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2.2. Yenilik Çeşitleri

2.3.1. Kişisel Yenilikçilik (Innate Innovativeness/II)

Essa subcategoria foi caracterizada pelos discursos dos entrevistados quanto à continuidade da oferta de cursos pelo Canal Minas Saúde, tendo como marca desse interesse os aspectos mencionados quanto ao aperfeiçoamento profissional.

Eu queria mesmo que colocassem mais cursos, às vezes eu entro lá e vejo que é os mesmos que eu já fiz (UBL6).

É muito importante enquanto educação permanente a gente ter esta ferramenta disponibilizada. Que o Canal continue e que cada vez mais a gente tenha um leque maior, aí sempre constante de discussões e de abordagens, que é isso que a gente precisa (JF5).

Seria interessante se surgissem mais, até cursos de especialização, igual foi proposto ali, porque incentiva os profissionais, quem tá na atenção primária às vezes cansa, não tem muito tempo, ou tem só o final de semana. E alguns conteúdos mais específicos também (JF6).

Pode-se deduzir que a menção dos entrevistados nesse aspecto tem relação direta com a descontinuidade na oferta de cursos pelo Canal Minas Saúde, que foi retratada pelos participantes do estudo.

Apesar de alguns profissionais reforçarem que os conteúdos trabalhados nos cursos do Canal Minas Saúde atendem à demanda, alguns discursos referem a necessidade de aprofundamento e atualização de conteúdos ofertados, bem como a inserção de novos temas e metodologias.

Falo de conteúdo específico mesmo, por exemplo, é uma coisa que nenhum desses cursos aborda é a questão farmacológica e esse é um nó crítico muito grande, porque isso pode ser um déficit que já vem lá da graduação, e se eu não tiver uma oportunidade de ter acesso a protocolos, linhas guias, a questão da farmacologia, você esbarra na performance (JF5).

Eu acho que estes cursos podem estar sendo atualizados para estarem sempre atuais, porque eles são extremamente interessantes. Por exemplo, o de Saúde Bucal estar sempre atualizando para a gente poder fazer novamente (MOC2).

Quanto à opinião dos participantes acerca das temáticas que poderiam ser incluídas no portfólio do Canal Minas Saúde, foi relatada a importância de conteúdos vinculados ao dia-a-dia, em especial os relacionados às condições de saúde da população e aos ciclos de vida, pela demanda que apresentam no cotidiano de trabalho. Entre os temas citados, registram-se saúde da criança, saúde da mulher, saúde do idoso, saúde do adolescente e saúde mental, este último o mais lembrado pelos participantes.

Como aquele da Gestão da Clínica, abordar tudo o que a gente realmente tem que fazer no Saúde da Família (UBL4).

Novos temas, que sejam mais do cotidiano mesmo da Estratégia Saúde da Família (MOC8).

Todas as questões programáticas da atenção primária, da Estratégia Saúde da Família, tem a saúdo do idoso, mas a gente precisa da saúde da criança, a gente precisa da saúda da mulher, a gente precisa de uma série de coisas que ainda não teve oportunidade de acontecer no Canal (JF5).

Vê-se que esses conteúdos direcionam-se para o pensamento hegemônico dos entrevistados sobre o processo de saúde-doença vinculado aos ciclos de vida e não fazem referência aos determinantes sociais do processo de saúde-doença.

Acho que só mesmo esta questão do social, porque a visão que a gente tem da família, da comunidade, é que os problemas de saúde são maiores que os problemas sociais. A nossa formação ainda é muito biológica, muito voltada para a desordem biológica, e essa questão da desordem social às vezes fica muito

perdida e no curso acaba ficando um pouco perdido, porque é da tendência da gente mesmo querer que seja comprovado em exame, que aí tem como solucionar (JF11).

Percebe-se que a escolha pelas temáticas tem relação com a dificuldade que os participantes do estudo têm em abordá-las no desempenho das atribuições profissionais.

Um tema que eu acho que a gente tem dificuldade dentro do PSF que poderia ser abordado seria o paciente com dor crônica (UBL7).

Gostaria que desse pelo Canal Minas Saúde, que eu tenho muita dificuldade, inclusive agora eu estou até fazendo lá na minha unidade, mas eu nunca tive muito contato, que é uma coisa que na atenção primária está fazendo muita falta, que é um curso de eletrocardiograma (JF8).

