3. BÖLÜM: DÜNYA-SİSTEMLERİ
3.1. I MMANUEL W ALLERSTEİN VE D ÜNYA -S İSTEMLERİ A NALİZİ
3.1.4. Kapialist Dünya-Ekonomisi içinde yaratılmış kurumlar
Baruki (2015) afirma que diferentes categorias de riscos coexistem e com maior frequência no ambiente de trabalho do que em qualquer outro.
Os efeitos negativos para a saúde associados a riscos profissionais, vão colocando novos, e ainda mais complexos, desafios à prevenção de patologias do trabalho, designadamente no que diz respeito às estratégias ambientais da sua prevenção. De facto, a sua natureza determina a impossibilidade de estipular concentrações máximas admissíveis com a segurança que se obtém na prevenção de efeitos determinantes, uma vez que parece não ser possível traçar níveis de exposição completamente seguros (Sousa-Uva & Serranheira, 2013).
O trabalho, a saúde e a doença estão relacionados com a vida das pessoas, de tal forma que, a actividade laboral, repercute tanto na sua saúde física como mental. Nesse sentido, o trabalho, que é fonte de prazer, ao mesmo tempo implica sofrimento, em maior ou menor grau, e pode trazer prejuízos à saúde dos trabalhadores. No trabalho na área da saúde, isso não é diferente (Santos, Prochnow, Silva, Silva, Leite & Erdmann, 2013).
O prazer no trabalho ocorre quando é permitido ao trabalhador desenvolver as suas potencialidades, o que confere liberdade de criação e de expressão e favorece os laços tecno-cognitivos com o resultado das actividades realizadas. Isso promove a satisfação do trabalhador por meio da consciencialização do seu papel na organização e também para a sociedade em que está inserido (Teixeira, 2014).
Para que tal aconteça devem estar reunidas condições que promovam a satisfação individual, a saúde ocupacional e a minimização de barreiras e riscos profissionais.
A filosofia hospitalar assenta nas prioridades do “cuidar e ajudar”, o que implica alterações quer por parte das instituições como por parte dos profissionais, isto para que sejam prestados cuidados com qualidade, qualidade esta que está sem dúvida ligada à prática diária desenvolvida pelos profissionais de saúde (Teixeira, 2014).
Entende-se que para que exista qualidade, neste meio, é muito importante o trabalho de equipa, para que a articulação dos vários profissionais ocorra de forma adequada mas, que cada profissional desenvolva também o seu trabalho individual de forma serem bem-sucedidos para, assim, corresponder às suas expectativas
individuais, profissionais mas também da equipa e instituição a que pertence (Silva, Dias, Teixeira, 2012).
Passou-se, sem dúvida, a valorizar o desempenho colectivo, o que dá ênfase ao trabalho de equipa, como recurso para responder às novas exigências globais. Mas será importante referir que a relação entre as organizações de saúde e as suas equipas é de alguma forma, complexa. Talvez o primeiro grande desafio desta relação incida na convivência social e no ambiente de trabalho, pois são diversos os obstáculos que dificultam a melhoria do desempenho colectivo, nomeadamente, a contradição que por vezes surge no discurso organizacional, em que por um lado se valoriza e apela à importância de cada funcionário mas, por outro, facilmente o substitui. No entanto, falar em trabalho de equipa é falar de qualidade de prestação de cuidados, e este é um tema de extrema importância (Pinho, 2006).
Segundo Covita, Pacheco & Santos (2011) alguns dos valores essenciais e prioritários para o sucesso da missão nos hospitais são a multidisciplinaridade e interdisciplinaridade na prestação de cuidados, bem como a eficiência e qualidade na prestação dos mesmos. Acrescenta ainda que trabalhar em equipa é mais do que um conjunto de profissionais a trabalhar juntos, pois integra o modo de articulação, de forma funcional, de cada um dos elementos.
Segundo Lopes (2006), no verdadeiro trabalho em equipa a função de cada elemento está funcionalmente implicada no resultado final de um trabalho e na sua qualidade. Refere ainda que a responsabilidade de cada profissional não se restringe à concretização, mas, também passa pela avaliação e reajustamento, tendo sempre em mente o objectivo final. Deste modo, a responsabilidade de cada elemento da equipa passa de ser individual, focada apenas nos procedimentos inerentes à sua profissão e aos papéis individuais do profissional, para uma expansão da sua responsabilidade, de forma a manter a articulação funcional essencial à optimização dos resultados.
