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III.4. Veri Çözümleme Teknikleri

4.6. MAKEDONYA‘DA TÜRK ÇOCUK EDEBĠYATI

4.6.3. Çocuk Hikâyeleri

4.6.5.4. Biyografiler

Para o camponês-posseiro migrante, como o senhor José Florêncio de Souza Neto e os outros camponeses dos assentamentos rurais destacados no presente trabalho, a terra tem um significado singular que vai além do sentido capitalista, que a concebe como um instrumento de acumulação de lucros. A terra faz parte da vida do camponês, e ele luta por ela a fim de conseguir obter o controle da sua própria vida, buscando a liberdade como um princípio no seu processo de reprodução social, como bem destacou Bombardi (2004, p. 200), em seu estudo sobre o processo de territorialização camponesa no bairro Reforma Agrária, em São Paulo:

[...] ter a própria terra significava concretizar um sonho de liberdade e autonomia. Esta autonomia diz respeito ao controle total do processo de trabalho na terra, o que significa ser senhor do próprio tempo e do próprio espaço.

O movimento praticado pelo camponês é o da busca da terra e da liberdade para controlar o trabalho familiar, a sua autonomia, a sua locomoção e a sua decisão (MARTINS, 1986).

A fala do Sr. José Florêncio representa essa busca pela terra e pela liberdade, além de mostrar de forma clara os elementos, que segundo Chayanov (1974), são definidores da organização econômica camponesa, que são: a relação entre a terra, o trabalho e a família. Elementos que Woortmann (1990) considera como categorias culturais centrais do universo camponês, ligados ao que ela chama de uma “ética camponesa” definidora de forma subjetiva de uma “campesinidade”.

[...] Assim, naturalmente, cada cultura terá categorias nucleantes específicas, mas, ao que parece, existem certas categorias comuns às sociedades camponesas em geral, como terra, família e trabalho. O importante, contudo, não é que sejam comuns - pois elas estão presentes, também, em culturas urbanas - mas que sejam nucleantes e, sobretudo, relacionadas, isto é, uma não existe sem a outra. Nas culturas camponesas, não se pensa a terra sem pensar a família e o trabalho, assim como não se pensa o trabalho sem pensar a terra e a família (WOORTMANN, 1990, p. 23).

No mesmo sentido em que a fala do Sr. José Florêncio apresenta os elementos, que na leitura de Chayanov (1974) são definidores da organização econômica da unidade camponesa, e que, na leitura de Woortmann (1990), são categorias culturais

centrais da campesinidade, podemos destacar, também, as motivações relatadas pelo Sr. João Simão de Souza, do assentamento José Dutra:

Mayka: e por que o senhor veio pra cá? Morar no assentamento? Sr. João: ah! Porque [...] aqui é melhor ter que viver, entendeu? Lá em Rondon a gente fez lá, trabalhou pra ficar por lá e não adquiriu nada, né? Aí, aqui, nós tomamos conta daqui. Tamo trabalhando. Tamo sobrevivendo, né? Sem precisar ta trabalhando um dia pra um, um dia pra outro. O que a gente faz é dentro do que é nosso aqui. A gente tá vendo o futuro, né? É isso16.

Ele mostra a preocupação com a liberdade em relação ao seu trabalho, ou seja, a autonomia de trabalhar naquilo que lhe é próprio, diferente de trabalhar empregado, em que o produto final do seu trabalho é para enriquecer o seu patrão, não ficando com nada daquilo que produziu. Para ele, ficar na cidade significava trabalhar sem adquirir nada, já no assentamento significa poder viver melhor, pensando no futuro. O Sr. João Simão deixou claro que “aqui, nós tomamos conta daqui”, ou seja, não tem um patrão para controlar o seu trabalho e a sua vida, determinando a hora de começar e a hora de terminar o trabalho, como acontece com os trabalhadores assalariados. Ao contrário, “o que a gente faz é dentro do que é nosso aqui”, por isso, eles conseguem ver o futuro.

A respeito dessa situação, o trabalho de D‟Aquino (1996), intitulado de “A casa, os sítios e as agrovilas: uma poética do tempo e do espaço no assentamento das terras de Promissão-SP” é bastante elucidativo. Ela mostra a situação de resistência dos trabalhadores assentados em relação à produção coletiva através de uma cooperativa, já que a autonomia buscada na luta pela terra, bem como, o próprio trabalho familiar estava comprometido:

O controle das horas trabalhadas, o horário de dormir, que na Cooperativa funciona como verdadeiro “toque de recolher”, a proibição do uso de bebida alcoólica no horário de trabalho, no espaço da Cooperativa (que é todo o espaço da Agrovila), o fato de terem que “pagar por um prato de comida para oferecer a um parente ou uma visita” e a impossibilidade de parar o trabalho a hora que quiserem, uma vez que todas as horas de trabalho são controladas e computadas para a repartição “das sobras” ao final do ano agrícola, provocaram sérias reações entre os trabalhadores que optaram por abandoná-la (D‟AQUINO, 1996, p. 9).

16

Os camponeses dos assentamentos visitados em Rondon do Pará, em sua maioria, não nasceram nesse município. Eles eram camponeses-posseiros migrantes que saíram das suas áreas de origem para o Sudeste Paraense, como parte da corrente migratória apontada por Martins (1986), a qual se origina no Nordeste e se direciona ao Pará, em busca de terras livres. São pessoas que têm suas histórias marcadas pela expropriação/expulsão da terra e que seguem caminhando em busca de terras livres para se reproduzirem concomintante à (re)construção do seu território.

No Gráfico 5 e no Mapa 9 indicamos o local de origem dos camponeses dos assentamentos rurais visitados em Rondon do Pará. Ele mostra que a maioria dos camponeses dos assentamentos têm sua origem no estado do Maranhão, com 43,47% dos entrevistados. 17,39% são do Pará; 8,69% do Piauí, Ceará e Bahia; 4,34% de Pernambuco; 2,89% do Espírito Santo; 1,44% de Minas Gerais, Goiás e Rio Grande do Norte.

Gráfico 5 – Local de origem dos camponeses dos assentamentos rurais em Rondon do Pará – 2009/2010

Mapa 9 – Fluxo dos trabalhadores rurais camponeses dos seus locais de origem