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Kararsız bir Metin olarak Çingeneler

Ao longo dos 17 anos do Programa de Promoção em saúde bucal nas Escolas Municipais de Educação Básica de Araçatuba-SP, os resultados alcançados estreitaram a relação entre a Universidade e a comunidade, geraram trabalhos científicos derivados da extensão, estimularam a pesquisa e favoreceram a atuação mais direta na problemática da comunidade. Os resultados identificados pelo programa abrangeram, ainda, uma formação holística da equipe da FOA e maior conscientização em saúde bucal das crianças, dos pais ou cuidadores e da equipe pedagógica.

Em relação à equipe da FOA, foi observada maior sensibilização social, com o desenvolvimento de um olhar crítico para as questões em saúde bucal que envolvem a

comunidade. É importante ressaltar, ainda, o aprendizado para atuação ativa com promoção em saúde, bem como o preparo para o mercado de trabalho, pois aproxima a teoria da prática.

Em contrapartida, uma das dificuldades encontradas pelo programa foi a manutenção dos alunos voluntários ao longo do ano letivo. Muitos alunos não tinham como se deslocar até as escolas e o transporte para essas atividades não podia ser oferecido pela †niversidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho Unesp). Muitas vezes, também faltou comprometimento por parte dos alunos que se candidataram para participar do programa. Todas essas dificuldades influenciaram diretamente na quantidade de escolas cobertas pelo programa e no número de crianças envolvidas, por visita, nas atividades.

Quanto às crianças, foi possível notar um avanço no aprendizado psicomotor, afetivo e cognitivo. O programa conseguiu também prevenir doenças bucais e sistêmicas, incorporar práticas de prevenção em saúde bucal e saúde geral, estabelecer vínculos afetivos, fortalecendo os laços entre o pré-escolar e o educador de ensino infantil, além de transformar o menor em agente multiplicador em saúde.

Foi verificado também o desenvolvimento de habilidade para escovação utilizando os movimentos preconizados nas palestras e o rompimento com as práticas de sucção não nutritiva. Com relação às dificuldades encontradas com as crianças, o programa constatou que a adequação da linguagem dos discursos de acordo com a faixa etária foi um grande desafio. As EMEBs possuíam crianças matriculadas com idade entre zero a seis anos e todas elas seriam cobertas pelo programa. Logo, toda a equipe se mobilizou para desenvolver atividades lúdicas e melhor utilizar o material de apoio para que a conscientização das crianças fosse sempre efetiva.

No que diz respeito aos benefícios trazidos pelo programa aos pais ou cuidadores e à equipe pedagógica, foi observado que ambos conseguiram ser sensibilizados quanto à importância do autocuidado em saúde e do cuidado com a saúde bucal da criança. Foi possível verificar também alteração nos hábitos de saúde bucal dentro do lar devido à multiplicação do conhecimento em saúde realizada pela criança, associada às palestras bimestrais executadas na escola.

Em relação aos pais ou cuidadores, as dificuldades identificadas pelo programa estavam vinculadas à falta de compromisso em participar das atividades propostas, bem como à ausência de interesse em acompanhar a saúde bucal do menor. Quanto à equipe

pedagógica, foi possível verificar a falta de cooperação e engajamento nas atividades propostas durante as visitas, ciúmes das crianças com a equipe da FOA e desorganização para o cumprimento dos horários planejados para as atividades.

3.7 Discussão

As doenças bucais representam um importante distúrbio em saúde pública, não só devido a sua escala de alcance na população, mas também pelos impactos gerados em nível individual e coletivo, ocasionando limitações funcionais, dor e restrições sociais (ARAUJO, 2003; STEPHEN et al., 2015). Com o aumento dessas doenças em escolares, o desenvolvimento de programas de promoção em saúde bucal é extremamente recomendado (RAMOS et al., 2014; TINANOFF; KANELLIS; VARGAS, 2002).

O Programa de Promoção em saúde bucal nas Escolas Municipais de Ensino Básico de Araçatuba – SP escolheu como público-alvo os pré-escolares, pois a demanda desse grupo por ações que prevenissem doenças e promovessem saúde era bastante alta, além de estarem passando por um período de grande relevância, a infância. O aprendizado nessa fase é muito dinâmico e favorece o estabelecimento de hábitos saudáveis, conduzindo-os ao estado de bem-estar social (BOURGEOIS; LLODRA, 2014), e promovendo saúde nas crianças e em todos os atores sociais envolvidos no cotidiano delas, os pais ou cuidadores e a equipe pedagógica.

