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H1

A Brinquedoteca “Brincar é coisa séria” foi implantada em 2006, ou seja, após a promulgação da Lei 11.104/05. Os técnicos informantes não eram funcionários do referido hospital neste período e, portanto, estavam ausentes da elaboração do projeto e da efetiva construção do espaço. Devido a isto, eles relataram ter conhecimento de parte do processo que resultou na brinquedoteca, como pode ser observado nos parágrafos a seguir.

Os técnicos TH1A e TH1B destacaram dois fatores que suscitaram a criação do espaço, um é o entendimento por parte da equipe de que a pediatria que se deve propiciar à criança a continuidade de seu desenvolvimento e o outro a promulgação da Lei 11.104/05. Já a participante TH1C discorreu apenas acerca do primeiro aspecto. As falas a seguir ilustram tais observações: “[profissionais] viram a necessidade de se ter uma brinquedoteca, até como forma de cumprir a lei que é de 2005” (TH1B) e “(...) as pessoas perceberam que a criança precisava de um espaço pra fazer escolhas, pra ser ela, ser criança, poder brincar”. (TH1C).

Em relação aos técnicos que estiveram envolvidos na implantação do serviço de brinquedoteca, foram citados profissionais da Pedagogia, Terapia ocupacional, Serviço social, Fonoaudiologia e Medicina. Vale ressaltar que nem todos os entrevistados enumeraram os mesmos profissionais.

Acrescido a isso, os técnicos apresentaram informações incongruentes ao serem questionados se houve um levantamento das demandas à brinquedoteca e se o projeto continha uma descrição de como esta deveria ser organizada, como se verifica na seguinte fala: “Olha eu não sei [levantamento de demandas], mas eu acredito que sim (...). O projeto foi feito, mas eu não sei se descrevia como ia funcionar...” (TH1A).

Os técnicos foram unânimes ao afirmarem que a criação da brinquedoteca foi viabilizada por meio de parceria entre o setor público e privado. Eles relataram que o projeto de implantação foi enviado a uma empresa que custeou a infraestrutura, os materiais lúdicos e os de escritório, ficando sob responsabilidade do hospital a lotação e remuneração de pessoal, o que foi efetivado por meio de concurso público.

H2

De acordo com os participantes, a brinquedoteca “Espaço Curumim” iniciou suas atividades em 2002, depois que a instituição havia ganhado o título de hospital da criança, o que estimulou o desenvolvimento de ações direcionadas a essa clientela.

Entretanto o espaço em que a brinquedoteca funciona havia sido planejado como área de recreação às crianças hospitalizadas desde o projeto arquitetônico do prédio hospitalar. Segundo uma das técnicas: “A arquiteta já projetou o prédio com esse espaço e não existia ainda a lei, mas ela teve essa sensibilidade” (TH2A). Apesar de ser denominada de brinquedoteca desde 2001, TH2A afirmou que o espaço funcionava como sala de recreação, já que seu acesso era restrito e havia poucos brinquedos.

Os profissionais envolvidos na implantação do espaço foram uma terapeuta ocupacional e uma psicóloga, as quais não fazem mais parte da equipe. Em relação à construção de um projeto prévio e de um levantamento das demandas a serem atendidas pelo espaço, os entrevistados afirmaram desconhecer se algum deles ou ambos foram realizados.

A brinquedoteca é um dos oito subprojetos do Projeto Curumim, o qual foi escrito em 2006, mas desde 2009 está em fase de atualização, devido à entrada de novos profissionais (assistente social e pedagogo). Contudo, até o final da coleta de dados o mesmo não havia sido concluído, pois ainda carecia de que alguns técnicos escrevessem acerca de suas atividades e do seu papel. Algumas das atividades desenvolvidas pelo Projeto Curumim são os grupos de orientação e escuta de acompanhantes e o Espelho-espelho meu, realizado por

voluntários que vão ao hospital e oferecem aos acompanhantes e as crianças serviços de salão de beleza.

H3

A brinquedoteca foi construída há aproximadamente 10 anos, mas o hospital dispunha antes de uma sala de recreação com brinquedos, em outra dependência da instituição. Somente TH3A trabalhava no hospital neste período e, segundo esta, o que suscitou a criação da brinquedoteca foi que as crianças ficavam deprimidas, ociosas e não queriam fazer o tratamento.

Apesar de TH3A atuar na sala de recreação durante a implantação do espaço, a mesma afirma não ter participado da confecção do projeto e da aquisição dos recursos lúdicos e de expediente. No que concerne a idealização da brinquedoteca, as técnicas destacaram a participação de profissionais da enfermagem e, TH3A acrescentou ainda, os do Serviço Social, a diretoria e um arquiteto. De acordo com TH3A, o projeto que orientou a criação do espaço foi desenvolvido pelos dois últimos e contemplava os aspectos de infraestrutura.

Sobre um possível levantamento de demandas à brinquedoteca para subsidiar sua implantação, TH3B afirmou desconhecer se houve esta análise, justificando que nesse período exercia suas atividades profissionais fora do hospital. Já TH3A verbalizou: “Não, não teve levantamento, (...) fizeram [diretoria e arquiteto] apenas a parte arquitetônica, não o projeto da brinquedoteca”.

Segundo as técnicas, o espaço faz parte do Projeto Prosseguir, que inclui também a classe hospitalar. Esse foi construído por profissionais da Pedagogia e do Serviço social e pode ter seus eventos conhecidos por meio da página eletrônica http://prosseguirseducpa. blogspot.com/

H4

A brinquedoteca foi criada no ano 2000, sendo que somente a TH4A atuava no hospital durante a implantação, contudo sua vinculação era com uma instituição de ensino superior, cuja atividade de docência era realizada no referido hospital. A técnica TH4B afirmou ter poucas informações sobre o processo de criação da brinquedoteca, argumentando que sua atuação no H4 é de somente um ano.

TH4A aponta dois fatores que teriam motivado a implantação do serviço: um diz respeito às práticas e as demandas pertinentes à atuação na pediatria e o outro, aos resultados do uso do lúdico pelos profissionais da Terapia ocupacional, o que pode ser verificado nas

falas a seguir: “(...) houve uma necessidade do cotidiano delas [assistentes sociais], da prática (...)” e “(...) essa realidade da brincadeira dentro do hospital [promovida pela terapia ocupacional] despertou isso, de ver que naquele espaço as crianças ficavam mais alegres, mais calmas, mais participativas, que tinha uma influencia na enfermaria (...)”.

Segundo as participantes, os técnicos do hospital envolvidos com a criação do espaço eram da área da assistência social. Entretanto, houve discordância entre suas respostas no que se refere à realização de um levantamento de demandas e à elaboração de um projeto de implantação. Como se pode verificar nas seguintes verbalizações:

“Acho que sim, porque eles precisavam compor um documento do porquê da brinquedoteca”. (TH4B)

“(...) então não teve: „vamos sentar aqui pra ver, pra fazer [projeto]‟. (...) Eu sempre digo que a gente fez um caminho inverso, a gente não saiu da teorização pra concretizar, mas foi a partir da nossa vivência prática”. (TH4A).

De acordo com TH4A, as assistentes sociais procuraram um espaço em que a brinquedoteca pudesse funcionar e solicitaram-no à direção do hospital, que atendeu ao pedido. O local havia sido planejado para ser uma lanchonete, mas estava desocupado, então a instituição cedeu o espaço e um aparelho de som, e as técnicas adquiriram os brinquedos, mesas e cadeiras por meio de doações.