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A seguir faremos a análise da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania. Esta

comissão foi a que teve o maior número de projetos de lei apresentados e analisados, durante

o período compreendido. As figuras 2.4.1 e 2.4.1.1 apresentam a rede obtida com base apenas

nos pareceres favoráveis oferecidos nesta comissão.

A densidade da rede é de aproximadamente 2,20%, os agentes possuem, na média, um

baixo grau de relação com seus pares, dado que a medida responsável por esse indicador nos

mostra que cada senador se liga a outros 2,89 colegas, quando o assunto é a emissão e

recepção de pareceres favoráveis.

Podemos observar uma forte conexão entre os Senadores Demóstenes Torres (DEM-

GO) e Pedro Simon (PMDB-RS), pois, no período, o senador de Goiás apresentou oito

pareceres favoráveis ao colega gaúcho. O fato curioso é que ambos são de partidos, bases e

regiões diferentes, o que nos leva a crer que esta relação possua um caráter a princípio não

captado pelo modelo e nos leva a afirmar mais uma vez que trata-se de uma evidência fraca de

troca de apoio parlamentar. O Senador Demóstenes também figura na lista das próximas

relações mais intensas da rede. Oferecendo três pareceres favoráveis ao colega Tasso

Jereissati (PSDB-CE) e recebendo o mesmo número do colega João Batista Motta (PSDB-

ES), notamos que, com exceção da primeira relação citada, as outras são feitas entre agentes

de partidos aliados, mas não de senadores pertencentes aos mesmos estados da federação.

Desconsiderando-se a emissão ou recepção de pareceres, o agente com o maior

número de conexões é o Senador Demóstenes Torres (DEM-GO) – 18, no total – aparecendo

em segundo lugar o Senador Paulo Paim (PT-RS) – com 10 conexões. Se considerarmos a

recepção de pareceres favoráveis, a posição é invertida, com o senador gaúcho recebendo

pareceres positivos de nove colegas e o senador goiano de sete; na terceira posição aparecem

empatados os Senadores Pedro Simon (PMDB-RS) e Gerson Camata (PMDB-ES), com um

indegree igual a cinco. Os senadores que apresentam um maior número de conexões, quando

nos voltamos a emissão de pareceres, são os senadores Demóstenes Torres (DEM-GO) e José

Maranhão (PMDB-PB): o primeiro enviou pareceres positivos a doze colegas distintos,

enquanto o segundo agiu dessa forma com sete senadores. Nesta rede o ponto central é o

Senador Demóstenes, possuindo a maior medida de centralidade próxima. O Senador também

possui a maior medida referente a atuação como “ponte” ou elo entre os colegas.

Figura 2.4.1 – CCJ Pareceres favoráveis

Circular – elaboração própria, a partir de dados do Senado Federal.

Figura 2.4.1.1 – CCJ Pareceres favoráveis – escala de cinza

Circular – elaboração própria, a partir de dados do Senado Federal.

Ao analisarmos os votos em contrário na CCJ (figuras 2.4.2 e 2.4.2.1), observamos

que nesta Comissão os agentes se ligam a outros vértices, em média, em menor escala que na

rede de pareceres favoráveis. A ligação mais intensa corresponde aos três pareceres contrários

emitidos pelo Senador Álvaro Dias (PSDB-PR) ao colega Marcelo Crivella (PRB-RJ).

A figura de menor popularidade é o Senador Pedro Simon (PMDB-RS), pois recebe

pareceres contrários de sete colegas diferentes, sendo seguido pelos senadores Demóstenes

Torres (DEM-GO), Marcelo Crivella (PRB-RJ) e Magno Malta (PR-ES), que possuem, cada,

um indegree de magnitude quatro. O Senador Demóstenes Torres, além de receber pareceres

contrários de quatro colegas, emitiu este tipo de parecer a oito colegas distintos. Nesta rede,

praticamente empatados na primeira colocação quando o assunto é centralidade, estão os

senadores Pedro Simon (PMDB-RS) e Demóstenes Torres (DEM-GO).

Figura 2.4.2 – CCJ Pareceres contrários

Figura 2.4.2.1 – CCJ Pareceres contrários – escala de cinza

Circular – elaboração própria, a partir de dados do Senado Federal.

Extraindo o saldo de pareceres chegamos às figuras seguintes:

Figura 2.4.3 – CCJ Saldo de pareceres

Figura 2.4.3.1 – CCJ Saldo de pareceres – escala de cinza

Circular – elaboração própria, a partir de dados do Senado Federal.

De uma maneira geral, a rede apresenta uma baixa densidade, ou seja, é a comissão

com o maior número absoluto de pareceres emitidos no período, mas esses pareceres são

emitidos por um grupo seleto de agentes dentro da rede, isto é, a interação entre todos os

Senadores na CCJ não á alta. Cada agente se liga em média a 1,91 colegas. A relação mais

intensa compete aos senadores Demóstenes Torres (DEM-GO) e Pedro Simon (PMDB-RS).

Notamos que são parlamentares de bases e regiões distintas.

As análises nos mostram que o Senador Paulo Paim (PT-RS) recebeu pareceres

favoráveis de nove colegas e apenas três colegas lhe ofereceram pareceres contrários. Dessa

forma, o Senador apresenta um saldo positivo igual a seis. O Senador Pedro Simon (PMDB-

RS) recebeu pareceres favoráveis de cinco colegas, mas aparece na lista como o que mais

possui ligações negativas – sete ao todo. O Senador Demóstenes, figura importante na

comissão, apresenta um saldo de indegree igual a três. Assim, o Senador mais popular na

comissão é Paulo Paim (PT-RS). Entretanto, aqui, o Senador Paulo Paim não possui um papel

de centralidade nem de elo entre seus colegas; essas posições são ocupadas respectivamente,

uma vez mais, pelos Senadores Pedro Simon (PMDB-RS) e Demóstenes Torres (DEM-GO).

Testando a hipótese de que os senadores trocam votos, encontramos, assim como na

Comissão de Assuntos Sociais, apenas duas reciprocidades entre os vértices. A primeira foi

observada entre os Senadores Romeu Tuma (PTB-SP) e Pedro Simon (PMDB-RS); o

primeiro emitiu um saldo de um parecerer favorável ao segundo, recebendo em troca a mesma

quantidade. A segunda reciprocidade se deu entra os Senadores Jefferson Peres (PDT-AM) e

Marcelo Crivella (PRB-RJ): o primeiro emitiu um saldo de magnitude um, positivo, para o

segundo, recebendo deste um saldo de mesma magnitude, porém negativo. Isso posto,

observamos uma reciprocidade entre os senadores, mas não uma troca de apoio. O grafo das

trocas observadas é apresentado na figura a seguir e não requer maiores análises sobre suas

ligações .

Figura 2.4.4 – CCJ Saldo de trocas de pareceres

KK separate components – elaboração própria, a partir de dados do Senado Federal.

Como conclusão do teste do logrolling, afirmamos que não possuímos evidências

fortes que nos levam a crer que este seja praticado nesta comissão, posto que apenas uma

troca de pequena intensidade foi observada. Observamos também que os senadores mais

atuantes nesta comissão são os Senadores Demóstenes Torres (DEM-GO), Pedro Simon

(PMDB-RS) e Paulo Paim (PT-RS).