BÖLÜM 4: OŞ ŞEHRĐNDE YAŞAYAN KARADENĐZLĐ TÜRKLERĐN SOSYAL
4.3. Karadenizli Türklerin Sosyo-Ekonomik Hayatları
Analisando as relações entre o mercado e a firma, COASE (1937:21) chama a atenção para que, além dos custos relacionados diretamente à produção, “os custos de negociação e conclusão de um contrato particular para cada transação que ocorre no mercado também devem ser considerados”. As transações implicam em custos associados à coleta de informação, a negociação entre as partes e formalização dos contratos. Posteriormente, esses custos foram denominados de custos de transação.
A atividade de obter informações relacionadas à transação mostrou-se custosa, principalmente quando a informação é assimétrica. A assimetria de informação ocorre nas situações “em que uma das partes envolvidas na transação possui alguma informação privada, não adquirível sem custos pela(s) outra (demais) parte(s)” (AZEVEDO, 1997:38). AZEVEDO (1997), indica que algumas teorias econômicas, denominadas Teorias dos Contratos, surgiram como decorrência do estudo da assimetria de informação e forneceram importantes contribuições a NEI. Entre elas, destaca-se a Teoria de Agente-Principal que estuda as situações onde uma informação específica é de conhecimento de apenas uma das partes envolvidas na transação (Agente) que pode utiliza- la para prejudicar as demais partes envolvidas (Principal). As operações de crédito rural podem ser entendidas como uma relação de Agente-Principal, onde o tomador de crédito é o Agente e o credor, o Principal.
Entre os problemas decorrentes da assimetria de informação, analisados pela Teoria do Agente-Principal, e incorporada pela NEI, destacam-se a seleção adversa e o risco moral. O fenômeno da seleção adversa ocorre antes do fechamento do contrato, quando alguma das partes omite informações com o objetivo de efetivar a transação. O risco moral ocorre quando, após o fechamento do contrato, uma informação relevante, ao resultado final da transação, é obtida e ocultada por uma das partes ou, ainda, em situações onde uma das partes pratica alguma ação que pode comprometer o resultado da transação e não pode ser monitorada pelos demais participantes. A solução dos problemas relacionados à assimetria de informação implica em custos, denominados custos de informação, na Teoria de Agente-Principal ou custos de transação, na NEI.
Além dos custos de transação relacionados à informação imperfeita, existem outros problemas de adaptação a contratos incompletos que geram custos. Segundo WILLIAMSON (1996), os custos de transação podem ser divididos em custos pré-
contratuais, relacionados às atividades de elaborar, negociar, proteger, finalizar os contratos, e os custos pós-contratuais, relacionados às atividades de controle, monitoramento e adaptação, inclusive às situações em que ocorre a inadimplência “irremediável”, ou seja, naquelas em que ela não pode ser evitada. Grande parte das exigências do credor, em relação aos contratos, é justamente para evitar a inadimplência irremediável (avalistas, garantias reais).
A corrente da NEI que estuda os custos de transação preocupa-se em identificar a Estrutura de Governança adequada a cada transação específica, estudando as transações sob uma perspectiva micro-analítica, assumindo algumas instituições, do nível macro-analítico, como pré-definidas. O foco da análise passa para elementos relacionados diretamente com os agentes econômicos e os fatores que possam contribuir para a redução dos custos de transação. Características particulares dos agentes envolvidos, como a gestão das atividades produtivas e a capacidade de adaptação para alcançar um melhor desempenho econômico, estão no centro das análises.
As transações envolvem riscos relacionados ao não cumprimento dos contratos por uma das partes envolvidas. Para minimizar esses riscos e, também, para tratar das conseqüências, quando problemas acontecem, os agentes econômicos constroem mecanismos e estruturas de governança relacionados à transação. A Economia dos Custos de Transação (ECT) é a corrente da NEI que analise os custos de transação tendo como unidades de análise das transações os pressupostos comportamentais dos agentes econômicos (racionalidade limitada e oportunismo) e as dimensões das transações (especificidade de ativos, freqüência e incerteza). O custo da transação é diretamente proporcional aos riscos envolvidos. Portanto, diminuir o custo de transacionar implica em aumentar a competitividade dos agentes econômicos.
2.3.2.1 Pressupostos comportamentais dos agentes econômicos
Os pressupostos comportamentais analisados pela NEI são: oportunismo e a racionalidade limitada. Com a possibilidade do estabelecimento de contratos incompletos, uma das partes, envolvida na transação, poderá agir de forma oportunista no futuro. Um dos fatores que levam a construção de contratos incompletos é a falta de informações relacionadas à transação e a assimetria de informações entre as partes envolvidas. Essa
última, pode acarretar comportamentos oportunistas: seleção adversa e risco moral, apresentado anteriormente.
