A. VERGİ UYUŞMAZLIKLARININ İDARİ AŞAMA ÇÖZÜMÜ
7. Kamu Denetçiliği ( Ombudsman) Kurumuna Başvuru
Teóricos de diferentes áreas do conhecimento, ou mesmo sob as diversas orientações do fazer psicológico tem dado papel de destaque ao brincar. Todavia, uma compreensão científica das relações estabelecidas na brincadeira e por meio dela ainda apresenta um vasto campo de investigação. Nesse sentido, a brinquedoteca hospitalar se constitui em mais um contexto para se estudar este fenômeno, sendo uma de suas peculiaridades a própria existência de uma instituição, cuja filosofia é a valorização do brincar livre, concretizada por um espaço visualmente lúdico e organizado para promover a brincadeira. Este espaço inusitado, já que sua implantação no Brasil é recente, além de permitir a investigação do brincar e suas repercussões imediatas e em longo prazo para quem o pratica, pode ser uma via de acesso às concepções de profissionais, crianças e acompanhantes a respeito do brincar e da brinquedoteca.
O aspecto que primeiro se destacou neste trabalho foi a infração dos direitos da criança. Apesar do direito de brincar ser assegurado legalmente (Constituição Federal art. 84; ECA- Lei 8.069/90; Lei 11.104/05; Resolução 41 de 13 de outubro de 1995), somente cinco hospitais de 35 informaram dispor da brinquedoteca. E, além do descumprimento da legislação, o que se percebe é a ausência das sanções previstas no inciso II do art. 10 da Lei nº 6.437/77.
Nas brinquedotecas investigadas, notou-se a necessidade de se resgatar a sua historicidade, tendo em vista que sua forma de se organizar enquanto instituição está relacionada aos objetivos que se propõe a curto, médio e longo prazo, mas também com o seu próprio processo de implantação. A falta de um planejamento formal e documentado das demandas que deveriam ser atendidas, dos recursos humanos, materiais e de infraestrutura necessários, juntamente a um comprometimento superficial dos gestores hospitalares, parecem deixar carências difíceis de serem sanadas posteriormente. Entre elas, o desconhecimento por parte dos técnicos de como o espaço foi implementado e a aquisição de fundos para manter o acervo lúdico diversificado e em bom estado.
Entretanto, verificou-se que estas brinquedotecas criam dentro do hospital um ambiente alegre, descontraído, facilitador de construção de parcerias e de suporte emocional e, principalmente, estimulante à brincadeira, o que pôde ser averiguado pelos dados oriundos da Escala de Autoavaliativa de Índices de Qualidade (EAIQ), da observação e do fotográfico.
Tais resultados ratificam o papel da brinquedoteca na humanização da saúde e fomenta a consolidação deste serviço como um dos instrumentos que viabiliza o Programa Nacional de
Humanização da Assistência Hospitalar - PNHAH (Brasil, 2004), que tem como um de seus princípios a construção de autonomia e protagonismo dos sujeitos e coletivos implicados na rede do SUS, sendo algumas de suas ferramentas a garantia do direito dos usuários de serem atendidos com respeito, eficiência, rapidez, informação e segurança, o que inclui a melhoria dos locais de atendimento e, se necessário, mudanças no espaço físico.
Pode-se salientar que garantir o direito de ser atendido de maneira respeitosa e eficiente é assegurar ao usuário um direito legalmente instituído, como o é o exercício da brincadeira pela criança (Constituição Federal art. 84; ECA- Lei 8.069/90; Lei 11.104/05). Dessa forma, os estudos acerca da brinquedoteca hospitalar tem evidenciado que ela torna o ambiente hospitalar mais acolhedor, aumenta a colaboração da criança ao tratamento e possibilita a manutenção e aprimoramento de seus aspectos sadios e de sua identidade, o que pode resultar em uma recuperação mais rápida e a repercussões favoráveis no desenvolvimento.
A respeito do discurso dos técnicos e dos acompanhantes acerca do conceito e da função desses espaços, observa-se que, em geral, apresenta concepções semelhantes tanto em relação à impossibilidade de se definir a brinquedoteca, desconsiderando seu papel, quanto a respeito das repercussões do brincar ao bem-estar de sua clientela. Isto parece indicar que o fracasso na efetivação do objetivo primordial da brinquedoteca, que é o brincar, descredenciaria o espaço como tal. Esta compreensão por parte dos participantes parece se constituir em mais um indicador de que estes tem conseguido promover o lúdico e suas repercussões, o que poderia ser intensificado caso houvesse uma frequência e um período de funcionamento maior.
No tocante às sugestões de melhoria, propostas pelos acompanhantes e suas crianças, todas merecem ser avaliadas pelas instituições visando à adequação dos materiais lúdicos, bem como dos aspectos estruturais e da dinâmica de funcionamento. Para aquelas apreciadas como incompatíveis às normas de segurança e às regras do hospital, devem-se tornar público as razões que conduziram a tal julgamento.
