfica.

Os pontos sem qualquer conexão na rede podem ser interpretados, por exemplo como

senadores que apresentaram projetos de lei no período, mas não obtiveram parecer em tempo

hábil para entrar no escopo deste estudo.

Como um dos objetivos deste trabalho é testar a proposição do logrolling, buscamos

uma medida que nos mostre a reciprocidade das trocas de maneira nítida, vale dizer, as trocas

efetivamente realizadas. Supondo o exemplo de o saldo de A para B ser +5, teremos que obter

o saldo de B para A, imaginando que B tenha emitido sete pareceres positivos para projetos de

autoria de A e três contrários, teríamos então um saldo positivo de magnitude quatro

(+quatro). Neste caso, para computar a troca de votos entre os agentes A e B, sendo o saldo de

A→B igual a +5 e o saldo de B→A igual a +4, podemos então computar como troca de votos

em projetos de lei para a dupla em questão o valor +4. Sendo assim, para obtenção do saldo

de trocas, devemos subtrair do maior valor o menor. Este é nosso parâmetro para identificar

fortes evidências de trocas entre os senadores. Entretanto, outras tendências poderão ser

observadas que poderemos classificar como evidências fracas de troca, como por exemplo, a

relação unilateral já identificada no grafo de pareceres favoráveis desta comissão que nos leva

a crer que o forte apoio oferecido aqui seja retribuído em outro campo ou tempo.

Utilizando esse método, podemos concluir que na Comissão de Assuntos Econômicos

não foram observadas trocas nítidas de votos entre os parlamentares.