A escola do primeiro ciclo do ensino básico nº 9, também conhecida por escola da Pena, fica situada na Rua Pedro José de Ornelas, na freguesia de Santa Luzia da cidade do Funchal. É actualmente composta por dois edifícios escolares, construídos no âmbito do Plano dos Centenários, que ficaram concluídos em 1950, tendo sido inaugurado o último deles em Abril desse ano. Para eles transitaram duas das escolas que, juntamente com a escola primária masculina situada na Rua do Pina, entretanto desactivada por escassez de alunos, passaram a constituir o Núcleo da Rua Pedro José de Ornelas, na Freguesia de Sta. Luzia.
Fig. 2 - Situação dos estabelecimentos do Núcleo Escolar da Rua Pedro José de Ornelas
O mapa anterior faz parte de um documento datado de 1969, elaborado pela Direcção Escolar do Funchal, e cujo objectivo era o de estabelecer a área de residência (freguesia de Sta. Luzia) das crianças que deviam matricular-se nas escolas do núcleo da Pena.
Nesse documento, conjunto de folhas dactilografadas, pode ler-se:
“Este núcleo possui três edifícios escolares, Plano do Centenários,
a) Edifício com três salas de aula para o sexo masculino, Plano dos Centenários, situado na Rua Pedro José de Ornelas (Escola nº 9). Nele funcionam seis lugares, todos em curso duplo.
b) Edifício para o sexo masculino, situado à rua do Pina, sem tipo especial, com duas salas de aula, onde funciona o 7º lugar masculino da escola, nº 9; o 3º lugar da escola nº 24 (classe especial), o 2º lugar da escola feminina nº 10 e o 5º lugar da escola feminina nº 2.
c) Edifício com três salas de aula, para o sexo feminino, Plano dos Centenários, onde funcionam 6 lugares, sendo quatro femininos elementares, 1 misto do ciclo complementar e o 1º lugar da escola nº 24 (classe especial).
1. Os edifícios
Os edifícios foram construídos a partir de projectos denominados “Tipo Arquipélago da Madeira”, da autoria do arquitecto Fernando Peres, aprovados em 1949:
Fig. 4 - Alçado do edifício da escola da Pena construído à cota menos elevada76.
Desde que foram construídos, em 1950 os edifícios foram alvo de várias transformações e adaptações, sendo o seu aspecto exterior, em 1999, o seguinte:
Foto 1 - Perspectiva dos dois edifícios do Plano dos Centenários que constituem actualmente a escola da Pena.
Foto 3 - Edifício da antiga escola nº 9
Foto 4 - Perspectiva dos dois pátios da escola
A escola dispõe de oito salas de aula (cinco num edifício e três no outro), uma cantina provisoriamente adaptada a sala de educação musical, uma sala de dez computadores, o gabinete da directora, recreios ajardinados e dois recintos desportivos de 20 metros por
40, com bancadas.
Na sala de computadores existiam, no ano lectivo de 1997/98, dez PCs com processadores 486sx a 25Mhz. Nove desses computadores tinham 4Mb de memória RAM, estando o restante equipado com 16 Mb de RAM e, ainda, placa de som e respectivos altifalantes. Existiam ainda quatro impressoras de jacto de tinta (a preto e branco) e uma tartaruga de solo Roamer, cedida a título de empréstimo pela Universidade da Madeira. A escola dispunha do seguinte software instalado: MS-DOS
6.2 e Windows 3.1, em 9 computadores; Windows 95 em um computador; LogoWriter
2.1 em português de expressão brasileira (uma site license) em todos os computadores;
WinLogo no computador onde estava instalado o controlador da tartaruga Roamer77; MegaLogo78 em todos os computadores; MSOffice para Windows 3.1 e Microsoft Kids, ambos em inglês79, também em todos os computadores.
77 Na altura da aquisição da tartaruga Roamer ainda não estavam disponíveis os respectivos drivers compatíveis com o MegaLogo, daí que o robot fosse entregue com um exemplar de WinLogo, para o qual esses drivers já existiam. Esse facto acabou por condicionar negativamente a exploração da tartaruga de solo, uma vez que o seu funcionamento, em ambiente WinLogo, era bastante irregular e impredizível, suponho que por deficiente concepção dos drivers.
