• Sonuç bulunamadı

TÜRKİYE VE AVRUPA’DA MOTORLU TAŞIT SİGORTALAR

3.5. Türkiye’de Trafik Sigortası Bilgi Merkezi (TRAMER)

3.5.1. Kuruluş Amacı

A administração constitui fator de grande importância na direção dos negócios: de todos os negócios, grandes ou pequenos, industriais, comerciais, políticos, religiosos ou de outra qualquer índole.

Fayol

Significando inicialmente administrar, dirigir, conduzir, o termo ‘gestão’ remete atualmente a certo tipo de relação com o mundo, com os outros e consigo mesmo. [...] Ela constitui um poder característico da sociedade hipermoderna.

Gaulejac

A importância de Fayol que há quase um século escrevia sua obra de referência para a consolidação do pensamento administrativo ocidental é hoje inegável. Sua obra foi publicada com o título de Administração Industrial e Geral, sobre a qual Morin (1989) diz ser a obra

que socializa a “invenção de um francês”: a Administração. Morin (1989) reclama uma

reparação da parte da sociedade pela desconsideração, por quase metade do século XX, das

Administração Administrador Atividades: Planejamento, Orientação Cooperação, Supervisão Ciência Filosofia Cooptador Planejador Professor (demonstrador) Cooperador

58 ideias de Fayol: “seu pensamento, elaborado e definido na segunda metade do século XIX, só se impôs quando retomado pelas business schools americanas, nos anos [19]60. Este paradoxo merece atenção e o autor, reparação” (MORIN, 1989, p. 11).

A obra traz como subtítulo a síntese de Fayol (1989) sobre Administração, em que ele a delimita, ao mesmo tempo em que a pluraliza, pela adição de conceitos: administração como previsão, organização, comando, coordenação e controle, as conhecidas funções administrativas, reproduzidas com frequência nas disciplinas propedêuticas dos cursos de Administração. Uma leitura atenta da obra permite a identificação de outras temáticas que servem de fundamento e justificativa das citadas funções.

Inicialmente, é importante observar que Fayol (1989) admitia e se incomodava com a indefinição que envolvia a Administração (ver Quadro 9), fato que considerava como o problema a ser enfrentado e que o mobilizou a escrever a obra: “é necessário, pois, formular o mais rapidamente possível uma doutrina administrativa. [...] Espero que destes estudos surja

uma doutrina” (FAYOL, 1989, p. 38-9).

Ele fala de certa amplitude da matéria administrativa em contraposição à delimitação precisa, e mais simplificada, das outras funções ou operações da empresa (A27, A28). Ao mesmo tempo em que era indefinida, a Administração também era necessária, na visão de Fayol (1989), à sociedade, e, em especial, às organizações, desde a empresa até ao Estado (A29). Esta indefinição da Administração se expressava também pela dificuldade de aferição da contribuição do trabalho do Administrador para o resultado final da empresa, o que Fayol (1989) contrapunha à facilidade de medição do trabalho de um operário. Por conseguinte, ele punha em relevo a dificuldade de determinação do grau de responsabilidade daquele que administra (A30).

Quadro 9 – Temas: indefinição, amplitude

An Assertivas

A27 Uma função, designada habitualmente de Administração, cujas atribuições e esfera de ação são muito mal definidas (FAYOL, 1989, p. 25).

A28 Os cinco primeiros grupos (operações técnicas, comerciais, financeiras, de segurança, contabilidade) são bem conhecidos. Poucas palavras bastarão para delimitar as respectivas atribuições. O grupo

administrativo requer explicação mais ampla (FAYOL, 1989, p. 23).

A29 A necessidade de noções administrativas é geral (FAYOL, 1989, p.37).

59

correspondentes, a tarefa é mais árdua quando se trata de um contramestre e, à medida que se sobe na hierarquia das empresas, sendo mais complexas as operações, maior o número dos agentes que intervêm, mais remoto o resultado final, torna-se cada vez mais difícil identificar o grau de influência do ato inicial da autoridade no efeito produzido e estabelecer o grau de responsabilidade do chefe. A medida dessa responsabilidade e sua equivalência material escapam a qualquer cálculo (FAYOL, 1989, p. 45).

Fonte: Excertos da obra Administração Industrial e Geral (FAYOL, 1989).

