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Kur‟an-ı Kerimde açık bir şekilde ya da dolaylı olarak Müslüman-gayrimüslim

GAYRĠMÜSLĠMLERLE EVLĠLĠK KONUSUNDAKĠ GÖRÜġLERĠ

5. Kur‟an-ı Kerimde açık bir şekilde ya da dolaylı olarak Müslüman-gayrimüslim

Em 1992, a Fundação da American Express identificou o Brasil como um país com potencial turístico para receber o programa de turismo nas escolas públicas, com a finalidade de ofertar cursos livres para estudantes, tendo em vista a inserção dos jovens no mercado de trabalho e a melhoria na prestação de serviços no setor de turismo. Para garantir o sucesso da proposta, houve uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE) com a finalidade de ouvir os empresários do setor com relação às expectativas dos potenciais empregadores (trade turístico, ou seja, as empresas da área) à formação dos jovens para ingressar no mercado de trabalho. A pesquisa também visava identificar o público potencial que receberia os cursos.

No ano seguinte, em 1993, foi criado o Instituto de Academias Profissionalizantes (IAP), uma entidade pública federal responsável pela coordenação do programa nacional de turismo. Para a implantação dos projetos relativos ao turismo e hospitalidade74, foi criada a Academia de Viagens e Turismo-BR (AVT-BR). Entre os anos de 1993 a 1995, foi implantado um projeto piloto acompanhado pela Fundação da American Express. Verificou- se, então, que para viabilizar o programa seria pertinente contar com uma gestão próxima a uma universidade, com pesquisadores e professores que atuassem junto às escolas públicas na formação contínua e produção de materiais pedagógicos. Nesse contexto, a proposta chegou ao Laboratório de Ensino e Material Didático (LEMADI), do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Na época, a Professora Dra. Regina Araújo de Almeida atuava como coordenadora do LEMADI e foi ela quem recebeu o programa e desenvolveu a proposta acadêmica a partir de 1995.

Essencialmente, o programa nacional era responsável pela oferta de cursos livres e gratuitos de turismo aos professores e alunos de escolas públicas, em sua maioria localizada no estado de São Paulo. Explica-se: os cursos voltados aos docentes aconteciam na sede da AVT-BR e nas dependências do Departamento de Geografia da FFCH/USP, localizadas na cidade de São Paulo. Os projetos eram implantados para complementar o currículo regular do ensino Fundamental e Médio de escolas públicas (FONSECA FILHO, 2007a).

A AVT-BR, no período de 1995 a 2005, desenvolveu programas em mais de vinte cidades, com mais de seis mil alunos, de quarenta e oito escolas públicas do Brasil. Os

74 Houve por parte do IAP a intenção de abrir outras academias, com temáticas emergentes na época como

projetos foram desenvolvidos em Águas de São Pedro-SP, Apiaí-SP, Barueri-SP, Caraguatatuba-SP, Diadema-SP, Guarujá-SP, Ilha Grande-RJ, Itapetininga-SP, Ourinhos-SP, Paraty-RJ, Pirapora-SP, São José dos Campos-SP, São Paulo-SP, São Vicente-SP, Santana do Parnaíba-SP, Una-BA e outros (Ibid.).

As propostas nas escolas eram oriundas de programas que possuíam o turismo como temática central, porém apresentavam algumas variações: o Programa de Ecoturismo e o de Hotelaria contavam com materiais próprios. O projeto que teve maior duração foi o Projeto Aprendiz de Turismo, cujos conteúdos eram introdutórios, voltados às séries finais do Ensino Fundamental II (em especial, sétima e oitava séries) e sua oferta aconteceu até o ano de 201075.

O Projeto Aprendiz de Turismo contava com livro didático próprio e o direito de uso era gratuito, mediante assinatura do termo de cooperação com o Instituto de Academias Profissionalizantes (IAP). Geralmente, alguns exemplares eram doados aos coordenadores e professores (versão livro do professor) e os livros dos alunos ficavam sob responsabilidade do cooperado. Os seus conteúdos apresentavam a área de turismo de modo bastante amplo. O livro básico levava o mesmo nome do projeto, Aprendiz de Turismo e era dividido em três capítulos: Viagens e Turismo; Cultura e Turismo; Geografia e Turismo (FONSECA FILHO, 2007).

