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1. BÖLÜM: TÜKETİCİ SATIN ALMA KARAR SÜRECİ

1.3. Satın Alma Karar Sürecini Etkileyen Faktörler

1.3.1. Kişisel Faktörler

Iniciamos a busca no Centro e nos deparamos com duas irmãs, Zuíla. & Zuleide, que com suas histórias apontavam uma descendência dos fundadores da cidade. Afirmaram que acompanharam tempos melhores no que se refere à água. Tendo chegado a banhar-se nas águas do rio Lanchinha, como lazer do seu tempo. Eis alguns trechos de suas falas:

E esse rio ele era maior antigamente?

No que Zuíla afirma que: “Ele era maior... tem uma barragem rio acima...”.

A senhora chegou a tomar banho no rio?

- “Eu cheguei, quando era criança pequenininha, ‘né’? No que interrogamos se era grande o rio.

Ela responde: “Era aí vizinho... maravilhoso, é bem aqui... (aponta na direção do nascente)”.

E quando foi que parou de ter água no rio? - “Depois que os invernos ficaram mais fracos”.

Elas se referem ao fato de que o rio se “acabou” quando se construiu outros açudes na cabeceira do rio barrando o fluxo das águas.

Mais adiante se referia aos difíceis tempos de hoje: “É... porque num... porque a água é boa, ‘né’? Pra beber dessa água do açude num presta”.

Em geral a água das chuvas são suficientes pra abastecer uma cisterna dessas pra vocês passarem a estiagem bebendo?

- “Ah é sim... é porque a Zuleide não quer, mas tem é água... ela num quer por causa dos gatos...”. Ela faz alusão ao fato de os gatos supostamente sujarem a água da cisterna.

Quantos rios banhavam a cidade?

Zuíla diz que era: “Mocó, esse aqui (apontando na direção da praça – do rio Lanchinha) eu num sei o nome dele...” Zuleide completa: “Lanchinha, né? Mas esse ano o povo disse que esse açude pegou água. (...) Foi parece um milagre. Acho que foi depois de março... foi um milagre”.

Ainda no Centro, depois entrevistamos o senhor Manuel (87 anos) e o senhor Milton Vasconcelos (77 anos) que nos ofereceram prestimosas informações, inclusive sobre a história da água na cidade. Mostraram outros aspectos sob o que intitulavam a “ótica capitalista”. Com a palavra o ‘seu’ Manuel:

“Sou ‘caboco’ do Caxitoré, do rio Caxitoré. Nasci em 1915. Os anos de 15, 36, 58, foi muito seco. Uma seca por inteiro. Em quarenta também teve uma seca. E a partir de cinqüenta teve seca, mas não foi total. (...) Eu lembro quando eu tava aqui, que vinha passar o inverno aqui, sempre tinha problemas de seca.

(...). Aqui foi desligado de Itapajé em mil novecentos e cinqüenta. Esses municípios daqui tudo era de Itapajé: Tejuçuoca, Santa Cruz, Pitombeira... tudo era de Itapajé”.

“Aqui sempre foi muito seco, problemático. Os antigos dizem que mata, essas coisas, atrai chuva. Aqui sempre teve pouca mata. Essas serras que se vê por ai era matinha rala. Esses anos escassos, aqui toda vida ainda é mais escasso. Papai me dizia que de mil novecentos e dois a mil novecentos e nove o rio Caxitoré nunca botou água”.

“Em mil novecentos e quarenta e dois eu passei, inverno aqui... bem fraquinho o inverno. Vivi sempre na beira do Caxitoré. Tinha menos gente por aqui. Mas a coisa ruim foi eu ter ficado cego agora porque eu sempre trabalhei. Aqui sempre foi lugar de passagem. Aqui nunca teve fartura de dinheiro”.

“A cisterna da casa tira o verão (por que eu uso dela, a água dela tira o verão todo). Tem diminuído as chuvas. Em 74 eu comprei uma fazenda. Passei o inverno lá. No 84 também. (...) Houve um inverno bom. Daí pra cá teve ainda inverno bom. Mas depois custou”.

“Eu botava água no hotel em dois jumentos. Tinha um olho d’água. (Era dono de um hotel na cidade). Hoje eu tenho água encanada. Mas a água encanada tá ruim, nem pra cozinhar num presta”.

Falando do Açude Jerimum, relata que há muito tempo existe o projeto de construção, mas que levou muito mais tempo para sair. Com as suas palavras:

“De que serve um açude que não enche? Muito mais importante um poço profundo. Sabe quando foi tirado o Jerimum, foi em 1923 pra fazer o Jerimum. Aí quando foi uma época o senhor Oliveira Paraíba, tirou o estudo do açude do Caxitoré lá do Pentecoste pra cá. Depois tornaram a tirar o estudo do Jerimum quando fez o projeto. O açude era pra ser muito maior. Era pra ser 56 milhões de metros cúbicos e quando o Tasso recebeu foi com 21. Botou parede alta, pra evitar que sangrasse pra cima das propriedades alheias. Pra dar por resolvido o estocamento, do guardar de água”.

Questionamos sobre as mudanças percebidas na cidade e ele disse:

“Aqui tinha mais pouca gente. Hoje tem uma cidade. Se ela aumentou é porque tem melhora. (...). Desapareceu a borracha, desapareceu a oiticica, desapareceu o algodão, desapareceu a mamona... Ainda tem muita criação de gado... onde tem muita gente a caça desaparece... a broca é porque facilita... sabe que prejudica, mas pra eles é bom. O ‘caboco’ quer saber se planta... É mais fácil queimar que desmatar...”.

“Gasto muita água, pois aqui é muito quente. Tomo banho quatro, cinco vezes por dia. Afinal sou um doente, um deficiente...”.

O Bairro da Esperança e o Bairro do Açude não foram apresentados aqui em

suas trajetórias, por não terem atualmente grupos organizados, nem marcadores mais antigos, como no caso do bairro do Centro, que mesmo sem ter uma articulação grupal, possuem algumas pessoas de referência que têm boa bagagem histórica. Mesmo assim, tivemos o depoimento de Raimundo Pinto Barbosa, um moto-taxista, que muito falou sobre aspectos da distribuição de água da cidade e levou-nos a visitar seu bairro que apresentava o rio Lanchinha transitando ao seu lado, totalmente afetado pelo desaguar de águas oriundas de esgotos do centro e do bairro mesmo. É o bairro no qual se localiza o cemitério da cidade. No muro do cemitério encontra-se uma citação que reporta a esperança daqueles que perecem... Daí o nome do bairro. Nesse bairro existe também uma rua que é denominada com o nome de excrementos humanos por ser o espaço no qual ficavam esses excrementos depositados a céu aberto. Era o ponto de deságüe de todo o esgotamento de Irauçuba, hoje jogado metade diretamente no rio Lanchinha e, a outra metade, no Bairro Gil Bastos.