C. İcracı Sanatçının Hakları
5) Kamuya İletim Hakkı
Para que se possa ter presente a natureza dos factores que vulgarmente aparecem na literatura como responsáveis pelo fenómeno da indisciplina, realçamos os seguintes grupos de factores: sociais e familiares, escolares-pedagógicos, inerentes ao próprio aluno e contextuais (género e idade).
No caso dos factores sociais e familiares, podemos verificar que o alargamento da escolaridade obrigatória constitui para alguns autores, (Jesus, 2001), uma razão explicativa para a indisciplina escolar, uma vez que permanecem no sistema educativo, alunos que antes não teriam qualquer expectativa em alcançar o fim da escolaridade, o que condiciona a alteração dos seus comportamentos.
Enquadramento e Debate do Problema _________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________ 17 Para Giroux (1986), a instituição escolar é um lugar de resistência e de confronto para certos grupos de alunos portadores de códigos culturais distintos dos que são valorizados pela escola.
Consciente da importância dos factores sociais na indisciplina, Sampaio (1996) alerta os professores para terem em conta a origem social dos alunos, já que alguns dos seus comportamentos podem ser considerados como indisciplinados quando, apenas, reflectem uma realidade diferente da que é valorizada na escola.
No que se refere aos factores escolares-pedagógicos, ao nível do sistema de ensino, Estrela (1992) enumera várias dessas razões que são do conhecimento comum, tais como: escolas superlotadas; turmas numerosas; instalações degradadas; falta de equipamentos didácticos adequados; fraco nível de remuneração dos docentes, factor que afasta do ensino os professores mais capazes e pessoal auxiliar sem formação adequada.
Quanto aos factores inerentes ao próprio aluno, são vários os aspectos que podem estar na origem do seu comportamento indisciplinado, entre eles, os de natureza psicológica. Segundo Silva et al (2000), por detrás de muitos alunos indisciplinados esconde-se um distúrbio psicológico. São exemplo disso, os distúrbios disruptivos do comportamento e de défice de atenção, os distúrbios psicóticos e os distúrbios da personalidade.
No que concerne a algumas variáveis de contexto, como é o caso do género e idade, segundo vários estudos realizados, há uma maior percentagem de comportamentos de indisciplina cometidos por alunos do género masculino do que por alunos do género feminino. Uma explicação possível pode estar relacionada com o facto de a família e a escola, agentes de socialização, esperarem comportamentos mais insubordinados e agressivos da parte dos rapazes do que da parte das raparigas, levando-os a comportarem- se de acordo com essas expectativas (Veiga, 1996).
A confirmar esta relação entre indisciplina e género está a investigação levada a cabo por Amado (1991) em que verificou que a percentagem de rapazes implicados em actos de indisciplina era bastante mais elevada do que a percentagem de raparigas implicadas no mesmo tipo de actos, respectivamente 86.37% contra 13.63%. Em qualquer das categorias consideradas nesta investigação (entre alunos, entre alunos e professor; respeitantes ao
Enquadramento e Debate do Problema _________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________ 18 processo-aula), a maioria dos incidentes relacionavam-se sempre com alunos do género masculino.
Domingues (1995), entre outros autores (Estrela, 1986; Amado, 2001), caracteriza a indisciplina enquanto fenómeno sócio-organizacional e psicossocial e considera que ela resulta de vários factores de entre os quais realça os: estruturais (obrigatoriedade de os alunos frequentarem a escola, a dimensão das turmas, os currículos escolares e a autoridade do professor); os sociais (representações sociais, subculturas docentes e discentes, poderes do professor e do aluno) e os pessoais (objectivos individuais, estilos de ensino e estratégias de aprendizagem).
Para o nosso estudo, parece-nos ser de extrema relevância apontar os factores que são internos á escola. Segundo nos refere Amado (2001), estes podem ser três - a indisciplina e a responsabilidade do professor, a responsabilidade do aluno/turma e a responsabilidade da própria instituição.