78 Seleccionada a escola da Pena como objecto deste trabalho, foi solicitada à tutela (Secretaria Regional da Educação), ainda com base no projecto CEB-1, a aquisição de uma licença para dez computadores de um interpretador de Logo baseado na língua portuguesa de expressão europeia, capaz de correr em ambiente Windows, e com possibilidades geralmente designadas de multimédia. A escolha recaiu sobre o
Comenius Logo, comercializado em Portugal sob a designação de MegaLogo.
79 Refira-se que quando as licenças de MSOffice foram adquiridas já estavam disponíveis versões em Português do mesmo produto.
Foto 5 - Sala de computadores da escola
2. As pessoas
Nesse ano lectivo (1997/98), a comunidade escolar era constituída por 329 alunos (agrupados em cinco turmas do 1º ano, quatro do 2º, quatro do 3º e três do 4º), dezanove professores (dezasseis orientando as turmas, um professor de expressão e educação física e uma professora de expressão e educação musical, e a directora a tempo inteiro sem componente lectiva) e quatro auxiliares de acção educativa.
Todas as dezasseis turmas estavam a cargo de professoras. Na escola da Pena, o único professor em serviço ocupava-se, em exclusividade, das aulas de expressão e educação física, segundo um modelo de apoio às expressões vigente na região autónoma da Madeira. A directora, não tendo turma atribuída, apoiava e coordenava o trabalho das colegas, e substituía-as nas suas faltas.
A escola funcionava em regime duplo, isto é, em cada uma das salas funcionavam duas turmas, uma de manhã e uma de tarde.
2.1. Os alunos e as turmas
Os alunos da escola da Pena são habitualmente crianças citadinas oriundas, na sua quase totalidade, da freguesia de Santa Luzia. Uma pequena percentagem deles é, no entanto, oriunda de outras zonas da cidade, devendo-se a escolha da escola a razões de vária ordem, como ser o estabelecimento mais próximo do local de trabalho do pai ou da mãe, ou existirem computadores na escola, por exemplo. A respeito da primeira razão, convém referir que, nas imediações da escola da Pena, está localizada uma das maiores escolas secundárias da Região Autónoma (Secundária de Francisco Franco, a cerca de trezentos metros) e, a distância semelhante, uma escola preparatória e secundária (Bartolomeu Perestrelo) de média dimensão.
Em 1997/98, a origem sócio-económica das crianças era diversificada, correspondendo essa diversificação à do tecido social de onde provinham. Embora a freguesia de Sta. Luzia seja uma das zonas residenciais de melhor qualidade da cidade do Funchal, a escola também acolhia crianças oriundas de uma zona limítrofe particularmente degradada da cidade do Funchal, o bairro camarário da Ribeira de João Gomes80, cujas crianças costumavam frequentar principalmente as turmas da tarde.
Conforme é apontado pela directora da escola, em entrevista transcrita mais adiante neste capítulo, existia na escola da Pena uma tendência, com que não concordava e que se dispunha a combater, de agrupar nas turmas da manhã as crianças oriundas de meios familiares mais favorecidos, reservando as turmas da tarde para as restantes. Essa tendência resultaria, segundo creio, da maior capacidade reivindicativa das famílias de maiores recursos, que seriam capazes de “impor” à escola a constituição de turmas relativamente homogéneas do ponto de vista da proveniência social, sendo a composição da turma objecto deste trabalho um elucidativo exemplo desse fenómeno, como adiante se verá. Existe, em todo o caso, um dado, esse claramente objectivo, que demonstra uma apetência maior pelas turmas da manhã em detrimento das da tarde: no ano lectivo de 1997/98, das 329 crianças matriculadas na escola, 186 frequentavam
80 O bairro camarário da Ribeira de João Gomes já não existe. Poucos meses depois do início do ano lectivo de 1997/98, as famílias que nele residiam foram realojadas em apartamentos de renda social construídos pela Câmara noutro local. Para obstar a que as “casas” assim devolutas fossem reocupadas, a Câmara procedeu à sua demolição, transformando o local em parque ajardinado.
turmas da manhã, e apenas 143 nas turmas da tarde.
