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12. SONUÇ

12.1 Eğitim, Kültür ve Sanat Uygulamalarının Temel Sorunları ve Çözüm

12.1.10 Kent kültürü ve kimliğinin, aidiyet duygusunun oluĢturulamaması

- Hidrologia Superficial

Manoel Filho (1971), estudando a hidrografia da Folha Paraíba NO, aonde se insere o aterro sanitário de Massaranduba, informa que rede hidrográfica deságua, toda ela, na costa oriental, sendo os principais rios, o Ceará Mirim, o Maxaranguape e o Potengí. Os dados hidrológicos disponíveis sobre o regime desses rios são escassos e antigos e, quase nada permitem concluir. Os demais são pequenos riachos independentes, que nascem na zona litorânea de dunas e que são alimentados durante grande parte do ano por ressurgências difusas, oriundas das restituições de água subterrânea.

A exceção a essa regra é a bacia hidrográfica do rio Doce, localizada entre as bacias do Ceará Mirim, composta pelo rio do Mudo e pelo rio Guajirú, que deságuam na lagoa de Extremoz, que ao sangrar forma o rio Doce, fluindo direção à costa oriental. Esta bacia está na área de influencia direta do aterro (Figura 4).

Figura 4 – Bacia Hidrográfica Doce Fonte: Manoel Filho (1971)

A bacia hidrográfica do Rio Doce, que desaguava anteriormente no Oceano Atlântico pela costa da praia da Redinha, e após dragagem, deságua atualmente no braço de maré do Rio Potengí, é composta por dois cursos d’água, o Rio Guajirú e o Rio do Mudo, os quais se confluem formando a Lagoa de Extremoz, cujo desaguadouro recebe a denominação de Rio Doce

.

- Comportamento Hidrográfico na Região do Aterro Sanitário

O local do aterro sanitário de Massaranduba está situado no divisor de águas dos rios do Guajirú e do Mudo, na bacia hidrográfica do Rio Doce, que atualmente limita a pressão da conurbação dos municípios da Grande Natal, carece o local de estudos e informações básicas, necessárias ao processo de planejamento econômico e urbano ordenado (Figuras 5 e 6).

Figura 5 – Rio do Mudo Fonte: Melo (1996)

Figura 6 – Rio Guagirú Fonte: Melo (1995)

Em razão da importância que essa região tem para o Rio Grande do Norte, notadamente para região conurbada da Grande Natal, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte solicitou o apoio financeiro do Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico para o projeto de Pesquisa "Potencialidades Hídricas e Impactos Ambientais nas Bacias Hidrográficas do Rio Doce e Ceará Mirim".

Melo (1996), fazendo a revisão bibliográfica, considera:

Os recursos hídricos e agrícolas das bacias dos rios Doce e Ceará Mirim são pouco conhecidos. Os trabalhos existentes são a nível de reconhecimento, escala regional ou muito localizados, o que tem dificultado uma avaliação confiável de suas reservas e disponibilidades. Não se dispõe de estudos sobre os impactos

ambientais nas águas subterrâneas e superficiais das bacias dos rios Dôce e Ceará Mirim.

Convém assinalar o trabalho de Melo (1995), que trata dos impactos do desenvolvimento urbano nas águas subterrâneas da Zona Sul da cidade de Natal. De acordo com o mesmo, “o sistema de saneamento com disposição local de efluentes, mediante o uso de fossas e sumidouros e a ocupação irregular e desordenada do terreno, constituem-se nas atividades de maiores efeitos degradacionais das águas e solos".

