1. BÖLÜM: TÜKETİCİ SATIN ALMA KARAR SÜRECİ
1.2. Tüketici Satın Alma Karar Süreci
1.2.2. Bilgi Arama
1.2.2.3. Bilgi Arama Davranışını Etkileyen Faktörler
Apresentamos a seguir o depoimento de Gilvane (28 anos) & Rita de Cássia (ex- presidente e presidenta da Associação do Bairro da Rodoviária):
“... depois pra mim despertou assim um sonho pelo lado mais ecológico da vida, né? Eu comecei a estudar educação ambiental... o município é mal estruturado, não tem aquela receptividade, nada tá preparado pra esse trabalho...” (referindo-se ao curso feito na instituição japonesa – em SP).
Gilvane
Diante de sua informação de que era um interessado sobre as questões ambientais, em particular tinha interesses envolvendo a educação ambiental, foi perguntado como ele, Gilvane, despertou para a questão ambiental:
Ah, pela própria característica do município, né? Todo um contexto... esse próprio lado da ecologia social das pessoas tem uma... um tipo de cultura que eu acho que é inadequado pro nosso meio, existe um paternalismo profundo aqui no município, as pessoas tendem a esperar tudo pelos governantes, não têm uma atitude. O município é totalmente degradado pelas próprias condições geográficas e pelo, pelos próprios meios de ocupação também, então... foi esse lado que me despertou.
“Quando eu morava no outro município que fica vizinho, Itapajé... e quando eu tive que mudar pra cá foi assim uma mudança muito radical porque... lá era uma serra mais úmida, tinha fruta, tinha tudo... e quando eu vim pra cá foi um choque que não tinha nada (sorri) fruta, nem, água era difícil, a água era salobra e aquilo foi sempre despertando assim uma coisa na minha cabeça... puxa por que são tão próximos e tão diferentes... Ah eu não tive muitas respostas sobre isso... eu acho que pelos próprios sistemas de ocupação... foram muito diferentes... aqui... era como se fosse um local de descanso entre
Sobral e Fortaleza. (...) É a cordilheira de Uruburetama... (...). Lá tem 150 anos e aqui tem 49 anos de existência...”.
Outra pergunta formulada foi qual seriam os principais problemas de Irauçuba?
“... eu acho que os principais são as queimadas. O sistema como o homem trabalha a terra. (...) sempre é nas encostas das serras porque na parte mais baixa, os produtores não deixam eles trabalharem por... pra criar pasto pro gado... eles têm que utilizar as encostas da serra...”.
Insistimos em verificar outros aspectos, na tentativa de ver se aparecia, de outro modo, o problema da água:
“Acho que toda comunidade tem problema com lixo... e acho que não tem uma coleta muito bem feita aqui. A gente tem que se virar com o lixo e acaba plástico, papel, que se vê acaba vindo de outros cantos da rua, o vento acaba trazendo”.
E pouco depois:
“Acho que os recursos hídricos você fala nesse sentido? Os recursos hídricos você fala nesse sentido? Os recursos hídricos esse que é o maior problema...”.
“O reservatório até quando eu pude consultar no momento parece que tava 12%... Acho que se a chuva não vier logo vai... ter grandes problemas... aí vai ter que ter aquela história do carro-pipa, de novo...”.
Diante do fato de a água aparecer apenas em terceiro lugar, perguntamos se as pessoas não falam sobre isso. Então perguntamos: Vocês já perceberam esse fato?
“É... eu acho que só falam quando (risos dele e de Cássia)... quando... por exemplo, quando a água falta, eles começam a falar, a cobrar do prefeito, cobrar dos governantes, né? Mas como é um fato histórico todo mundo já acabou acostumando com a água pouca (dá de ombros)... talvez por isso eles falem pouco. (...). As pessoas não reivindicam o direito deles, né? Esperam todos se acomodar... quando eles tão vendo mesmo que tão precisando num tem mais como eles se defender, aí sim eles começam mendigar o pouco o pouco que eles tão precisando. Eu acho que a culpa é daquele paternalismo, que eles sofrem há mais de quarenta anos... não só aqui, nos outros municípios também. Eles estão acostumados a receber e se calar com pouco que tem... Não sabe reivindicar. Poucos são os que reivindicam esses não são escutados os demais acabam se calando”.