Segundo Pinho (2006), a equipa de trabalho, na sua generalidade, tem a capacidade de melhorar o desempenho individual, quando a tarefa exigida requer múltiplas habilidades, avaliações e experiências, pelo facto de serem mais flexíveis, adaptando-se melhor à mudança.
Outro ponto de relevância é abordado por Lopes (2006), que refere que o facto da especialização dentro da saúde ser cada vez mais evidente, traz, sem dúvida, benefícios à evolução dos recursos e técnicas, bem como construção de novos saberes. No entanto estas especializações trazem também uma fragmentação e
descontinuidade na prestação de serviços/cuidados de saúde e esta, ao não ser articulada dentro de uma equipa de saúde orgânica, leva a que cada profissional se centre apenas numa parte do doente.
Os fundamentos para a construção de uma equipa em geral são: o desempenho colectivo, responsabilidade colectiva, tomada de decisão colectiva e uso de habilidades e conhecimentos complementares. Mas verifica-se que nas equipas de saúde existem outros factores que abalam esta estrutura idílica, nomeadamente a dominância de um discurso particular, resultando na exclusão individual e na falta de confiança interprofissional resultante de relações de poder entre as várias profissões. Assim, a equipa de saúde, na sua forma generalizada, deve abraçar o todo, ganhando em qualidade através dos diferentes olhares sobre o mesmo fenómeno (Teixeira, 2014).
Hall & Weaver (2001), referem que uma verdadeira equipa é organizada para resolver um conjunto de problemas comuns, onde cada membro poderá sempre contribuir com o seu conhecimento e habilidade para aumentar e apoiar as contribuições dos outros. Os membros da equipa devem preservar as suas funções especializadas mantendo uma linha de comunicação, colocando-se a eles próprios num continnum de interacções e responsabilidades.
As equipas de saúde, no seu método de actuação podem diferenciar-se, segundo Drinka, Clark & Baldwin (2000), em vários métodos de trabalho, nomeadamente, método multidisciplinar, interdisciplinar e transdisciplinar. Contudo, parece existir uma ligação nestes três métodos de actuação, pelo que se pode constatar que um evolui partindo do anterior. O método multidisciplinar de trabalho em equipa consiste num grupo, formado por vários profissionais de saúde, cujo contributo é dado de forma singular para um todo, o que difere do método interdisciplinar, que é mais interactivo e integrado, onde ocorre uma compartilha de responsabilidades e uma troca de saberes e opiniões, seno necessárias as devidas condições para tal, nomeadamente, a existência de uma linguagem comum, objectivos comuns e o reconhecimento da necessidade de considerar as diferenças existentes entre os vários elementos.
Em resposta às exigências actuais, às previsões futuras, e a título de exemplo, segundo Nubling, Vomstein, Schmidt, Gregersen, Dulon & Nienhaus (2012), as instituições de saúde foram forçadas a reorganizar-se de forma a alterar métodos de trabalho, incorporar os avanços tecnológicos, fazer frente às exigências económicas,
reduzir profissionais, nomeadamente os menos qualificados ou excedentes, investir na formação, alterar espaços físicos e, tudo isto, com o principal objectivo de aumentar a qualidade dos serviços sem descorar a produção mas, aumentando a satisfação dos utentes.
No fundo as políticas de saúde actuais lançam desafios para a mudança na prestação de cuidados, o que exige, por parte dos profissionais de saúde, uma maior adaptabilidade, flexibilidade, autonomia e criatividade (Baruki, 2015).
A realidade, não só em Portugal mas, em toda a União Europeia (UE), é que diferentes filosofias de trabalho, bem como mudanças significativas no mundo do trabalho, em geral, resultaram no surgimento de riscos psicossociais, que têm sido identificados como um grande desafio para a saúde, segurança e bem-estar nos locais de trabalho (Sousa-Uva & Serranheira, 2013).
Em resposta a esta problemática o Comitê dos Altos Responsáveis da Inspecção do Trabalho (CARIT), com representantes da UE, acordaram no desenvolvimento de uma campanha sobre as questões psicossociais, a ser desenvolvida em Portugal pela Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT). Esta campanha pretendia promover a avaliação dos riscos psicossociais nos locais de trabalho e incrementar a melhoria da qualidade das avaliações de risco existentes (Teixeira, 2014).
Segundo dados da ACT (2013), em 2007 cerca de 8% dos trabalhadores portugueses afirmaram ter desenvolvido vários problemas de saúde relacionados com o trabalho e cerca de 50% destes levaram ao absentismo.