Castro (2001), fazendo a análise do quadro atual no contexto do gerenciamento dos recursos hídricos, informa que, e recomenda:

• O Sistema Aqüífero-Lacustre Extremoz dispõe de um elevado potencial hídrico de excelente qualidade, representado pelas águas subterrâneas do aqüífero Barreiras e da Lagoa de Extremoz;

• As atividades urbanas e industriais constituem as fontes potenciais de contaminação;

• É de fundamental importância a implantação de um sistema de saneamento com rede de esgotos sanitários;

• A efetivação, dentro desse contexto, do gerenciamento dos recursos hídricos, tendo como base a outorga de direito de uso d’água, as licenças de obras hídricas, a criação da associação dos usuários e de um comitê de Bacia (Figuras 7 e 8).

Figura 7 – Sangradouro da Lagoa de Extremoz Fonte: Castro (2001)

Figura 8 – Lagoa de Extremoz – Vista panorâmica Fonte: Castro (2001)

Em razão do acima exposto a operação do aterro sanitário de Massaranduba, longe de ser um problema teria que ser uma solução.

- Clima

O clima foi caracterizado pelos seguintes elementos: precipitações, temperaturas, ventos, umidade relativa, insolação, evaporação, evapotranspiração e semi-aridez.

- Precipitações

As alturas de chuva variam, de leste para oeste, desde 1599 mm, em Natal, até 393 mm em Queimadas, e as isoietas se alinham quase paralelamente umas às outras, de sul para o norte (Figura 9).

Figura 9 – Isoietas Médias Anuais - Folha da Paraíba-NO Fonte: TAHAL/SONDOTÉCNICA (1969)

Os valores médios mensais foram tomados a partir de 7 (sete) Estações (Ceará Mirim, Jardim de Angicos, João Câmara, Macaíba, Queimadas, São Paulo do Potengí, Taipú e Touros), no período de 1911 a 1958.

Os histogramas dessas estações revelam que o período chuvoso da área se estende de janeiro a agosto, com as seguintes tipicidades:

• Nas estações mais interiores os valores máximos são em abril;

• Na costa leste, os valores máximos se verificam em junho e as chuvas alcançam o mês de setembro como, por exemplo, em Natal;

• Na costa norte, os valores máximos têm lugar, como no interior, no mês de abril.

- Temperaturas

Os valores de temperaturas estão disponíveis apenas para as estações de Macaíba e Natal (Quadro 6).

• Em Macaíba a temperatura média anual é de 24,1ºC, a máxima média é de 30,8ºC, e a amplitude térmica média de apenas 10,5ºC (1914-1942);

• Em Natal a média é de 26,1ºC, a máxima média é de 29,3ºC, e a amplitude térmica média é de 6,3ºC (1912-1917,1921-1922,1924-1942).

Quadro 6 – Temperaturas Normais Anuais e Extremas (ºC)

POSTO MACAÍBA NATAL

Período 1914-1942 1914-1963 1912-1942 1912-1967 Média das Máximas 30,8 30,8 29,3 29,1 Média das Mínimas 20,3 20,6 22,9 22,7 Média Compensada 24,1 25,2 26,1 26,0 Máxima Absoluta 35,5 35,5 33,7 36,7 Mínima Absoluta 13,4 13,4 16,6 14,8 Fonte: TAHAL/SONDOTÉCNICA (1969) - Ventos, Umidade Relativa e Insolação

Para Manoel Filho (1970) a direção predominante dos ventos é sudeste, e a velocidade média varia de 4,6 m/s em Natal a 2,4 m/s em Macaíba; enquanto que a umidade relativa do ar varia pouco e se mantém, em média, em torno de 80% e a insolação média anual é de 2954 horas (Quadros 7 e 8)

Quadro 7 – Normais de Velocidade Média e Direção dos Ventos

POSTO/PERÍODO NATAL 1913-1933 MACAÍBA 1914-1963

MÊS V (m/s) Direção V (m/s) Direção

Janeiro 4,2 SE 3,4 E

Março 3,9 SE 3,1 E Abril 4,2 SE 3,0 SE Maio 4,0 SE 3,1 SE Junho 4,2 SE 3,3 SE Julho 4,8 SE 3,4 SE Agosto 4,9 SE 3,9 SE Setembro 4,4 SE 3,5 SE Outubro 4,3 SE 3,5 SE Novembro 4,2 SE 3,6 E Dezembro 4,9 SE 3,4 E Fonte: TAHAL/SONDOTÉCNICA (1969) Quadro 8 – Normais de Umidade Relativa

