1.2. Ç EVRE E TİĞİNE İ LİŞKİN K AVRAM VE T ANIMLAR
1.2.1. Çevre
O Art. 22 da Constituição Federal de 1988 versa que cabe à União legislar, entre outras coisas, sobre as diretrizes e bases da educação nacional. Em decorrência disso e também pela necessidade de se organizar as etapas e modalidades da educação básica, foram criadas por meio do Parecer 11/2012 as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional Técnica de Nível Médio.
A Educação Profissional, por possuir um modo próprio de organização e sistematização, é considerada uma modalidade da educação básica. Nesse sentido, as Diretrizes reúnem os conceitos e procedimentos do Decreto 5.154/2004 e da Lei nº 11.741/2008 que redimensionaram e institucionalizaram a Educação Profissional no Brasil.
No tocante ao Ensino Médio articulado com a Educação Profissional – denominado Ensino Médio Integrado, os cursos ofertados são organizados de forma integrada. Tal modelo de Ensino Médio Integrado é o utilizado pelas Escolas Estaduais de Educação Profissional do Ceará, foco da presente pesquisa. Nesse sentido,
o que está proposto é um curso único (matrícula única), no qual os diversos componentes curriculares são abordados de forma que se explicitem os nexos existentes entre eles, conduzindo os estudantes à habilitação profissional técnica de nível médio ao mesmo tempo em que concluem a última etapa da Educação Básica (BRASIL, 2013, p. 44).
Quanto à organização curricular, em consonância com o que dizem as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica (2013), fundamenta-se na identificação das tecnologias que se encontram na base de uma dada formação profissional e dos arranjos lógicos por elas constituídos, ou seja, facilita a organização de percursos a serem seguidos e desenvolvidos, além de direcionar as ações educativas das instituições.
Nessa perspectiva e dada à necessidade de se criar novas formas de organizar os componentes curriculares da Educação Profissional, o Projeto Político Pedagógico das instituições de Ensino Médio Integrado deve, entre outras coisas, promover a integração entre a teoria e a prática com o mundo do trabalho por meio de estágio supervisionado.
Porém, é necessário considerar que,
tendo em vista que a função precípua da educação, de um modo geral, e do Ensino Médio – última etapa da Educação Básica – em particular, vai além da formação profissional, e atinge a construção da cidadania, é preciso oferecer aos nossos jovens novas perspectivas culturais para que possam expandir seus horizontes e dotá-los de autonomia intelectual, assegurando- lhes o acesso ao conhecimento historicamente acumulado e à produção coletiva de novos conhecimentos, sem perder de vista que a educação também é, em grande medida, uma chave para o exercício dos demais direitos sociais (BRASIL, 2013, p. 145).
Assim, o que de fato se coloca como importante no desenvolvimento de uma Educação Profissional integrada ao Ensino Médio é que ela deve reconhecer e atender os diferentes anseios da juventude e da sociedade, ou seja, precisa levar em consideração os arranjos produtivos locais, regionais e as características da
sociedade para propor melhorias na formação dos estudantes e, por conseguinte, proporcionar mudanças e desenvolvimento social.
Para tanto, as Diretrizes apontam que o desenvolvimento do Ensino Médio integrado com a Educação Profissional precisa respeitar uma carga horária mínima de 3.200h na tentativa de garantir o aprimoramento da qualidade da Educação Profissional ofertada no Brasil, visto que “a nova realidade do mundo do trabalho passou a exigir da Educação Profissional que propicie ao trabalhador o desenvolvimento de conhecimentos, saberes e competências profissionais complexos” (BRASIL, 2013, p. 206) que levem em consideração “a ciência e a tecnologia como construções sociais, histórico-culturais e políticas” (BRASIL, 2013, p. 207) e, especialmente o papel da Educação Profissional diante da necessidade de desenvolvimento do país.
Nesse contexto, o mundo do trabalho é, pois, a referência da Educação Profissional. Assim, a escola que oferta essa modalidade da educação deve atentar para a necessidade que o trabalhador tem de conhecer a tecnologia, a ciência e os processos de produção como condição desse estudante e futuro trabalhador poder contribuir com o desenvolvimento pessoal, social e econômico.
Partindo deste princípio, e preciso considerar que a educação para o trabalho rompe com a ideia de formação de mão-de-obra e passa a incorporar o trabalho, assim como a educação, como um dos direitos universais e fundamentais de todos os cidadãos.
Atualmente,
não se concebe uma Educação Profissional identificada como simples instrumento de política assistencialista ou linear ajustamento às demandas do mercado de trabalho, mas sim como importante estratégia para que os cidadãos tenham efetivo acesso às conquistas científicas e tecnológicas da sociedade. Impõe-se a superação do enfoque tradicional da formação profissional baseado apenas na preparação para execução de um determinado conjunto de tarefas a serem executadas. A Educação Profissional requer, além do domínio operacional de um determinado fazer, a compreensão global do processo produtivo, com a apreensão do saber tecnológico, a valorização da cultura do trabalho e a mobilização dos valores necessários à tomada de decisões no mundo do trabalho (BRASIL, 2013, p. 209).
Observa-se, no trecho destacado, que as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional estão fundamentadas e centradas numa ideia muito mais ampla do que formação de mão-de-obra e nos princípios politécnicos. Isso, por
conseguinte, exige tanto da escola quanto das redes de ensino uma revisão dos currículos para que, de fato, eles possam ser integrados e possibilitem aos estudantes “um contínuo e articulado aproveitamento de estudos, saberes e competências profissionais” (BRASIL, 2013, p. 210).
Na perspectiva da política educacional do Ceará com a criação e desenvolvimento das Escolas Estaduais de Educação Profissional, faz-se necessário pensar a Educação Profissional,
de forma integrada e inclusiva como política pública educacional é necessário pensá-la também na perspectiva de sua contribuição para a consolidação, por exemplo, das políticas de ciência e tecnologia, de geração de emprego e renda, de desenvolvimento agrário, de saúde pública, de desenvolvimento de experiências curriculares e de implantação de polos de desenvolvimento da indústria e do comércio, entre outras. Enfim, é necessário buscar a caracterização de seu papel estratégico no marco de um projeto de desenvolvimento socioeconômico sustentável, inclusivo e solidário do estado brasileiro (BRASIL, 2013, p. 211).
Nesse sentido, o currículo desenvolvido e praticado pelas escolas deve fundamentar-se nas tecnologias que compõem cada proposta de formação profissional e ser composto pelas dimensões da formação humana, a saber: trabalho, ciência, tecnologia e cultura.
Observa-se que a articulação do currículo integrado dá-se, necessariamente, pelas formas de integração entre o conhecimento e o trabalho, a ciência, a tecnologia e a cultua. Assim, a subseção que segue procura situar a escola pesquisada no contexto legal e das práticas educacionais voltadas para o Ensino Médio e a Educação Profissional do Ceará no âmbito das dimensões da formação humana.
1.1.2 A Educação Profissional e o Ensino Médio no Ceará a partir do Decreto