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1. BÖLÜM: TÜKETİCİ SATIN ALMA KARAR SÜRECİ

1.2. Tüketici Satın Alma Karar Süreci

1.2.2. Bilgi Arama

1.2.2.2. Bilgi Kaynakları

Começamos a entrada no campo da pesquisa nos deixando levar pelos informes que nos vinham sobre possíveis informantes-chaves. Resolvemos assim entrar em uma casa no bairro que mais apresenta uma situação de problemas hídricos. Nessa residência tivemos a indicação de um senhor, Pedro Silva Sousa – o Pedro Piquira, que teria conseguido o “chafariz” para o bairro. Este que ainda hoje é o único acesso à rede de distribuição de água em toda área. Sua esposa, Marlene, foi secretária da Associação de Moradores do Bairro da Barragem até 2002.

Iniciamos, efetivamente, a apresentar aqui o trabalho com a História Oral. Entretanto, até para que criássemos uma situação na qual as pessoas ficassem mais à vontade, realizamos os depoimentos com a presença e participação dos demais membros da família. Ficamos atentos para observar a lógica que se relaciona com o movimento de compreensão sobre a água. A que núcleos temáticos se vincula. Precisamos manter em foco que a lógica do povo é uma lógica do pensamento em ação.

Pedro Piquira, falando sobre a conquista do chafariz, relata:

“... aí um dia ‘nóis37’ ‘‘tava’’ numa emergência, fazendo tijolo pro governo... Vinte e cinco ‘home’ trabalhando numa emergência (frente de trabalho38)... o feitor era o Pedro Santana... aí na derradeira gestão do Tuta

ele ainda ‘‘tava’’ tirando voto nessas serras, pegava nambu... (ele era candidato a vereador). Tuta, ele era vereador aqui, aí ele ia passando aí eu disse: (Tuta, rapaz, trabalhou umas duas ‘rês’, já ganhou duas ‘rês’, ‘num’ fez nada, - ele disse, o que é P. P? Pelo bairro da gente, arranja um... chafariz pro nosso ‘barrio’. Aí ele disse: Pedro quando for 5ª. Feira tu vai na câmara. Eu fiz que me esqueci. Quando foi na 2ª. feira ele bateu aqui mais o finado Gaudêncio (ex- prefeito), Gerardo Copita, o motorista”.

“Aí ele chegou e disse, rapaz tu num foi pra câmara pra assinar lá; mas eu ‘rim’. – eu fiz que tinha me esquecido – mais eu `num’ esqueci não... Sabe? Era só pra ‘vê mermo’ a atenção que era das autoridades. Aí o dr. Gaudêncio chegou, falou comigo – Muito bem; o chafariz vai sair dentro de 15 dias. Eu disse: muito bem ‘Dotô’, se o senhor fizer isso é uma boa pra ‘nóis’. O senhor tá vendo essas ‘muié’ tem as perna tudo torta da ‘rente’ passar nos lajedo aqui da barragem (apontando para o lado)... é de trazer água pra ‘nóis’... aí disse – muito bem ‘dotô’, se o ‘sinhô’ ‘fizé’ isso pra ‘nóis’, é uma boa. Aí dentro de quinze dias ele deu o chafariz pronto”.

De repente a conversa se concentra na fala da Marlene, esposa do Pedro Piquira. Ela nos diz de sua peregrinação como secretária da Associação dos Moradores do Bairro. Relata um pouco dos percursos desejantes tentando conseguir a luz elétrica. Primeiro com o Projeto São José e depois através de outro projeto que viabilizou a conquista. Segundo ela, não foi conquista da Associação, pois que todas as áreas da cidade que não tinham “luz” receberam o benefício. “Veio uma ordem que todos os bairros devia haver energia”. Outra busca foi pela creche... Não conseguiram o pretendido. Ou melhor, o prefeito ofereceu, o que era do seu interesse, uma ‘rádia’ que não foi pedida”. Seguiram- se as tentativas para se conseguir que a rede de abastecimento de água e esgoto chegasse lá. Segundo ela “muita gente fica mal satisfeita”. Segundo Marlene, o presidente da associação era o senhor Sebastião Salustiano da Mota.

Nesse bairro, as casas outrora ficavam pertinho das praias do rio Lanchinha. Dava pra tomar banho na sua margem. Hoje ele está, segundo a população local,

37 Percebendo as sutilezas da fala popular, o modo como singularizam as palavras, optamos por grafá-las o mais próximo

possível de como era escutada.

38 Servimo-nos do parêntese, em itálico para acrescentar idéias implícitas não explicitadas ou esclarecer pontos não

altamente poluído, pois vem sendo continuamente contaminado por esgotos domésticos que nele são jogados. O rio fica bem seco na época de estiagem das chuvas.

Em seguida, apresentamos um gráfico que indica o percurso de tentativa de acesso aos desejos da Associação de Moradores do Bairro da Barragem e da implantação da água encanada na cidade, segundo a interpretação que demos à descrição efetuada pelo Pedro Piquira e sua esposa Marlene.