POSTO E PERÍODO NATAL (1913-1967) MACAÍBA (1914-1963)

NORMAL MENSAL: Janeiro 79,5 75,2 Fevereiro 76,0 76,5 Março 76,0 79,0 Abril 80,2 82,9 Maio 80,9 83,7 Junho 81,3 84,0 Julho 80,9 83,2 Agosto 78,4 80,2 Setembro 76,2 77,9 Outubro 74,6 74,9 Novembro 74,8 74,1 Dezembro 79,5 74,4 NORMAL ANUAL: 77,3 78,8 Fonte: TAHAL/SONDOTÉCNICA (1969).

Evaporação e Evapotranspiração – Em Natal, segundo Manoel Filho (1970), a evaporação média anual, medida em tanque “Classe A”, é da ordem de 1800 mm, e a evapotranspiração potencial é da ordem de 1500

mm.

As “Normais Climatológicas da Área da SUDENE”, publicadas em 1963 (períodos apurados de 1912-1917, 1921-1922, 1924-1942), constatou-se que para o período de 1913-1967, o mês de maior evaporação diária é novembro com 214 mm mensais, ou seja, 7 mm/dia; e mês de menor evaporação diária é junho com 114 mm mensais, ou seja 3,8 mm/dia.

No (Quadro 9), apresenta-se a climatização dos municípios da grande Natal, área do entorno do aterro sanitário de Massaranduba e que destinam seus resíduos sólidos urbanos para o referido aterro.

Quadro 9 – Caracterização Climatérica dos Municípios da Grande Natal

Município Ceara-Mirim Extremoz Macaíba Natal Parnamirim São G. do Amarante Tipo de

Clima Sub-Úmido Úmido a Sub-Úmido

Úmido Sub- Úmido Úmido Úmido a NW. Sub-Úmido a SE Úmido a Sub-Úmido a W Precipitação Pluviométrica 1. Média Anual 1079,0mm 1500,0mm 1027,1mm 1562,1mm 1650,0mm 1450,0mm 2. Máxima Anual 2098,2mm xxxxxxxxx 1858,4mm 3510,9mm xxxxxxxxx xxxxxxxxx 3 Mínima Anual 398,2mm xxxxxxxxx 479,2mm 530,1mm xxxxxxxxx xxxxxxxxx Período

Chuvoso Março a Fevereiro a Março a Julho Fevereiro a Fevereiro a Fevereiro a

Agosto Setembro Setembro Setembro Setembro

Temperatura Média Anual 25,3ºC 26,1ºC 27,1ºC 27,1ºC 27,1ºC 27,0ºC Umidade relativa ar média anual 79% 77% 76% 76% 79% 76%

Fonte: Informativo Municipal IDEMA (1999)

Na (Figura 6) apresenta-se a localização dos municípios do entorno da área do aterro sanitário, que recebe os resíduos sólidos urbanos dos mesmos.

Figura 6 – Localização dos municípios e da área em estudo Fonte: IBGE (1999)

- Clima no Município de Ceará Mirim

O IDEMA (1999) informa a seguinte caracterização climatérica para o Município de Ceará Mirim:

Tipo: Sub-Úmido;

Precipitação pluvial anual: Média: 1.079,0 mm, Máxima: 2.098,2 mm e, Mínima: 398,5 mm;

Período chuvoso: março a agosto; Temperatura média anual: 25,3º C;

Umidade relativa do ar média anual: 79%.