O pressuposto comportamental de racionalidade limitada foi proposto por Herbert Simon em oposição à suposta racionalidade plena assumida pela economia ortodoxa (AZEVEDO, 1997). O conceito de racionalidade limitada define que o agente econômico age de forma racional, mas limitadamente. As limitações estão associadas à impossibilidade de se prever antecipadamente todas as particularidades relacionadas a um determinado contrato, tanto em função do volume de informação que necessitam ser coletados e avaliados, em um determinado período de tempo, mas também devido à complexidade das questões envolvidas nas transações, mesmo em uma situação onde as informações estão disponíveis. Segundo Simon, diante de situações complexas e com restrições de tempo, os agentes econômicos tomam decisões racionais que acarretam em uma solução razoável que nem sempre é a ótima (SIMON, 1962). Essa é uma das razões que levam a construção de contratos incompletos. Conforme indicado por Azevedo (1997), o pressuposto de racionalidade limitada é uma das principais diferenças entre a NEI e a Teoria de Agente-Principal (e as demais teorias denominadas Teorias dos Contratos), pois essas últimas adotam o pressuposto de racionalidade ilimitada.
A ação racional dos agentes econômicos, mesmo que limitada, atua no sentido de escolher instituições que permitam impedir o oportunismo, construindo estruturas de governança para transações específicas, visando garantir que uma eventual renegociação futura seja justa para as partes envolvidas.
2.3.2.2 Dimensões da transação
As transações que envolvem ativos específicos, ou seja, aqueles que perdem valor fora do contexto das suas atividades produtivas, aumentam os riscos e, conseqüentemente, os custos de transação. Segundo WILLIAMSON (1996), existem pelo menos seis tipos de especificidade de ativos que explicam grande parte dos custos de transação relacionados a ativos específicos:
1- especificidade locacional – a localização próxima de firmas de uma mesma cadeia produtiva economiza os custos de transporte e
armazenagem significa retornos específicos a essas unidades produtivas;
2- especificidade de ativos físicos: características inerentes dos ativos que os tornam específicos a uma transação, fora daquele contexto o ativo pode perder valor;
3- especificidade de ativos humanos: capital humano especifico a uma determinada atividade, acumulado em forma de conhecimento ou experiência adquirida;
4- especificidade de ativos dedicados – estão relacionados a investimentos em ativos específicos para atender a demanda de um agente determinado, ou seja, adquiridos para a tender a cliente em particular;
5- especificidade de marca: está relacionado ao capital vinculado a marca de uma empresa, importante para os contratos de franquias;
6- especificidade temporal: esta relacionado ao instante ou período de tempo em que uma transação acontece, são particularmente importantes para as transações que envolvem produtos perecíveis. A freqüência também é uma importante dimensão da transação. Uma transação que se repete várias vezes ao longo do tempo (alta freqüência) pode possibilitar a escolha de uma estrutura de governança que permita diminuir os custos de transação, já que os custos de aquisição de informações e elaboração de contratos podem ser significativamente diminuídos. A alta freqüência de transação entre os agentes econômicos leva à construção de reputação entre as partes envolvidas. O histórico das transações fornece informações que subsidiam a decisão relacionada às transações futuras, pois facilitam a coleta de informações relevantes, diminuindo os custos de transação. Com o aumento da freqüência das transações os custos relacionados às atividades de monitoramento das cláusulas contratuais também diminuem, pois o contato mais freqüente permite um acompanhamento periódico do desempenho econômico dos agentes. A manutenção da oportunidade de negócios torna-se um forte instrumento de incentivo e aumentam os custos relacionados a atitudes oportunistas por uma das partes envolvidas. A outra dimensão da transação considerada é a incerteza. Ela está relacionada tanto com a complexidade de elaboração de um contrato, como à dificuldade
para a obtenção de informações que envolvem a transação e o posterior acompanhamento das partes envolvidas. Segundo Azevedo:
“Tanto no tratamento da incerteza enquanto desconhecimento quanto naquele que enfatiza a assimetria informacional, o papel que a dimensão ‘incerteza’ representa é o de revelar os limites da racionalidade e, portanto, evidenciar a incompletude dos contratos” (AZEVEDO, 1997:92).
Uma determinada estrutura de governança é adotada em função da incerteza, freqüência e especificidade de ativos que envolvem uma determinada transação. As estruturas de governanças estariam compreendidas entre dos pólos: de um lado o mercado
spot e do outro a integração vertical. Entre esses dois extremos estariam as formas híbridas,
ou seja, os contratos a termo, contratos a longo prazo, contratos com clausulas de monitoramento, entre outros12.
O estudo sobre as formas de financiamento dos agricultores familiares passa, necessariamente, por uma análise das transações dos agricultores com as possíveis fontes de crédito, agentes financeiros formais (bancos, cooperativas, associações, etc) e informais (parentes, amigos, agiotas, etc). A Nova Economia Institucional – NEI fornece aportes teóricos para o estudo dessas relações, ao considerar a importância das instituições e das estruturas que regulam as transações entre os agentes econômicos em um ambiente complexo.