Aquele desequilíbrio redundava, como é evidente, em impacte significativo no número médio de alunos das turmas da manhã, que tinham mais cinco alunos, em média, que as turmas do período da tarde (média de 23,25 alunos por turma, de manhã, e de 17,86, de tarde). No entanto, das dezasseis turmas em que os alunos estavam agrupados (cinco do primeiro ano, quatro do segundo e do terceiro, e três do quarto), apenas sete eram compostas por mais de vinte alunos (um primeiro ano com 22, dois segundos com 22 e 26, dois terceiros com 24 e 25, e dois quartos com 25 e 28). As turmas do primeiro ano eram as mais pequenas, com 14, 15, 19, 19 e 22 alunos, respectivamente.
Numa região onde a frequência da educação pré-primária se tem vindo a generalizar, grande parte dos alunos do primeiro ano da escola beneficiou dessa frequência. Por exemplo, todas as crianças da turma que foi objecto deste estudo frequentaram a pré- primária, conforme afirmação da professora, como se verá mais adiante. Aliás, grande parte das crianças da escola, cujas mães trabalhavam fora de casa, terão inclusivamente frequentado jardins de infância.
2.1.1 Os alunos da professora “Joana”81
Embora inicialmente com dezanove matrículas, o grupo que iniciou o ano lectivo era constituído por sete raparigas e onze rapazes, tendo-se incorporado nele, em Abril, uma rapariga que vinha de uma escola particular. Tratava-se, em todos os casos, da primeira matrícula na escolaridade obrigatória. Todos tinham seis anos de idade, e todos tinham frequentado a pré-primária.
As crianças eram oriundas de meios familiares de algum modo diversificados, mas onde predominavam os professores e outros profissionais com formação superior:
- mãe advogada, pai funcionário da indústria hoteleira; - mãe e pai caixeiros;
81 “Joana” é o pseudónimo sob o qual se pretende proteger, tanto quanto possível, o direito à privacidade da professora da turma sob a qual incidiu este estudo.
- mãe e pai funcionários de hotelaria; - mãe e pai gerentes comerciais; - mãe e pai professores (dois casos); - mãe enfermeira, pai engenheiro;
- mãe enfermeira, pai funcionário bancário; - mãe farmacêutica, pai funcionário público;
- mãe funcionária da TAP, pai director de empresa de comunicação social; - mãe funcionária pública (família monoparental);
- mãe funcionária pública, pai funcionário de hotelaria;
- mãe e pai encarregados-gerais (ambos com formação superior); - mãe professora, pai funcionário de hotelaria;
- mãe professora, pai funcionário público (dois casos); - mãe professora, pai gerente comercial;
- mãe professora, pai motorista.
Foto 7 - Sala da turma da professora “Joana”
2.2 O corpo docente
Em 1997/98, trabalhavam na escola da Pena dezanove professores, dezasseis dos quais com turmas atribuídas. A directora tinha obtido dispensa de serviço docente e estava na escola a tempo inteiro, e os restantes eram responsáveis pelo apoio à educação física e à educação musical, e também trabalhavam em outras escolas.
2.2.1. Questionário
Com o objectivo de conhecer melhor o corpo docente da escola da Pena, nomeadamente o tipo de formação em novas tecnologias na educação a que tiveram acesso, bem como os seus pontos de vista sobre a utilização dos computadores, e da linguagem Logo, na educação, foi lançado um questionário aos professores com turmas atribuídas, incluindo a directora, no início de Outubro de 1997. Esse questionário visava recolher informação de natureza geral sobre a) idade e tempo de serviço (total e na escola da pena) das professoras, b) tipo de formação em tecnologias de informação a que tiveram acesso, quer na formação inicial, quer em serviço, c) formação específica em linguagem Logo,
quer também na formação inicial, quer em serviço, d) opiniões sobre a utilidade dos computadores na educação e e) opiniões sobre a utilidade da linguagem Logo, também na Educação.
Não foram considerados os dois docentes de apoio às expressões, uma vez que esses professores, embora trabalhando na escola, não o faziam em exclusividade, apoiando também outras escolas próximas, sob a direcção de gabinetes coordenadores da Secretaria Regional de Educação.
Das dezassete professoras a quem foi pedido que respondessem ao questionário, quatro não o fizeram. Foi, no entanto, possível obter alguma informação sobre essas professoras, nomeadamente quanto a idade e tempo de serviço na escola.
Informação recolhida através do questionário:
Na escola da Pena trabalhavam, à data do questionário, 17 professoras, com idades compreendidas entre os 30 e os 59 anos, perfazendo uma média de idade de 45 anos.
5 professoras estavam no seu primeiro ano de trabalho na escola. A mais antiga trabalhava nela havia 22, e a média de permanência no estabelecimento era de 5,8 anos.