A SUDENE (1984), levantou os dados de pluviometria mensal de dois postos meteorológicos no município de Ceará Mirim:

- Posto de Jacumã (Nº3819156, Cód. Nac.00535016), instalado em 1956 pelo DNOS em 1956 (latitude: 5º35´, longitude: 35º14´, altitude: 5 m), com dados de 1963 a 1983;

- Posto de Ceará Mirim (Nº3819216, Cód. Nac. 00535027), instalado pela IFOCS em 1910 (latitude: 5º38´, longitude: 35º26´, altitude: 40 m), com dados de 1910 a 1979

.

Os dados pluviais mensal do posto Ceará Mirim estão recuperados em anexo ao fim do capítulo e, devidamente tratados na (Figura 11) e (Quadro 10) a seguir:

- Pluviometria média mensal: máximas, médias e mínimas;

- Pluviometria mensal: anos de maior (1974) e menor (1956) precipitação; - Pluviometria mensal: quadro sinótico

- Clima na Área do Aterro Sanitário

Castro (2001), analisou o condicionamento físico da Bacia do Rio Doce, subdividindo-o em três partes, em função dos aspectos climatológicos e geológicos,

localizando-se a área do aterro sanitário de Massaranduba na parte central (Figura 11).

Os aspectos climatológicos identificados foram os seguintes: - Precipitação média anual: 1.032 mm,

- Temperatura média anual: 25,4ºC e, - Insolação média anual: 2600 horas.

Os valores detectados em tudo se assemelham aos encontrados para o Posto de Ceará Mirim, com pluviometria média anual: 1.079 mm e temperatura média anual de 25,3ºC.

Figura 11 – Bacia do Rio Doce – aspectos climatológicos e geológicos Fonte: Castro (2001)

O trimestre mais seco do ano é outubro/ novembro/dezembro, enquanto que o mais úmido é abril/maio/junho, ficando a precipitação média anual em torno de 1.082 mm (média histórica de 67 anos). O Quadro 10 apresenta a média da pluviometria do Município de Ceará Mirim.

Quadro 10 – Dados pluviométricos de Ceará Mirim

Meses Precipitação Média Evapotranspiração Precipitação Média - Evapotranspiração Janeiro 49,8 204 -154,2 Fevereiro 87,1 178 -90,9 Março 152,2 168 -15,8 Abril 189,5 134 55,5 Maio 157,3 127 30,3 Junho 166,1 114 52,1

Julho 128,2 121 7,2 Agosto 65,4 150 -84,6 Setembro 31,2 180 -148,8 Outubro 15 216 -201 Novembro 11,4 214 -202,6 Dezembro 27,9 215 -187,1 TOTAL 1081,1 2021 -939,9

Fonte: Informativo Municipal IDEMA (1999).

2.8.5 Geologia

- Geologia do Município de Ceará Mirim

O IDEMA (1999), descrevendo os Aspectos Geológicos do Município de Ceará Mirim, insere-o principalmente na área de abrangência do Grupo Barreiras, com idade do Terciário Superior, nele predominando argilas, arenitos, arenitos conglomeráticos, siltitos, arenitos caulínicos, inconsolidados e mal selecionados

.

As rochas do Grupo Barreiras estão recobertas localmente por extensas coberturas arenosas coluviais e eluviais indiferenciadas, que formam solos altamente permeáveis e lixiviados.

Próximo ao litoral e recobrindo toda a seqüência estão as Paleodunas ou Dunas Fixas com idade do Quaternário, compostas por areias inconsolidadas e bem selecionadas de origem marinha, que foram transportadas pela ação do vento (eólica) formando cordões, altamente fixados por vegetação.

Acompanhando a faixa litorânea estão depositados os sedimentos areno- quartzosos, transportados pelos ventos que compõem as Dunas Móveis (ou Dunas Recentes), também de origem marinha.

Enquanto nos vales dos leitos dos principais rios que cruzam a área do município, estão depositados os sedimentos clásticos de origem continental, formadores das aluviões recentes (Idade Quaternária).