No ano de 2003, a AVT-BR firmou uma parceria com o recém-criado Ministério do Turismo e lançaram o Projeto Caminhos do Futuro, cuja proposta era a formação contínua de docentes da rede pública para o ensino do turismo. Em outras palavras:

[...] a proposta de formação e qualificação de multiplicadores e professores no projeto Caminhos do Futuro vai ao encontro da política de melhoria da formação de jovens e adultos estabelecida pelo Governo Federal. Na medida em que surgem investimentos em empreendimentos de porte no setor turístico – que geralmente não são advindos das próprias localidades – os destinos turísticos nem sempre possibilitam à população local, em especial aos jovens, o usufruto dos benefícios gerados pelo setor. Este projeto procura impulsionar as ações do Ministério do Turismo proporcionando visão de futuro profissional a esse segmento da população, mediante a inclusão de conhecimentos sobre o setor de turismo e lazer, valorizando a cultura local e o resgate da cidadania. (AVT, 2009, p.8).

Na apresentação do projeto, identificamos de imediato o interesse do Governo Federal em melhorar a formação de jovens e adultos, tendo em vista que a proposta visava o ensino Fundamental, Médio, o Ensino Profissionalizante e a Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Desse modo, a experiência desenvolvida pela AVT-BR e pelo LEMADI com a formação docente e a produção de materiais didáticos foi pensada e dirigida como expansão em massa da educação turística pelo território nacional. Entre os anos de 2006 a 2008, quinze (15) estados e o Distrito Federal receberam o projeto por meio de oficinas para divulgar o uso dos nove (9) livros didáticos produzidos, com explicações de ordem conceitual e metodológica, vislumbrando o professor da rede pública como potencial multiplicador dos conhecimentos turísticos nas escolas públicas brasileiras.

Segundo Fonseca Filho; Aldrigui (2009, p. 4):

Os estados atendidos foram, pela ordem de implantação, Paraná, Minas Gerais, Piauí, Amazonas, Goiás, Espírito Santo, Pernambuco, Santa Catarina, Maranhão, Bahia, Tocantins, Alagoas, Sergipe, Rio Grande do Sul, Ceará e Distrito Federal.

A equipe atuante na AVT-BR e no LEMADI se concentrou na produção de materiais didáticos, jogos e kits pedagógicos contendo sugestões de atividades e exercícios práticos. Fonseca Filho; Aldrigui (2009, p. 5) esclarecem:

O material desenvolvido para o projeto constitui-se de 35 módulos agrupados em nove volumes, um jogo de tabuleiro chamado Viajando pelo Brasil, 32 mapas (sendo 16 de localização e 16 turísticos) e um CD com propostas de utilização do material, com exercícios orientados. Os volumes são intitulados Passaporte para o Mundo, Aprendiz de Lazer e Turismo, Geografia e Cartografia para o Turismo, Hotelaria e Hospitalidade, Ecoturismo, Cultura e Turismo, Finanças, Administração e Tecnologia para o Turismo, Comunicação e Turismo, Ética, Meio Ambiente e Cidadania para o Turismo.

Os livros são disponibilizados, gratuitamente, numa versão digital pelos sítios da AVT-BR, do Projeto Caminhos do Futuro e do Ministério do Turismo. Na figura abaixo, apresentamos algumas imagens dos materiais pedagógicos produzidos.

Ilustração 1: Livros do Projeto Caminhos do Futuro. Foto: Ari Fonseca.

Ilustração 2: Foto do Jogo Viajando Pelo Brasil, criado pelo Dr. Sérgio Ricardo Fiori, 2007. Foto: Ari Fonseca.

A operacionalização das Oficinas de Formação de Professores dependeu muito de ações políticas do Ministério do Turismo, pois cabia a este indicar uma equipe responsável em cada estado, para então escolher uma cidade-sede, professores convidados da rede pública do município e região. Em alguns casos, o público foi composto por representantes das Secretarias de Educação e Turismo, faculdades e universidades, ONGs e outras. (FONSECA FILHO; ALDRIGUI, 2009).