Fayol (1989) se propôs, então, o objetivo de definir a Administração. Para tanto, inicia explicitando noções gerais sobre seis tipos de operações ou funções da empresa, das quais a Administração seria uma delas. Porém, para compreender essa noção de funções da empresa é importante compreender a representação de empresa a partir da qual Fayol (1989) constrói sua proposição das seis funções, e da Administração como uma função destacada.

A este respeito, recorre, em toda a obra, de forma muito expressiva, à metáfora da empresa-organismo (ver Quadro 10).

Quadro 10 – Tema: empresa organismo

An Assertivas

A31 Sua missão [da função de segurança] é proteger os bens e as pessoas contra o roubo, o incêndio e a inundação, e evitar as greves, os atentados e, em geral, todos os obstáculos de ordem social que possam comprometer o progresso e mesmo a vida da empresa (FAYOL, 1989, p. 23).

A32 [É dada] à capacidade técnica importância excessiva em detrimento das outras capacidades, tão necessárias e às vezes até mais úteis ao desenvolvimento e à prosperidade das empresas. [...] Muitas empresas que poderiam ter tido vida próspera morreram porque em determinado momento lhes faltou o dinheiro (FAYOL, 1989, p. 24).

A33 A obra diretiva compreende o exercício e a realização das seis funções essenciais; se uma dessas funções não é preenchida, a empresa pode perecer ou, quando não, enfraquecer (FAYOL, 1989, p. 37).

A34 [A função de Contabilidade] constitui o órgão de visão das empresas. Deve revelar, a qualquer momento, a posição e o rumo do negócio (FAYOL, 1989, p. 25).

A35 Há inúmeras operações cujo êxito depende de execução rápida; é preciso conciliar o respeito à via hierárquica com a obrigação de andar depressa (FAYOL, 1989, p. 57).

A36 As seis funções essenciais vivem em estreita interdependência (FAYOL, 1989, p. 24) Fonte: Excertos da obra Administração Industrial e Geral (FAYOL, 1989).

Para Fayol (1989), a empresa é algo que tem vida (A31), que se desenvolve (A32), mas que também pode adoecer e morrer (A32, A33). É esta morte ou mesmo um enfraquecimento que devem ser evitados, sendo o bom exercício das funções essenciais da

60 empresa (comerciais, financeiras, de segurança, de contabilidade, técnicas, administrativas) o que os evitaria (A33). A função de contabilidade, por exemplo, ele metaforiza como os olhos da empresa (A34); enquanto a de segurança protegeria a vida da empresa (A31). Ao tratar da direção, colocada por ele para além ou como estando acima da Administração, Fayol (1989) a aponta como garantidora do exercício de todas as seis funções que evitariam o perecimento da empresa (A33). Para esta empresa metaforizada como organismo, ele reclama um andar depressa (A35), numa marcha que precisa ser mantida, devendo todos os agentes serem alocados nos lugares onde rendam melhor, e, ainda, que as seis funções sejam desempenhadas numa interdependência sistêmica (A36).

Narrando as organizações nesses termos, a concepção de Administração de Fayol (1989) apresenta-se seguindo a mesma lógica metafórica sistêmica. Trata-se, para ele, de uma função (ver Quadro 11).

É assim que ele narra a Administração como função administrativa, a qual emerge objetivamente através das atividades de prever, organizar, comandar, coordenar e controlar (A37). Concebendo-a como uma função da empresa-organismo, Fayol (1989) evita confiná-la ao cargo gerencial; pois uma vez tomando-a como uma função sistêmica orgânica, ele a

entende como funcionalmente operante em todo o “corpo social” chamado empresa (A38).

Destaca, contudo, uma distinção da função administrativa em relação às demais. Na sua concepção, a função administrativa seria a única restrita às pessoas, que seriam, em sua metáfora sistêmica, tanto órgão funcional quanto o instrumento de intervenção sobre este corpo (A39).

Quadro 11 – Tema: função/corpo

An Assertivas

A37 Adotei, pois, as seguintes definições:

Administrar é prever, organizar, comandar, coordenar e controlar. Prever é perscrutar o futuro e traçar o programa de ação.

Organizar é constituir o duplo organismo, material e social, da empresa. Comandar é dirigir o pessoal.

Coordenar é ligar, unir e harmonizar todos os atos e todos os esforços.