No limite oeste do município, nas partes baixas dos vales principais rios, podem aflorar xistos com granitos, gnaisses, migmatitos e localmente rochas tanto do Embasamento Cristalino (Idade Pré-cambriana) quanto rochas pertencentes a seqüência sedimentar da Bacia Potiguar, com calcários, argilitos e folhelhos de Idade Cretácea.

Damasceno et al (1986), estudando as microfácies carbonáticas da região ocidental de Natal, enfoca os calcários aflorantes em Macaíba (BR 226, Pajussara), São Gonçalo do Amarante (Fazenda Califórnia, Fazenda Arvoredo, Fazenda Massaranduba) e Ceará Mirim (Itapassaroca, Jacoca e Veadas), conclui que compreendem microfácies compostas em comum, com dominância de microsparitos dolomíticos com quartzo, com intensa dolomitização.

- Geologia da Área do Aterro Sanitário

Na área de localização do aterro foram realizadas inicialmente quatro sondagens geológicas e, posteriormente, construídos um poço tubular e quatro piezômetros, destinados ao abastecimento d’água e monitoramento do empreendimento. Para o estudo geológico em detalhe da área do aterro e do seu entorno, verificou-se em superfície a predominância dos sedimentos terciários, com suas coberturas arenosas, como principal formação aflorante, estando recoberta por depósitos aluviais nos vales dos rios Guajiru e do Mudo, e recobrindo quase totalmente os sedimentos cretáceos, com o topo dos quais fazem contato na sua base (Figuras 12, 13 e 14).

Figura 12 – Área do aterro - Coberturas arenosas Fonte: IDEMA (1999)

Figura 13 – Grupo Barreiras – Unidade superior Fonte: IDEMA (1999)

Figura 13 – Grupo Barreiras – Unidade inferior Fonte: IDEMA (1999)

Apenas na Fazenda Massaranduba afloram os sedimentos cretáceos, localmente representados pela seqüência carbonática superior, sendo a rocha um microsparito dolomítico, com uma composição de 91,86% de dolomita (Figura15).

Figura 15 – Microsparito dolomítico da Fazenda Massaranduba Fonte: IDEMA (1999)

Nesse local existe o poço tubular que intercepta a seqüência carbonática superior e a seqüência clástica inferior até o embasamento cristalino.

A análise correlativa dos perfis geológicos provou a existência de um sistema de falhas afetando o pacote dos sedimentos terciários e cretáceos, como bem demonstram os perfis geológicos.

Os dados levantados dos poços da região foram cadastrados em um banco de dados onde estão contidas as coordenadas X, Y, Z e respectivo datum, profundidade, nível estático, nível dinâmico, vazão, informação da existência ou não do perfil do poço e eventuais observações, além dos intervalos, resumo dos materiais descritos e litologias encontradas nos perfis dos poços.

Os demais mapas temáticos como altimetria, hidrografia, vias de acessos, áreas urbanas, seções verticais, entre outros, estão armazenadas em um ambiente SIG (Sistema de Informações Georeferenciadas) onde podem ser feitas a manipulação e atualização dos dados, além do tratamento tridimensional. Este possibilitou a visualização e análise da morfologia da superfície estudada e uma melhor visualização espacial das seções e poços gerados na área do aterro (Figura 16).

Figura 16 – Modelo Digital de Elevação mostrando a área do aterro (ao fundo), lagoa de Extremoz e os Rios Guajiru e do Mudo (Exagero vertical de 15x)

Fonte: EIA/RIMA - Litologia e Estratigrafia

Os mapas temáticos como altimetria, hidrografia, vias de acessos, áreas urbanas, seções verticais, entre outros, estão armazenadas em um ambiente SIG (Sistema de Informações Georeferenciadas) onde podem ser feitas a manipulação e atualização dos dados, além do tratamento tridimensional. Este possibilitou a visualização e análise da morfologia da superfície estudada e uma melhor visualização espacial das seções e poços gerados na área do aterro

Os perfis litológicos obtidos com a execução das sondagens no local do aterro (ver EIA/RIMA), mostram um pacote sedimentar, constituído basicamente por areias e arenitos argilosos , com coloração variada e granulometria de fina a média. A presença de siltitos, intercalação de caulim e níveis de seixos também são observados. Estes litotipos são característicos do Grupo Barreiras, já descritos na geologia regional, com idade atribuída ao Tercio-quaternário.

