• Sonuç bulunamadı

2. Yöntem

2.3. İşlem

O grupo de discussão é uma ferramenta importante para pesquisas realizadas com grupos em que os indivíduos partilham as mesmas experiências. Empreguei essa ferramenta em busca da compreensão das questões propostas pela pesquisa, a partir de discursos sociais

6

Alguns autores, como Recuero e Amaral, vêm desenvolvendo trabalhos de pesquisa utilizando um método denominado etnografia virtual, que estuda as práticas sociais na internet e o significado destas na vida dos participantes. Embora tenha realizado um acompanhamento das atividades das jovens no Facebook, isto não se caracteriza como etnografia virtual, uma vez que não realizei acompanhamentos sistemáticos nem entrevistas ou discussões pela internet.

produzidos coletivamente pelos sujeitos. Utilizei fotos e músicas para incentivar a produção da discussão.

Os grupos de discussão realizados com pessoas que partilham de experiências em comum reproduzem estruturas sociais ou processos comunicativos nos quais é possível identificar um determinado modelo de comunicação. Esse modelo não é casual ou emergente, muito pelo contrário: ele documenta experiências coletivas assim como características sociais desse grupo, entre outras: as representações de gênero, de classe social, de pertencimento étnico e geracional. Nesse sentido, os grupos de discussão, como método de pesquisa, constituem uma ferramenta importante para a reconstrução dos contextos sociais e dos modelos que orientam as ações dos sujeitos (WELLER, 2010, p. 58).

Depois do nosso último encontro em uma lanchonete do bairro, tive dificuldades para me reencontrar com as jovens. Estas perderam o espaço para ensaiar no CUCA por não terem participado da reunião mensal que lhes garantiria esse direito, o que estava dificultando o nosso encontro. Marcamos duas vezes no CUCA para fazermos um grupo de discussão, e elas não foram. Depois de várias tentativas, elas propuseram que nos encontrássemos no bairro, na casa de uma delas. Embora soubesse que seria mais adequado realizar o grupo de discussão no CUCA, decidi fazer na casa de uma delas por medo de adiar muito a discussão.

Esse período em que as jovens não estavam frequentando o CUCA foi de muita angústia. Temia perder o contato com elas e não conseguir dar continuidade à pesquisa. Não dispunha de dados suficientes nem de tempo para recomeçar a investigar outro grupo. Felizmente, consegui retomar o contato e dar continuidade ao trabalho de campo.

Havia planejado realizar primeiro as entrevistas e depois o grupo de discussão. Dadas às circunstâncias, resolvi inverter a ordem e realizar primeiro o grupo de discussão. Temia não conseguir realizar as entrevistas e que o contato com elas continuasse difícil, então pensei que seria adequado garantir a realização do grupo de discussão.

Saí de casa munida de câmera, dois gravadores e todo o material que havia preparado para esse momento. Optei por trabalhar com imagens e músicas relacionadas ao funk, pois sabia que despertaria o interesse das participantes.

O material era composto de trechos de músicas de funk e cartazes com fotos. Algumas fotos eram diretamente relacionadas com o funk: dançarinas famosas, casais dançando, bailes, outras eram imagens que faziam alguma relação com o corpo e sexualidade. Tanto os trechos de músicas como as fotos foram selecionados de acordo com as categorias da pesquisa: juventude, corpo, gênero e sexualidade, tendo como pano de fundo o funk.

O encontro foi marcado para oito horas da manhã, mas resolvi sair de casa um pouco mais tarde supondo que elas não estariam tão cedo à minha disposição, o que de fato ocorreu e foi registrado no diário de campo.

Combinamos que seria no sábado, na casa de Karol, às oito horas da manhã. Saí faltando pouco para oito horas com a intenção de chegar lá antes das nove horas. Quando estava próximo, liguei para Katyn para avisar que estava chegando. Ela me disse que nenhuma das jovens estava lá, havia saído e não estavam atendendo o celular. Fiquei muito desanimada, pensando que seria mais um encontro não realizado, mas fui até lá mesmo assim, com a esperança de que elas aparecem. Estava conversando com Katyn no portão da casa dela quando Thayssa apontou na esquina, ela falou que as outras duas (Karol e Renatinha) já haviam ido para a casa de Karol. Fomos todas para a casa de Karol, esta estava cuidando do sobrinho recém-nascido. Na casa de Karol moram ela, a mãe, a irmã com dois filhos e o irmão com a mulher e um filho. Agora, Renatinha está morando lá também porque teve de sair da casa da mãe por conta de um desentendimento com a irmã e o padrasto. Estavam em casa a irmã de Karol com os dois filhos e a cunhada com o filho. Fomos para o andar de baixo, onde não tinha ninguém, para podermos fazer o grupo de discussão (Diário de campo, 19/10/2013).

Sentamos em círculo no chão. Descrevi como seria realizada a atividade e disse que esta seria gravada. Em seguida, espalhei no centro do círculo os cartazes com as fotos e pedi que elas escolhessem uma com a qual se identificassem. Solicitei que elas explicassem por que haviam escolhido a foto e como elas se identificavam com esta. As jovens ficaram bastante animadas e foram logo escolhendo e comentando entre si sobre as fotos.

Percebi que o grupo de discussão realmente se apresenta como uma técnica muito importante para a pesquisa com grupos, principalmente quando os sujeitos envolvidos são jovens. Como salienta Weller (2006), os grupos de discussão são uma técnica que tem contribuído bastante em estudos com jovens e são bastante apropriados para pesquisas que têm como público-alvo estes sujeitos pelo fato de que no grupo o jovem sente maior segurança para falar de suas “experiências vividas no meio social, as experiências de desintegração e exclusão social, assim como as inseguranças geradas a partir dessas situações” (p. 246).