Outro fator também que eu acho que é primordial, que de repente o Canal poderia estar dando prioridade, seria também falar sobre sexualidade, porque não é tão fácil. Então assim, pensar num curso que fale, que nos capacite em relação a isso, porque também hoje, nós temos na nossa microárea vários casos de homossexual, de heterossexual, que a gente precisa de saber como lidar com esta situação. Você tem que agir de uma forma natural, e muitas vezes a gente não sabe a metodologia correta de lidar com essa situação (MOC3).

Também emergiram dos discursos outros temas vinculados ao campo da atençaõ/assitência: abordagem familiar, relação interpessoal, cuidado com feridas, tabagismo, vacinação, internação domiciliar e conceitos e metodologias de abordagem em grupos.

Alguns dos participantes manifestaram o interesse em participar da escolha das temáticas a serem trabalhadas pelo Canal Minas Saúde e da necessidade de sintonia entre as temáticas que atravessam o processo de trabalho e a oferta de cursos pelo Canal Minas Saúde.

Eu queria sugerir assim que nós profissionais, a equipe, pudesse sugerir alguns cursos, alguns temas, que eles pudessem fazer direcionado os temas que a gente acha que seria interessante a gente estar fazendo (JF1).

Sempre que lança um manual do Ministério ou atualiza eu acho que tinha que ter junto uma atualização do Canal (JF17).

Os discursos apresentados nessa categoria reforçam a necessidade de o Canal Minas Saúde resgatar os conceitos da PNEPS em relação à ênfase nas situações-problema das práticas cotidianas dos trabalhadores da saúde, possibilitando reflexões críticas e articulando soluções estratégicas em coletivo (BRASIL, 2007).

Assim, o processo ensino-aprendizagem necessita ser estruturado primando pelo estímulo ao diálogo, troca de ideias e respeito à heterogeneidade, considerando que se está tratando de aprendizagem de adultos, que tem uma bagagem de experiências e de déficit de aprendizagem.

Para Silva, Ogata e Machado (2007), as capacitações não podem ser definidas apenas por uma lista de necessidades individuais ou de orientações da gestão central, mas prioritariamente a partir dos problemas do âmbito de trabalho, devendo levar em consideração a micropolítica do trabalho vivo, que inclui os interesses e necessidades dos trabalhadores e a realidade de vida no território.

O documento do Ministério da Saúde que define diretrizes para a ação política para assegurar educação permanente no SUS estabelece que a partir da problematização do processo de trabalho e da qualidade do trabalho nas redes de saúde é que se tem a identificação das reais necessidades de capacitação, fundamental para a aplicabilidade e relevância dos conteúdos (BRASIL, 2003b).

Montanha e Peduzzi (2010) salientam que o levantamento de necessidade de ações educativas de trabalhadores aparece como uma ação isolada e em contraposição à prática educativa com base na reflexão sobre o cotidiano do trabalho, que diz respeito tanto à dimensão técnica quanto à dimensão comunicativa e de articulação das ações de cuidado.

Os respondentes têm como motivo para participação nos cursos do Canal Minas Saúde a necessidade de ações educativas relacionadas à produção do cuidado, para além de apenas aquisição de conhecimentos técnico-científicos. Tem-se, assim, ressaltado o conceito de EPS, que contempla que o processo educativo dos trabalhadores deve partir das necessidades dos usuários, dos trabalhadores e dos gestores, no intuito de transformar as práticas de saúde.

Cabe ainda ressaltar que a descontinuidade na oferta dos cursos relatada pelos participantes da pesquisa pode estar vinculada a questões contratuais entre a SES/MG e a FRAMINAS, fundação parceira para desenvolvimento das diversas ações executadas pelo Canal Minas Saúde, conforme mencionado na reunião da CIB do mês de novembro de 2014. Cabe que o Canal Minas Saúde passou a ser uma Superintendência da ESP/MG desde dezembro de 2013, o que pode ter provocado algumas alterações nos fluxos de trabalho (MINAS GERAIS, 2013).

Contudo, na publicação “Canal Minas Saúde: nos bastidores da educação em saúde”, apresenta-se que no ano de 2014 o Canal Minas Saúde teve o total de 90.227 alunos, produziu oito cursos no modelo autoinstrucional e nove estavam em fase de

produção, conforme dados relativos ao primeiro semestre de 2014 (MINAS GERAIS, 2014a).

Benzer Belgeler