A análise dos perfis permite ainda individualizar 03 (três) unidades litoestratigráficas presentes no pacote insaturado, as quais denominaremos informalmente aqui de unidades A, B, C, e que serão descritas a seguir do topo para a base (Figura 17).

Unidade A – Formada por um solo areno-argiloso, homogêneo, coloração variando de creme a amarelado, bem caracterizado em todas as sondagens, e com

espessura variando de 6 a 9 metros. Pode-se inferir duas hipóteses de gênese para este estrato; a primeira seria o retrabalhamento do Grupo Barreiras, devido a ação do intemperismo, dando origem a uma cobertura areno-argilosa; a segunda seriam vestígios de DUNAS antigas preservadas, entretanto estudo sedimentológicos mais acurados, como por exemplo morfoscopia do grãos, poderiam dirimir esta dúvida.

Unidade B – Caracterizada por arenitos argilosos, por vezes siltosos, de coloração predominantemente avermelhada e granulometria de fina a grossa, sendo observados ainda níveis de caulim. Intercalações de arenitos amarelados foram identificados nas sondagens, 01 e 02. A variação da espessura é bastante significativa, variando de 8,0 metros (S-04) a 27 metros (S-01).

Unidade C – É constituída por arenitos e siltitos variando de amarelado a esbranquiçado com presença significativa de caulim, e granulometria fina a média, com lentes de níveis grosseiros. A espessura até o nível saturado (lençol freático), varia de 9,0 metros (S-02) a 4,0 metros (S-03).

A individualização destas duas unidades se trata apenas de tentativas de detalhamento da zona insaturada, e possui caráter informal. De ponto de vista regional estas unidades (B e C), devem ser analisadas em conjunto, como parte integrante do Grupo Barreiras, provavelmente pertencentes a Formação Guararapes (Mabessone et al. 1968).

Figura 17 – Descrição litológica detalhada Fonte: IDEMA (1999)

- Hidrogeologia

Visando caracterizar a condutividade hidráulica (K), do meio insaturado, foram executados, pelo IDEMA, 06 (seis) ensaios de infiltração aproveitando para tanto, os furos de sondagens de reconhecimento. O método utilizado foi desenvolvido por Gilg e Gavard (1957), para ensaios com revestimento, e Ródio (1960), para ensaios sem revestimento, descritos por ABGE (1996)

.

Os intervalos a serem testados foram previamente definidos de maneira que todas as 03 (três) unidades estratigraficas descritas no item anterior fossem testadas. Em função da profundidade do intervalo e das características do estrato, o furo era ou não revestido com tubos de PVC de 4” de diâmetro.

Os resultados da condutividade hidráulica (K) obtidos variaram de 2,700 x 10-4 a 1,260 x 10-4 cm/s, conforme mostra o Quadro 11, o que evidencia uma homogenidade das características hidrodinâmicas do meio insaturado, e estão compatíveis com os litotipos identificados nas sondagens, como pode ser observado no Quadro 11, desenvolvida por Mello & Teixeira (1967).

Quadro 11 – Valores de Condutividade Hidráulica

Fonte: Mello & Teixeira (1967).

A ordem de grandeza obtida, para a condutividade hidráulica (K) da zona não saturada (10-4cm/s), demonstra que a área do aterro tem uma certa vulnerabilidade, e qualquer ação importante produzida na superfície, na área do aterro sanitário, deve ser precedida de uma total impermeabilização da superfície do solo, sob pena de se correr um risco elevado da contaminação do lençol freático no local, e por conseqüência o aqüífero regionalmente.

