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III. ANADOLU MANİLERİNİN DİĞER TÜRLERLE OLAN İLGİSİ

III.XVI. Manilerin Halk Temaşasıyla İlgisi

1. ANADOLU TÜRK MANİLERİNİN TEMATİK AÇIDAN İNCELENMESİ

2.3. Anadolu Manilerinde Sembolik Değer Taşıyan Hayvanlar

2.3.1. Kuşlar

Os moradores dos projetos Vila Nova Cachoeirinha e Nossa Senhora da Penha possuem uma experiência existencial análoga: em ambos os casos as habitações foram edificadas mediante ajuda-mútua, o que pressupõe um patamar mínimo de organização. Suas histórias são semelhantes. O mesmo já não ocorre com os moradores do Boi Malhado, que vêm erguendo suas casas por autoconstrução, num processo que não implica na sua aglutinação em torno de objetivos comuns” (Souza e Silva, 1991: 153).

O mutirão começa em julho de 1985. A Cohab encomendou o desenvolvimento e a racionalização do projeto das unidades residenciais ao IPT - Instituto de Pesquisas Tecnológicas -, num momento em que a Divisão de Edificações desta entidade se tornava uma frente de pesquisa sobre ajuda mútua em todo o Estado de São Paulo [89]. O projeto previa uma tipologia unifamiliar em renques e permitia uma

densidade de ocupação um pouco maior do que a unidade do “projeto Vila Nova Cachoeirinha”. A ampliação planejada para ocupar o recuo frontal admitia desde o início o uso comercial de parte da habitação, o que precisou constar num decreto municipal, tal a restrição da Cohab a este uso misto [90].

Foram construídas duas casas-modelo para representar opções diferentes de ampliação da etapa inicial padronizada (e que estão representadas na foto de abertura deste capítulo). Uma possibilidade seria a ampliação vertical para um segundo pavimento, preferida pela equipe técnica da Cohab. Outra, a ampliação horizontal para os recuos de frente e fundo, preferida pelos futuros moradores (Souza e Silva, 1989: 36), o que hoje soa inútil, uma vez que as ampliações acabaram sendo muito mais intensas. Em todas estas variantes se utiliza a ventilação pelo desencontro das águas dos telhados, como nos projetos adotados em diversas cooperativas uruguaias.

A distribuição das 160 unidades na gleba precisou lidar com a descontinuidade dos espaços mais qualificados para construção. Foram criados três bolsões (identificados na foto aérea da Imagem 41). O bolsão 1, com 53 unidades, ocupou um terreno junto ao Hospital-Escola Maternidade Vila Nova Cachoeirinha, anteriormente ocupado com um “sacolão” da secretaria municipal de abastecimento. O bolsão 2 e 3 ocuparam áreas próximas ao aterro que recobriu o “lixão” de Vila Nova Cachoeirinha e que foram consideradas pela Cohab estáveis para edificações térreas: o bolsão 2, com 48 unidades, uma área pequena, no encontro da saia do aterro e a avenida João dos Santos Abreu; e o bolsão 3, com 68 unidades, no começo da crista do aterro, com frente para a rua Joaquim Afonso de Souza. Esta divisão em áreas fracionou a mobilização da população a ponto de hoje apenas o Bolsão 3 ser chamado por “N. Sª da Penha” - de forma equivocada, pois inclui o mutirão que seria implantado posteriormente nesta parte alta do aterro. As outras partes do empreendimento são chamadas apenas por “Bolsão 1” e “Bolsão 2”.

89 “Dentre as várias linhas de atuação da Divisão de Edificações do IPT, uma tem sido objeto, nos últimos três anos [isto é, 1985-1987], de ênfase especial: a relativa ao estudo de alternativas de produção de habitações que contem com a participação da população e sejam adequadas às realidades regionais do país” (Salata; Kaupatez; Souza e Silva, 1987).

