III.4. Veri Çözümleme Teknikleri
4.6. MAKEDONYA‘DA TÜRK ÇOCUK EDEBĠYATI
4.6.2. Makedonya‘daki Türk Çocuk Edebiyatının Ana Sorunları
4.6.2.1. DevĢirme ve Yeniçeri Kaderi‘ne KarĢı Partizanlar ve Pionerler
4.6.2.1.3. Çocuk, Yeniçeri ve Partizan
políticas públicas de colonização e povoamento do Governo Federal para a Amazônia, no início do movimento de expansão do capital, no processo de construção do seu território na Amazônia, através do avanço da “frente pioneira” sobre a “frente de expansão” e sobre os territórios indígenas (MARTINS, 2009).
Como vimos no primeiro capítulo, o Governo Federal se voltou à criação de projetos e planos que pudessem facilitar o avanço e a territorialização do capital na Amazônia. Entre os projetos e planos criados, podemos ressaltar a construção das rodovias e das estradas voltadas para facilitar o acesso aos seus recursos naturais, como foi o caso da Belém-Brasília, da Transamazônica, da Cuiabá-Santarém e da PA-70 (hoje BR-222). De acordo com Velho (1972), a construção dessas rodovias e estradas marcou a mudança na orientação do sistema de transporte e comunicações, que antes era realizado sob o primado da navegação fluvial.
Ao longo das rodovias e das estradas construídas, o Estado deu prosseguimento a sua política de colonização e povoamento. Especificamente em relação à rodovia Belém-Brasília, ao norte, praticou-se uma colonização mais dirigida, o caso da Zona Bragantina. Mais ao sul, desenvolveu-se uma “colonização espontânea”. A colonização dirigida, segundo Hébette e Marin (2004), se refere à interferência e controle direto exercido por um agente externo sobre o processo de ocupação de alguma área a ser colonizada. Esse agente atua determinando e escolha dessa área, a localização, o tamanho, a forma, a demarcação ou distribuição dos lotes, a seleção dos indivíduos ou dos grupos que vão ser assentados etc. Diferente da “colonização espontânea” que não é controlada e nem orientada diretamente por um agente, ao contrário, é realizada a critério dos próprios grupos colonizadores.
Hébette e Marin (2004, p. 41) destacam que “a colonização espontânea é muito mal batizada”, pois mesmo no contexto da colonização realizada sem um controle aparente, uma intervenção e/ou um ordenamento externo, seja do Estado ou de outro agente, na Amazônia brasileira, ela não ocorreu espontaneamente. Ao contrário, o Estado estimulou a vinda dos “homens sem terra” de outras regiões do país, principalmente do Nordeste, para as “terras sem homens” da Amazônia, a fim de acabar com os conflitos agrários de outras áreas. Muitos dos migrantes que vieram para essa área foram expulsos de suas terras nas suas regiões de origem ou viviam numa condição de extrema miséria e enxergaram a Amazônia como uma oportunidade para melhorar a sua condição de vida.
Após a construção da rodovia Belém-Brasília percebeu-se a necessidade de construir um ramal que a ligasse ao município de Marabá, onde havia uma concentração de dinâmicas econômicas importantes, que deveriam ser “integradas” ao mercado nacional. A partir de 1964, iniciou-se a construção desse ramal, o qual, antes de ser concluído, estava quase todo ocupado por camponeses vindos do Maranhão. Segundo Velho (1972), no final de 1969, a estrada estava praticamente toda ocupada, surgindo a partir daí a localidade mais importante do ramal, que ficou conhecida por Vila Rondon. O surgimento de Vila Rondon foi em 1968, a partir de um acampamento do Departamento de Estrada e Rodagem do Estado do Pará (DER). A proximidade da Vila Rondon com a Belém-Brasília facilitou a introdução de migrantes, pequenos proprietários de terras, vindos do Nordeste, que encontraram os camponeses posseiros que ali estavam. Esses camponeses praticavam roças, dedicando-se à lavoura de subsistência na área ocupada, porém, com a intensificação da penetração de novos sujeitos, bem como, do surgimento de outros núcleos urbanos ao longo do ramal, foram se estabelecendo a concentração de terras e a expansão do latifúndio através do processo de expropriação e expulsão dos camponeses para áreas mais distantes (HÉBETTE; MARIN, 2004).
Geralmente, os migrantes saíram do Piauí, do Ceará. Foram parando por aí, pelo Maranhão, por Goiás. Eram moradores das fazendas, vaqueiros ou até mesmo pequenos proprietários. Saíram em busca dos “gerais”, das terras livres, no rumo dos rios Araguaia e Tocantins. As histórias dessas migrações são histórias épicas. São histórias de expulsão de terra, da chegada das grandes fazendas, da necessidade de ir adiante procurar um novo espaço, fazer um novo rancho, derrubar a mata, queimar e coivarar o terreno, fazer a roça e esperar a chuva, a colheita, o jagunço, o oficial de justiça, o soldado, a expulsão para mais adiante, para começar tudo de novo (MARTINS, 1981, p. 121). Para começar tudo de novo, depois do processo de expropriação e expulsão, os camponeses procuravam alternativas, que, de acordo com o estudo realizado por Hébette e Marin (2004, p. 54-55), eram encaminhadas em três direções principais, a saber:
a) “a migração para outra área rural”, que são as migrações contínuas realizadas pelos camponeses por ocasião de expulsão, para áreas onde eles pudessem realizar o seu processo de reprodução;
b) “o trabalho assalariado nas fazendas”, assumido pelos peões em péssimas condições de vida e sob intensa exploração. Os peões são os trabalhadores braçais recrutados em outras regiões pelo “gato”, que é o encarregado do fazendeiro, que falseia a realidade sobre as verdadeiras condições de trabalho e de vida que vai oferecer ao
“peão”, isto é, a condição de miséria e a falta de garantia alguma para o futuro (MARTINS, 1981, p. 121).
c) “o êxodo para a cidade média ou grande”, que funciona, muitas vezes, como a única alternativa para conseguir se fixar num local, conseguindo acessar o mínimo das condições materiais de existência da vida “moderna”.
Vislumbrando um futuro melhor, isto é, melhores condições de sobrevivência, é que esses migrantes passaram a habitar os novos núcleos urbanos4, os quais foram surgindo ao longo das rodovias e estradas construídas no “seio” da floresta nativa da Amazônia oriental brasileira.
Entre esses novos núcleos urbanos podemos pontuar o surgimento do município de Rondon do Pará, que está localizado ao longo da BR-222, antiga PA-70, a 80 km da rodovia Belém-Brasília, com uma distância de 570 km da capital, Belém-PA. Esse município se constitui como parte da mesorregião do Sudeste Paraense, na microrregião de Paragominas, apresentando uma população estimada em 46.964 habitantes, numa área de 8.247km², segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (Mapa 1).
4 Entre os novos núcleos urbanos podemos identificar Paragominas, Arraia, Vila Palestina; Vila Abel
Figueiredo; Vila de Bom Jesus; Morada Nova na PA-70; Nova Ipixuna, Goianésia na PA-150 e Vila Rondon (HÉBETTE et al., 2004), que mais nos interessa neste trabalho. Rondon do Pará fazia parte do município de São Domingos do Capim, com sua sede localizada próximo ao rio Capim e à cidade de Belém. A sede de São Domingos do Capim apresentava uma distância considerável de Rondon do Pará, o que contribuía para o pouco contato com a mesma.