SON OLARAK TEOG YERLEŞTİRME ESAS PUANININ HESAPLANMASI
1. SEVİYE: Hatırlama ve Yeniden Üretme: Hatırlama ve yeniden üretme seviyesinde tanım, terim ve basit işlemlerin/ formüllerin/ bilgilerin uygulanması söz
2.9. Konuyla İlgili Yapılmış Çalışmalar
Nesta seção, discute-se a linguagem da argumentação apoiada em uma visão colaborativa, com a proposta de produção coletiva de significados compartilhados para a comunidade multicultural (LIBERALI, 2013). Em uma perspectiva dialógico- enunciativa, nesta pesquisa a argumentação é tratada como organizadora da linguagem e geradora do compartilhar sentidos para a transformação do novo, contrariando a concepção da argumentação como um discurso de persuasão.
Aristóteles (350aC/1998) foi o primeiro filósofo a expor uma teoria da argumentação, encarando a retórica como uma arte que visava a descobrir os meios de persuasão possíveis para os vários argumentos. Assim, a retórica tornou-se uma arte de falar de modo a persuadir e a convencer diversos auditórios sobre uma dada opinião ser preferível à sua oposta.
Os estudos da retórica não se limitaram a Aristóteles. Perelman e Olbrechts- Tyteca (1958/2005) publicaram o Tratado da Argumentação, no qual mostraram a relevância do estudo das técnicas retóricas no campo das ciências humanas. Para os autores, a argumentação lógica ou a chamada “nova retórica” é a que consegue aumentar a intensidade de adesão, de forma a desencadear, nos ouvintes, a ação pretendida.
Num contexto multicultural, no qual se apresentam múltiplas formas de pensamentos, tratar a argumentação como persuasão é mantê-la em uma fronteira de distribuição desigual de poder. Não há chances de exposição e debates de ideias entre os participantes, pois não há colaboração e, sem ela, não existe a partilha de sentidos.
De uma perspectiva dialógico-enunciativa, Liberali (2013) adota a argumentação colaborativa como fundamental na concepção da educação pautada numa visão multicultural, a qual compreende múltiplas formas de representação da realidade, de sentidos dessa realidade. A argumentação colaborativa torna-se base necessária para o aparecimento de possibilidades de escolhas, pelos participantes da pesquisa, na tomada de decisões sobre seus modos de viver.
Leitão (2011, p. 25) propõe um procedimento analítico pelo qual é possível que diferentes pontos de vistas sejam defendidos. Formular um ponto de vista significa criar uma maneira de julgar ou apreciar determinados assuntos e emitir sua conclusão a respeito deles. Esse procedimento é conduzido em uma tríade entre argumento (conjunto mínimo de ponto de vista e justificativa), contra-argumento (qualquer ideia trazida por outrem ou antecipada pelo próprio argumentador, que desafia um ponto de vista proposto) e resposta (reação do proponente de um argumento a contra-argumentos levantados em relação àquele). Assim, é na resposta daquele que propõe a oposição que é possível perceber o efeito da contra- argumentação sobre os pontos de vista iniciais e as transformações que ele possa receber.
Trazendo essa visão para o contexto escolar, Pontecorvo (2005) aponta que há importância de se estabelecer uma relação dialética entre o processo ensino- aprendizagem e a vida real do aluno, para que todos possam refletir a respeito de conteúdos tratados na escola e poder utilizá-los em situações reais. Para a autora, a oposição faz avançar o discurso-raciocínio, surgindo uma dimensão argumentativa no pensar. O ato de pensar/raciocinar se origina pelas asserções que se diferenciam de outras, posicionadas pelas categorizações e juízos de valor, pelas analogias, semelhanças e exemplos, pela busca de razões e/ou justificações, recorrendo a regras, generalizações, leis gerais. Estas características explicitam o foco sobre a oposição, a justificação e a explicação.