Número de questionários entregues: 17 Número de questionários respondidos: 13 Média de idade das que responderam: 42,8 Média de idade das que não responderam: 52,5
Média de tempo de serviço docente (das que responderam): 20,5
Média de tempo de serviço na escola da Pena (das que responderam): 4,8 Média de tempo de serviço na escola da Pena (das que não responderam): 9
Declararam ter tido formação em novas tecnologias de informação: 10 (58,8% das docentes da escola).
Na formação inicial: 3. Na formação em serviço: 8 Em ambas: 1
Declararam não ter tido formação em novas tecnologias de informação: 3. Declararam ter tido formação específica em linguagem Logo: 9 (53% das docentes da escola).
Na formação inicial: 0 Na formação em serviço: 9.
Declararam não ter tido formação específica em linguagem Logo: 4.
Declararam ter experiência de utilização do Logo com os seus alunos: 5 (29,4% das docentes da escola).
Consideram a experiência má: 0
Consideram a experiência prometedora: 2 Consideram a experiência boa: 2
Não responde: 1
Declararam ter experiência de utilização do Logo com os seus alunos: 4.
12 opiniões sucintas (1 não respondeu a este item) sobre a utilidade dos computadores na educação manifestadas pelas docentes:
“Os computadores são uma grande ferramenta de trabalho que veio
facilitar muito o trabalho de educadores e educandos. Para a minha geração já se tornam um bocado complicados”. Professora de 52 anos.
“É boa, pois faz parte integral no mundo de hoje”. Professora de 49.
“Permite o contacto dos alunos com novas tecnologias e leva-os a raciocinar, descobrir, pensar...”. Professora de 32 anos.
“É mais uma achega na formação escolar dos alunos”. Professora de 48 anos.
“Porque já é utilizado pelas crianças, em casa, nas brincadeiras, deve ser usado como mais uma ferramenta facilitadora de aprendizagens.
Professora de 45 anos.
“Os computadores na educação são úteis porque é necessário preparar os alunos para o futuro, integrá-los nas novas tecnologias de informação”. Professora de 33 anos.
“Acho que é uma maneira divertida de aprender”. Professora de 44 anos.
“Constituem um bom instrumento de ensino e de desenvolvimento do
raciocínio... No entanto, talvez coloquem um pouco o aspecto humano num plano inferior (não há ligação afectiva entre docente e aluno). Privilegia o aspecto lógico do ensino, apenas”. Professora de 30 anos.
“Úteis. Motivam muito as crianças e preparam-nas para enfrentar situações novas, com alegria”. Professora de 35 anos.
“A formação integral dos alunos passa pela aprendizagem através do computador”. Professora de 55 anos.
“Acho-a óptima, pois a criança, em vez de ser um ‘recipiente’ onde o professor deposita os seus conhecimentos, usa as suas capacidades intelectuais e alguns conhecimentos adquiridos e ela própria torna-se ‘agente das suas aprendizagens’, manipulando o computador,
desenvolvendo assim o raciocínio, a concentração, a criatividade, a confiança em si própria e torna-se mais participativa. Portanto, a utilidade dos computadores, diminui o insucesso escolar e facilita muito o trabalho do professor”. Professora de 54 anos.
“Acho que é uma maneira divertida de aprender. Desenvolve o raciocínio do aluno”. Professora de 44 anos.
7 opiniões sucintas (6 não responderam a este item) sobre a utilidade da linguagem Logo na educação manifestadas pelas docentes:
“As crianças dominam com facilidade e mostram interesse”. Professora de 52 anos.
“Tem a sua graça quando é bem conhecido”. Professora de 49 anos.
“Sobre a linguagem Logo não estou apta a pronunciar-me porque tive muito pouco tempo de formação e por isso não me sinto à vontade para trabalhar com os meus alunos”. Professora de 48 anos.
“É muito importante para o desenvolvimento do raciocínio e da criatividade. Permite ao professor concretizar com os alunos muitos temas relacionados com o programa”. Professora de 33 anos.
“Talvez ofereça uma maneira lúdica e cativante de aprender...”.
Professora de 30 anos.
“Útil. Favorece a concentração, o cálculo e o raciocínio”. Professora de 35 anos.
“A linguagem Logo ajuda o aluno e torna-se um auxiliar e complemento das várias áreas disciplinares”. Professora de 55 anos.