Controlar é velar para que tudo corra de acordo com as regras estabelecidas e as ordens dadas. (FAYOL, 1989, p. 26).

A38 Assim compreendida, a Administração não é nem privilégio exclusivo nem encargo pessoal do chefe ou dos dirigentes da empresa; é uma função que se reparte, como as outras funções essenciais, entre a cabeça e os membros do corpo social. [...] A Administração não é senão uma das seis funções, cujo ritmo é assegurado pela direção (FAYOL, 1989, p. 26).

61

em jogo a matéria-prima e as máquinas, a função administrativa restringe-se somente ao pessoal (FAYOL, 1989, p. 43).

Fonte: Excertos da obra Administração Industrial e Geral (FAYOL, 1989).

Dentre o quadro de pessoal da empresa-organismo, ele destaca aqueles responsáveis pela função administrativa, e a partir daí prescreve o papel do Administrador identificando aspectos como as capacidades e qualidades exigidas para a função, e a necessidade de formação para o seu exercício (ver Quadro 12).

Quadro 12 – Temas: capacidades, qualidades, ensino

An Assertivas

A40 Qualquer que seja a função de que se trate, a capacidade principal dos agentes inferiores é a capacidade característica da função, e a capacidade principal dos agentes superiores é a capacidade administrativa (FAYOL, 1989, p. 30).

A41 Se se trata de escolher um contramestre entre os operários, um chefe de oficina entre os contramestres ou um diretor entre os engenheiros, não é nunca a capacidade técnica que decide a escolha. Verifica-se se o escolhido possui a dose necessária de capacidade técnica, mas, entre os candidatos de valor técnico quase equivalente, será dada preferência ao que for considerado superior por suas qualidades de presença, autoridade, ordem, organização e outras que são os próprios elementos da capacidade administrativa (FAYOL, 1989, p. 37).

A42 A exata avaliação das coisas, fruto do tato e da experiência, é uma das principais qualidades do Administrador (FAYOL, 1989, p. 43).

A43 A capacidade administrativa pode e deve adquirir-se, assim como a capacidade técnica, primeiramente na escola e depois na oficina (FAYOL, 1989, p. 44).

A44 Este ensino, preparando bons Administradores, não faria mais que o ensino técnico na formação de excelentes técnicos. [...] Trata-se, principalmente, de proporcionar à juventude condições de compreender e utilizar as lições da experiência. Atualmente, o novato não tem doutrina administrativa nem método e a esse respeito muitos permanecem principiantes a vida toda. É necessário, pois, esforçar-se para inculcar as noções administrativas em todas as classes sociais. A escola desempenhará, evidentemente, papel considerável nesse ensino (FAYOL, 1989, p. 39).

Fonte: Excertos da obra Administração Industrial e Geral (FAYOL, 1989).

É quando trata da função administrativa que Fayol (1989) opera a cisão entre dirigentes e dirigidos, a partir de dois critérios: (i) o da capacidade, donde distingue a capacidade do Administrador, nomeando-a como administrativa, da capacidade técnica intrínseca às demais funções; e (ii) o da hierarquia, pelo qual localiza o Administrador em níveis mais elevados (A40). Fayol (1989) qualifica a capacidade administrativa através de elementos que considera distintos dos critérios técnicos requeridos para as demais funções,

62 pondo em relevo aspectos comportamentais (A41). Ele ressalta a origem dessas qualidades no Administrador: perícia e experiência (A42). Ao distinguir a capacidade administrativa da capacidade técnica, Fayol (1989) dá os contornos sobre a formação pessoal para ambas, apontando dois espaços para sua aprendizagem: a escola e a empresa (A43). Ele narra uma sequencialidade entre esse dois espaços de formação, sugerindo uma incompletude naqueles que tenham investido apenas em uma formação. Ademais, Fayol (1989) como que prescreve o currículo de formação daquele que desempenhará a função administrativa. Ele afirma, então, três aspectos essenciais: experiência, doutrina e método (A44).

O aspecto doutrinário evocado por Fayol (1989) em relação ao ensino da capacidade administrativa é recorrente em toda sua obra (ver Quadro 13). Ele afirma a ausência de uma doutrina administrativa consagrada como fator impeditivo do ensino da Administração nas escolas (A45). Fayol (1989) destaca a experiência coletiva como o critério por excelência para validação da doutrina a ser consagrada, a qual seria composta por elementos díspares como princípios, regras, métodos e procedimentos (A46). Contudo, é nos dirigentes da época que ele localiza a fonte direta dos princípios e dos métodos que comporiam essa doutrina (A47).

