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As legislações federais, por abordarem os municípios globalmente sem uma distinção entre suas características locais, servem como uma padronização dos aspectos legais da nação e devem ser consideradas como diretrizes básicas para a formulação de leis que foquem aspectos mais regionais, como é o caso das legislações estaduais. O Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA) é o órgão federal de maior relevância na questão ambiental e tem suas resoluções como destaque.

A) Constituição Federal, de 5 de outubro de 1988

Segundo o Artigo 21º da CONSTITUIÇÃO FEDERAL (1988), é de competência da União, entre outros,

• “[...] instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano, inclusive habitação, saneamento básico e transportes urbanos [...]”.

Já o Artigo 23º define que é competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, entre outros pontos,

• “[...] proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação e à ciência”;

• “proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas”;

• “promover programas de construção de moradias e a melhoria das condições habitacionais e de saneamento básico [...]”.

Além de outras atribuições, o Artigo 200º cita que compete ao Sistema Único de Saúde (SUS), entre outras questões,

• “[...] participar da formulação da política e da execução das ações de saneamento [...]” De acordo com o Artigo 225º, “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. Para assegurar a efetividade desse direito, são de incumbência do poder público vários pontos, entre eles o de promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente (BRASIL, 1988).

B) Lei no 9.795, de 27 de abril de 1999

A Lei nº 9.795, de 27/06/1999, dispõe sobre a educação ambiental, instituindo a Política Nacional de Educação Ambiental e atribuindo outras providências (BRASIL, 1999).

O Artigo 1o da Lei define “educação ambiental como os processos por meio do qual o indivíduo e a coletividade constróem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade” (BRASIL, 1999).

Como parte do processo educativo mais amplo, a lei salienta que todos têm direito à educação ambiental, incumbindo, dentre outros:

23 disseminação de informações e práticas educativas sobre meio ambiente e incorporar a dimensão ambiental em sua programação [...]”.

Para tanto, o Poder Público, em níveis federal, estadual e municipal, deverá incentivar a difusão, por intermédio dos meios de comunicação de massa, em espaços nobres, de programas e campanhas educativas, e de informações acerca de temas relacionados ao meio ambiente.

O Artigo 16º define que os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, na esfera de sua competência e nas áreas de sua jurisdição, definirão diretrizes, normas e critérios para a educação ambiental, respeitados os princípios e objetivos da PNEA (BRASIL, 1999).

C) Decreto nº 4.281, de 25 de junho de 2002

O Decreto nº 4.281 (25/06/2002) regulamenta a Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999, que institui a Política Nacional de Educação Ambiental.

O Artigo 1º do Decreto dispõe que a PNEA será executada pelos órgãos e entidades integrantes do Sistema Nacional de Meio Ambiente (SISNAMA), pelas instituições educacionais públicas e privadas dos sistemas de ensino, pelos órgãos públicos da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, envolvendo entidades não governamentais, entidades de classe, meios de comunicação e demais segmentos da sociedade (BRASIL, 2002).

D) Resolução CONAMA nº 308, de 21 de março de 2002

A Resolução CONAMA nº 308/2002 dispõe sobre o Licenciamento Ambiental de sistemas de disposição final dos resíduos sólidos urbanos gerados em municípios de pequeno porte.

A lei foi elaborada considerando que a “disposição inadequada de resíduos sólidos constitui ameaça à saúde pública e agrava a degradação ambiental; e levando em conta também as dificuldades dos municípios de pequeno porte para implantação e operação de sistemas de disposição final de resíduos sólidos, na forma em que são exigidos no processo de licenciamento ambiental” (CONAMA, 2002).

De acordo com o Artigo 2º, são considerados como resíduos sólidos urbanos os provenientes de residências ou qualquer outra atividade que gere resíduos com características domiciliares, bem como os resíduos de limpeza pública urbana.

Para o Artigo 3º, esta lei se aplica aos municípios ou associações de municípios que atendam a uma das seguintes condições,

• “população urbana até trinta mil habitantes, conforme último censo do IBGE”; e • “geração diária de resíduos sólidos urbanos, pela população urbana, de até trinta

toneladas”.