Após a análise dos dados e produtos obtidos pode-se efetuar alguns comentários sobre o funcionamento hidráulico do Aqüífero Barreiras, no âmbito da área do aterro sanitário e adjacências.

Com base nos dados das seções hidrogeológicas, bem como nas amostras de calha coletadas quando da execução das sondagens para os ensaios de infiltração, observou-se que o aqüífero em estudo é composto basicamente por três unidades hidroestratigráficas individuais. As seções foram elaboradas no sentido perpendicular as equipotenciais e mostra nitidamente o sentido do fluxo subterrâneo em direção ao dreno superficial, formado pelo rio Guajiru, fato este, que se ajusta perfeitamente aos resultados obtidos com o mapa potenciométrico. Pode-se observar ainda a continuidade lateral, das unidades estratigraficas descritas, bem como a variação da profundidade do lençol freático, em função da superfície topográfica do terreno

.

A configuração do mapa potenciométrico, bem como da superfície potenciométrica, verifica-se que a mesma acompanha normalmente a superfície do terreno, demonstrando cabalmente, que o aquífero Barreiras na área do aterro é o do tipo livre. Nesta área observa-se que a topografia do terreno apresenta cotas topográficas variando aproximadamente entre 60 e 80m. Em direção ao Rio Guajiru

Sondagens Intervalo (m) (m) ∆h t(seg) r(m) h0(m) d1(m) d(m) L(m) K cm/s

S1 10 – 17 4,298 1800 0,088 7 - - 2,7X10-4 S2 20 - 33 10,83 1800 0,063 13 - - 1,9X10-4 S3 12 – 14 5,554 1200 - 9,4 0,101 0,127 2 1,3X10-4 S4 12 – 13 8,85 1800 - 12,5 0,101 0,127 1 1,4X10-4 S5 4,0 – 6,0 4,736 1800 - 5 0,101 0,127 2 1,3X10-4 S6 8,0 – 9,0 5,939 1800 - 8,5 0,101 0,127 1 1,4X10-4

tais cotas vão decrescendo com uma suave inclinação, até que num dado setor (no alinhamento entre os poços P-43 e S-06) a topografia bruscamente torna-se íngreme e com altos gradientes de relevo, atingindo uma cota topográfica de 16,15m no Poço P-11. Essa variação brusca de inclinação do terreno pode estar contribuindo de sobremaneira para uma também variação brusca da superfície potenciométrica, passando de gradientes suaves no interior da área do aterro sanitário para fortes gradientes em direção ao Rio Guajiru. Essa é uma característica marcante em sistemas aqüíferos livres: a superfície potenciométrica normalmente acompanha a superfície do terreno, como observado nesse setor.

A presença de um dreno superficial (Rio Guajiru), juntamente com uma superfície potenciométrica íngreme nas imediações do mesmo e diminuindo de inclinação em direção a NW, pode sugerir a presença de um possível divisor d’água subterrânea um pouco mais a NW da área estudada. Essa suspeita é corroborada pela existência de outro dreno superficial mais a NW (Rio do Mudo), no qual foram observadas ressurgências de águas subterrâneas perenizando o mesmo. Essa hipótese carece de maiores investigações no setor a NW da área estudada para eventual confirmação. A Figura 18 mostra os perfis hidrogeológicos da área do aterro sanitário.

LEGENDA

LEGENDA

Fonte: DNPM (1998)

Essas unidades ocorrem ao longo de toda a área estudada e os ensaios de infiltração mostraram que as mesmas possuem valores similares de permeabilidade. As três fáceis litológicas identificados podem ser correlacionados, basicamente, aos sedimentos do Grupo Barreiras (de idade terciária): arenitos finos a grossos, argilosos e de coloração variegada.