E sobre a luta pelo encanamento d’água? Parece-nos que houve uma mobilização do grupo aqui...A constituição de uma organização política para que viabilizasse o encanamento:
“Isso... também tem um problema porque essas organizações quando elas se constituem elas são bem pontuais, elas só se constituem com base no problema, aqui também pra nós... Pra nós também foi assim... a gente quis sustentar porque talvez ele... essa forma de organização seja muito útil pra gente, mas, na cabeça das pessoas se gerou quando era bem pontual, quando conseguisse água...”.
Quem começou o movimento? Gilvane responde que: “Foi uma coisa mais espontânea. Fui eu quem começou o movimento”. No que interrogamos: como é que você conseguiu?
“... a gente começou a ver a experiência das outras pessoas e começou a observar que sozinho a gente não podia. (...). Tipo o ‘seu’ Moura. ... outros presidentes de associações né? Vimos que se a gente tivesse um poder institucional, a gente poderia ir mais longe...”.
Por que vocês se sentiram motivados a fazer uma associação? Gilvane responde:
“... porque se elas eram organizadas e ainda não estavam conseguindo, a gente não organizada seria impossível. Caetano complementa dizendo que: “... se eles lutando tanto pra conseguir tava sendo difícil, a gente sem nada...”“.
Nenhuma associação conseguiu...?
“A Associação do Mandacaru conseguiu algum recurso do Projeto São José... é o José Celino, o presidente. Fica pro sul aqui... (Mandacaru é um distrito na zona rural de Irauçuba). A associação do Missi tá bem organizada também. (Missi também é um distrito na zona rural de Irauçuba). A Associação lá do Livramento já tem aquela água... daquele poço... Alguns projetos como o Brasil/Canadá ‘tá’ chegando por aqui e eles conseguiram dessalinizador, energia solar pra essa comunidade...”.
Então nesse caso foi inspirado nessas outras associações que você começou a se movimentar... E como procedeu pra conseguir instituir a associação. Gilvane afirma que:
“Falamos sobre a mobilização para fundar associação do bairro e sabendo dos trâmites burocráticos, ficou fácil porque reuniu os vizinhos que eram seus parentes...”.
E continua falando sobre o processo de mobilização:
“... como essa vila era mais ou menos familiar aí foi difícil à maioria das pessoas são meus primos, meus tios, então, às vezes, aí é necessário nós reunirmos as pessoas. Chegava na casa dum conversava, as pessoas manifestavam interesse né? (...) Mas como todos adultos são imediatistas, queriam resultados mais amplos, aí era normal porque, pra quem sofre problemas, digamos, falta d’água, não pode esperar muito tempo”.
“... agora pra cá (apontando a direção oposta à anterior) as pessoas são da família mais outras pessoas também participavam. Eles viam o interesse e se achavam interessante, poucos participavam das reuniões... também houve poucas reuniões, né? Mas as reuniões tinham que ser coisas concretas aí dá pra reunir sem, sem ter, digamos assim, uma resposta...”.
Foi a associação que conseguiu a água para o bairro?
“... eu não posso lhe dizer que a água veio por meio da associação, eu acho que o poder político e a própria CAGECE (Companhia de Água e Esgoto do Ceará)... e se achar que ‘tava’ sentindo um certo peso... porque a gente tentou pelo projeto São José, a gente conseguiu aquele poço profundo, tem ali, mas o poço não deu água... o subsolo, essa parte não oferece nada de água... e. o projeto São José, a gente chegou a constituir, mas era muita burocracia... e acabou ficando pelo caminho...”.
Cássia
Cássia relata como está a associação atualmente (na sua gestão atual como presidente que sucedeu ao Gilvane), relatando um quadro muito diferente do citado por Gilvane, no que diz respeito à participação dos associados, encaminhamentos dos projetos e principalmente resultados que são quase insignificantes. A ação se resume a participar de reuniões. No que Gilvane salienta que os associados só se motivam diante de ações concretas.
Perguntamos o que são questões concretas. Gilvane refere-se à questão da água observando que ela motivou o grupo a lutar. E ao ser perguntado sobre algo além da água que a associação encampou, insiste que só pode se referir até a luta pela água, pois depois “saiu” da presidência (viajou para fazer um curso de especialização em São Paulo, um curso de Gestão Ambiental). Cássia continua relatando o processo de organização para a formação da associação dos artesãos, atual movimento do bairro.