90 Decreto 21.821, de 30/12/1985, último dia da gestão Covas.

Imagem 49: Projeto Nossa Senhora da Penha.

A perspectiva mostra a disposição das casas unifamiliares do “Bolsão 3” em torno de praças. O desenho apresenta também as possibilidades de ampliação das tipologias, todas prevendo a ventilação no desencontro das águas do telhado (Souza e Silva, 1998 [1991]).

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O “projeto Nossa Senhora da Penha” foi acompanhado de um Plano Diretor da Cohab para a gleba de Vila Nova Cachoeirinha que reservava uma área de ampliação para a Maternidade-Escola (que foi a área ocupada pelo Hospital-Geral de Vila Nova Cachoeirinha) e outra para a construção de escolas municipais, onde hoje estão as EMEI Vicente Paulo da Silva e EMEF Clóvis Graciano, na altura do nº 80 e 60 da rua Mendonça Jr.

1992: O mutirão Cachoeirinha Leste (ou “Nossa Senhora da Penha”).

O terceiro canteiro por ajuda mútua a se instalar na gleba de Vila Nova Cachoeirinha é o primeiro a assumir a identidade integral de “mutirão autogerido”. É também o mais ousado do ponto de vista construtivo. Nele, a comparação com as cooperativas de habitação uruguaia tem que se dar não apenas no plano das intenções de política pública que comporta, mas também nos processos de racionalização do canteiro de obras pelo emprego de elementos pré-fabricados em argamassa armada. Como mencionado, o mutirão é chamado de “Nossa Senhora da Penha” pela proximidade com o “Bolsão 3”, com quem compartilha o relativo isolamento da implantação na parte alta do aterro sanitário que cobriu o antigo lixão, uma condição que teve conseqüências desastrosas, como se verá.

No mestrado de 1984, em que avalia os empreendimentos do Promorar à luz da experiência do “Projeto Nossa Senhora da Penha”, Paulo Sérgio Souza e Silva faz uma antecipação, como “situação ideal”, da política de mutirão da prefeitura de São Paulo:

Em princípio a situação ideal seria atingida quando os futuros usuários se organizassem e estabelecessem seus programas e suas premissas e procurassem os projetistas de sua preferência, aos quais seria então delegada a concepção e a coordenação do empreendimento. Ao Estado caberia tão-somente garantir financiamento, terra e a implantação dos serviços e equipamentos públicos necessários. É o que teria ocorrido nas cooperativas habitacionais do Uruguai. A experiência paulista nessa modalidade é ainda incipiente (Souza e Silva, 1984, p. 96).

Se os primeiros “projetos em ajuda-mútua” de Vila Nova Cachoeirinha eram antes de mais nada enfrentamentos das regras de financiamento e gestão da habitação social em São Paulo, o “mutirão” de Vila Nova Cachoeirinha - denominado oficialmente “Cachoeirinha Leste” - se apresentava em continuidade com o novo padrão de financiamento e assistência técnica aos movimentos de moradia da administração municipal Erundina. Como analisado no subcapítulo 2.2, este novo padrão incluía o financiamento municipal de empreendimento autogeridos por movimentos organizados de moradia através do programa “Funaps Comunitário”, que Paulo Sérgio Souza e Silva, agora em 1991, descreve assim:

O programa da Sehab tem entre seus pré-requisitos a aglutinação da população interessada em grupos sociais organizados e a adoção de processo de produção das habitações baseado na ajuda-mútua, também conhecido por mutirão, devidamente assessorado por equipe técnica não-governamental,

Imagem 50: Perspectiva do mutirão Funacom

Vila Nova Cachoeirinha

O desenho de Alexander Yamaguti mostra as possibilidades de ampliação a partir do térreo construído com uma retícula de vigas e pilares fundidos dentro de pré-formas de argamassa armada, no mais inovador dos projetos realizados em Vila Nova Cachoeirinha (Abiko; Coelho, 2006).