Da leitura dos resultados depreende-se que a idade média das quatro professoras que não quiseram responder ao questionário (52,5 anos) era dez anos superior à das que responderam, e que no grupo que recusou responder estavam incluídas as professoras mais idosas da escola, com 55 e 59 anos, respectivamente. A média de permanência na escola, entre as que não responderam, correspondia a duas vezes a permanência das que responderam (9 anos no primeiro caso e 4,8 no segundo)82. Esta constatação sugere que a decisão entre responder ou não responder ao questionário pode ter algum significado relevante. Não tendo sido possível apurar directamente o que terá determinado as recusas, resta a possibilidade de procurar compreendê-las à luz de outros indícios. Conforme se referiu, a primeira experiência de utilização de computadores em salas de aula da escola da Pena data de 1987. A preparação dessa experiência incluiu um trabalho prévio com duas professoras dessa escola, findo o qual uma delas aceitou iniciá-la, por se sentir suficientemente segura para tal, enquanto que a outra nunca chegou a adquirir um domínio mínimo sobre a linguagem Logo, devido a factores de índole afectiva e de distanciamento cultural, optando por alhear-se. Ambas eram socialmente consideradas excelentes professoras. Nos anos seguintes, essas duas professoras passaram a protagonizar atitudes opostas face à utilização dos computadores na sala de aula, vindo essas atitudes a ser partilhadas, com diferente grau de veemência, por outras colegas.
Se cruzarmos esse facto com a verificação de que apenas uma das professoras da escola tivera uma abordagem à utilização educativa das novas tecnologias, incluída na sua formação inicial, e que apenas oito declararam ter tido oportunidades de formação em serviço, é de calcular que a rejeição à incorporação da tecnologia não esteja relacionada com nenhum tipo de experiência pessoal, salvo, evidentemente, o caso da professora referida no parágrafo anterior. Esse facto corrobora uma impressão recolhida ao longo dos contactos mantidos com a escola ao longo de mais de dez anos, segundo a qual a reacção mais ou menos aberta contra a exploração de nova tecnologia, comum a algumas das professoras, não terá uma base muito consistente do ponto de vista
82 A elaboração do questionário não pretendia desrespeitar o anonimato das respostas. No entanto, o facto de existirem na escola dados sobre a idade e tempo de serviço de todos os docentes permitiu concluir mesmo sobre as que não responderam.
doutrinário, devendo-se mais a fenómenos de rejeição da utilização dos computadores como utensílios, a dúvidas, de pertinência nunca averiguada, quanto à utilidade dos computadores na educação, e à indisponibilidade para modificar processos há muito interiorizados, cujos resultados práticos se consideram positivos. E, simultaneamente, à indisponibilidade para considerar os resultados alcançados pelas colegas que se dispuseram a experimentar nas suas turmas alterações metodológicas relacionadas com a incorporação dos computadores.
Significativa é também a constatação de que, apesar da existência de uma sala de computadores desde 199483, ano em que se realizou uma sessão de formação sobre linguagem Logo destinada a todas as professoras com vínculo permanente à escola da Pena, e da tradição que o Logo tem na escola, apenas quatro dessas professoras admitiam ter experimentado abordar a linguagem Logo com os seus alunos.
Em contraste com tudo isto, não pode deixar de ser considerado interessante o facto de doze das professoras terem exprimido, no início do ano lectivo, opiniões claramente favoráveis quanto à utilidade dos computadores na educação, tendo apenas uma delas considerado que eles se tornam, apesar de tudo, um bocado complicados para a sua geração.
Outro pormenor interessante é o que diz respeito ao tipo de utilidade reconhecida aos computadores pela generalidade das professoras que responderam a essa questão. Das doze respostas, apenas uma refere a relação comummente estabelecida entre a aquisição de competências no uso dos computadores e a necessidade de preparar os alunos para o futuro, preferindo as restantes, em maior ou menor grau, enfatizar o papel que os computadores podem desempenhar como facilitadores das aprendizagens dos alunos. E ainda mais surpreendentes são as respostas dadas à questão da utilidade da linguagem Logo, reveladoras de escassa reflexão em redor da sua problemática, sobretudo se considerarmos a persistência da sua utilização na escola da Pena. A conclusão que parece extraível desse facto é que a utilização da linguagem Logo, por algumas turmas e