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portanto, mais caros. Se utilizar meios de transporte mais baratos e, consequentemente, mais lentos e menos confiáveis, deve manter estoques maiores para enfrentar as incertezas.

Toda atividade inclui componentes físicos e de informação. Componentes físicos são todos os materiais necessários para o desenvolvimento das atividades. Informação abrange a captação, manipulação e distribuição dos dados necessários ao desenvolvimento das atividades (PORTER; MILLAR, 1985).

As três áreas operacionais geram e utilizam informações. Estas informações permitem que as empresas identifiquem as necessidades do processo, e planejem e executem as operações logísticas de forma integrada.

3.1.2 Fluxo de informação

Bowersox e Closs (2001) classificam as informações logísticas em: de planejamento e coordenação e operacionais. A figura 5 descreve seus fluxos e relações.

Figura 5 – Necessidades de informações logísticas Relação entre os fluxos de planejamento e operacional

Fluxo de informações de planejamento e coordenação

Fluxo de informações operacionais Fonte: Bowersox e Closs (2001, p. 47).

Objetivos

estratégicos Restrições de capacidade Necessidades logísticas Necessidades de fabricação

Necessidades de suprimento Projeções Posicionamento de estoque Gerenciamento de estoque Gerenciamento de

pedidos Processamento de pedidos Operações e distribuição Transporte e expedição

3.1.2.1 Fluxo de informação de planejamento e coordenação

O fluxo das informações de planejamento e coordenação atende ao planejamento da empresa. Inclui informações como: objetivos estratégicos, restrições de capacidade, necessidades logísticas, posicionamento do estoque, necessidades de fabricação, necessidades de suprimento e projeções (BOWERSOX; CLOSS, 2001):

Objetivos estratégicos são os principais propulsores de toda a cadeia. Identificam a natureza e a localização dos compradores e os produtos e serviços a serem oferecidos. Restrições de capacidade determinam as necessidades internas e externas de fabricação. Em função dos objetivos estratégicos, identificam o nível de utilização das instalações – as eventuais barreiras, limitações ou gargalos da produção – e a necessidade de terceirização.

Necessidades logísticas: determinam o trabalho que a mão de obra, equipamento e distribuição devem executar para atender o mercado. O desempenho esperado é determinado por informações extraídas das previsões, pedidos de clientes, nível de estoque e programação de promoções.

Posicionamento do estoque (composição e localização): é determinado pela interface entre os dois fluxos e deve ser capaz de atender adequadamente as necessidades ao longo da cadeia (o que, onde e quando). A partir de uma necessidade logística executa-se um plano de produção que resultará em um posicionamento do estoque.

Necessidade de suprimento: é determinada pela quantidade de componentes e materiais para atender as necessidades da produção. Cabe à função suprimento coordenar o relacionamento da empresa com fornecedores.

Previsões: são baseadas em dados históricos e no nível atual de atividade. Fundamentam os planos operacionais e de necessidades logísticas.

3.1.2.2 Fluxo de informação operacional

O fluxo de informação operacional atende a execução do trabalho de rotina da logística. Inclui: gerenciamento e processamento dos pedidos, distribuição, gerenciamento de estoque, expedição e transporte, e suprimentos. O papel da TI é central (BOWERSOX; CLOSS, 2001):

Gerenciamento de pedidos: dar entrada e qualificar os pedidos dos clientes. Exige transmissão de informações entre os membros da cadeia de suprimentos que é realizada

através de telefone, correio, fax ou eletronicamente, utilizando ferramentas como EDI (Electronic Data Interchange).

Processamento de pedidos: avaliar os estoques e distribui tarefas para atender aos clientes. A TI permite a ligação entre compradores e fornecedores em tempo real.

Distribuição: armazenar e manusear o menor estoque possível para atender aos compradores. Manter o nível adequado de sortimentos através de uma programação da disponibilidade. Exige informações para o uso adequado das instalações logísticas.

Gerenciamento de estoque: assegurar que todo o sistema logístico disponha dos recursos adequados para atender o planejamento. O posicionamento do estoque e o seu gerenciamento exigem recursos humanos e TI.

Transporte e expedição: consolidar pedidos, garantir a disponibilidade no momento adequado e elaborar a documentação.

Suprimento: elaborar e liberar pedidos de compra. Utiliza o mesmo tipo de informação do processamento de pedidos.

As informações operacionais devem apoiar o trabalho de rotina da logística: suprimentos, apoio à manufatura e distribuição física. As informações de planejamento, por sua vez, devem apoiar o planejamento das atividades.