No que diz respeito ao primeiro caso tem a ver com as estratégias de ensino inadequadas (abuso do método expositivo, aula desinteressante ou outras incompetências de ordem pedagógica) e a relação pedagógica problemática (manifestar falta de autoridade e firmeza, manifestar falta de experiência; agir de forma autoritária e incoerente e agir de forma injusta).
Relativamente ao segundo caso, tem em consideração o aluno enquanto indivíduo (o desinteresse que este pode demonstrar e as dificuldades de adaptação) a dinâmica social da turma (acção de alguns alunos, acção e pressão de grupos no interior da turma e o clima geral da turma.)
Por fim no que diz respeito à instituição, está normalmente relacionado com gestão de espaços e tempos (a não ocupação dos tempos livres, desequilíbrio entre o tempo de trabalho e de recreio) e a composição das turmas (número elevado de alunos por turma e composição heterogénea das turmas).
Enquadramento e Debate do Problema _________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________ 19 Relativamente às causas de indisciplina, podemos verificar que se podem dever a vários factores como é o caso da família, alunos, grupos e turmas, escola, regulamentos disciplinares e professores.
No que se refere ao primeiro ponto, as causas familiares da indisciplina parecem ter uma grande influência. O interior da família é o ponto de partida, onde tudo começa. É aí que os alunos adquirem os modelos de comportamento que exteriorizam nas aulas. No entanto, muitos pais apontam o dedo aos professores que acusam de não os saberem "domesticar". ―Frequentemente estimulam e legitimam a sua indisciplina nas escolas. Alguns vão mais longe e agridem professores e funcionários‖ (Felipe, 2004, p.34).
O grupo, enquanto conjunto estruturado de pessoas tem uma enorme importância nos processos de socialização e de aprendizagem dos adolescentes. A sua influência acaba por ser decisiva para explicar certos comportamentos que os jovens demonstram. As demonstrações de indisciplina, não passam muitas vezes de meras manifestações públicas de identificação com os modelos de comportamento característicos de certos grupos pertencentes a uma ―sociedade em que os grupos familiares estão desagregados, o seu espaço é cada vez mais preenchido por estes grupos formados a partir de interesses e motivações muito diversas‖ (Felipe, 2004, p.38).
A motivação é um dos factores fundamentais da aprendizagem. Para que seja possível é necessário que os programas sejam próximos da realidade vivenciada pelos alunos e com temas agradáveis. ―Tudo que não passe por isto, é inútil e só pode conduzir situações de frustração, desmotivação, potenciando situações de crescente indisciplina. Estamos
perante um discurso caricatural, mas que se encontra hoje amplamente difundido‖
(Amaro, 2005, p.57).
A organização escolar está longe de ser um modelo de virtudes. Funciona em geral de modo pouco eficaz e eficiente. Há muito que a escola parece ter deixado de ter um papel integrador dos alunos. Embora seja um espaço onde estes passam grande parte do seu tempo, nem sempre nela chegam a perceber quais são os seus valores e regras de funcionamento. Na verdade as escolas parecem estar mal preparadas para enfrentarem a complexidade dos problemas actuais, nomeadamente os que se prendem com a gestão das suas tensões internas.
Enquadramento e Debate do Problema _________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________ 20 Podemos verificar que existem professores que ―provocam‖ mais indisciplina que outros. As razões porque isto acontece são muito variáveis, mas quatro delas são frequentemente citadas: falta de capacidade para motivarem os alunos, nomeadamente através da utilização de métodos e técnicas adequadas; impreparação para lidarem com situações de conflito; forma agressiva como tratam os alunos estimulando reacções violentas; estigmatização e rotulagem dos alunos (Barella, 2005).
A escola deve formar os seus alunos enquanto cidadãos responsáveis, autónomos, com capacidade crítica e reconhecimento dos seus direitos e deveres. A acção docente ―tem que ir ao encontro de objectivos verdadeiramente educativos (…) o próprio processo disciplinar pode ser uma oportunidade educativa‖, adequando o processo à própria pessoa, apostando no respeito que merece e que os outros merecem e da liberdade com as suas possibilidades e limites (Estrela, 1986; Gordon e Burch, 1998 in Amado e Estrela, 2007, p.350).