Mapeamento Gráfico do Percurso Desejante do Grupo da Barragem

Rádio cessão da rádio da associação para as autoridades promessas políticasvazio de ações fecha a rádio

luta por energia e creche fundação da associação associação assina fechamento da rádio apatia de luta

projeto São José traz energia silêncios

recuo nas lutas luta-se novamente pela creche retorno da questão da água

Trajetória da água encanada de Irauçuba

Jerimum Æ Bairro do Açude (ETA) Æ Bairro do Cruzeiro (Cx d’água) Æ Demais Bairro Æ

Sebastião, esposa e Vânia

Na entrevista com Sebastião Salustiano da Mota tivemos possibilidades de enriquecer a história dessa associação do Bairro da Barragem com suas tentativas de conquistar seus desejos, na sua trajetória de significação. Sebastião, 76 anos, foi presidente da associação do bairro, bairro da Barragem. Antes havia sido tesoureiro do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Irauçuba. Isto de 73 a 76. Aqui no bairro

assumiu como primeiro tesoureiro no dia 21 de abril de 1996. Ele trata da fundação da Associação do Bairro:

“A associação foi criada nessa data, com o presidente de nome Gerardo Xavier, conhecido por Aldo. Ele foi escolhido por ter prática anterior. Ele, agricultor, o saber dele é pouco e o meu é pouco e o dele é menos pouco ainda. Foi ele quem começou... (... 39) O objetivo da associação era trazer melhoria de

vida para o bairro, defender os direitos do povo”.

Um dos primeiros objetivos concretos era conseguir energia elétrica para o bairro, isto em 96, através do Projeto São José. Entretanto, não foi através desse projeto que se conseguiu energia. Segundo o Sebastião Salustiano da Mota:

“Surgiu um outro projeto do governo: ‘Luz em Casa’, que não necessitava de empréstimo, bem mais fácil e rápido. No projeto São José precisava fazer um empréstimo em nome da associação. O ‘Luz em Casa’ era dinheiro do Estado e uma pequena parcela do município (20%). Visava beneficiar toda a população do município. Isto em 1998”.

“(...) A outra luta foi para ver se conseguia uma creche. Isto no seu primeiro mandato, em 1998. (...) A luta seguinte da associação foi por água encanada no bairro. Que não temos. Temos até a rua 21 de junho aonde tem o chafariz. ...Já existia o chafariz. Foi muito antes da associação. (...) Não se conseguiu nada com esta luta.(...) Perto das eleições, o prefeito cavou umas valas no bairro e ficou nisso, isto em setembro de 2000 (tiveram dúvidas quanto à data). A vala já fez aniversário“.

Sobre a importância da associação ele diz que:

“Associação é pra ver tudo o quanto existe no bairro. Principalmente a carência do bairro... A vantagem porque tem uma pessoa que representa o bairro. (...) Porque uma autoridade aí se eu chegar lá sozinho ele não vai prestar atenção... principalmente o político. (...). Adianta porque o político é como um pescador. A diferença é que o pescador pesca peixe e o político pesca voto. Então o político só vai aonde ele vê que tem muito voto. O povo reunido o político dá mais assistência. Ele tem medo do povo reunido. (...) Agora a dificuldade que tenho encontrado aqui é que o povo ainda não ta bem esclarecido. A gente vive esclarecendo... vamos se reunir porque unido à gente consegue as coisas. E consegue mesmo. (...) Nesta eleição participaram 187 eleitores dos 192 associados, mas na posse só teve 30 participantes”.

39 Utilizamos reticência entre parêntesis para indicar exclusão de trecho do depoimento que consideramos irrelevante ou

Sua filha, Vânia, a atual secretária da associação, afirma que “. Os sócios se reúnem uma vez por mês. Os sócios é quem sabem o que o bairro ‘tá’ precisando. (...) Vai mais gente quando se percebe um certo interesse em alguma coisa”.

Volta a palavra para o Sebastião que afirma: “Em nenhuma associação conseguiu isto que houve nesse bairro... dessa vez ‘tava’ em disputa. A disputa foi acirrada, pois houve política. Foi eleito Pedro Mota Barreto, conhecido como Pedro Santana (sobrinho do Sebastião)”.

A rádio comunitária não fora pedida pela população. Como o ‘seu’ Sebastião não foi concretizar a reabertura da rádio, eles, os políticos, foram tentar a eleição para poder reabrir a rádio. Os votos foram 124 para a sucessão e 64 para o Pedro Santana.

“Juntaram dinheiro, os políticos ‘tavam’ fazendo tudo isso... e não gastamos nenhum centavo. A associação não tem interesse na reabertura da rádio, para reabrir tem que pagar multa. Na cidade existem duas rádios (a terceira seria essa). Não tem ligações políticas – uma do Rocha, outra da Associação de Jovens. Já essa era usada por políticos”.

O Sebastião diz: “achei que ‘tava’... dando algo para o prefeito ao assinar o documento da rádio para receber algo em troca: a água encanada”. Apesar dessas contradições, esse marcador demonstra uma reflexão política bastante avançada. Consegue discutir os problemas com uma perspectiva integrada e constata que os problemas sócio-ambientais se relacionam a diversos fatores tais como a política local, problemas climáticos, restrições tecnológicas etc. Certamente, percebe-se aí uma ingenuidade no trato com o poder local.