Para fazer frente a todas as mudanças e exigências, as organizações laborais seguem uma filosofia de superação constante, com o intuito de melhorar e adaptar a força de trabalho para que haja um acompanhamento tecnológico e para obter competitividade e em simultâneo conseguir um destacamento no mercado global. Segundo Reis, Fernandes & Gomes (2010), as mudanças nos locais de trabalho provocam alterações no meio psicossocial. Isto acontece independentemente do modo de vida e da vulnerabilidade de cada trabalhador, pois os factores psicossociais associados a novos métodos de trabalho são uma das principais causas do comprometimento da saúde e bem-estar dos trabalhadores.
Segundo Villalobos (2004), os factores psicossociais do trabalho são, no fundo, um conjunto de percepções e experiências, resultantes da interacção entre o trabalho, o ambiente laboral, as condições organizacionais, e as características pessoais dos indivíduos.
Segundo Souza, Costa, Shiroma, Maliska, Amadigi, Pires & Ramos (2010), sete profissões de saúde estão no grupo das vinte e sete mais associadas a riscos psicossociais, numa listagem de cento e trinta profissões distintas num estudo que englobou vinte e dois mil trabalhadores. Referem também que os profissionais de saúde estão num grupo chamado de “profissões de ajuda” com múltiplas exigências a nível físico e psicológico, exigências essas que os tornam mais vulneráveis ao risco psicossocial. Acrescentam ainda que uma característica importante associada à actividade dos profissionais de saúde é o facto destes serem responsáveis por outras pessoas, responsabilidade essa que abrange o doente mas, também os familiares e cuidadores. Recai, desta forma, sobre estes profissionais, a responsabilidade humana e social, sendo considerado pelos autores que estas são causadores de níveis mais elevados de stress comparativamente a responsabilidades de natureza material.
Na exposição a factores de risco psicossocial, surgem consequências, que se manifestam individualmente e a nível organizacional. Estas consequências estão dependentes do tipo de exposição mas, também da individualidade de cada profissional.
A ACT (2013), por sua vez, agrupa as consequências para a saúde das agressões psicossociais em sintomas físicos, psicológicos e comportamentais. Os sintomas físicos dizem respeito a: dor, lesões ou alterações músculo-esqueléticas, dificuldades respiratórias, alergias, hipertensão, perturbações cardiovasculares, perturbações sexuais, gastrointestinais, insónias, fragilidade imunitária e fadiga. Os sintomas psicológicos concernem: depressão, stress, nervosismo, ansiedade, irritabilidade, tristeza, alterações de memória, esgotamento, dificuldades de concentração, dificuldades na tomada de decisão, instabilidade afectiva, subjugação, dependência de outrem, oscilação emocional e despersonalização. Quanto aos sintomas comportamentais, referem: isolamento, descuido com necessidades pessoais, aumento do consumo de álcool, tabaco ou drogas, aumento da automedicação, conflitos interpessoais e familiares, agressividade, falta de cooperação, indiferença, faltas ao trabalho e a compromissos, erros e falhas no desempenho, podendo levar até ao suicídio.
No que diz respeito às consequências organizacionais a ACT (2013) acrescenta que estas passam por: comportamentos hostis, erros anormais, trabalho inacabado, acumulação injustificada de serviço, humilhações, boatos contra a reputação e dignidade pessoal, manipulação de informação e comunicação, sobrecarga de
trabalho, diferenciação negativa no tratamento dos trabalhadores, absentismo e aumento de rotatividade, redução na produtividade, maior possibilidade de erro e de acidente de trabalho, degradação das relações de trabalho, ruído nas comunicações, mau ambiente, perdas de eficiência e de vitalidade dos grupos, novas necessidades de formação de trabalhadores, custos com saúde decorrentes de doença, pagamentos de indemnizações e compensações, aumento de conflitos, aumento de reclamações, perda de utentes e deterioração da imagem da própria instituição.
Os riscos psicossociais, numa análise profunda, especificamente na realidade hospitalar, afectam cada indivíduo, o seu desempenho, a articulação da equipa e a sua actuação, o que poderá comprometer a qualidade na prestação de cuidados (Santos, Prochnow, Silva, Silva, Leite & Erdmann, 2013).
Os trabalhadores do ramo da saúde actuam num ambiente às vezes penoso e insalubre, que não oferece condições favoráveis para sua saúde nem satisfação pessoal. A precarização do trabalho, seja pelo excesso de actividade laboral física e mental, a acumulação de horas trabalhadas, sistema de vínculo empregatício, ou até mesmo a má remuneração ocupacional no sistema de saúde, é determinante dos acidentes e doenças ocupacionais (Rodrigues, Silva, Silva, Martiniano, Silva & Martins, 2012).