Quadro 13 – Temas: doutrina, princípios, código

An Assertivas

A45 A verdadeira razão da ausência de ensino administrativo em nossas escolas profissionais é a falta de doutrina. Sem doutrina não há ensino possível. Ora, não existe doutrina consagrada surgida da discussão pública. As doutrinas pessoais não faltam. Na falta de doutrina consagrada, cada qual pode julgar possuir os melhores métodos; assim, é possível ver em toda parte, na indústria, no exército, na família, no Estado, as práticas mais contraditórias colocadas sob a égide de um mesmo princípio (FAYOL, 1989, p. 38).

A46 Doutrina consagrada, isto é, um conjunto de princípios, de regras, de métodos, de procedimentos postos à prova e controlados pela experiência geral (FAYOL, 1989, p. 38).

A47 É necessário formular o mais rapidamente possível uma doutrina administrativa. Isso não seria difícil nem exigiria muito tempo se alguns dirigentes se decidissem a expor suas ideias pessoais sobre os princípios que consideram mais adequados para facilitar a marcha dos negócios e sobre os meios mais favoráveis à realização desses princípios. A luz surgiria logo da comparação e da discussão. Mas a maior parte dos grandes chefes não tem tempo nem gosto de escrever e frequentemente desaparece sem deixar doutrina ou discípulos (FAYOL, 1989, p. 38).

A48 Para a saúde e o bom funcionamento do corpo social é necessário certo número de condições, a que se pode dar indiferentemente o nome de princípios, leis ou regras. Empregarei de preferência a palavra princípios, afastando, entretanto, de sua significação toda ideia de rigidez. Não existe nada rígido nem absoluto em matéria administrativa; tudo nela é uma questão de medida. [...] Tais princípios serão, pois, maleáveis e suscetíveis de adaptar-se a todas as necessidades. A questão consiste em saber servir-se deles: essa é uma arte difícil que exige inteligência, experiência, decisão e comedimento (FAYOL, 1989, p. 43).

63

A49 Os princípios precedentes são aqueles aos quais recorri muitas vezes. Exprimi, de modo simples, a seu respeito, minha opinião pessoal. Serão incorporados ao código administrativo a constituir-se? A discussão pública o decidirá. Esse código é indispensável. [...] Existe em toda empresa uma função administrativa a desempenhar; para tanto, é necessário apoiar-se sobre princípios, isto é, sobre verdades admitidas, consideradas como demonstradas. É o código que representa a cada instante o conjunto dessas verdades (FAYOL, 1989, p. 64).

A50 O número dos princípios de Administração não é limitado. Qualquer regra, qualquer instrumento administrativo que fortaleça o corpo social ou facilite seu funcionamento pode-se alinhar entre os princípios e durante o tempo em que a experiência o confirmar nessa posição. Qualquer modificação no estado das coisas pode determinar uma alteração dos princípios que esse estado criou anteriormente (FAYOL, 1989, p.43).

Fonte: Excertos da obra Administração Industrial e Geral (FAYOL, 1989).

Fayol (1989) insiste na necessidade de princípios, que, embora qualificando-os discursivamente como correspondentes a leis que comporiam um código administrativo, devem ser utilizados de maneira flexível, condicionados às situações, metaforizando para isso o trabalho administrativo como arte (A48, A49). Assim, Fayol (1989) alterna entre tomar os princípios como verdades admitidas (A49), tal como um ato de fé, e, ao mesmo tempo, incentiva a flexibilidade no uso de tais princípios, sendo a experiência a instância de validação do uso devido ou indevido dos princípios (A50). O ponto de convergência em relação à utilização, flexibilização e validação dos princípios tornados doutrina, acaba por ser a

funcionalidade e lógica finalista sistêmica, isto é, a “saúde do corpo social” (A50).

Finalmente, a ênfase dada por Fayol (1989) em relação à necessidade da codificação e ensino de uma doutrina administrativa vem acompanhada de uma prescrição quanto às exigências morais para aquele que administra (ver Quadro 14).