3.2 Trabalho logístico

O trabalho logístico envolve a execução e coordenação das atividades necessárias para atender as exigências logísticas. A execução refere-se às operações de movimentação e armazenagem de materiais, componentes semi-acabados e produtos acabados entre as fontes de suprimento, instalações e os compradores da empresa. A coordenação, por sua vez, à gestão do trabalho de maneira orquestrada visando gerar a capacidade necessária para atendimento das necessidades logísticas (BOWERSOX; CLOSS, 2001).

Bowersox e Closs (2001) classificam o trabalho logístico em cinco áreas distintas: projeto de rede, transporte, controle de estoque, armazenagem, manuseio de materiais e embalagens, e informação.

3.2.1 Projeto de rede

Projeto de rede é a definição das instalações necessárias para a execução do processo logístico, o tipo de estoque e o volume a ser armazenado em cada instalação, além de

estabelecer os vínculos dos pedidos dos clientes aos locais de expedição. A rede de instalações forma a estrutura que permite o processamento dos pedidos, manutenção de estoque e operação de materiais. Deve ser flexível para se adaptar às diferenças geográficas e alterações na demanda e é importante para o desempenho competitivo.

3.2.2 Controle do estoque

Segundo a Associação Brasileira de Movimentação e Logística (ABML), estoque são todos os bens e materiais mantidos por uma organização para suprir a demanda futura. Controle de estoque são as atividades e procedimentos que permitem garantir a quantidade adequada de cada item. O controle obedece, no geral, aos critérios definidos pelos próprios clientes e sua eficiência está associada a quantidade, custo de manutenção, número de vezes por período onde ocorre falta de um item, giro do estoque e qualidade do serviço oferecido ao cliente.

A necessidade de estoque depende da estrutura de rede e do nível do serviço desejado. Deficiências na rede logística podem ser compensadas pela manutenção de níveis mais altos de estoque, embora resultando em maiores custos. O objetivo da gerência de estoque é a máxima rotatividade satisfazendo os compromissos com os compradores.

Para estabelecer uma política adequada de estoque é preciso observar:

Segmentação dos clientes: a empresa deve planejar seus estoques visando seus clientes preferenciais, isto é, clientes com potencial de crescimento e alta lucratividade. Estes clientes são definidos a partir dos produtos adquiridos, volume, preços, serviços de valor agregado e atividades complementares necessárias para o desenvolvimento e manutenção de fidelidade.

Características dos produtos: os produtos têm volumes de venda e lucratividade diferentes. Mesmo quando os volumes de venda e lucratividade são baixos, devem ser mantidos em estoque para atender aos clientes preferenciais. A identificação destes produtos permite o desenvolvimento de uma política seletiva de estoque.

Transporte: seu desempenho é afetado diretamente pela definição dos itens que serão armazenados em cada instalação. Estoques centralizados permitem a consolidação da carga por cliente ou localidade geográfica. O preço do transporte é determinado pelo volume e dimensões da carga e pela distância percorrida. Um custo menor de transporte pode compensar um custo superior para manutenção de estoque

Agilidade: maior precisão e agilidade no atendimento às necessidades dos clientes permitem a redução dos estoques e aumento da satisfação. Mas, em contrapartida, elevam o custo porque exigem entregas mais freqüentes e em menor volume. A questão é encontrar o equilíbrio entre nível de serviço oferecido e o custo logístico total.

Desempenho competitivo: uma política de estoque adequada permite que a empresa supere a concorrência. A manutenção de estoques elevados garante disponibilidade do produto e rapidez na entrega, proporcionando um serviço de melhor qualidade.

3.2.3 Transporte

Posiciona geograficamente o estoque. O desempenho do transporte pode ser medido pelo custo, velocidade e consistência. Custo é composto pelas despesas de deslocamento, gerenciamento e manutenção do estoque em trânsito. Velocidade é o tempo necessário para realizar uma movimentação. E consistência é a manutenção de padrão de tempo para as movimentações.

Não havendo consistência é preciso manter estoques maiores para se proteger de eventuais atrasos. Custo e velocidade estão relacionados: quanto mais rápido o transporte, mais caro é o serviço, mas menor o tempo de trânsito e a indisponibilidade do estoque. A velocidade e consistência, por sua vez, são atributos observados pelo usuário para definir a qualidade do transporte. A empresa deve buscar a combinação entre custo e velocidade e entre custo e qualidade do serviço que melhor atenda ao negócio e as suas metas estratégicas.

Benzer Belgeler