Ao investigar a concepção dos sujeitos acerca de sua exposição a riscos no ambiente de trabalho, percebeu-se que os mesmos têm consciência dos perigos aos quais estão submetidos por consequência de suas actividades laborais. Vale salientar que o reconhecimento dos riscos existentes no ambiente de trabalho é uma etapa fundamental do processo que servirá de base para decisões quanto às acções de prevenção, eliminação ou controle dos mesmos (Baruki, 2015).
O trabalho neste sector requer esforço emocional, mental e físico do trabalhador e, esses factores, repercutem na qualidade de vida, na saúde e no cuidado prestado. A partir da exposição ao stress, advindo de inúmeras fontes, desenvolvem-se as patologias laborais. O entendimento adequado de factores contributivos destes riscos e das doenças ocupacionais pode colaborar para a tomada de medidas, tanto em nível individual quanto colectivo, que visem a minimização dos efeitos decorrentes do excesso de demandas físicas e psíquicas dentro do ambiente de trabalho (Silva, Dias, Teixeira, 2012).
A diminuição da qualidade da assistência somada à relação de indiferença entre o profissional e a actividade realizada leva a maiores gastos e problemas
organizacionais, além de contribuírem para maior rotatividade do pessoal. Em suma, a diminuição na qualidade do trabalho por mau atendimento, procedimentos equivocados, negligência e imprudência pode afectar o bem-estar do trabalhador, a saúde do cliente e a visão da população sobre a instituição de saúde. Todos estes problemas prejudicam a tríade paciente-profissional-organização. Logo, os clientes mal atendidos arcam com prejuízos emocionais, físicos e financeiros que podem-se estender aos seus familiares e até ao seu ambiente de trabalho (Sousa-Uva & Serranheira, 2013).
Pertinência do Estudo
Este estudo surge depois de uma reunião com o Director de Serviço de Saúde Ocupacional do CHSJ, onde foram discutidos possíveis e pertinentes focos de investigação para esta dissertação mas, quando houve a confirmação do facto de que os três Serviços e profissionais que se encontram a trabalhar no Pólo de Valongo do CHSJ nunca tinham sido submetidos a qualquer tipo de estudo ou análise, houve a confirmação e a certeza de que seria um desafio extremamente pertinente e interessante.
A realidade hospitalar é já há muito tempo foco de interesse, no entanto, os trabalhos e estudos realizados, por norma, focam-se apenas ou numa categoria profissional (sobre Enfermeiros, por exemplo), ou em questões mais ligadas ao stress, burnout ou lesões músculo-esqueléticas, não havendo, assim, tantas pesquisas realizadas com todos os profissionais deste meio e, analisando questões que são cada vez são mais importantes e emergentes, como é o caso dos riscos psicossociais.
O ambiente hospitalar funciona como gerador de situações de tensão e stress, tanto dos pacientes e dos seus familiares, como por parte dos profissionais do meio, sendo estes susceptíveis a depararem-se com situações que afectam o bem-estar e a saúde, podendo até desenvolver patologias ocupacionais.
O reconhecimento dos efeitos do trabalho na possibilidade de desencadear problemas na saúde e, podendo chegar a doença dos indivíduos, tem implicações éticas, técnicas e legais, que se reflectem sobre a organização e a qualidade da assistência prestada. A influência do trabalho como factor causal de dano ou agravo à saúde está estabelecida e dimensionada na sua importância e magnitude, sendo então, de extrema pertinência, analisar os riscos psicossociais dos profissionais que exercem as suas funções em contexto hospitalar.
Assim, compreender os processos envolvidos na análise dos riscos psicossociais e os seus factores, pode ser relevante para a tomada de medidas que auxiliem no desenvolvimento da qualidade de vida e do bem-estar da saúde destes trabalhadores (Martins, 2004).
Desta forma, as implicações do ambiente de trabalho, como as condições, a análise dos riscos, quer sejam psicossociais ou não, bem como dos factores associados, precisam de estudos que os confirmem e justifiquem, a fim de se tornar possível a tomada de consciência dos próprios profissionais, das organizações onde trabalham, e
também do mundo em geral, tentando reduzir as inúmeras repercussões que possam trazer na sua forma mais grave. Para além do referido, fará com que a assistência prestada aos pacientes seja de melhor qualidade e mais humanizada, tendo em atenção as acções em saúde.