O Artigo 5º relata que o empreendimento de disposição final de resíduos sólidos deverá ser submetido ao processo de licenciamento ambiental junto ao órgão ambiental competente, sendo que estes pedidos de licença ambiental deverão apresentar vários dados, em especial projetos de educação ambiental e divulgação do empreendimento, sob princípios de coleta seletiva e redução de resíduos.

E) Resolução CONAMA nº 358, de 29 de abril de 2005

A Resolução do CONAMA nº 358 (29/04/2005) dispõe sobre o tratamento e a disposição final dos resíduos dos serviços de saúde e dá outras providências (CONAMA, 2005).

Foi criada seguindo algumas considerações, como

• os princípios da prevenção, da precaução, do poluidor pagador, da correção na fonte e de integração entre os vários órgãos envolvidos para fins do licenciamento e da fiscalização;

• a necessidade de aprimoramento, atualização e complementação dos procedimentos contidos na Resolução CONAMA n° 283, de 12 de julho de 2001, a qual já foi revogada, relativos ao tratamento e disposição final dos resíduos de saúde;

• a necessidade de minimizar riscos ocupacionais nos ambientes de trabalho e proteger a saúde do trabalhador e da população em geral;

25 • a necessidade de estimular a minimização da geração de resíduos, promovendo a

substituição de materiais e de processos por alternativas de menor risco, a redução na fonte e a reciclagem, dentre outras alternativas;

• a segregação dos resíduos, no momento e local de sua geração, permite reduzir o volume de resíduos que necessitam de manejo diferenciado;

• soluções consorciadas, para fins de tratamento e disposição final de resíduos de serviços de saúde, são especialmente indicadas para pequenos geradores e municípios de pequeno porte;

• as ações preventivas são menos onerosas do que as ações corretivas e minimizam com mais eficácia os danos causados à saúde pública e ao meio ambiente;

• a necessidade de ação integrada entre os órgãos federais, estaduais e municipais de meio ambiente, de saúde e de limpeza urbana com o objetivo de regulamentar o gerenciamento dos resíduos de serviços de saúde.

Desta forma, o Artigo 3° relata que “cabe aos geradores de resíduos sólidos de serviço de saúde (RSSS) e ao responsável legal o gerenciamento dos resíduos desde a geração até a disposição final, de forma a atender aos requisitos ambientais e de saúde pública e saúde ocupacional, nos termos da Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981” (CONAMA, 2005).

Lei n° 6.938/1981 – refere-se à “Política Nacional do Meio Ambiente que tem por objetivo a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar, no País, condições ao desenvolvimento sócio-econômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana” (BRASIL, 1981).

“Deve seguir alguns princípios, dentre eles o de promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino, inclusive a educação da comunidade, objetivando capacitá-la para participação ativa na defesa do meio ambiente”.

Ainda em relação à Resolução CONAMA nº 358/2005, o Artigo 4° dispõe que os geradores de RSSS devem elaborar e implantar o plano de gerenciamento de resíduos de serviços de saúde, de acordo com a legislação vigente, especialmente as normas da vigilância sanitária. O Artigo 7° diz que os RSSS devem ser acondicionados atendendo às exigências legais referentes ao meio ambiente, à saúde e à limpeza urbana, e às normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), ou, na sua ausência, às normas e critérios internacionalmente aceitos. É obrigatória a segregação dos resíduos na fonte e no momento da

geração, de acordo com suas características, para fins de redução do volume dos resíduos a serem tratados e dispostos (CONAMA, 2005).

Já para a normalização dos veículos utilizados para coleta e transporte externo dos RSSS, o Artigo 8° dispõe que os mesmo devem atender às exigências legais e às normas da ABNT. O Artigo 27º refere-se aos municípios ou associações de municípios com população urbana de até 30.000 habitantes e que não disponham de aterro sanitário licenciado. Admite-se, então, de forma excepcional e tecnicamente motivada, por meio de Termo de Ajustamento de Conduta, com cronograma definido das etapas de implantação e com prazo máximo de 3 anos, a disposição final em solo, com a devida aprovação do órgão ambiental competente (CONAMA, 2005).