Quadro 14 – Temas: valor moral, dever, zelo, disciplina

An Assertivas

A51 A melhor garantia que um grande chefe tem contra a tentação do abuso de autoridade e de fraquezas é o seu valor pessoal e principalmente seu alto valor moral. É sabido que nem a nomeação nem o direito de propriedade conferem esse valor (FAYOL, 1989, p. 46).

A52 Não resta dúvida de que os chefes não têm necessidade de um estímulo pecuniário para cumprir todo o seu dever, mas eles não são indiferentes às satisfações materiais e é preciso admitir que a esperança de um benefício suplementar pode aumentar-lhes o zelo (FAYOL, 1989, p. 54).

A53 Mas para que ele (agente subordinado) se encontre nesse estado de espírito (de saber quando adotar o caminho do interesse geral sem considerar a via hierárquica para poder resolver as questões urgentes) é preciso que tenha sido preparado antecipadamente e que seus chefes lhe tenham dado o exemplo. O exemplo deve vir do alto (FAYOL, 1989, p. 59).

64

A54 Esses elementos que contribuem para a boa marcha de um negócio não são adquiridos unicamente na oficina; eles se formam e se aperfeiçoam também, e principalmente, fora dela: na família, na escola, na vida civil e religiosa. O patrão é levado, pois, a ocupar-se de seus agentes fora da usina e aqui aparece de novo a questão da medida. [...] A contribuição do patrão para o bem-estar do operário pode ser variada. Na fábrica, ela desenvolve-se sobre questões de higiene e conforto: ar, luz, limpeza, refeitório. Fora da fábrica, aplica-se à moradia, à alimentação, à instrução e à educação. [...] Todos os modos de retribuição que tendam a melhorar o valor e a felicidade do pessoal e a estimular o zelo dos agentes de todas as escalas devem ser objeto de contínua atenção da parte dos chefes (FAYOL, 1989, p. 55-6).

A55 É preciso ter muito tato e certa dose de virtude para incitar e manter a iniciativa de todos, dentro dos limites impostos pelo respeito da autoridade e da disciplina. O chefe deve saber sacrificar, algumas vezes, seu amor-próprio para dar satisfações dessa natureza a seus subordinados. De resto, em igualdade de circunstâncias, um chefe que sabe induzir seu pessoal ao espírito de iniciativa é infinitamente superior a outro que não o sabe (FAYOL, 1989, p. 62).

A56 O espírito público está profundamente convencido de que a disciplina é absolutamente necessária ao bom andamento dos negócios e de que nenhuma empresa poderia prosperar sem ela. Esse conceito tem sido expresso com grande vigor nos manuais militares, onde se lê: “a disciplina é a principal força dos exércitos”. Eu aprovaria sem reservas esse aforismo se fosse seguido deste outro: “a disciplina é tal como a fazem os chefes.” O primeiro inspira o respeito à disciplina, o que é razoável, mas tende a fazer perder de vista a responsabilidade dos chefes, o que é perigoso. Ora, o estado de disciplina de um corpo social qualquer depende essencialmente do valor dos chefes (FAYOL, 1989, p. 46).

Fonte: Excertos da obra Administração Industrial e Geral (FAYOL, 1989).

Fayol (1989) fala sobre o valor moral necessário àquele que gerencia, valor este que o protegeria dos riscos intrínsecos à autoridade hierárquica própria à função administrativa (A51, A56). O autor delineia os contornos deste novo tipo de profissional, o Administrador, recorrendo a dimensões que escapam à dimensão técnica, tais como dever, zelo, virtude e disciplina (A52, A55, A56). Fayol (1989) apregoa uma modelização do comportamento dos subordinados a partir do exemplo dos gerentes (A53, A56), e defende a ideia de que a ação gerencial de influenciar o comportamento dos subordinados deve transcender os limites da organização formal, incluindo a família, a escola, e a vida na sociedade como um todo (A54). Diferentemente de Taylor (1986), Fayol (1989) atrela ao trabalho gerencial a tarefa de promover a iniciativa dos subordinados, colocando a autoridade e a disciplina como os limites desse incentivo (A55). As ideias de Fayol (1989) estão sintetizadas graficamente na Figura 8:

65

Figura 8 – Concepções de Administração e Administrador em Fayol

Fonte: Elaborada pela autora.