As oficinas eram compostas por quarenta (40) horas totais de atividades, para a certificação dos participantes. Dessas horas, vinte e quatro (24) horas eram com aulas presenciais e outras dezesseis (16) eram destinadas à elaboração de projetos aplicados às realidades de cada escola, o que foi denominado de estudos dirigidos não presenciais (Ibid.). Esse foi o projeto de maior abrangência da AVT-BR, segundo o levantamento feito pela equipe e nele estiveram presentes 457 professores da rede pública que participaram das oficinas (AVT-BR, 2009).

Durante o período de realização do projeto Caminhos do Futuro, toda a equipe da AVT-BR ficou direcionada para esse trabalho e os projetos ativos que estavam em funcionamento nas destinações, antes da parceria com o Ministério, ficaram apenas na incumbência de desenvolver os estudos de caso anuais para poder participar internacionalmente dos encontros entre os programas. Somente em 2008, houve uma reestruturação na AVT-BR, com a troca da diretora nacional, da assistente técnica e a criação de uma coordenação pedagógica responsável pelos projetos nas destinações e pelo Programa de Educação Contínua de docentes para o ensino do turismo.

O Programa, nosso objeto de estudo, visava atender, principalmente, aos docentes da rede pública, abrindo-lhes oportunidade para atualizar seus conhecimentos na área de turismo e buscar novas metodologias, informações, práticas de ensino, bem como compartilhar experiências docentes76.

Assim, o trabalho da coordenação pedagógica consistia em orientar o concurso de redação e o estudo de caso anual, por meio de oficinas temáticas para delimitar o tema proposto; acompanhar o desenvolvimento do estudo para esclarecimento de eventuais dúvidas; indicar professores para eventos extras que podem ser promovidos nas destinações que fazem parte da AVT-BR, além de controlar a certificação de professores do Programa AVT-BR. Os certificados anuais eram emitidos aos professores que participavam dos eventos

76 Informações obtidas no site da AVT-BR.

Disponível em: <http://www.avt.org.br/br/index.php?option=com_content&view=article&id=2&Itemid=14>. Acesso: 12 jan. 2012.

AVT-BR (até 24h) e envolvimento na elaboração do Estudo de Caso (até 36h), mediante a presença e relatório individual, com descrição das atividades desenvolvidas.

O relatório anual era individual, composto pelos resultados parciais e finais do estudo de caso; dos projetos; das visitas ou viagens técnicas; do estudo do meio; das atividades de pesquisas em turismo e ensino e de reuniões de planejamento de pesquisas em turismo.

A operacionalização do programa era feita da seguinte forma77: realização de quatro (4) oficinas anuais, distribuídas por bimestres, cada uma com seis (6) horas de duração, realizadas aos sábados, com a possibilidade de oficinas itinerantes. Assim, além da realização no LEMADI, lançou-se a ideia de realizar eventos nos municípios que desenvolviam o Projeto Aprendiz de Turismo; as oficinas foram estruturadas em atividades teóricas sobre os temas mais atuais e emergentes referentes ao Turismo e Hospitalidade, ministradas por especialistas, mestres e doutores sobre a temática; as atividades práticas foram orientadas para a aplicabilidade em sala de aula ou para replicar na destinação para os respectivos pares que não puderam comparecer no evento.

A oficina inicial, geralmente marcada para o início do ano letivo, sempre apresentava o concurso internacional de redação, com o título Caminhos do meu país, com data final para entrega no dia 30 de março de todos os anos (concurso anual). Além da data fixa, o tema da redação era sempre o mesmo e, por isso, o tempo maior da oficina era dedicado ao estudo de caso, trabalhando o tema, a metodologia, as técnicas, a sistematização do projeto de pesquisa e os prazos para entrega dos trabalhos.

As outras três (3) oficinas eram escolhidas pelos participantes de acordo com o interesse e relevância para o estudo de caso. O público era composto por professores da rede municipal ou professores que ministram aulas/projetos de turismo em escolas que possuem convênio com o IAP.

No decorrer dos bimestres, a coordenação realizava um acompanhamento virtual, monitorando o desenvolvimento dos trabalhos, sempre em contato com os coordenadores e esclarecendo dúvidas dos docentes com relação à elaboração dos projetos. E para complementar, havia um acompanhamento presencial, com a visita do coordenador pedagógico em cada um dos projetos ativos. A seguir, apresentaremos toda a sistematização da pesquisa de campo e documental realizadas com base na formação contínua de docentes para o ensino de turismo do Programa de Educação Contínua da AVT-BR.