Gilvane, em seguida, como que numa ressalva à sua fala sobre a água, afirma que a televisão e a falsa propaganda fazem uma imagem do município como seco, pobre, faminto.
Perguntamos como eles vêem a questão da seca.
“Irauçuba já carregou um rótulo assim de... como esse negócio da seca, da seca... né? Acho que município assim talvez... com situação muito pior, mas quando o tempo fica mais escasso, a televisão bate em cima, aí começa a mostrar problema, mas muitas vezes a televisão paga pras pessoas é... ficarem em situações ridículas pra, pra... mostrar o município como um todo assim... às vezes isso acaba provando...”.
Isto piora ou ajuda a comunidade? Perguntamos.
“... quando melhora as pessoas se sensibilizam, começam a mandar, alimentos, não dá pra cá, mas pra outras cidades também... e piora... é o rotulo da cidade como um todo né? Quando você chega numa cidade às pessoas dizem: ah, você é daquela cidade que as pessoas ‘tavam’ comendo rato, ‘tavam’ fazendo isso... né? Xiquexique... tudo a Irauçuba tem um pouco...”.
Mas até que ponto esse estigma representa alguma realidade, ou não é real?
Gilvane retruca: “... ah! Representa. Talvez, têm momentos que tá muito crítico e que não aparece nenhuma ajuda e tem momentos que nem tá tanto e a mídia começa a estimular esse tipo de coisa...”. Argumentamos que a água, de repente, é colocada como um grande problema, depois é dito: olha, a mídia explora isso dizendo que é uma cidade que está aí num estado avançado de desertificação, só fala em seca e que não é bem assim... Perguntamos então como coadunar, associar, essas duas afirmativas feitas e que parecem contraditórias. Gilvane então diz que: “... na verdade é que essa questão é séria, é séria, mas é... eu acho que existe um... é um... sensacionalismo por trás disso tudo... ele é negativo pras pessoas porque pro poder público ele acaba sendo benéfico, entendeu?”
Por que é negativo pras pessoas?
“As pessoas carregam uma baixa estima e o poder público acaba ficando mascarado, as pessoas não têm como recorrer ao poder público, e... fala não tenho dinheiro, e a situação é essa, as pessoas... ‘num’ é que tem que se conformar, a gente tem que passar junto, mas acaba ‘num’ fazendo nada...”. (...) eles entendem como seja uma coisa natural, mas aí eu acabo dizendo de novo, aquele paternalismo que tem, as pessoas, termina por ficar esperando e não tem poder de reivindicação. Acho que é a prefeitura a pessoa que ta lá (a pessoa que ta lá é o prefeito que ele parece preferir não dizer explicitamente), a gente entende, que sei lá, o cara não é governante, é... não sei nem como dizer, se é um reinado ou uma coisa assim, eles não entendem que eles [o povo] colocaram, eles têm que reivindicar. Eles não têm poder de decisão...”.
Naturalizações do fenômeno? Não parece tão simples assim, é de fato um movimento, de sombreamento e desvelar, que envolve múltiplos fatores. Haveria um certo reconhecimento de alienação por parte dos companheiros de infortúnio, e mesmo, demonstra a compreensão da gravidade das ações paternalistas que geram dependência e resolvem pontualmente uma situação de crise, atuando apenas nos sintomas.
Perguntamos ao Gilvane se o que ele quis dizer era que o problema da falta d’água seria um problema natural. Até que ponto isso é um problema natural e até quando isso é um problema natural dentro do cultural, no sentido de que existe um uso político e que o problema não deriva apenas de condições geofísicas, de recursos hídricos, em particular:
“... é um problema natural é... aqui tá chovendo em torno de 400 a 500 ml, o pessoal da FUNCEME (Fundação Cearense de Meteorologia) pelo que fala quando a maior culpa é por essa vertente... o vento desvia a chuva pelo outro lado, o outro lado fica mais úmido. (...). e eu acho que o problema é cultural, os outros governantes que teve anteriormente, eles só se ligavam em coisas pontuais, fazer cacimbões nas propriedades alheias e depois quando terminava a gestão deles os caras iam lá e cercavam e tinham aquilo como patrimônio... (...). Acho que o natural dá pra ser 35 a 40% e o restante é cultural... porque Sobral tem problemas mais sérios do que a gente e eles conseguem viver”.