A perspectiva multicultural de mundo abre espaço para múltiplos modos de significar, agir e ser. Dessa maneira, é necessário haver escolhas viabilizadas para a apresentação de suportes, contraposições e outras posições de tomadas de decisões para que os agentes do processo de ensino-aprendizagem possibilitem a construção de ZPDs11 (VYGOTSKY, 1930-35/1988) mútuas e carregadas de produção criativa.
Segundo Liberali (2013), para que isso ocorra, faz-se necessária a argumentação colaborativa, a qual está permeada pelo discurso internamente persuasivo, que envolve a transformação ideológica da consciência individual (BAKHTIN, 1934-35/1975/1998). O discurso internamente persuasivo compreende
[...] a interação máxima da palavra do outro com o contexto, a sua influência dialogizante recíproca ao desenvolvimento livre e criativo da palavra de outrem, às graduações das transmissões, ao jogo de fronteiras, aos pródromos longínquos da introdução pelo contexto da palavra alheia e as outras peculiaridades que expressam a mesma essência da palavra interiormente persuasiva (BAKHTIN, 1934-35/1975/1998, p. 146).
De acordo com Liberali (2012a), a voz internamente persuasiva cria sustentações para o pensamento autônomo e constitui a arena de tensão e de conflito com outros discursos internamente persuasivos. Para a autora, se não houver colaboração, a argumentação oferece aportes para a manutenção de desigualdades e de significados cristalizados, aproximando-se da ideia de persuasão e convencimento das perspectivas teóricas da retórica e da lógica, caracterizando-se como um discurso autoritário, que não permite uma compreensão
11
livre. Este tipo de discurso força um entendimento incondicional; ele é apenas transmitido e o indivíduo o aceita ou o recusa por completo.
No entanto, Magalhães (2010) aponta que a construção de um ambiente colaborativo não é uma tarefa fácil, pois os participantes envolvidos na atividade se constituem diferentemente por serem parte de contextos sócio-histórico-culturais diversos, com diferentes compreensões sobre o mundo e sobre si mesmos e que, consequentemente, divergem em suas escolhas sobre modos de agir.
Por isso, o trabalho colaborativo estará sempre focado nas contradições que se materializam nas relações humanas, pois é a partir da negociação dessas contradições que a colaboração também se materializará.
Ao analisar a linguagem, Liberali e Fuga (2012, p. 148) explicam que a organização argumentativa pode ser vista como a responsável pela expansão e/ou restrição dos objetos que serão intencionalmente buscados para alcançar necessidades de uma totalidade interdependente e essa totalidade perpassa o contexto sócio-histórico do indivíduo.
No projeto voluntariado, há uma multiplicidade de realidades, pois os participantes têm origens sócio-históricas distintas e, conforme Liberali (2013), se no espaço escolar há múltiplas possibilidades de representar e viver a realidade, então esse contexto é privilegiado para a reflexão de vivência. A autora evidencia que as escolas precisam oferecer aos seus partícipes (alunos, professores, funcionários, comunidade) ocasiões favoráveis de convivência com as possibilidades de um embate, de conflitos, para a busca do verossímil.
Nesta pesquisa, a linguagem é analisada como instrumento-e-resultado que cria tais espaços de colaboração nos quais os participantes discutem sua prática, confrontam ideias e reconstroem suas ações (NEWMAN & HOLZMAN, 1993/2002).
É no contexto dialógico-enunciativo de internalização, externalização e partilha de sentidos, embate de diferentes vozes, dialogismo, negociação e re- estruturação da consciência, que “os interlocutores são parceiros de um jogo: o jogo da linguagem” (BRAIT, 2001, p. 193), no qual a argumentação é considerada de suma importância. Nessa perspectiva, a utilidade da argumentação não está em persuadir e/ou convencer, mas em produzir algo novo, em construir um significado que possa ser compartilhado com todos os participantes.
Os princípios filosóficos que orientam esta pesquisa caminham em equidade com essa visão. Os sujeitos são constituídos na e pela linguagem; portanto, são próprios, múltiplos e em constante transformação, assim como seus discursos e o mundo em que vivem.