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A empresa que se baseia na estratégia defensora no mercado de motocicletas brasileiro é a Yamaha. A estratégia global da Yamaha de atuar e ser referência em motocicletas racing e trail, todas de tecnologia dois tempos, foi aplicada da mesma forma no mercado brasileiro. Esta atuação demonstra o que Miles e Snow apontam como que os defensores buscam a garantia segura e estável da sua posição no mix produto-mercado. Apesar de identificar o desenvolvimento de mercado pela Yamaha, quando lançou o primeiro modelo trail no Brasil, a TT 125 cc, a Yamaha estava aplicando a sua estratégia dentro do mercado. Em 1983 a empresa lançou a primeira motocicleta para competição no país. As duas ações vão de encontro com a estratégia global do grupo.

Ao longo de 1970 a 2008, verificaram-se lançamentos de modelos da Yamaha posteriores aos que foram lançados pela Honda, após assumir o risco de iniciar em novos segmentos ou desenvolvendo de nova tecnologia.

Em 1977, a Yamaha lançou o modelo RS 125 cc para concorrer com a Honda ML. O lançamento da RD 350 em 1986 que concorria com a CBX 750 lançada meses antes. Em 1999 a Yamaha lançou a XT 225 cc, a sua primeira motocicleta de tecnologia quatro tempos, que concorria XR 200 lançado em 1993. Em 2000 a Yamaha trouxe a sua primeira motocicleta competitiva de 125 cc com tecnologia quatro tempos. No entanto, este modelo demorou 25 anos para chegar no Brasil. O modelo de 125 cc da Honda que chegou em 1976, já tinha demonstrado desde o início o seu potencial no mercado brasileiro, mas a Yamaha só acreditou nesse segmento e tecnologia após muito tempo.

Esta estratégia ou falta de estratégia deve-se pela estrutura da Yamaha e de muitas empresas globais. A sua engenharia de desenvolvimento de produto é centralizada na matriz, na qual todos os projetos mundiais saem. Verificou-se que na década de 1990 o Grupo estava voltado a desenvolver e fortalecer o mercado asiático, principalmente a China, Tailândia e Vietnã, justificando então que a engenharia no Japão estava voltada ao desenvolvimento de produtos para essa região. Foi somente no final dessa década que a matriz da Yamaha, após cumprir a sua estratégia na Ásia e verificar o crescimento do mercado brasileiro, que iniciou os investimentos no Brasil.

A competição da Yamaha no mercado brasileiro se deu através de produtos de altíssima qualidade, reconhecidos pelos consumidores, posição esta típica de empresas que utilizam a estratégia dos defensores, e não pelo desenvolvimento de novas tecnologias como fazem os prospectores.

A concentração em atuar até o final da década de 1990, principalmente com modelos trail e de alta cilindrada, representa a delimitação de mercado da empresa, característica dos defensores. Verificou-se que a Yamaha concentrou os lançamentos de motocicletas na década de 1990 em modelos acima de 250 cc. Mas nota-se que este mercado perdeu participação nessa época. Saiu de 14% de participação em 1990 para 4% de participação em 1999, não justificando grandes investimentos no segmento. No entanto, verifica-se também que esses modelos lançados no Brasil foram anteriormente lançados em outros países.

É incontestável para os consumidores que o modelo DT 180 da Yamaha, lançado em 1981, foi a melhor motocicleta para fazer trilhas, conhecida como “fusca do fora-de-estrada” e mesmo com o lançamento da Honda do modelo XL 250 R ela continuou atendendo a expectativa. No entanto, por mais que este modelo tenha sido o modelo mais vendido da Yamaha, durante 1981 a 1993, ele nunca representou mais que 10% do mercado, ao contrário da CG 125 cc da Honda que teve média de 60% de participação em 27 anos. E foi este segmento que a Yamaha escolheu para si durante muito tempo e conforme aponta Miles e Snow, características dos defensores, uma parcela estável do mercado para si.

Somente a partir do ano 2000, é possível verificar uma nova atitude da Yamaha, que teve início com a fabricação do modelo YBR 125 cc e foi acompanhado com o lançamento da XT 600 R, a primeira motocicleta produzida no Brasil com injeção eletrônica, o lançamento da YS Fazer 250 cc em 2005, modelo desenvolvido para concorrer com CBX Twister 250 cc de 2001, mas que tinha como diferencial a injeção eletrônica. Além do lançamento em 2006 da XTZ 250 Lander, com injeção eletrônica que concorria com a XR 250 R Tornado, lançada em 2001.

A questão do problema de engenharia da Yamaha é a tecnologia de dois tempos, utilizada durante um longo período, sendo base para o desenvolvimento dos produtos da empresa. O problema administrativo se mostra com a concentração da sua engenharia de desenvolvimento de produtos no Japão, na qual somente a partir da matriz é que os produtos eram desenvolvidos. Observando esta estrutura de controles centralizados, por conta da estratégia global da empresa, no auge do

mercado brasileiro, a empresa não tinha produtos competitivos para concorrer no mercado e saiu de 21,4% de participação em 1993 para 6,1% em 1999. Os riscos apontados por Miles e Snow, de uma mudança no mercado e a empresa não estar preparada para acompanhar, no caso da Yamaha pode ser verificado com a tecnologia quatro tempos.

Na década de 1960, a empresa era reconhecida mundialmente como empresa de tecnologia dois tempos. Apenas em 1969, com o lançamento da XS -1 no Japão, é que a empresa entrou no segmento de motores quatro tempos. Esta entrada se deu por influência da subsidiária americana e ocorreu muito tempo após as suas concorrentes. Entretanto, no Brasil o mesmo erro foi cometido. A fama de empresa de motores dois tempos foi propagada ao longo das décadas de 1980 e 1990. Não existiria problema nessa categorização se o consumidor continuasse a gostar dessa tecnologia, mas não foi isso que ocorreu. Desde o começo da década de 1990 que o grande público das motocicletas não gostava dessa tecnologia. Assim, acabou sendo renovada para quatro tempos, porém a empresa demorou 24 anos para responder. No entanto, ainda hoje os consumidores consideram a Yamaha como empresa de motores dois tempos, que, analisando do ponto de vista de marketing é uma imagem ruim para a marca.

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Benzer Belgeler