III.4. Veri Çözümleme Teknikleri
4.6. MAKEDONYA‘DA TÜRK ÇOCUK EDEBĠYATI
4.6.3. Çocuk Hikâyeleri
4.6.3.1. Karakter
4.6.3.1.1. Karakterleri Çocuklar Olan Hikâyeler
A abertura da estrada Belém-Brasília e a PA-70, atual BR-222, representou grande incentivo à exploração madeireira e à formação do grande latifúndio no Sudeste Paraense. No caso específico de Rondon do Pará, na medida em que essa exploração avançava para o seu interior, concomitantemente, formavam-se os grandes latifúndios, por um lado, e praticava-se a agricultura camponesa, por outro lado.
As ações dos latifundiários se complementavam com as dos madeireiros, pois, na medida em que o grande latifundiário se expandia, concomitante, a exploração da madeira, as terras de Rondon de Pará iam sendo devastadas e transformadas em áreas para os latifúndios. A partir disso, a pecuária tornou-se a principal atividade econômica do município, com a consequente concentração de terra e de renda nas mãos dos fazendeiros latifundiários, de um lado, enquanto os camponeses eram empurrados para as áreas menos férteis e distantes do núcleo urbano, de outro lado.
Nesse município, a prática da grilagem de terra é extremamente exacerbada, sendo apontado em documentos oficiais, como um dos locais em que essa prática é mais intensa (SAUER, 2005).
A grilagem consiste no “tráfico de terras”, em que o sujeito dessa ação é chamado de “grileiro”, o qual, segundo Martins (1981, p. 104), atua como um “traficante de terras” através
do assenhoramento daquelas que não são suas, sabendo que não tem nenhum direito sobre elas, falsificando documentos para vendê-las a grandes fazendeiros e empresários. A grilagem pode ser propiciada por meio da fragilidade do sistema de registro de terras; pela falsificação de títulos e de seus registros, pelos registros de escritura de compra e venda sem a linhagem de transmissão; pela invasão de áreas para a derrubada da floresta, pela atividade da pecuária; pelo acréscimo de áreas nos documentos de posse e pela suposição de competências entre a União e o Estado para proceder à titulação em vários períodos históricos.
Se, por um lado, a lei de terras de 1850, instaurou a propriedade privada da terra no Brasil, decretando que o seu acesso só poderia ser realizado por meio da compra, isto é, pela imobilização improdutiva de uma renda, conhecida por renda fundiária, por outro lado, na Amazônia brasileira, a apropriação privada da terra ocorreu através do roubo e saque, através do que ficou conhecido por grilagem das terras devolutas, as quais já tinham sido ocupadas pelos camponeses, como bem mostrou Sader (1986).
As terras, já ocupadas pelos camponeses, são as mais visadas pelos grileiros, pois, eles não se interessam por terras florestadas, ao contrário, preferem as que já foram transformadas em capoeira pelos camponeses posseiros, e as mais próximas das estradas, como fala Sader (1986), em seu estudo denominado de “Espaço e Luta no Bico do Papagaio”:
É interessante constatar que o grileiro só se interessa por uma área se ela preenche duas condições: a presença de estrada e área “beneficiada”, “amansada”, como dizem os camponeses do Bico, referindo-se àquelas que já conta com um início de ocupação, com capoeiras já formadas. As terras virgens não foram as primeiras a serem privatizadas, mas somente as já ocupadas. Já o campesinato que migra, pelo contrário, prefere as áreas recobertas pela floresta para situar sua posse (SADER, 1986, p. 156).
É nesse sentido que Hébette e Marin (2004) afirmam que enquanto os posseiros ocupavam as terras produtivamente com a “enxada” e o “machado”, os grileiros capitalistas tomavam posse da terra com o “lápis” e a “caneta”, mais preocupados com a garantia jurídica da terra do que a sua própria produtividade.
Enquanto se processava com o machado e a enxada a ocupação pacífica e produtiva das terras devolutas pelos posseiros despreocupados com titulação, voltados para o valor de uso mais do que para o valor de troca, os capitalistas tomavam posse das terras com o lápis e a caneta, nos mapas e no papel, preocupados com a feição jurídica da sua rapina. Nessa altura, não negociavam a terra, mas sim os favores políticos, a conivência dos cartórios, e
cumplicidade dos funcionários públicos, os serviços de falsificadores profissionais de documentos (HÉBETTE; MARIN, 2004, p. 128). No caso do município de Rondon do Pará isso se aplica, pois a grilagem de terras segue os procedimentos da falsificação de documentos de posse de terras pertencentes ao Estado, e, entre outras, o acréscimo de áreas nos documentos de posse (SAUER, 2005).
Além dos pecuaristas que se apropriavam das terras devolutas desse município, concentrando-as como suas propriedades, outros agentes desse processo são os madeireiros, os quais praticavam a extração madeireira através das serrarias. Elas atuavam de forma intensa no corte seletivo e na exportação da madeira para o mercado nacional e internacional. Apesar de estar incluída no polo madeireiro de Paragominas, que apresenta a maior produção madeireira do estado do Pará, com aproximadamente 48%, atualmente, essa atividade está reduzida em Rondon, pela falta de madeira devido à forte pressão sobre a biomassa vegetal desse município.
De acordo com uma pesquisa anterior, pude verificar que em virtude da forte pressão sobre a biomassa vegetal de Rondon do Pará, através do processo de desmatamento, este se encontra inserido no rol dos municípios que concentram os maiores focos de desmatamento do país. Em virtude disso, encontra-se localizado no “arco do desflorestamento”, como se pode observar no Mapa 2, que mostra as áreas que possuem maior concentração desmatamento na Amazônia5 (AMARAL, 2007).
A pressão exercida sobre a biomassa vegetal de Rondon do Pará não se restringe apenas às atividades da pecuária e da extração madeireira, mas também, pela atividade de carvoejamento (SAUER, 2005).
5 Apesar desse arco apresentar, atualmente, novos contornos, ainda continua sendo importante para identificar as