Em relação à equipe, os dados obtidos pelos instrumentos EAIQ e roteiros de entrevista com a clientela convergem para uma avaliação positiva do acolhimento oferecido pelas instituições. E o fato de todas contarem com profissionais assalariados, implica em um comprometimento institucional, favorecendo um funcionamento mais regular em termos de frequência e de continuidade das atividades desenvolvidas.
Contudo, as equipes se mostraram distintas no que se refere ao número de membros e à formação teórica, sendo que uma delas carece inclusive de se ter realmente uma equipe
voltada à brinquedoteca. Observou-se ainda que somente duas equipes são compostas de pelo menos dois profissionais de áreas diferentes, e segundo o relato dos seus respectivos técnicos falta-lhes uma rotina de reuniões sistemáticas. Uma equipe multidisciplinar cria possibilidades para uma compreensão mais profunda das experiências e das demandas trazidas pela clientela, representando um salto de qualidade no atendimento oferecido.
Diante disso e da relevância científica do estudo do brincar, das relações que se estabelecem por meio dele e de suas implicações no desenvolvimento, torna-se cada vez mais urgente a inclusão de pesquisas relativas à brincadeira e ao processo de adoecimento dentro da academia, além de cursos classificados como os da área da Saúde, que poderiam ser contemplados nos Projetos Político-pedagógicos dos cursos da área de Educação. Assim, a brinquedoteca se apresenta tanto como ambiente de aprendizado, onde diversos conteúdos científicos ganham tons de vivência, particularmente aqueles referentes ao desenvolvimento humano, como objeto a ser teorizado e investigado.
Na perspectiva científica, ressalta-se que os resultados apontam que a brincadeira é percebida pelos participantes como fator de prevenção e de promoção da saúde, além de geradora de oportunidades de um desenvolvimento saudável da criança adoecida, sendo a brinquedoteca o espaço propiciador do brincar por excelência.
O número reduzido de participantes limita a generalização desses dados às brinquedotecas de outros municípios, entretanto indica a necessidade de investigações acerca da história e da qualidade dos serviços e espaços oferecidos pelas brinquedotecas hospitalares brasileiras, o que permitiria o conhecimento de seu perfil e a produção de evidências empíricas que corroborassem ou lançassem reflexões diferentes das originadas neste trabalho.
Acredita-se que a inclusão dos gestores e de profissionais, que atendem as crianças, na pesquisa, mas exercem suas atividades fora da brinquedoteca, poderia ter fornecido um panorama mais amplo de como a brinquedoteca se insere institucionalmente, aspecto que parece ser relevante na busca de indicadores de qualidade e, consequentemente, na avaliação desses espaços. Por isso, sugere-se que pesquisas futuras nesta temática os incluam.
No tocante aos instrumentos utilizados, o uso da EAIQ nas brinquedotecas belenenses teve a peculiaridade de ter sido aplicada em mais de uma pessoa por instituição, já que diferente das brinquedotecas investigadas na Grande São Paulo, as brinquedotecas investigadas nessa pesquisa, em metade estava ausente a figura do coordenador. Se por um lado isto expôs a avaliação de diferentes atores, por outro dificultou a comparação entre os hospitais.
organizar as afirmativas, que compõem o instrumento, de forma congruente. Contudo, averiguou-se que os itens referentes aos brinquedistas e voluntários podem ser interpretados de diferentes formas, o que pode resultar em uma computação errônea dos dados e comprometer a imparcialidade. Nesse sentido, sugere-se que sejam investigados os critérios que os participantes utilizam para definir quem são e as atribuições do seu pessoal.
Salienta-se, tal como outros pesquisadores que utilizaram a EAIQ, que a análise qualitativa dos dados obtidos por meio deste instrumento se mostrou apropriada para investigação de indicadores de qualidade, já que longe de visar um ranqueamento entre as brinquedotecas, os estudos tem se utilizado deste para traçar um panorama do processo de implantação, funcionamento, clientela e equipe das brinquedotecas brasileiras, indicar que aspectos parecem favorecer a concretização dos objetivos que estes espaços se propõem e quais poderiam dificultá-la e construir e avaliar os próprios critérios que estão sendo empregados para a investigação da qualidade dos serviços e locais oferecidos.