Algumas questões que sentia dificuldade de abordar, nomeadamente as referentes à sexualidade, foram discutidas no grupo de discussão sem que fosse preciso a minha intervenção.

Foi um momento importante para a pesquisa. As jovens falaram com mais segurança no grupo do que quando indagadas individualmente. Quando conversávamos sozinhas, elas pareciam ter receio de fazer afirmações sobre o grupo ou sobre as colegas. Muitas vezes faziam uma afirmação e queriam voltar atrás, corrigindo o que haviam falado.

Essa técnica permitiu que elas construíssem uma discussão em que todas expuseram seus pontos de vista ao mesmo tempo em que discordavam, rebatiam o que a outra falava, refletiam sobre determinado assunto, sempre ancoradas pela segurança de estarem em grupo e não sozinhas, ou seja, a responsabilidade pelo que era falado e discutido era do grupo.

O grupo de discussão põe em jogo uma idiossincrasia de grupo, ao construir e reconstruir o seu próprio discurso, sendo recomendadas em pesquisas que consideram pertinente valorizar a voz dos sujeitos, uma vez que algumas das características dessa técnica estão relacionadas com a flexibilidade, a não diretividade e a informalidade (SANTOS, 2008). Depois da atividade com as imagens, passamos a trabalhar com os trechos de músicas. Coloquei as músicas no centro do círculo, com as frentes viradas para o chão, e solicitei que cada uma das jovens pegasse uma. As músicas eram todas conhecidas por elas, mesmo as que não eram do grupo “Bonde das Maravilhas”. Elas se identificaram com as músicas, cantaram os trechos e discutiram sobre cada um.

Em pesquisas com jovens, é importante que sejam utilizadas técnicas que permitam que se expressem de forma mais espontânea e descontraída. Desse modo, as técnicas de pesquisa utilizadas buscaram se aproximar do universo das jovens e respeitar as particularidades do grupo pesquisado. Foram pensadas de forma que permitissem aos sujeitos envolverem-se e participarem ativamente do processo de construção dos dados.

Procurei não fazer perguntas diretas durante as atividades (WELLER, 2006). A partir da fala delas, fiz alguns questionamentos e conduzi a discussão quando necessário, buscando interferir o mínimo possível para que elas falassem à vontade.

A utilização de grupos de discussão como método em que os jovens conduzem a entrevista e o entrevistador busca intervir o mínimo possível, assim como o princípio de análise comparativa constante são possibilidades que permitem uma inserção do pesquisador no universo dos sujeitos e que, de certa forma, reduzem os riscos de interpretações equivocadas (WELLER, 2006, p. 252).

Terminada a atividade com os trechos de músicas, entreguei uma pequena tarjeta para cada uma com a frase “eu danço funk para...” e solicitei que elas completassem. Cada uma escreveu um pequeno trecho explicando para que dançava funk. Atividades com escrita não funcionaram muito bem. Realizei duas tentativas e obtive pouco resultado. Embora estejam cursando entre sexto e o oitavo ano, as jovens têm bastante dificuldade com a escrita. Além de escreverem pouco, nas vezes que foram solicitadas por mim, muitas coisas eram bastante difíceis de compreender, dados os erros de ortografia.

Fiquei satisfeita com o resultado de mais essa empreitada na construção dos dados da pesquisa, apesar de ficar sempre com a impressão de que poderia ter sido melhor. A cada passo, dado convencia-me que pesquisar se aprende pesquisando, como nos sugere Sales e Damasceno (2005) em “O caminho se faz ao caminhar”. Esse livro traz importantes contribuições para nós, pesquisadores iniciantes, apresenta a realização de varias técnicas de trabalhos de campo e sugere ao leitor um novo modo de fazer pesquisa, utilizando-se de sua criatividade na busca de “novas formas de caminhar”.

A cada atividade que não funciona como o planejado, a cada pergunta mal elaborada em uma entrevista, vamos aprendendo a melhor forma de fazê-lo. Vamos aprendendo também que cada grupo é único e muitas vezes o que funciona com determinado grupo não funciona com outro. Por isso, a importância de nos deixarmos conduzir pelos sujeitos, por suas características e singularidades. Elas nos apontam qual o melhor caminho a seguir.

Como afirma Peirano (1995, p. 21), “não há propriamente como ensinar a fazer pesquisa de campo”. A experiência de campo, entre outras coisas, depende da biografia do pesquisador, das suas opções teóricas, do contexto histórico mais amplo e das imprevisíveis situações que se configuram no decorrer da pesquisa entre pesquisador e pesquisandos.

No entanto, através de trabalhos de outros/as pesquisadores/as, podemos nos apropriar das experiências no sentido de não cometer erros já cometidos por eles/as e de nos inspirarmos no modo como conduziram os seus trabalhos. Nesta pesquisa, apoiei-me em alguns trabalhos de autores/as conhecidos/as, como as teses de Gilberto Velho, Juarez Dayrell e Nilda Stecanela; bem como nos trabalhos desenvolvidos por minha orientadora, Celecina Sales, e por seus/suas demais orientandos/as, meus/minhas colegas de mestrado/doutorado. As discussões e experiências partilhadas durante as disciplinas, grupo de estudo e até as conversas realizadas nos corredores foram importantes contribuições para o meu aprendizado e, consequentemente, para a realização deste trabalho.

Benzer Belgeler