Dessa forma, a compreensão heterogênea das relações do homem com o meio sociocultural, com sua própria história, com seus anseios, com sua condição socioeconômica e com seus níveis de desenvolvimento dá sentido ao conceito de promoção em saúde (FOCESI, 1990; WILLIAMSON et al., 2015). Todas as relações do homem com o mundo são determinantes sociais que influenciam diretamente na saúde (RUTTEN; WOLFF; STREBER, 2015). A promoção em saúde traz, ainda, princípios norteadores que valorizam a vida, a cidadania, a equidade e a solidariedade, além de várias medidas que objetivam valorizar as parcerias e as cooperações.

O programa, ao longo destes 17 anos de experiência, atuou priorizando a qualidade de vida e o bem-estar dos atores sociais envolvidos, centralizando seus esforços nas atividades que abrangessem a saúde como um todo por meio de uma abordagem holística para quaisquer intervenções. Foi observada, ainda, a ação conjunta da FOA com a Prefeitura Municipal de Araçatuba e Secretaria Municipal de Educação,

numa colaboração efetiva que alcançou aproximação das instituições e permitiu, ainda, que as atividades fossem desenvolvidas baseadas nos preceitos da promoção em saúde declarados na Carta de Ottawa.

A Carta de Ottawa surgiu com a intenção de desmistificar a ideia da promoção em saúde delimitada às medidas preventivas e aos riscos individuais, declarando a necessidade de valorização das condições de vida, dos aspectos econômicos, culturais e políticos que os indivíduos estão inseridos (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1986). Dessa forma, essa carta traz cinco ambientes de ação para o desenvolvimento da promoção em saúde na coletividade: ambientes que dão apoio à saúde; geração de políticas públicas saudáveis; fortalecimento da voz da comunidade; aprimoramento de habilidades pessoais e redirecionamento dos serviços de saúde (BUSS, 2003; VEENSTRA; BURNETT, 2014).

Todos esses aspectos podem ser observados desde a concepção à execução das atividades do programa. A criação dos ambientes suportivos em saúde podem ser notados nas visitas iniciais às EMEBs, bem como na confecção de porta-escovas para os pré-escolares. O intuito dessas atividades está no favorecimento de escolhas saudáveis pelos atores sociais envolvidos.

Quanto ao fortalecimento da ação comunitária, verificaram-se as ações de empoderamento dos alunos de graduação e pós-graduação, a realização de atividades recreativas com os pré-escolares e as palestras em saúde bucal destinadas aos pais ou cuidadores e à equipe pedagógica. Observou-se também que a participação de todos esses atores fortificou as ações e multiplicou hábitos saudáveis.

No que diz respeito ao desenvolvimento de habilidades individuais, o programa constatou que as atividades de escovação supervisionada, as confecções de bilhetes avisando a necessidade de tratamento odontológico e as palestras para as crianças permitiram que todos os participantes obtivessem mais controle sobre os procedimentos executados.

Já a reorientação dos serviços de saúde pode ser observada na formação acadêmica holística dos profissionais de saúde participantes, capacitando-os para estarem aptos a acompanhar a mudança do olhar curativista para um enfoque preventivo de promoção em saúde.

Os benefícios que os programas de promoção em saúde trazem ao público-alvo e aos seus pares vão desde a prevenção de doenças, geração e multiplicação de

conhecimento, aquisição de hábitos saudáveis, sensibilização quanto ao conceito total de saúde, trabalho em equipe, cooperação entre instituições e aumento da qualidade de vida dos participantes (ARROW; RAHEB; MILLER, 2013; CHANDRASHEKAR et al., 2014; KULKARNI, 2014). Essas vantagens também foram observadas no presente estudo.

Quanto às dificuldades encontradas na realização do programa, podem ser observados impedimentos que compreendem desde a manutenção de alunos voluntários ao longo do ano letivo, perfazendo a falta de cooperação dos pais ou cuidadores e da equipe pedagógica, alcançando até mesmo o apoio financeiro para compra de material e transporte da equipe.

Poucos trabalhos são encontrados na literatura abordando os empecilhos na execução de programas que promovem saúde; assim, sugere-se um debate maior sobre o assunto a fim de que seja possível compartilhar boas experiências, mas também as ruins. As dificuldades são capazes de trazer grande enriquecimento para a área, visto que todas as ações demandam tempo, voluntários e apoio financeiro.

3.8 Conclusão

O Programa de Promoção em saúde bucal nas Escolas Municipais de Ensino Básico de Araçatuba-SP, ao longo de mais de uma década e meia de existência, consegue incentivar a formação acadêmica generalizada de toda a equipe participante e conscientizar em saúde as crianças, os pais ou cuidadores e a equipe pedagógica, favorecendo, assim, a criação de meios para o alcance do estado de bem-estar social de todos os envolvidos.

3.9 Referências

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4 CAPÍTULO 2 - Avaliação de diferenças de conhecimento em saúde bucal