Dessa forma, a partir da EAIQ, da Carta das Ludotecas Francesas e dos resultados encontrados propõe-se a inclusão de alguns itens que parecem representar importantes indicadores de qualidade da brinquedoteca hospitalar: se há previsão de avaliações durante o curso da ação e reajuste se necessário, se é feito algum relatório das atividades, bem como avaliação quanti-qualitativa dos impactos da brinquedoteca no hospital, se há filiação à rede nacional de brinquedotecas, se tem definidos os papéis, tarefas e responsabilidades de cada membro da equipe, se são realizadas atividades sócio-culturais, como celebração de datas festivas, se o acervo e a decoração contemplam aspectos culturais da comunidade da qual o hospital faz parte e se são oportunizadas brincadeiras tradicionais, se existe um regulamento interno, se são apresentadas as regras e o funcionamento do espaço ao público, se são afixadas informações sobre o funcionamento na entrada e no interior da brinquedoteca e se é realizado atendimento às crianças que estão no leito.
Pondera-se que o uso da EAIQ e de quaisquer outros instrumentos que visem descrever e avaliar as brinquedotecas em escala nacional deve ser complementado com indicadores de qualidade peculiares ao contexto em que a brinquedoteca está inserida. No caso de alguns participantes deste estudo, por exemplo, a presença de ribeirinhos e indígenas, demanda aos profissionais ter algum conhecimento sobre sua cultura e localização geográfica, bem como dispor de acervo lúdico, decoração e oferecer atividades que façam sentido para suas histórias de vida. Isto estimularia o comportamento de brincar da clientela, amenizaria a estranheza frente ao ambiente hospitalar e oportunizaria o domínio sobre alguns de seus aspectos.
No tocante a indicadores de qualidade legalmente instituídos, verificou-se a existência de poucos parâmetros existentes para avaliar estes espaços, o que provavelmente se deve ao fato de que a implantação deste serviço é recente no Brasil. A regulamentação (Portaria nº 2.261/2005), que estabelece as diretrizes de instalação e funcionamento das brinquedotecas hospitalares, oferece parcos delineadores de como ela deve ser estruturada e da formação do corpo técnico.
Em relação aos roteiros de entrevistas, identificou-se no decorrer da coleta de dados que poderiam ter sido incluídos naquele utilizado com as crianças e adolescentes tópicos acerca do conceito e papel do espaço, conhecimento de sua rotina de funcionamento, relação do brincar com a recuperação da saúde e desenvolvimento, tendo em vista que alguns pacientes, que estavam próximos ao seu acompanhante durante a entrevista destes forneceram informações que estavam sendo solicitadas ao adulto, ora de forma espontânea ora a pedido do entrevistado.
Conclui-se que os dados deste estudo fornecem indícios do caráter valorativo atribuído ao brincar por profissionais e usuários das brinquedotecas hospitalares belenenses, bem como o favorecimento do brincar livre dentro de um contexto tradicionalmente rígido e impessoal, o qual poderia ser potencializado se o período de funcionamento fosse estendido, se houvesse mais investimentos em recursos humanos e materiais, a documentação de seu planejamento, atividades e respectivas avaliações e análise das repercussões do espaço àqueles que dele participa.
Considera-se que esta investigação contribuiu para por em evidência a necessidade do estreitamento entre o saber científico, as práxis e as demandas sociais. Nesse sentido, a academia pode e deve ser uma instituição que potencializa esse processo por excelência, o que poderia ser viabilizado por meio de estágios curriculares e projetos de extensão. Apesar do objetivo deste estudo estar vinculado a uma formação acadêmica e seus resultados atrelados a esta finalidade, apreende-se a partir destes que os ganhos desta aproximação são mútuos.
À medida que a brinquedoteca é mais um dos contextos em as crianças podem estar inseridas, esta se constitui em lócus para que os cientistas do desenvolvimento humano possam hipotetizar, testar e produzir conhecimento acerca de seu objeto de estudo. Acrescido às questões que já estão postas pelas teorias, outras emergem a partir da vivência daqueles que participam do espaço e podem apontar diretrizes de quais aspectos poderiam ser averiguados.
Com frequência, são divulgados materiais que apresentam repercussões da implantação da brinquedoteca para seus usuários e para o hospital com escassos ou inconsistentes dados empíricos de como este processo se deu, as pesquisas podem auxiliar a
preencher essa lacuna, delineando variáveis e propondo estratégias para otimizar a efetivação dos objetivos a que o espaço se propõe.
A aproximação entre o saber científico e o saber prático, relacionado ao contexto da brinquedoteca hospitalar, pode auxiliar a compreensão do funcionamento do sistema familiar em uma situação de crise e suas estratégias de enfrentamento e as interrelações entre o adoecimento, a brincadeira e a trajetória de desenvolvimento da criança, favorecendo um atendimento cada vez mais qualificado às crianças hospitalizadas e suas famílias. Assim, as investigações nessas temáticas podem fornecer mais subsídios para sustentar e enfatizar a relevância de direitos já assegurados legalmente às crianças, como a oportunidade de brincar nos hospitais e de um atendimento que leve em consideração a fase peculiar de desenvolvimento em que se encontram.